quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Poemas sem nome



Oliver Raschka- Adore Noir Magazine

Abraça a lascívia labuta
e de revés
abstrai o salvo-conduto
constrói a ponte viaduto
traz aquele pretinho luto
faz o arremesso
que meço e traço
o passo o trago
o vagão o cigarro
e a fumaça
que se desfaz
seu rosto
desfaçatez
é agora
é a hora
eu vou de vez
jaz o eremita irmão
o confrade são
e a emérita causa
o nobre e sua casta
o mar que invade Jacarta
vede alvitre preceito
vede a descarada mascarada
vede teus olhos n'água
sois meu espelho
imagem que prescrutou
minha insólita paz
foi-se embora com um capataz
levou a terra e a poeira do chão
doutros tempos d'oiros
e brilhantes lantejoulas e memórias
vede que meus olhos para os teus caminharam
o caminho não cessava
inda que meu passo esgotado
seguia a passajada
entre o biombo e o Mercúrio
Marte fez arte
e a Lua um clarão.

Brás Cubas.