terça-feira, 11 de março de 2014

O silêncio grita mil coisas.

Brás Cubas.

A Choldra

A Choldra

Ruas, becos e bocas a toa
Frutificam a choldra o piano do mestre
A flauta doce
E o pão doce

Caminha Choldra
Nos teus caminhos varonis
Marcha nas ruas desses Brasis
Vindo em direção
Contra é a sua mão
Que de golpes pequenos vai desacorrentando

Ai! Choldra amiga minha velha
Eu que a ti pertenço por chafurdar-lhe as partes
Mas que teu gosto já não me arde a boca
A choldra solta provérbios
Há nenhum remédio para sanar
Caos e loucura caminham de mãos dadas
Pela calçada dos poetas

Imaginem a Choldra lendo
Imaginem a Choldra se movendo
Lhes convido a vir comigo.

Brás Cubas.

Antes de voltar para devorar pessoa ( Axiomas de Prelúdio )

Antes de voltar para devorar pessoa

Axiomas de Prelúdio

Cai cá no peito da alegria de alma minha
Cai o balão de São João e toda a festa
Cai cá n'alma quando alvidres
Cai cá no pé meu o chão dos escravos
Cai cá no coração ( a cabeça decepada )
-a mente atordoada

Cai em rua iluminada pelo lampião Atroz
Cai no humano o desumano delírio de ser
Cai a delícia do céu e da terra
Dessa terra vinde as plantas das plantações cheirosas

cai outrora
cai outrora
cai outrora

Cai outra o hora o pedaço do tempo achado
Cai o achaque murmúrio de deuses do meu inferno
Cai cá no peito da laranjeira a maçã do pecado pouco original
Cai a fruta podre a madura com gosto de enxofre
Cai a silaba em forma de silabada
Cai a chicotada
E o amarelo da carambola tenra

Cai cá no colo meu o teu amor que fez de mim mais poeta
Cai por terra toda verborragia
Cai por terra meu discurso velho e tardio
Cai por cima do meu conselheiro travesseiro amigo da solidão o sono
O meu gosto e o desgosto de não ser teu irmão.

Brás Cubas.