Vivo de amor.
Eu que não o tenho
Também não o detenho
Eu que não o tenho
Tiro sarro dele
Eu que sou detento
Faço-lhe a corte
Quando corto com o canivete
O vestido da vedete
Eu que dele nada sei
Faço dele lei
Quase um rei
Clamor
Eu que nele me aprisionei
Dele jamais me libertarei
Dele, o perfeito sabor
Eu que nele tenho fé
Faço um café
O forte café
Eu que não soube buscar
Eu que quisera lhe achar
Eu que quisera te ninar
Eu que soubera sonhar
Eu que dele nada sei
Extrai dele o céu
Abocanhei o mel
Bebi todas as gotas
Ainda que dele seja eu o réu
Eu que não tenho amor
Vivo só! Vivo por ele
Eu que quisera amar o amor.
Brás Cubas.