segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Romances Perfeitos

Romances Perfeitos

1-A puritana


   Essa história começa numa pracinha da zona sul carioca. Com todos os clichês possíveis. As mocinhas e os rapazolas, seus desejos e aspirações rodeiam a atmosfera do submundo.
   Nessa terra Joaquina tem alucinações perturbadoras, alucinações lancinantes, são fisgadas da memória que ela tem com relação a um rapazola que lhe fazia a corte. Ele era João. João era esquálido, de uma personalidade e caráter forte e índole ímpar. Sujeito protagonista de uma estória que nada tinha de sóbria.... João da zona sul carioca da gema.
   Ano de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. Onde as Pin-ups vibravam transeuntes com seus vestidos esvoaçantes. Dos Cadillacs e Rabos de Peixe. O motor ainda que não deveras ser envenenado envenenava a alma dessas raparigas que entravam no carro carona a dentro e paravam no drive-thru para assistir filme de qualquer nu, de qualquer nuance... que nesses romances perfeitos cambalhotavam a cada instante.
   O destino quisera assim, que João e Joaquina se encontrassem na praça do Lido no dia 30 de Novembro de 1950. E desse instante momento o olhar virou fermento frenético opulento. Foi química, pura química na veia de ambos. Foi um olhar carnal e divinal. O mundo girando em círculos numa tarde de sol que iluminava a praça do Lido. Nesse cenário eles se cruzaram e se tocaram de leve - o cotovelo dele na tez de Joaquina denunciava o preludio do limiar de um festejo da vida.
   Joaquina moça (rapariga) de família estava livre d'alma e queria a calma de um sentimento maremoto. Um comichão lhe subiu pelas saias. Joaquim muito distinto procurou esconder seu desejo mais vital. Deixou a moça passar e esperou o Carnaval. Haveria uma chance no baile de máscaras para que as famílias não soubessem, para que os vizinhos não soubessem, para que o mundo não soubesse.
   Joaquina apesar de puritana não queria casar. Queria amar sentir o ardor desse movimento circunstância. Queria a senti-lo dentro dela de uma forma expressiva e abusiva, era o desejo brotando na menina de 19 anos.
   Algumas amigas mais saídas lhe diziam que era tardia a sua rebeldia e que o seu pai grande comerciante do Lido faria de tudo para que esse romance perfeito não procedesse.
   Mas não larguemos de lado nosso protagonista. Joaquim tinha o estilo perfeito da pureza que despertava os sentimentos mais frescos nas mocinhas de toda a cidade, as quais sempre comia nos cantos escuros das ruas escuras. Era o biótipo do sonho de casamento e da ebulição dos sentimentos carnais. Era o Casa Blanca que rodava a cidade noite a fora fumando seu cigarro com todo charme incutido dos astros do cinema americano. De família abastada donos de uma das maiores relojoarias do Rio de Janeiro. Joaquim tinha um ar carismático que fazia as raparigas latejarem. Era o cara de bela cara que mostrava que na testa que não valia nada, contudo como sabemos nós que é dos cafajestes, os quais, elas sempre gostam mais. O puritanismo da época já borbulhava nas taças de champanha das festas da alta.
   Vamos aos fatos:- A virgindade de Joaquina já estava por um tris o latejar desse desejo já lhe subira a cabeça. Uma de suas amigas lhe ensinara a se tocar para matar o desejo, ainda assim o pai observador controlava somente com o olhar a filha. Nosso Casa Nova parte para o ataque e a bela mocinha covarde tenta não ceder aos encantos e charme do nosso herói viril. Era Carnaval minha gente era o carnaval. O abre alas que eu quero passar... muito confete e serpentina e lança perfume.
   Num rompante, no meio do salão do Copa, ele a toma num beijo, ela começa a se masturbar, saem da penumbra e vão para uma saleta onde havia um piano. Joaquim a coloca sentada em cima do piano que faz um do ré mi fá só lá si estrondante. Ele pede para tocá-la, ela hesita: -a imagem do olhar onipresente do pai é tão presente que nossa donzela diz que não, e que sabe que a fama do nosso herói pode destruir-lhe a imagem de santa. O olhar do pai a perseguia durante o ato, porque seu pai já havia imposto o noivo perfeito, o marido perfeito. O olhar do pai então durante a sua masturbação se mistura com o olhar do noivo como um olhar único castrador. E ela para matar o desejo da paixão com o Casa Nova e manter-se sob a vigília das santas normas (tutela) do pai e do noivo prefere ser desvirginada no coito anal. Joaquim com toda ternura tenta lhe abrir as pernas e tocar sua vulva, mas ela resiste e vira de bruços- ele num desejo último açoita a donzela como ela pedia.
   No dia do casamento de sua princesa Casa nova lhe pedira que desistisse que ele mudaria sua vida para ficar ao seu lado. Creio eu caro leitores que casa nova nunca havia comido um rabo...
A donzela da de ombros e vai pros braços da felicidade fabricada, tem três filhos e é infeliz.

2-A sóbria do Flamengo

   Noite de lua cheia. A sóbria do Flamengo saia de bar em bar para se embriagar. Numa dessas noites encontrou Pedro Paulo que era biriteiro de primeira, os dois sentam-se no bar e começam uma conversa fiada que vai durar a noite toda.
   A sóbria do Flamengo se chamava Helena, sim como a de Troia. Nossa querida protagonista vai ao banheiro por um instante para retocar a maquilagem e Pedro Paulo coloca um calmante na bebida de sua parceira de conversa.
   Helena volta fagueira do toilette e bebe com vigor seu drink e no bar toca um lounge com beats inebriantes. É nessa hora que Pedro Paulo a puxa pra dançar e os dois contagiam a pista de dança e nesse embalo vão revirando as cabeças que olham por cima das mesas.
   Pedro Paulo a leva para o banheiro e a faz vibrar com um beijo de cinema, coloca sua mão por debaixo do vestido vermelho sangue e a fez ter pensamentos lancinantes.
Helena eufórica goza e uiva de prazer e cessa o beat da boate.



3-O pervertido do Arpoador

   Flávio era um surfista de primeira categoria, pegava as ondas mais perfeitas, tinha o corpo perfeito e a mente poluída.
   Flávio gostava de meninos mas também azarava as coroas de Ipanema. Era amado e mimado pelas viuvinhas, mas amava um arquiteto. Heleno tinha a mente aberta casado com Fernanda ( Fernanda era psicopata ).
   Flávio arrancava das coroas mal amadas para jantar nos melhores restaurantes com Heleno- era uma bifurcação multilateralista mutualista onde todos esses fluidos convergiam. Eram tantos casos entre eles, tantos braços e tantos abraços.
   Num sábado a noite Fernanda flagra os dois fazendo amor no seu ninho de amor. Ela aponta para os dois e dispara três tiros propositalmente erra. Seu sentimento de impotência era tamanho que ela acaba atirando na própria cabeça e Flavio continua tirando onda até que uma onda lhe afoga.

4-Ela e eu.

   Saímos para jantar e nos jantamos. Saímos na noite de Copacabana, ela mesma a Copa Bacana, de gente de todo o lado, de todos os lados. As belas moças de salto alto davam reviravoltas com suas perucas de cabelos reais.
   Nosso caso era real. Nossa vida era real. Tudo era puro realismo na nossa doce ilusão. Era tão real que doía. Comíamos, jantávamos, gozávamos e vomitávamos.


5-Micro-conto.

   Eu que quisera deveras a quimera contara que deveras parir essa ideia micro-conto eu te conto esse conto eu que te conto essa estória eu, mas é tanto eu porra cansei dele, quero ser mais eu!



6-Com puta dor

   O computador é o esquadro que mede o cilindro dos meus vícios, dos meus bêbados, dos meus viciados. Tragam-lhe a Helena de Troia, sua heroína.

7-O cavalo de Troia.

   Mas que merda de vírus, mas que vírus de merda, bosta de cavalo na cancela, leite de vaca queimado na panela...
saião socado na panela de barro pra expelir o catarro. Esse conto poesia vai pro meu caralho.

8-Página em branco.

   Voa conto, vai contar minha história ou estória ou escória ou escola ou fermento ou gradação ou polenta. Cabeceia a opulência do opulento. Livra essa pobre gente de qualquer tormento que pecando dorme em paz.

9-Aos pudicos de amor

   Goza Goza Goza Goza e Goza vão aprender a mamar polla! Ai que me corro a gozar! Disse eu essas palavras e a espanhola: - Ai que me corro! Ai que me corro!

10-Rosa Vermelha

Taverna dos olhos do pecado, nove de outubro. Em meio as luzes do quarto ressalto a cor da rosa vermelha, que caminha nas pontas dos pés e dança como flutuam as folhas secas das árvores na ruas.
Nessa noite enluarada toda aquela cousa, ela mesma a dama do perfume incendiante. A rosa desabrochou o seu amor, e o seu maior erro foi ter se entregado não de corpo, mas sim de alma.
Sua vida era a luta e o suor de cada chama e o desenrolar das horas pagas, e o cruel despir de ambas as peles caminhava conforme as convenções , descobriu no amar uma coisa rara, toda a mágica e a meretriz infeliz, a bela e desejada Rosa Vermelha, deixava de ser a a rainha das gatas borralheiras.
Derramou-se nas entranhas do que sentia seu coração e estava de braços abertos esperando e sentindo a segunda visita, daquele que outrora lhe tomara o ar, e que nem mesmo em terra fértil não poderia mais se criar sem esse cravo para alimentar e saciar sua sede de paixão.
E ele veio pela pela segunda vez, e com ele flores e o queimar das rosas, assim apresentou-se, em meio a um beijo fervoroso, como André, o anjo perfeito e fiel.
Na terceira vez encaminharam-se para fora do Cabaré. A princípio a Rosa não nascera para amar e nunca poderia ser de ninguém, mas o fogo foi mais louco que o seu destino, do que o seu medo de amar e do que o seu valor.
Caminhando pela rua afora pela madrugada, chegaram a ver estrelas em coisas mortas e sentiram-se plenos diante do mundo. Ela meretriz. Ele anjo! Opostos e tão iguais, todos os jugaram imorais e a felicidade durou tão pouco e aos vinte e oito anos no dia vinte e oito de Maio do ano seguinte, o amor foi destruído pelo simples desejo. Ela nunca o traíra, mas o anjo perfeito tinha seus defeitos e a carne fraca. Procurou no mesmo bordel outra devassa, a mesma que matou Rosa, nesse dia com vinte e oito facadas.
André tomou nos braços a amada, naquele rio de sangue que encarnou a ladeira, e pediu perdão e Rosa chorando respondeu:
- Estou feliz, morro por ti meu amor, desejo a ti, aqui, no céu o no inferno, morro de paixão, te perdoo e te espero na fantasia dos meus sonhos perfeitos, na ilusão de que você sempre me amou.


Brás Cubas.