Puxa da algibeira o sabre
arade o canto da aorta no acre
curumim veleja sem alarde
Vades, já há um tempo que não ardes
peito meu
lençol freático das perseguições
É que um grito solto no horizonte
Reifica minha palavra ao longe
é que desse causo e ao acaso
foi me farto o infarte
E aquele corta legumes
lacrimejava látex
Era probatório o cálice
A boca me descia pela jugular trêmula
Eu ouvia a concubina
Saião da serena noite
E me vertiam vontades frouxas
risos céticos
lágrimas roucas
e perdões calados
esse meu peito
tropego tropeço
e caminho
E me corriam as mão ligeiras
pelo corpaço
uma cachaça
um gole de aço
uma espada na garganta
Havia de certo uma lâmpada acesa
pus minhas vísceras sobre a mesa
e o limiar estava lá
eu escrevia esse poema
era uma floresta inteira
o coração já perdera
a hora de entrar
E o teatro estava cheio
a platéia volumosa e espumante
o riso dos homens
lhes pusera a sonhar.
Brás Cubas.
