sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Axioma



Quer me encontrar? Me encontre no que leio, no que ouço e no que penso e lá que estou e sou eu mesmo.

Brás Cubas.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Radianos



Cúbicos metros e cilindros de base d'alva d'Água
Ressalvo o cubismo Picasso do meu amigo
Das horas que não passam na numerologia mártir
Dos pedaços de tempos de palavrinhas
Faladinhas ao pé dos ouvidinhos
Das namoradinhas e dos namoradinhos

Córtex e vértices vertendo do peito dos primatinhas
Nas Prainhas o pescador já não consegue calcular como as ondas das marolinhas
Traços e retas que se entrecruzam nas esquinas de ruas obtusas
De frequências de ondas de microondas e dos raiozinhos que dão choque na antena dos velhos rádios de pilhas

Eu que embora não seja filho de sua filha pátria
Também por ser primazia na ilha dos primatas piratas
Que descobriram as primeiras sílabas rítmicas das falhas
Vou-me no barco da grande proa do navio argonauta fazer

Fui-me no ritmo da caixa de pandora
Buscar a Atlântida de minh'alma

E por ai caminhando me deixei minh'alma ir cantarolando
Esses traços de versos de canções de vitrolas
De discos de cantores que cantam Já em outras Galáxias 

Eu me carreguei de transferências aos montes para subir o monte de Marisa Monte
E suas cores mágicas.

Brás Cubas.

Sara Abib


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sobressalto

Ergam muros e trovões
prédios de esgueiras salvações

Ergam o sapo e a cobra
Ergam o bicho papão
que existe em cada sogra

Ergam a poesia que nasce de cada charada
Ergam os braços no caminho da manada
Ergam bandeiras flamulantes e queimadas

Ergam tudo que puderem nas janelas dos últimos andares
Nas paredes pintadas de cores desbotadas
Ergam as vontades
E no escrutínio da noite ralhada

Em poesias silabadas
Em cordéis dos bordéis dos cardeais marginais
Façam o palavrório do murmúrio de um terço inteiro
Ao meio-dia e meia da onda que passeia na areia do mar
Ao lado do mosteiro

Escrevam o caminho das Índias e dos Hindus
Dos cangurus australianos
Da passarada da manada Canadense
E do povo crente
E da salvação pingente
No cordão das paixões das forcas

Enforquem as guilhotinas
Abram os sanatórios e as prisões domiciliares
Desamarrem os ferros dos portões de grades
E as cercas de arames farpados que cerram o coração do homem

Onde tudo que nasce vira lata
Na lua sobrenatural
No linguajar carnal

Amanhã não me digam
Deram um grito
Era quarta-feira de cinzas
E passou na avenida
O que passa o ano inteiro
O povo brasileiro
Vive no eterno carnaval

Ergam de sobressalto o olho desse cavalo odre
e desse ronronar das barrigas de fome

O aluguel vai vencer a batalha
O chão que pisas
A mão que habitas
O destino te fala

Sobressalto
Sobressalto

O voo da passarinhada

Ergam tudo que é impossível
Ergam um busto de Freud
Na gravíssima atitude humana
Ergam algumas dessas palavras

E leiam e releiam as próprias e impróprias patacoadas

Brás Cubas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os falsos moralistas Axiomas de prelúdio

Os falsos moralistas se amam. Gozam do que condenam e se refestelam na esbórnia da carne e da língua maldita.

Brás Cubas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sobreolho

Sobreolho quem me olha a alma torpe
Sobrancelha vida acima dos olhos de fogo
Sou eu teu eu lírico
No cântico do estilhaçado pranto

Duma cousa atoa fiz noite
E a madrugada acesa brilha em forma de estrelas e canção
A constelação mais bonita
Olhava e dizia
Que o destino
É um moçoila de braços abertos

Um menino vadio e arredio dos bosques
E um pau de arara donde avoa meu irmão
Irmão de primazia e naturalmente natural
Irmão fraterno de ideais não
Jamais duas cabeças são iguais

Mas o pensamento
Ele como o vento é meu irmão.

Brás Cubas.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A vaidade

Bicho menos moderno e incerto que de resto
joga-se tudo fora
na esbórnia do teu dessabor

Ego lá fora que saboreia a cadeira do torturador

Eleva ao alto o santo no altar de toda a santidade
Eleva o o levador.

Amélia de Campos.





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Homenagem à Portela

O azul e branco da tua bandeira
É a água no Rio que voa
Sobre a Sapucaí

O azul e branco manto da Portela
Me revelou
Na manhã duma serenata bela

Ah! meu coração é da Portela
Ah! meu coração é da Portela

Nesse rio mar que na avenida ela navega
quero marejar
Quero que Candeia
Venha com o lampião alumiar

O azul e branco da tua bandeira
Faz o carnaval relampejar
Salve Clara Nunes guerreira
E todo os anjos a sambar

Bela Portela na passarela
É água na boca do povo
É água de coco
É pra todo mundo admirar

Ah! meu coração é da Portela
Ah! meu coração é da Portela.

Brás Cubas.


A heroína

Vivida lépida e fagueira
Faceira e brejeira
Ligeira e pura leveza
Beleza e falta de certeza
Correnteza
Rio mar.

Brás Cubas.


Cesar Biojo.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Entrevero de gravetos



Entreveros de paus e pedras de alambique
No cubique de volumes insólitos
Aberração dos espólios natos
E dos murmúrios em cascatas
Ai dos meus ais

E eu que arremessei no cais
Toda a dor voraz
Que em meu peito batia
De forma tal e qual
Fui-me indo entre os gravetos
Das florestas
Que queimavam no fogo ligeiro
Da fogueira de São João

E a natureza rara beleza
Que arde, acalenta, acalma e cala
E que de repente
Num rompante de trombeta
Tudo fala

Meu armário de entreveros de gravetos
Habita cá nas terras do peito meu
Meu apogeu calado
Meu pitoresco castelo avassalado
No meu reino de florestas
E incestos

Eu que me rebelo
Contra a ditadura de qualquer certeza absoluta
Entrevejo nos teus conselhos
O Narciso do meu espelho quebrado

Eu que fui a Tambaqui buscar ali
No pau d'água fria
Uma rebordosa alegria que já me era fugidia
E me escorria entre os dedos calados

Eu que me perco e me acho na bau do nosso passado
O passado nosso revelado
Entre halos e elmos da desesperança
Tropecei num graveto esperança
Eu acordei para a bonança
Desse dia que cheguei a casa tua

Assim como quem corre de volta no vento ao útero materno
Fui e me revelo farto
De ascos e ponteiros de relógios parados
Na estação que embarco
É quase meia hora
Hora e meia
Que passo
Calo
Ardo
E ardo.

Brás Cubas.

Erick Lacombe.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Sobre os marsupiais

Os tinhosos marsupiais
dessa banda tiro o Leão de boca grande
E todos outros felinos e gatunos do opúsculo
Os tinhosos marsupiais já não os quero mais
Já não me beijam a boca de forma derradeira
Como quem na brincadeira deixa o sorriso nascer
O sol romper
E a madrugada no madrigal sorrir
E eu quero ver a flor se abrir em serenata
Nessa alvorada dos marsupiais


Brás Cubas.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Hoje não estou

Hoje não estou para domador de panteras
Hoje somente hoje não estou nem aí para a Prima Vera
Hoje só hoje não quero nada não
Hoje só hoje que é domingo meu irmão
Hoje que é finitude do tempo
Hoje que relembro e de tudo me alembro
Hoje é tudo ou nada
Hoje é a minha poesia que nasce
Hoje jorro sorrisos nas cascatas
Hoje não estou com falta de nada
Hoje sou plenitude e o meu próprio pão
Hoje somente hoje.

Brás Cubas.

G R E G O R Y • C O L B E R T








Manhã purulenta

hoje o mijo purulento que saiu da minha uretra me disse
vive
hoje na fisiologia da biologia soube
vive
hoje misturado aos restos de feira da sexta-feira santa
vive
hoje de forma tal atemporal o tempo me beijou e disse vive
vive
hoje na construção vi o último andar falar
vive
hoje na miscigenação do meu povo ouvi um brado
vive
hoje a terra tremeu por todos os lados e me disse
vive
hoje o tempo parou no relógio das horas de Hugo Cabret e me disse
vive
e por mais um dia estou vivo.

Brás Cubas.

Patrick Ems

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Axiomas de prelúdio

A corda dos contratos sociais está rebentando para todos os lados.

Brás Cubas.

Axioma do riso




Rá !!! gargalhada de cá e de la
Que corre pelo céu da boca
um pássaro livre que avoa
Feito avião

É livre o pensamento
e a Esclerose Múltipla
multiplica a esquizofrenia
e a Bipolaridade amizade
vai parar na irmandade

o ridículo é o pote de ouro
O palhaço? [...] Eu liricamente
eu mesmo

De nós mesmos rimos
Mãos dadas  querendo ou não
Vaquinhas de presépio meu irmão
gado da fazenda dos governos

Mão metafísica
Mão no pé
Cabeça na Língua
Mão do ladrão
Mão Metonímia
Mão que passou na bunda minha

e a religião eu rio
e rio no Rio de Janeiro

E desaconselho o não rir
Como disse Caetano: - É proibido coibir

E ai é ...

rir de si e para si
da crença ou da descrença
do Monge e do hábito

Fazer descalabro
da morte em suma
Certeza nossa única
e ...
rir da vida.

Brás Cubas.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Amanheci

Hoje ainda não dormi
Mas já amanheci
Com os miolos fritando os ossos

Já bebi na fonte dos Deuses
Já enterneci a manhã cor de prata
Era que a lua fazia de charme

E olhava-me de lado quase nada
Era uma gotícula de espuma
Era um pingo de chuva

Era eu no anátema.

Brás Cubas.





A cabeça do tempo

Pavoneando a cabeça do tempo
A mãe Filosofia
O ente e o pente na penteadeira

Pavoneando meus sentimentos
Meus acalentos e desalentos

Ai! Deus do tempo e da natureza
Floresce cá na chuva nossa
Todo o arvoredo de uma vida.

Brás Cubas.





segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Hoje eu acordei

Hoje eu acordei com mil vontades
Os olhares e os desejos me davam de ombros
Me tragavam na saudade infinda
Mas que plenitude
Regojizando-me na natureza impura e amoral

Hoje eu acordei calado
Como de habito traguei o cigarro
Mesmo sem dinheiro levei meu alvará
Com a chave do criado mudo trancado
E lá me esperavam mil palavras

Hoje eu acordei para tomar um café e vibrar
Soltar uma gargalhada espalhafatosa
Rir mesmo de tudo e de nada
Até o fígado desopilar

Hoje eu abri os olhos e era noite ainda
A madrugada menina
Não pudera me ninar

Livrei-me hoje de pesadelos
Lavei meus conselhos
Nas ondas do mar.

Brás Cubas.


Axiomas de Prelúdio

Parem de me olhar esdruxulas ondas do mar
Parem de me olhar grãos de areia nesse seu pequenino olhar
Parem o sinal vermelho para berzabu passar
Parem de torcer as orelhas nas paredes para as conversas escutar
Parem de tantas manias e torcicolos ao ver o quadril da mossa passar
Parem tudo que há e o que não existe no limbo
O que é ar e poeira e o que não há
Só não parem a beleza da vida faceira que é de se admirar.

Brás Cubas.

Guy Denning


Axiomas- A sociedade e o escritor

O escritor deve tudo à sociedade e a sociedade não lhe deve nada.

Brás Cubas.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Cabeça de comandante

O prolema do ditador é achar que sua cabeça pode governar cabeças, não se pode governar cabeças, corpo, alma e pensamentos. Lugar e posição são apenas uma questão de alteridade.

Brás Cubas.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

sobre a louca solidão.

Não me sinto só na louca solidão.

Brás Cubas.

Stephen Hodgetts


O sujeito psicanalítico - em Axiomas

A psiquê só vibra quando a alma escuta.

Brás Cubas.

Adore Noir Magazine.


Geometricamente falando

Mas quem disse e fez da reta um subsídio?
mas que e conquanto as retas deitam no horizonte no re-côncavo Baiano
mas que ancas que são curvas que são belezas natas de uma Primavera parábola
e o arco e a flecha do arco-íris menino brejeiro
fez para mim um sorriso na nuvem do céu
infinito pincel naturalmente temperado por deus
ai meu deus!
que há de numismático nessa dízima periódica?
na qual meus versos faltam ritmos
não se ei-los cá dentro do peito decassílabos.

Brás Cubas.

Steffen Reichardt‎



Sobre o pensamento

Para o poeta e outros bichos da mesma espécie:- pensar, ou achar que pensa também é trabalhar.

Brás Cubas.

Monet.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Marlene Dietrich

Vik Muniz




About redemption

Do not condemn the poet for writing or trying to express some part of the reality. Do not condemn the painter, he is putting out of itself. Do not condemn the ants they are making their work. Do not condemn the Queen bee, she is making the honey. Do not condemn the ought is a duty for working. Do not condemn the thinker and the academics, philosophers, psychologists. We all have within those functions that allow ourselves to be in a piece of the reality.

Lord Byron