domingo, 9 de março de 2014

Poemas sem nome

Ia de encontros passa a passagem do tempo
O tempo não me ouviu
O tempo não falou
O tempo 
Haja gargalhada
O tempo
Passa o tempo passa
Passa a vida passa
Passa o falante passa
Passa o feirante
Passa o amor
Passa a mentalidade do mundo
Passa
Passa a vontade do homem
Passa
Passam os minutos
Passam os segundos
Quase tudo passa
E nada fica.

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Esse mar que quero navegar a ninguém pertence
Esconde almas em segredo
Esconde um mundo dentro do outro
Me escondeu
Esconde do mundo
Esconde
Sabe nada
Sabe tudo
De mim quer alma, corpo e sangue
Ainda que lhe ofereça tudo
Descaso faz
Eu que já entreguei o ouro ao bandido
Falido pouco importa
Estou
Vou fechando as portas
A solidão salta meu peito
Sei lá se sou meigo
Já pisei tantas terras
Quero mar

Se eu te pego música escondida na poesia minha
Navego
Navego
Navego

Brás Cubas.

Quase todos

Quase todos

Em berço esplêndido quase todos deitados
Em berço com perna quebrada
Deitados de pernas abertas a escravidão 
Em berço a sujeição do sujeito sorri
Eles que são transeuntes
Nós que transitamos
Eles que dormem
Nós que não acordamos
Eu passo
Você passa
Nós passamos
Eles na paisagem passam
Na paisagem ficam
No retrato
Quase todos dormimos com a consciência
Quase todos trepamos com ela
Em berço matinal
O berço Brasil
O berço patriarcal
A faca na mão do marginal
Porra mais que marginal sou eu?
Eu estava deitado ali
Eu já senti aquele frio na espinha
Eu já degolei pescoço de galinha
Faltara o sal
Eu ando dormindo mal


Brás Cubas

Já no gole das gargalhadas fartas
Já entre becos e calçadas
Já entre ruelas e becos de minh'alma
Já é tempo...

Brás Cubas.