quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

No envoltório da santa arte

No envoltório da santa arte.

A arte anda me cercando
Ela anda no meu calcanhar
A arte anda me alfinetando os ossos
Me estraçalhando a alma
A beleza da arte me acalma

A arte anda me perseguindo
Ela tem lá os seu gemidos
A arte goza da minha cara
A arte anda me consumindo

A arte anda me perseguindo pelo caminho
Eu que no pé da arte ando
Não ando sozinho

A arte não é brincadeira meu amigo
E é brincadeira quando lhes digo
Que a arte está estampada nos muros da cidade
Nos versos dos poetas
Nas bocas dos amantes
Nos beijos não dados

A arte anda a cavalo
No trem
Vai e vem
A galope vem troteando meu verniz
Ela que me fez Arlequim
Para a arte desse Carnaval

A arte anda me perseguindo
No cinema
No escurinho

A arte anda me perseguindo
A arte anda me perseguindo
Cacete! A arte anda me perseguindo!

Brás Cubas.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Axiomas

Há certas flores que deviam nascer só para serem admiradas, tamanho o esplendor de sua alma.

Brás Cubas.

Quem sabe?

Quem sabe se sabe?
Quem sabe?
Quem sabe de si?
Quem a si pertence?
Quem lhe deu o presente?
Quem lhe trouxe o passado?

Quem sabe de si sabe
Sabe que o outro é o outro
Vós sois igual a ninguém
Quem sabe multifacetado
Quem sabe do passado?
Quem sabe?

Quem sobe a escada do tempo?
No passo lento de cada passo
Eu que passo a ferro e a aço
Já sei quem sou

Quem sabe de si sabe.

Brás Cubas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Axiomas

Há de certo uma beleza nesse esconderijo. Ai de mim que não me atrevo em bater na porta da ilusão de outrem sem permissão. Ai! do amanhecer das notas musicais dos compositores que gritam frenéticas em calmaria energética buscando um consolo na paz.

Brás Cubas.

A Lince

Eu tento não entrar nos sonhos da Lince
Eu tento escapar do leão e do tigre
O sonho está na floresta
É um sonho de festa
O sonho não soubera
Que dormir é Primavera
A lince é arredia
Gosta do canto da Cotovia
Eu se pudera não sonhava com a Lince
E sonhar não é escolha
No sonho a Lince me disse outra coisa
Coisa qual me espantou
Medo me deu
Mas eu que nado de costas
Não vou me arrepender
Simplesmente a Lince vai ao mar
Se banha em minha alma
Como pode ela não querer estar na minha tocaia?
Se a Lince vai ao mar
Eu com a Lice sonho
Ela me fatia em pedaços para admirar cada parte do meu ser
A Lince quer ser Albatroz
Já se fez meu algoz
E agora nem eu sei o que dizer
Que a lince me deu um presente
Os versos dessa poesia contente
E da poesia não saio
Não largo
Não me mudo
A poesia e o mar são alma minha
Eu não sei tatear o terreno da Lince
Eu não posso aprender o que ela não me deixa ver
Lince quando te calas não sei
Quando falas não sei
Quando respiras não sei
Quando amas não sei
Quando cantas não sei
Quando andas não sei
Quando bebes não sei
A quantas andas não sei
Só sei que você é lince.

Ah! Lince não sei a qual universo pertences mas agradeço veemente a inspiração que me traz. Quando ao mar vais torna-te quem és e me pisa quando pisa na areia branca do mar. Quando te banhas eu apanho sem chorar e eu sorrio por me inspirar. Quando te banhas é como o sexo lunar. Eu te esfrego a cara lavada na areia, a mesma que me fizeste beijar. Sinto muito Lince! nesse imbróglio de mais prazer do que dor não estou ao seu dispor, mas sim a favor da poesia que já nasceu minha amiga quando a mulher me pariu.

Brás Cubas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Traumatologia mecânica

Traumatologia mecânica

Vinde a mim tempos modernos
Eu que já desespero
Vinde a mim traumatologia
Vinde a mim a tua ilha
Vinde a mim como quem vai
Vinde a mim a Opala
Vinde a mim tu que sois guerra e paz
Vinde a mim rapaz
Vinde traz a mecânica dos teus termos
Vinde que assino os teus conselhos
Numa febril verdade insana
Vem vamos chupar cana
Vinde de forma a não voltar
Vinde brincar
Vinde no circo dos sortilégios
Que vos bendiga o clérigo
E o santo católico no altar
Vinde e buscas o que procuras
Vinde das montanhas ao mar.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

O suor já me escorre nas veias tuas. O sabor da língua tua na minha está. Eu estou onde tu fores. Pois no teu coração. Eu habito lá. Eu já fui no caminho que caminhastes, sei que toda essa baboseira não parece verdade, mas contigo onde tu andas vou estar.
O calor já me sobe as entranhas. Eu que de manhã em manhã busco qualquer café volto a estar.
E o coração já me bate fraco por você não estar.
Seja você a pluralidade que encontro no ar.
Seja o labor da enxada na mão larga.
Na força do teu pensamento quero habitar
E as coisas me escapam das mãos.
Ninguém consegue enxugar a ilusão.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

E que loucura outrora eu tivera quando navegara no teu mar de ilusões e no teu passado tão presente quase um furo no futuro do peito apaixonado.
E que quimera eu houvera de te perder quando não te encontrei a alma jogada às traças no meio das notas musicais do teu trampolim.
Ah! se eu te salvo a nado não te devolvo para o mar sagrado.
Ah! se eu desbravei teu corpo num olhar que pecado meu corpo quis. Eu só sei que não sei mais por onde vagas tua alma brejeira.
Ah! a loucura pintou seus lábios para esse carnaval. Ela há de lhe dar um beijo de um eterno momento.
Veja bem meu querido a tua chama vai queimar em outra lenha e depois não me venha querendo se acalmar no meu mar.
Ah! Se tu soubesses o que cantam os pássaros nas manhãs das montanhas.
Ah! Se tu soubesses que o coração já te engana.
É amar é loucura coração.

Brás Cubas.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Caminhada.

Caminhada.

Ando me embolando com amores a torto e a direita
Ando marchando nos pés da esquerda
Ando cantando como canta a flauta doce
Ando a cavalo
Já não quero dar coice

Ando andando como quem caminha sem volta
Ando batendo na própria cara das portas
Ando bebendo no sei da solidão
Ando feliz

Ando farfalhando pedaços de sentimentos
Ando nas chuvas do verão
Canto o sol no clarão
Ando marchando meu irmão

Escondo o ópio no bolso do capataz
Ando com a voracidade dele que é voraz
Ando carcomido por centelhas de outrem
Ando no telhado da tigresa e da lince

Ando sobre a riqueza dos príncipes
Ando cantando versos de Rimbaud
Ando contigo meu amor

Ando com a esperança e a liberdade de mãos dadas querendo saltar o coração
Ando com a espada que quer lhes arrancar a bossa canção
Ando por andar
E pelo caminho encontro

Ando sorrindo no teu ombro
Ando com a bandeira da pátria estampada na cara
Ando com cara de palhaça
E vou dando gargalhadas

Ando querendo mais do que espera o dia
Ando na noite que é minha menina
Ando e ando e ando
Sem prumo ou pudor
Ando com o ardor que queima na vida.

Brás Cubas.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Axiomas

Quão é tão clarividente a sua ironia e o seu desdém. Tão quanto é o seu palavreado e o seu silêncio te denunciam de forma que nesse tipo de esconderijo ninguém se acha e ninguém se perde.

Brás Cubas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Prelúdio do amor.

Prelúdio do amor.

De que encontros d'alma vem arrefecer o mar? De encontros que se tornam o que devem ser ou o que não podem ser. Que malícia há nos olhos de quem ama onde no primeiro lance a carne grita em chamas e já nenhuma inocência aí habita e a sentença é chacal?!Assim é o amor. Há quem lhe bendiga. Há quem dele mal fale. Há quem o conheça e ignore. Mas há no espaço do ar murmurante a todo o instante o desejo de aportar, de num tempo indeterminado pousar. O grande ombro amigo. Onde as náuseas de todo pensamento atraca. Onde a beleza do pertencimento por escolha e não por imposição denota que um ser humano pode ser mil em um e esse um é imortal em qualquer um. Dividir os corpos na cama é para os que bebem no seio do gozo ao extremo. E há aí também algum prazer. O amor pode ser um gozo mais doloroso. Porque tem que existir fora da cama e nela ser também animal, ainda que o homem não acredite no que ele próprio inventou. A rotina e o cotidiano quando no ar não se respira, assim se credita, mas ainda há oxigênio. Amar é devagar sobre as lamurias e ter no outro não o espelho porque não se deve amar o revés, mas admirar o cais. Deitar-se de forma qual congênita o homem foi gerido. Pra alguns o amor deve ser mais uma vez parido quando se volta no intento do útero. Mas para outros deve ser como gêmeos quando há tempestades. É beber no leito de um rio que sempre transmuta mas sempre está lá. E para outros há uma festa todo o tempo onde o amor é polivalente, para esses qualquer gente é gente, assim eles dizem que um corpo é um corpo e nada mais. Não sou contra quem banaliza o sexo, mas sou a favor do quero mais.

Brás Cubas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Axioma

O sonho que despenca nos pés do trovador
O sonho que voa teimoso
O sonho
O sonho
O sonho
O sonho que lhe deram
Esse sonho já não quero
Sonhemos os sonhos amantes
No quadro de Picasso delirante

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Axiomas

Não há o direito ao delírio! Não há o direito de sonhar! Nada não há! Não há mais nada!
O homem já extinguiu sua humanidade.

Brás Cubas.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Axiomas

A poesia toma o ar sopro dos pulmões do poeta revela o que se espera e o que não se espera. O que se quer e o que não se tem e o que veio, virá, vem e há de ser. Sufoca e liberta. Salve salve a poesia e sua sutil aquarela de cores frias e quentes. Inverno ou verão. Chuva ou sol a poesia namora com minha alma brejeira

Brás Cubas

Axiomas

É equânime a potência da força da mão destra do poeta quando lhe aplica o golpe a folha de papel em branco que é o espanto de qualquer escritor vivaz.

Brás Cubas.

Axiomas

Reza na ladeira menina que o gozo vem do vômito de palavras de tua sina. Desce e sobe a ladeira rodopiando sobre as sombras das árvores arvoredo. Reza o terço sobre o cordel de grão de milhos. Vira a cabeça e responde de dentro do estômago a resposta que de ti se espera, dá de ombros e se vá.

Brás Cubas.

Axiomas

Não tente especular a minh'alma e sua profundidade. Eu sou o mar que quebra no rochedo. Eu vou e venho. Se você me seguir é melhor se preparar. Não entre no meu particular sem saber nadar mares bravos você pode se afogar

Brás Cubas.

Axiomas

Conhece cada esquina donde moram os poetas e as suas veias, elas correm nos becos escuros dos uivos dos animais. Atenta para o que é certeiro pois o erro só vê defeito no que não faz. Desfaz as malas e habita o chão que pisa. Acautela-te com as feridas vivas no chão do povo em quem quer pisar.

Brás Cubas

Axiomas

Ainda bem que a vida já me lambeu os beiços hoje e dela já gozei o máximo da experimentação das palavras. Palavra tua. Palavra minha. Quero você palavra na língua alheia. Quero a pimenta queimando em brasa. Sou mar e o fogo aceso na lareira. Sou o vento que te sopra os murmúrios aos teus ouvidos surdos. Sou no fundo o eco que grita em tua alma banida do meu paraíso.

Um sábio disse uma vez que é melhor amar do que ser o objeto de desejo do outro. 

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Pátria minha

Oh! Os ares do teus ais pátria livre

Pátria minha
Que na minha mão em golpe presto e duro se desfaz
Cerra teus punhos firmes e os empunha
Indagas, rainha, pátria minha
Por que os apátridas
Teus filhos bastardos
Não fogem à luta
Ainda que anestesiados ainda durmam
Em teu seio esplêndido
No balanço do teu berço
Que é balançado com teu braço forte
Indagas com a adaga
Por que as pílulas mágicas já não fazem mais efeito
Quem pudera ser seu leito a derradeira farroupilha
O trampolim dos farrapos velhos
E dos sábios
Vinde a mim beber nas fontes murmurantes
Vinde a mim pintar sua aquarela de cores
Fostes tu embora no teu céu azul-anil
No amarelo ouro
D'ouro escravo
A chibata no lombo do paspalho
Eu já me abro em sorrisos
Abre tuas pernas ainda que uma vez só para mim.
Já que todos gozam de ti
Deixa um filho teu também gozar de ti.


Brás Cubas.







terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Axiomas

Hoje novamente a vida me lambe os beiços, mas que torrente teimosa que insiste em perseguir os poetas. Ela me olha e me diz: -Sou a vida e o sopro d'alma. Não vim te buscar e não vou te levar para onde queres. Ide sem olhar para trás. Ide com tuas próprias pernas. Eu sou a vida lhe dei pernas para caminhar.

Brás Cubas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Axiomas

Salve! Salve! A poesia dos meus amantes o que eu nunca escolhi e a única que vai comigo morrer.

Brás Cubas.
Ao longo dos anos vai ficando mais sínico amar

Brás Cubas.
Difícil é sonhar. Fácil é engolir o mundo como já nos vem fabricado

Brás Cubas.

Axiomas

Quem és tu que já provou do mel da vida e quer tomar o pote inteiro? Reclamas e esperneia porque lhe negaram. Vá ser feliz. Há noutros potes mel mais melados e beijos que te aguardam sem medo e com a doçura, da não imposição do que é certo ou errado.

Brás Cubas.
O pior pecado é o da auto-flagelação.

Brás Cubas.

Axiomas

Deixa teu passado onde bem está. Ele adormece bem quando o tempo salutar te salvar das garras da mágoa.

Brás Cubas.
Pobre do crédulo. Ainda não se aceitou como animal

Brás Cubas.

Amores vêm e vão

1-O desbravador.

Tu quem és?
Pede àquela que do mar vem
Tu que não me responde
Nem aos ecos do além
Mares além

Tu quem és dentro do meu ser?
Tu que fostes antes do amanhecer
Eu alvorecia no alvoroço indo no balanço do teu ser
Tu eras mais alegre na felicidade do sol a nascer

Tu que fostes embora
Não me voltes agora
Que já nem quero mais saber de mim
Quando tudo em ti enfim era enaltecer

Tu que me levastes contigo
Eu que quisera ser teu amigo
No melhor do prazer

Tu que me deixastes agora
Batestes a porta
E a janela de minha alma não quer arrefecer
Deixa o mar ir embora
Junto com o sol no horizonte
Deixe que o amor vá ao léu
Quereria desses teus lábios carmim
Os beijos de mel

Tu que me tomastes a vida nas mãos
Liberta a glória dessa nossa guerra canção
Tu, meu amor, já gritavas contido
Nos escombros da solidão
Tu desbravador de âmagos outrora
Já souberas a hora de partir

Desbrava a onda do imperador
Limpa o reino das baixelas do senhor
Arqueando minha alma singela
Te digo senhor desbravador
Que te escondas no limbo
Dele tire da boca o assovio
E liberta nosso amor.



2-A sonata.

Quem me indaga é a adaga no peito
A bela música no seu desfecho
É o raio de luz
É a sonata da cruz

Quem me embala na bela melodia
É a canção límpida
O sussurro lento
E o eterno aprendiz
O faz de conta sorri para mim
Eu que sou feliz

Quem me dera compor uma sonata
Esquecer a gastura de batalhas vis
Quem me dera ser o seu navegante
Ser o comandante seu, já que eu desaviei

Quem me dera pular no abismo
Correr perigo por uma meretriz
Eu que sonhara por um triz

Quem me dera acordar do sonho agora
O sonho que outrora
Te fez minha atriz

Quem me dera rolar no seu sonho
Teus cabelos castanhos
Seriam o meu chão

Quem me dera morar nesse teu coração
Quem me dera fazer dele canção
E morrer de rir

Quem me dera olhar as mil quimeras
Nos teus olhos minha Beatriz

Quem me dera ir sem partir
Voltar sem chegar
No teu mar navegar
E chorar por ti
Sorrir sem sorrir
E ao teu lado viver feliz.



3-O sabotador.

Tu sabotastes meus sonhos
Tu me livrastes desses mesmos sonhos
Tu me carregastes nas encostas
Tu que me virastes tuas vigaristas costas
Tu que do sonho só sabia beber no copo da realidade

O vinho já era teu amigo e entoava qualquer vivacidade

Tu que da cidade sabia toda as línguas
Tu que dos deuses queria tomar a sabedoria
Tu que nos delírios me amou de forma intensa
Tu que me trouxe de reviravolta à tormenta

Tu que fostes o garfo e o prato
Tu que em minha carne queima
Tu que és a brasa da lareira
O travesseiro do inverno
Tu que já conhecestes meu céu e meu inferno

Tu que subistes os montes e colinas
Tu que era tão grande e tão forte
Tu que sois cá no peito meu solidão e saudade
Te saúdo de forma parva
Tua pele pálida já me encantava na madrugada

Tua vida corria na minha
Tua tristeza era minha
Teu sorriso era meu
O sol nos banhava

A alma cantava
A tua na minha
A minha na tua.



4-As vísceras.

As minhas e as tuas se embolam
As nossas se enrolam
Voa minha mente
Que é a águia do teu pensar
Nesse nosso penar
Nosso amor é visceral
Nosso desejo é animal
Seja ele brutal
E que suas leis escapem do código penal

O nosso Tupinambá já as comeu
As leis e as vísceras do plebeu
O nosso amor calvinista
Já foi parar nas cuias minha amiga

Falemos das flores belas
Para que o cerimonial não seja na relva
Dos anseios dos desejos do que almejo quando vejo no sonho o beijo que dou no seio teu
Que carrego tua mama
Ainda faísco nas tuas entranhas
Ainda que nosso amor seja pudico
É, meu amigo, o amor é amigo de quem ama.



5-O pedreiro.

Olha meu amigo o amor já foi construído
Olha que a alvenaria já está pronta
Olha que o ciúme já te apronta
Olha que a magricela já te aponta
Olha que o mar dessa cidade sinaliza
Olha que a beleza desse nosso amor realiza:

Amores divinos
São amores perdidos
O amor do pedreiro
É construção no celeiro
O amor da obra está em construção
Perdeu algo
Perdeu seu espaço
Nessa embarcação
No veludo do coração
Vermelho é o sangue dessa nossa canção

Amor meu amigo
Tu que sois bandido traz de volta a minha ilusão
Amor faminto de samba-canção

Amor choroso
Vem com o sal do mar

Amor carinhoso
Deixa eu te amar

Amor pernicioso
Livra-me das peripécias
Os gregos da Grécia
Já falaram demais.



6-Natureza cantante.

Que ele levante
Que o homem sem medo traga o levante
Que a porta-bandeira
Isole na madeira
Bata na porta certeira
Que o amor brejeiro
Cante a beleza da natureza
Que o amor sem espelhos enxergue a gotícula
Que as suas ancas sejam minha cura perversa
Que os anjos te cantem aos ouvidos essa nossa conversa
Que sejamos alegria e festa
Que sejamos o polo norte e o cone sul
O amor que cante o azul
Sua natureza materializada
A natureza cantante
É também minha amante
Beijo-lhe os seios como quem quer soprar-lhe a alma
Que esse amor venha com calma
Que eu seja o que quer a salva de palmas
Da plateia desarvorada.



7-A despedida.

Vai embora meu amigo
Vai em boa hora amor banido do paraíso
Vai-te com tuas tralhas
O sol no telhado
Já secou a chuva na calha da casa nossa
Vai embora seu bandido
Que roubara tantos corações
Vai embora com a glória do que não houve não

Vai de mansinho com os lençóis
Da pescaria não sobrou nem os teus anzóis
Leva tuas tatuagens
Outras marcas deixastes no meu corpo
Leve embora a tua manha
E tua vã aristocracia
Que de manhã acendo uma vela
Para que os anjos da guarda te deem alforria.



8-Entrelinhas.

Eu era tudo que você queria
Eu era o papel assinado
A tua alforria
O amor libertário
Eu clamava aos céus no teu santuário
Eu te acariciava com sorrisos de nostalgia
Eu era tua pílula mágica
Eu era teu amante
O seu delírio delirante
Eu era o que você queria
Eu era tanto que de tanto ser
Te perdi num minuto lento de se ver
Eu te chamara para viver uma vida
De festa todo dia
Eu te amava
Como é banal dizer bom dia.



9-Novos ares.

Era você que já me chegava falando de mansinho
Era eu no teu peito me acostando para murmurar baixinho
Era você quietinho meu amor para comigo fazer um ninho
Era você que eu esperava toda Primavera
Era você na sala de espera

Era seu ar de saxofonista que já me inebriava
Era tua mão na minha
As duas mãos juntas passavam
As minhas no teu corpo
As tuas no corpo meu

Era a beleza do jardim no seu olhar
Quando te olhava de longe junto ao mar
Era a certeza desse nosso encontro que me fizera respirar
Era o suspiro que me trouxera alívio na hora de te amar.



10-A bravata.

Era o amor que te chamava na esquina menina
Era eu que te caçava fazendo bravata pequenina
Era a lua já acertando o sol no afã da manhã preterida

Era o forte que se trancava embolado em sentimentos
Era nosso momento de fomentos
Era nossa hora de voar mais alto
Era o amor cadafalso

Era nossa luta cotidiana
Era seu vestido de branco
Era o seu amado Indiano
Era eu cantando no banco

Era a pracinha repleta de gente desconhecida
Era a gente a correr perigo, sem temor, pelas esquinas
Era a juventude achada na palma da mão
Era um amor pé no chão
Que flutuava nas nuvens de Março
Era eu que te dava um trago
Era a fumaça da lembrança
Da maria-fumaça
Da memória póstuma do nosso passado.



11-O trovão.

Ele relampejou
Ele já sacramentou
Meu amor
Nossa vida no ninho se achegou de mansinho

Eu que saio nas pontas dos pés de fininho
Para não acordar teu sonho pequenino
O trovão trovejou
Balançou o céu
Era de puro cristal o nosso anel

O trovão jorrou uma aquarela
E o pincel bordou as palavras de sua linda melodia
Sua boca linda
Meus lábios nos seus
Ai! Por Deus
Nessas e em outras horas
Não queria ser ateu
Por acreditar em ti meu deus

O trovão levou nosso barco
Para o outro lado do porto
Fincou nosso caso
Te embolo nos lençóis
E peço a ti meu deus um carinho mais.



12-O cabrito.

O amor é o cabrito que mais berra
Berra alto
No meio do asfalto
No sol quente
No meio da gente

O amor faz onomatopeia na hora da festa
O amor é orgia e náusea
O amor é a fresta da sua janela

Todos nos berramos como cabritos
Agachados para beijar o amor
Todo homem ainda que por dentro
Pelo amor já chorou

O cabrito berra
O amor encerra
Na paz e na guerra
Meu cabrito vira bode
Um grita e o outro berra.



13-Todos tentamos.

É preciso que o amor melhore
De cara
De roupagem
De forma
É necessário que o amor crie coragem
Voe nas asas da liberdade
Os joguinhos  são menos necessários
A mesquinharia que fique guardada no armário do passado

É necessário a leveza da beleza
O charme de algum romantismo
No abismo do amor rodamoinho

Que ele venha carma
Que ele venha calmo
Que ele seja grande
Que ele seja amor profundo.



14-Aldeia do Tupi.

Matou a sede do amor
Na carne do freguês
O povo francês
Buscou em terra Brasil
Firmar terra
A terra da tribo era
O amor era sem pecado
O amor era selvagem
Era bom
Era algo
O amor era puro
O amor não era a lavagem
Dos patrícios europeus
E a sífilis do plebeu
Beijou a boca do ateu

É meu amor amigo
O Tupinambá
Mandou caçar o amor
Amor meu
Pernas para que te quero
Amor sublime por isso te espero.



15-O amor é uma coceira.

Falemos de amor
Daquele asneira
Que te dá até coceira
Debaixo dos braços
Mesmo quando te abraço
Nem cócegas sinto

Falemos do amor
Pintados nos quadros
Embutido e enlatado
Que já vem pronto requentado


Falemos do amor micro-ondas
Que vibra na frequência das ondas
Das parabólicas bucólicas

Falemos do amor madrigal
Aquele que está estampado no jornal
Falemos de algum amor
Mas de amor falemos

Amor bicho carpinteiro
Que parece inteiro
Mesmo que dividido em pedaços

Falemos do amor carnaval
Da festa do animal
E do homem o desejo carnal

Falemos do amor grilo
Aquele que peleja no teu ouvido

Falemos do amor de mansinho
Para que dele possamos tirar todo o néctar
Falemos da selva
Da coceira na canela
Do amor ferida
E das feridas do amor.




16-Boca.

Teus lábios no meu
Tua boca é minha
Tua saliva na minha
Nosso beijo é trivial


Tua boca respira
Teu lânguido pulmão elimina
Tua voz que me alucina
Teu grito de dor
Teu gosto de amor

Teu mel da boca
Teu arcanjo no céu
Meu amor tu tens lábios de mel.




17-A sabedoria do amor.

É, toda hiena ri
É, todo amor é aprendiz
É, todo ódio parece real
É, o homem é um animal
É o vento batendo em sua porta
É, a lembrança já te alcança
A memória já lhe espanta
Com fotografias do passado
A realidade é um asco
E o amor farto já está farto
De doce ser
Você que queria ser
Acabou me querendo por querer.




18-Negue.

Negue o amor e a relva
Negue que me beijastes
Negue que por milésimos me amastes
Negue e minta para o espelho
Olhe tua face e procure conselheiros
Negue toda a falsa ternura
Tuas palavras duras
Já não me entorpecem mais

Negue que planejastes na mente uma ferida
Eu para consigo planejei uma vida
É fechada para ti a porta do meu coração
E há tempos sicatrizada a ferida
Mas sigo teus passos
Porque tua mente vil
Teu jeito pequeno
Tirou-me o desdenho
E a vontade de aprender a ser diferente do que és.




19-O meu querer.

Quereria eu te desejar de forma intensa
Mas tua mente é tensa
E tudo quer dominar

Eu que sou o mar
Te carrego para todo lugar
Escapa de mim enquanto é tempo
Vai-te embora no vento
Já é teu tempo
Liberta-te
Vira-te
E abençõa
Faz da fresta de luz
Tua rua embriagadora

Vai para os braços do que consideras felicidade
Porque com as pedras que me deixastes já construo minha cidade.




20-Niilismo.

Já não quero nossas memórias
Já não escuto tua voz melosa
Que me falava de imprópérios
Teu coração já não faz parte dos meus mistérios
Já não te quero mais
Já não te quero mais
Já não te quero mais
Sois cicuta que não bebo
Não por receio
Mas por sabedoria
Sois veneno do qual possuo o antídoto
Tuas palavras quase sempre sopraram vazias
Meu coração aventureiro um dia dizia
Que amar-te era mais-valia.

Brás Cubas.














domingo, 9 de fevereiro de 2014

Axiomas

Deixa teu passado onde bem está. Ele adormece bem quando o tempo salutar te salvar das garras da mágoa.

Brás Cubas.
O pior pecado é o da auto-flagelação.

Brás Cubas.

Axiomas

Quem és tu que já provou do mel da vida e quer tomar o pote inteiro? Reclamas e esperneia porque lhe negaram. Vá ser feliz. Há noutros potes mel mais melados e beijos que te aguardam sem medo e com a doçura, da não imposição do que é certo ou errado.

Brás Cubas.

Seca no sertão

É a seca no sertão meu irmão
É a cobra chocalhando
É a serpente que inventa
É a língua da sogra
É um bando de demente
É o povo buscando solução
Cavando o poço com a mão
É o nordeste que migrou para o Rio e Sampa
Terra de bamba
Mas veio e passa fome
Sai dessa terra
Manda quem te fez passar fome ir a merda
E avoa gavião.


Brás Cubas.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O livro das sinestesias

O livro das sinestesias

Sedução

Eu de ti quero o gozo da tua felicidade
Pois na minha liberdade voa somente a poesia
Eu de ti quero beijos que já beijei
Amores que já amei
O passado que se encerra

Eu de ti quero a esperança de acreditar
No amor por amar
Eu em ti não quero me equilibrar
Eu sou o desequilíbrio da fúria do mar

Eu sou o mar em fúria
E também a própria cura do filosofar
Eu que nem me esforço
Vou e volto
Para te ninar

Eu de ti aceito o teu desejo
Te olhar é inspiração
Você me seduziu sem falar

Não me peça que eu te explique o mistério da vida
Sou filho do mar
Habito no próprio mistério
Prefiro não me fazer de espelho
Não vendo barato exemplar
Eu sou poesia e mar

Eu sei balançar

Eu de ti quero os abraços sinceros
Os que nem sempre recebi no caminho
Eu de ti quero aprender a vontade
Não conheço a liberdade
Mas já prendi a voar

Eu de ti já bebi o amor platônico
Quero a carne em festa para a alma clarificar
Eu quero consumar um fato dado
Eu que da razão busquei a loucura
Encontrei na tua pela a alvura
Ah sim de se admirar

Veja bem meu amigo
Já dormi contigo
A minha mente não posso negar

O poder do meu sentimento
Faz de ti mais do que objeto do meu desejo
Faz de ti parte do meu poetizar

Não me venha com medo
O medo não sabe amar

Se queres um tempo
Leia o livro dos lamentos
Todos os amores encontrarás lá
Eu meu amigo já aprendi a me amar

Quero contigo compartilhar risos fartos
Epopeias de poetas
E notas de Flaubert

Eu quero de ti a leitura
O teu tempo é seu
O tempo é ateu
Ele sabe o que faz

Eu que não digo que não venhas
Também não digo que atraque no meu poetizar

Eu de ti quero a vida como preterida
Eu da vida levo o que quero
Às vezes me rebelo quando quero falar

Eu do amor sei pouco
Conheci o desgosto
Mas soube o que é amar

Eu de ti quero sentir no mato verde
A borboleta avoar
Eu do beijo que não te dei
Quero neles me afogar

Eu de ti já não quero o esperado
Nem cartas, nem o enfadonho não
Eu de ti não quero o silêncio
Já desbravei o momento por lá

Eu de ti quero tudo e nada
Quero beber a cachaça
Teu céu revirar

Eu de te quero lembranças com gosto de mel
Eu não sou teu pincel
Faz tua obra para eu admirar

Eu do sonho cai na realidade
Já matei a saudade quando teu nome evoquei
Quando em minha mente vil guarda-sol contei
Só para te cortejar

Não sei se a sinestesia da sedução apetece
Só espero que meus versos reverberem
Na mente dos amantes
Dos que se encontram
Dos que não se encontram
Dos que duvidam
Dos que acreditam
Dos que nos elucidam
A questão do mar

Eu meu amigo nem sempre concordarei contigo só por te amar.

Brás Cubas



A manhã


A manhã chega nascendo e rompendo

Assim, desvirginando a madrugada 
Assim mesmo no dia nublado
Deixa a lua de lado
Mesmo quando o sol se esconde

A manhã é minha amiga

Ela me beija de uma forma cintilante
Ela me toma nos braços inda que eu durma

A manhã de sol me cega os olhos

Me queima a pele que nem é negra e nem é branca

A manha se alevanta como quem quer despertar

Desperta o mundo
No sabor da ilusão
Do Canadá ao Japão

A manhã ri de mim

Dos meus ares de mal humor
Tudo para ela é fervor
Quando conversa com os meus sonhos

A manhã me passa a mão na face

Alumia meus apaches
E me diz que há vida la fora

A manhã me convida para dançar uma valsa

Eu que sambo de graça
Prefiro uma bossa cantar
Nem valsa, nem samba

Escrevo para a manhã poetizar.

Brás Cubas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Axiomas

Me dê uma garrafa de vinho que eu a derrubo, mesmo que o tombo seja certeiro. Me dê um amor verdadeiro. É veneno que inoculo no sangue que corre em nossas almas. Mesmo que seja imprescindível o fim.

Brás Cubas

Axiomas

Eufemismo delibero que o fim é certo para todos e me perguntam aqui e acolá o que você quer? O que eu quero ou posso querer, seja eu sujeito excluso em coletividade ambulante? Quero da vida outra certeza não por ser absoluta nossas mortes, mas sim por consciência de finitude e tão pouco tempo pra entender o outro, mesmo que ele venha embutido com suas memórias torrentes e correntes de um passado abstrato do qual mal consegue discernir e compreender. Quero ser para mim antes de tudo um pedaço de felicidade ao longo do caminho. E que meus sonhos e desejos ainda que almejem o corpo e alma de outrem caibam na minha mão. Quero alimentar os passarinhos nos arvoredos de montanhas inóspitas. Quero gozar a liberdade de se estar preso por vontade e não por imposição nem minha, nem do meu objeto de desejo, nem pelo desejo em si. Quero experimentar a liberdade na prisão do amor. Amor é prisão de segurança mínima. Ninguém quer entrar e ninguém sabe a hora derradeira onde o amor já jogou a chave fora abriu a porta da cela e te deixou voar.

Brás Cubas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Axiomas

Meu silêncio vai ecoar em poemas de rua. Na noite de lua. No amor que se nega em nascer. No tremor das ondas do mar. Meu silencio falará mil coisas, os poetas sacudirão. As pombas voarão e os homens que mal abrem a boca vão soltar versos em devaneios. A gente ligeira e brejeira virá para dentro do universo da poesia. Lá onde todo homem se esconde e quer brincar de se relacionar.

Brás Cubas.

Axiomas

Ainda bem que a vida já me lambeu os beiços hoje e dela já gozei o máximo da experimentação das palavras. Palavra tua. Palavra minha. Quero você palavra no língua alheia. Quero a pimenta queimando em brasa. Sou mar e fogo aceso na lareira. Sou o vento que te sopra os murmúrios aos teus ouvidos surdos. Sou no fundo o eco que grita em tua alma banida do meu paraíso.

Um sábio disse uma vez que é melhor amar do que ser o objeto de desejo do outro.

Brás Cubas.

Axiomas

Acho interessante o Brasil vomitar

Brás Cubas

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O livro das sinestesias

O livro das sinestesias

Quando não escutas o que te dizem para dizer
Quando não estão te vendo para te ver
Quando faço de tua pele um emblema
Quando passo a mão em teus lábios
Tua boca é tremula
Quando levantas a bandeira do cheiro da esperança
Quando dormes em berço esplêndido
Quando ao relento tua voz macia me toca e encanta
Choro eu na lama
Corro para os braços dos teus lençóis
Quero mais e mais querer
Quero mais é que você seja mais você
Quero da tempestade teu copo d'água
Quando na tua veia corro na madrugada
Quando o sol em mim nasce em forma de poesia
Quando escuto teus gritos e sussurros na esquina
Com quanto dormes na beleza de tua pele alva
Todos os sentidos de ser minha pequenina.

Brás Cubas.


O livro das sinestesias


Papoulas Verdes

Deixem seu cheiro entrar pela porta da sala
Deixem que as Papoulas Verdes estejam na sala
Venham ver o jardim de Papoulas
Venham com pompas
Venham a nado
Venham na proa

O navio aponta
O navio que traz as Papoulas Verdes
Seu perfume me dão água na boca
Seu verde me faz o olho arder
Seu insumo faz meu coração bater

Papoula Verde
Lá do Cabo Verde?


Brás Cubas 

Axiomas

Conhece cada esquina donde moram os poetas e as suas veias, elas correm nos becos escuros dos uivos dos animais. Atenta para o que é certeiro pois o erro só vê defeito no que não faz. Desfaz as malas e habita o chão que pisa. Acautela-te com as feridas vivas no chão do povo em quem quer pisar.


Brás Cubas

Axiomas

República Dominicana alça teu voo nos braços fortes da liberdade. deixa para trás teu passado escravo e vai buscar outros na puta que o pariu.

Brás Cubas.

Brás Cubas por Brás Cubas

Ah! Brás Cubas se tu me ouvistes! Se ouvistes a voz do homem já saberia enfadado de suas traquinagens pequenas e miúdas, de sua baixeza e vil filosofia. Saberia dos misantropos sôfregos na solidão do mar.

Brás Cubas por Brás Cubas

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Axiomas

Vem do meu estômago o teu desejo. Vem do profundo eu, quando não sei ser eu. Vem em mim a mão da espada. Vem a mim a vida. Vem a mim! Vinde que te apresentara com toda ousadia ao meu jardim. Vem da nascente um rio cachoeira. Vem que te bato a sola dos sapatos na soleira e abro-te a porta dos corações.

Brás Cubas

Axiomas

Há certos livros que só abrem suas portas na hora certa. Assim é a gente humana pensante.

Brás Cubas

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Axiomas de prelúdio

Reza na ladeira menina que o gozo vem do vômito de palavras de tua sina. Desce e sobe a ladeira rodopiando sobre as sombras das árvores arvoredo. Reza o terço sobre o cordel de grão de milhos. Vira a cabeça e responde de dentro do estômago a resposta que de ti se espera, dá de ombros e se vá.

Brás Cubas.
O poeta parece um artesão talhando a carne e a madeira.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio.

Axiomas de prelúdio.

O poeta é um bicho que gosta das cadelas marginais, santas vestidas de puta na romaria e das sociopatas transvestidas em mulheres de boa moral. Dos anjos arcanjos que cobram até o pão que comem na cama e envenenam o café da manhã do amado com mel de palavras serpente. A esbórnia e a boca do lixo são o habitat de grande fauna da inspiração e riqueza luminosas.

Brás Cubas

Axiomas

Vale mais a amizade que a poesia e ainda mais a poesia que enlaça as amizades. Amizades poéticas são como o sol e a chuva namoram o tempo todo um queria ser o outro e o outro não existe sem o um

Brás Cubas.

Axiomas

É equânime a potência da força da mão destra do poeta quando lhe aplica o golpe a folha de papel em branco que é o espanto de qualquer escritor vivaz.

Brás Cubas

Axiomas

Não é o espelho d'água que mede o seu tamanho muito menos o meu pobre tamanho. Nem posição, nem status nem lugar. A galhofa desse carrocel. É a poesia é o drama é a ficção é o terror é romance é a trova é o poema é não distinção sobre a produção da mente. É o levitar nas asas do passarinho liberdade. Voa vida. Voa para qualquer lugar

Brás Cubas

Axiomas

Não chore, suas lágrimas são como pérolas num belo rio. Mas seu sorriso ilumina mais ainda a luz do dia!

Brás Cubas.

Axiomas

A poesia toma o ar sopro dos pulmões do poeta revela o que se espera e o que não se espera. O que se quer e o que não se tem e o que veio, virá, vem e há de ser. Sufoca e liberta. Salve salve a poesia e sua sutil aquarela de cores frias e quentes. Inverno ou verão. Chuva ou sol a poesia namora com minha alma brejeira

Brás Cubas
Sou crime na minha veia corre a poesia.

Brás Cubas




sábado, 1 de fevereiro de 2014

O livro das sinestesias

O livro das sinestesias.

Eu te sinto

É você que passa na minha mente
É seu perfume que me molha a boca
É sua boca que me lambe os beiços

É teu peito de mártir
É sim, nele que me aconselho
É nas tuas lutas que sinto gritos bravios
No cheiro de pólvora que remete à guerra
Onde tudo se encerra
É o começo do nosso romance
É o cheiro de terra molhada
Que não apaga esse estopim

O torpor vem em mim
É a tua pávida branca pele e seu revés
Sai de mim com tuas asas que te sinto em liberdade congênita
Sai de mim com a palavra cognata do gozo da pintura transgênica
Sai do teu instrumento o meu gozo repleto de canto
Quando vi a sua enluarada noite bebendo do meu sangue
Num cálice d'ouro

Vem com toda força da onda onde pensas saber nadar
Não te afogues em tuas próprias lágrimas com o sabor do sal do mar
Ensina-me a nadar no teu rio de galáxias
Vou contigo sem demora
Vou contigo embora
Vou largar a escola
Vou fazer de ti uma glória
Pra essa pena voar em sua pele meiga
Para esse palato falar alto e replicar seu perfume natural no meu nariz
Deixa que eu pinto uma aquarela
Deixe-me com o meu gênio
Eu da poesia só sou aprendiz.


O livro das sinestesias

Quem és?

Quem és tu que da altura e da doçura do beijo que me chama
De quem é essa voz que o povo todo proclama
No lamber dos ouvidos de quem pensa que ama

Quem és tu amante bravo e sarcástico céu
Em qual céu revoam as gaivotas sobre o teu doce beijo
Tu que serás festa no meu chapéu

Quem és tu que me embebedas no ventre da tua pátria
Pátria essa que desconheço de avesso
Terra natal tua
Onde me reconheço
Terras de outrem donde vens

Quem és tu que luta em liberdade pela prisão
Quem és tu beijo doce
Amor de noite
Eu que te toco uma sinfonia de estrelas
Vê em nós a beleza que também há nos outros

Quem és tu que na minha bagunça ligeira
Ela que corre e pula da trepadeira

Quem és tu que me afaga a pele quando bebe do meu leito
Quem és e por quais trilhas caminha em nuvens de algodão
Quando verso o revés no tato de uma nova canção

Sois vós inspiração minha
Sois vós parte da vida minha
Eu que nem te tocara nos sonhos
Beijei dos teus beijos mais sinceros
Já dormi em tuas notas musicais
Já me embalei no teu sono
Já te escutei na vitrola velha

Eu que sou o passado que te lambe a face
Eu que não conheço de ti a verdade
Eu que desse encontro quero mais é gozar
Qualquer coisa que traga o cheiro da flor felicidade

Sois vós poesia para mim
Enfim

Vem de braços abertos
Porque nos teus braços me quero

Sois vós um arco-íris cheio de cores
Sois vós o mistério por onde o canto se esconde
Sois vós?

Brás Cubas.