sábado, 1 de setembro de 2012

Passado

Sou nada
Quando sou tudo
Quando vejo além
Enxergo a matiz do horizonte
Por detrais doutros montes
A festa da vida
Alma e nostalgia
Luz e canto
Encanto e magia
Por enquanto,
Amanhã outro dia
Pisca estrela
Reluz o sol
Na nossa beleza
Na cara de ninguém
A miragem de alguém
Sonho de criança
Fome de destino
O passado é um menino.

Brás Cubas.

Noite

Na noite, no seu enlevo, no seu seio
Todo amor é de lua
Palpita na minha e na sua pleura
Na noite de neuras
Tem Marias e Neusas
O prazer da viúva
É quando faz sol e anuncia-se a chuva
Nessa noite
Todo toque de rua
É especial
Todo beijo trivial
No carnal carnaval bacanal
Todo gemido suspira
Todo lança perfume
É também serpentina
Festa confete beijinho de donzelinha
Tudo na íris da menina dos olhos da rapariga
O sino que toca
Na hora da sina
Tudo é meu
Tudo é seu
Tudo é da lua
A quem nossa alma estarrecida estupefata escuta
Tudo no encanto dos cânticos
As coxas parelhas no beco dos cantos
O canto gregoriano
Gregório de Matos
A memória é um saco
Tudo é da dama da noite
Oh! Branca neve lua solta no espaço flutuante
Ululante
Cavalo amarrado também te dá coice
Tudo e todo o tempo trouxe
E tudo à noite trará sempre
A noite de hoje
É mistura de gente?

Brás Cubas.

Manifestantes

Horda e desorda ( Neologismo)
Lua crua:- sangue, pele, carne e alma
Vibram as vozes dos manifestantes
Num delírio delirante
Numa febril vontade lancinante de liberdade de um instante de paz
Da paz num instante
A vida é uma eterna manifestação ambulante
Mesmo na inércia o sujeito manifesta
Sua inglória; sua glória
Sua pujança
Sua força
Sua ausência de fé
Caminham os homens contra seus próprios demônios?
Marcham contra a febre dos hormônios
Ou por causas mais justas que a beleza da própria justiça?
Ecoam as vozes contra um sistema ou contra sua ideologia?
Contra seu poder imagético?
Ou cibernético?
Bate pé aqui e acolá
Bate pé pra manifestar
Bate pé pra indignar os também indignados
Bate quem até quem não tem pé
O manifestante luta pela liberdade que lhe foi exaurida
Ou por uma nova metodologia
Um novo emblema
Um eco de um sopro d'alma para o nascer de um novo grito
Uníssono
Continuo
De amarras e enlaces mais reais ou mais humanos?
Pensa a sociedade de forma heterogenia?
Ou os gênios de outrora buscam a saída no positivismo na saúde de uma nova ciência?
Mistério.
É ele o segredo do manifesto.

Brás Cubas.

Caderno

Meu caderno é onde me abraço
No forte braço
Amo, calo, suspiro e ardo
Os versos me suplementam
As batidas aumentam

Caderno além mar
Lindo
Inerte a decadência
de qualquer Ciência
Buscando alguma verdade
No burburinho da cidade

O mundo no papel em branco
Não há nada mais terrível que a folha
O papel em branco
Não há nada mais assustador
E escrever é santo remédio contra o tédio
Para acalmar qualquer dor

Caderno, folha, caderno
Paletó, gravata, bravata, terno
Tipo de escritor concreto
Tipo de poetisa que busca no abstrato
A concretude do fato

Fala alto no alto falante
Grita, berra, esperneia, no seio da ama anseia
O desejo de expressão
A vontade de ilusão
Potência d'alma
Açúcar que acalma
Revela o que aclama
O desejo de quem samba
A branca folha no caderno branco do poeta queima sua alma em chamas.

Brás Cubas.

Brilha

Brilham as estrelas
No clarão da lua
Brilham as sombras da sorte
As juras de amor
O jogo da sorte
Brilha o manto de um santo
Brilha a noite
Brilha o dia
O luar ao longe
A dicotomia do homem
É o eclipse ao longe
Brilha a estrela no horizonte fecundo
Brilha a poeira na curva do mundo
Brilha a aurora na tempestade da vida
Brilham seus olhos no olhar da menina
Brilham seus cabelos negros na noite ferina
Brilha o espelho na nossa imagem turva
Brilha o sol envaidecido de se pôr quando nasce a lua
Brilham as ondas do mar sucumbindo à terra
Brilham as gotas de sangue derramadas nas guerras
Brilha a traiçoeira loucura de viver
Brilha a dama da noite tal qual a lua há de ser
Viver e viver e viver
Eternamente branca a luz divina
Que eletriza nosso coração
Embalsamando eternas ilusões
Brilha o ouro da menina dos cabelos louros
Brilha a ideia do louco
Brilha até mesmo o que não deveria brilhar
Brilha o diamante dado pelo amante
Brilha a paz
O amor nessa terra
Brilha o sentimento
Brilha a brisa na constância das areias infinitas
Brilha ao longe uma luz
Um pedaço de certeza
Uma esperança
Brilha...

Brás Cubas.