sábado, 21 de março de 2015

Tapumes



Larga mão desse estrume
Derruba logo e depressa esse tapume
Esse brilho arraigado nos teus olhos estrelares
Deixa de lado essas imbecilidades
E teu frívolo lustre

Abre o código das estrelares galáxias
Essa química que no infarte renasce
Cresce sua verve e late
Deixa teu cachorro sem corrente correr no matagal verde

Abre essa joça de coração maltrapilho
Assina com nanquim esse ladrilho
Eu já me revi no retrovisor
Um expresso Oriente já por aqui passou
Um equinócio me falou de tua casta

Chuta esse tapume e brilha vaga-lume!

Brás Cubas.

Couraça



Ando vadiando a este bordo
Nessa tua boca cheia de lábios e sorrisos
Ando rodopiando meus dedos naquela tua viola
Ando me embolando em versos e prosa
Ando com a couraça a mostra
Ando com a nave na mente
Ando pensando em adquirir uma sogra
Ando com meia dúzia de farrapos
Ando com a tropa
Tenho andado naquela lua que sob o céu alumia outrora
Ando buscando para teu dedo um anel
Ando sonhando com teus pés perfeitos
Ando derramado nos teus defeitos
Ando de gatinho
Engatinho como quem se prepara para ser amado
Ando na contramão do sobressalto
Ando na mão inglesa
Veja bem espero que teu coração, em páginas desse livro, nosso amor reveja.

Brás Cubas.