segunda-feira, 21 de julho de 2014

Axiomas de prelúdio

E pensaram as gaivotas, os aviões e toda a passarada
Que a música assim é um astronauta
Um futuro sugerido trazendo beleza aos ouvidos dos primatas
E as mariposas mais que em cantatas abriram as flores
Arguindo arbitrariamente a intrépida cousa
O sonido era não mais que uns gemidos de trompete e a doçura da flauta
E a noite dama e senhora dos sonhos sorrira de tudo de forma esmera
Como o gozo primeiro, o beijo primeiro e a primeira malta
Torrentes de muita gente, dessa gente argonauta
Mais uma vez as flores eram naturalmente febris
E quando podiam exalavam sua alma em perfumes
Lúgubre os olhos se encheram de lágrimas
Era a primavera que se aproximara dos seres viventes
E o sol batendo a porta da gente, na soleira do batente de vossas moradas.


Brás Cubas.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dos poemas que nem eu sei.

Dos poemas que nem eu sei.

Sinto a ditadura nos passos dos adormecidos
Sinto a ditadura dos erros e há quem diga de acertos, meus amigos
Sinto a ditadura no canto dos latinos
Sinto a ditadura de aqui ter nascido
Sinto a ditadura dos apátridas
Sinto em ti essa terra minha pátria armada
Sinto dentes, ferro, fogo e acaso o aço
Sinto a ditadura dormindo nos braços
Velada a espreita dos palhaços
Sinto a ditadura na ponta da língua mãe
Sinto a ditadura dormindo em qualquer esquina
Sinto a ditadura da estagnação a revelia
Sinto de assalto as estripulias
Sinto a ditadura na carne minha
Sinto-a em cada respiro pago
É como se a sombra do passado
Fosse uma conta altíssima
Sinto tuas unhas cravadas
Sinto as mãos dadas
Sinto a caminhada
Sinto o grito do Tupinambá
Uma flecha atravessando a garganta da pátria minha.

Brás Cubas.