E cá eu estava,
no deletério impropério da solidão
E cá no peito meu tombava
Uma dúzia de toneladas de coisas quaisquer
e um beliscão
um puxão pela orelha me assinalava
que já começara meu baile da solidão
E cá no pé da mesa de centro
uma arbitrária força bruta e centrífuga
que me ralhava a mandíbula soturna
traçou uma reta certa e fagueira
E cá ao pé do ouvido meu
Ouviram os gemidos seus
eram tantos pruridos
que dó
E cá n'alma minha
era uma festa linguística
era o clube do bolinha
Era a transpiração
E cá no meu sapato
Em teus passos
Me perco e me acho
e os calos de outrem dizem não
E cá na rua dos transeuntes
bebuns e seus argumentos
de pestanas e vermute
bebiam sacramentos
E cá à luz da escrivaninha
Donde meus dedos
Propunham que minha boca falasse besteiras
E o papel que era branco ficou colorido
Uma brincadeira de versos contidos
Era uma alucinação
E cá de dentro da poesia
Donde escrevo
Ela, minha companheira querida
nela,
arguta e astuta domadora de sonhos
que de lágrimas fez um rio risonho
Me refestelo primeiro.
Brás Cubas.
