quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poesia parida

Parir poesia
Fazer na alma da gente
Alegria
Parir poesia
Falar da alforria
Parir poesia
Na riqueza das palavras
A lembrança que lembrava
O vento que levava
O vestido esvoaçava
O verso ficará
No Parir da poesia
O poder de cantarolar
Na viola do trovador
O pudor do clamor
No Parir da poesia
Nasce o sol rebento cada dia
No Parir da poesia
Tem a fluência da magia
Parir poesia
É nascer pro dia
É adormecer na noite
Parir poesia
Olhando a lua
Tomando banho de chuva
É contar gotículas
É o verde desse orvalho
É o Pau-Brasil
É a beleza do Jacarandá
Passion fruit
Coloquemos mel pra adoçar
Parir poesia
Ao vento
Ao relento
Na rede balançar
Tropicalizar o banal
Parindo e tecendo a poesia
Fez a tecelã uma saia de cor carnal
Parindo a poesia
Amanheceu todo o universo
A gente abriu um sorriso
Pra soberana alforria
Parir a poesia
É lavar a égua
Travar sem trégua
A busca da beleza d'alma
Que os mestres tragam a régua
Pra medir esse tipo de prosear.

Brás Cubas.