terça-feira, 4 de março de 2014

Axiomas

Tenho medo de navegar nos teus sonhos, neles há muito da minha ilusão

Brás Cubas.

Harpia


Um copo de coléra Filme








Harpia a aranha estraçalha seu macho
Não de uma vez só
Mas a golpes de veneno doce
Na sua incerteza bela

Harpia a aranha arranha a jarra
O corpo lhe cospe fluidos
São a psiquê e a libido

Harpia a tarantula marcha
Em plausível sinceridade
Harpia em verdade

Harpia a aranha dá coices
Na roleta da rotina
Harpia a aranha definha

Harpia a aranha o definha
Harpia a aranha quer engolir-lhe alma sem sopro
Harpia com o ferrão do moço

Harpia a aranha leva a cama na manhã
Harpia a aranha saí da loucura
Harpia a aranha dança no baile da razão

Harpia a aranha vai e volta.

Brás Cubas.

Axiomas

É quase pífio o sabor da liberdade o homem quis dominar o que ainda não gozou em sua plenitude.

Brás Cubas.

Sobrenaturalmente plausível.

Sobrenaturalmente plausível.

Eis que surgem as personagens em traçados
Ai! Dos que astutamente gargalham
Eis que rugem no vaso de flores abelhas amarelas e pretas
Eis que d'alma pudor nenhum reclama à salvação
Eis que flores nascem nos jardins florais
Eis que há palavras em motim nos jornais
Eis que sou o que deveras
Eis que palpita o que reverbera
Eis que ricocheteia no lombo da gente
Eis que há de haver um lugar chamado sonho
Eis que todo outro lugar parece pó
Eis que ser humano é ser tudo
Eis que reis reverenciam os súditos
Eis que o plebeu já leu minhas quimeras
Eis que Dom Quixote revela a boa nova
Ai! dos meus ais de tanto dedilhar o teclado
Ai! de tanto canto quando amo o serrado
Eis o dia nublado que está ai até para os cegos
Eis que o tato, o olfato e o paladar os carrego
Eis que a vida é um montão de coisas
Eis que há tu de fazeres a escolha
Eis que todos tomam um caminho
Eis eu que caminho
Eis a poesia que fala nos ouvidos
Eis a tartaruga carregando a própria casa
Eis que a liberdade é um grito
Eis que ela queima no peito dos bandidos
Eis que arde a chama na cama da vida
Eis que o homem não passa de um sonho
Eis que quem sonha vive
Eis que tudo que é dito é discurso
Eis que que há e o que não há
Eis que sei e que não sei
Eis que sois o que queres ser
Eis que estais onde deveras
Eis que estou onde pudera
Eis que estou onde deveras
Eis que a alma do passarinho revoa e revoa
Eis que os navios gritam com sua fumaça
Eis que há música em todo corpo
Eis que há festa mesmo no desgosto
Eis que há pérolas nas mentes
Eis que o coletivo é grande
Eis que o individuo está na sombra dos montes.

Brás Cubas.

Já não cabe

Já não cabe mais em mim o seu desejo
Já não cabe mais em ti o cheiro
Já não cabe na alma essa metafísica
Já não cabem ares de superioridade
Só cabe um pedaço de alegria
Só cabe a fugitiva felicidade
Já não cabe a autoridade
Já não cabe no mar tamanho o rochedo
Já não cabe no ar o arvoredo
Já não cabe o canto dos pássaros
Já não cabe o não
Já não cabe mais,

Brás Cubas.