quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Axiomas de prelúdio




Silêncio! Silêncio, silêncio roto fade o silêncio nessas horas! Silêncio amigo da noite minha calai as palavras que já caem mortas da boca minha, eu não as quero matar em pujança, o solilóquio deveras somente abranger essas palavras putas que querem sair de mim para morrer. Logo tu silêncio olhardes pobre de mim! Quero-as apenas em escrita forma! E que de certa forma elas fiquem cravadas não em todas, contudo em apenas algumas das mentes humanas onde elas talvez tenham também dividido a morada antes de morrer no cuspe de bocas abertas. Silêncio que habita a caixola da gente viva por esse mundo, por esses caminhos, por aí! Ainda que na memória da gente viva haja muitas palavras de gente já morta, cavalga teu céu de pensamentos vis.

Brás Cubas.


Obra de Alphonse Legros - Ilustração de O Poço e o Pêndulo


Cabeça de pássaro




Sobreposta e pendida a cabeça ventarola
é puro pássaro cheiinho de axônios
jura tu que podes pelear com teus próprios hormônios
eu que nada sei de ti

quis somente ver-te rir
e vós quererdes ao pé do ouvido meu balbuciar
lá dentro do meu Esterno
o taciturno Martelo

a ladrilhar lantejoulas e faisões
Edis e Romanescos burburinhos
Acalmai-vos
te clarifico todas as ondas do mar Egeu

Teu assovio lindo
assim por orquestra de estrangeiros regido
no apogeu dos sussurrinhos
fez toda a gente gozar

Cabeça de pássaro sois amigo meu
no Si bemol maior te darei asas voadoras
que rufem os tambores dos Açores
e que nunca calem essa música tua.

Brás Cubas.




Axioma

Porca miséria! Há horas em que o subúrbio não presta nem pra ser subúrbio!

Brás Cubas.