quinta-feira, 12 de março de 2015

Aos benditos



Vos digo e bendigo
Tudo sopra para os benditos
Tudo no passo da meia hora
Tudo no rabo da cobra
Tudo na língua de trapo
No sapo calado
E no querubim de armário

Vos digo e bendigo
O sacristão
O pagão
O pão
E o santo do pau oco

Vos digo e bendigo
no grito do eco na imensidão palavra
Na casa de minha pátria vencida
Por morais doutros homens

Vos digo e bendigo
àquele homem pródigo
de chama acesa
a cera que escorre da vela
Zilhões de caravelas

Vos digo e bendigo
Na saia da dama de Calcutá
Chamaram um qualquer Alá
Para os lados de cá
E a poesia foi alardear

Vos digo e bendigo

II

O choro pranto do mendigo
O canto do inimigo
A canoa furada
A marmelada
E a pedra de sal
Vi uma prova cabal

Vos digo e bendigo
Um fato rebolando na mente
Para a minha gente
Só um brilho na mente

totalmente abrangente de mares e marés

III

Sois assim
E de mim saíste calado
Cheio de coisas e sapatos
Um rio córrego
Um dia nublado.