Silêncio! Silêncio, silêncio roto fade o silêncio nessas horas! Silêncio amigo da noite minha calai as palavras que já caem mortas da boca minha, eu não as quero matar em pujança, o solilóquio deveras somente abranger essas palavras putas que querem sair de mim para morrer. Logo tu silêncio olhardes pobre de mim! Quero-as apenas em escrita forma! E que de certa forma elas fiquem cravadas não em todas, contudo em apenas algumas das mentes humanas onde elas talvez tenham também dividido a morada antes de morrer no cuspe de bocas abertas. Silêncio que habita a caixola da gente viva por esse mundo, por esses caminhos, por aí! Ainda que na memória da gente viva haja muitas palavras de gente já morta, cavalga teu céu de pensamentos vis.
Brás Cubas.
Obra de Alphonse Legros - Ilustração de O Poço e o Pêndulo


