Ergam muros e trovões
prédios de esgueiras salvações
Ergam o sapo e a cobra
Ergam o bicho papão
que existe em cada sogra
Ergam a poesia que nasce de cada charada
Ergam os braços no caminho da manada
Ergam bandeiras flamulantes e queimadas
Ergam tudo que puderem nas janelas dos últimos andares
Nas paredes pintadas de cores desbotadas
Ergam as vontades
E no escrutínio da noite ralhada
Em poesias silabadas
Em cordéis dos bordéis dos cardeais marginais
Façam o palavrório do murmúrio de um terço inteiro
Ao meio-dia e meia da onda que passeia na areia do mar
Ao lado do mosteiro
Escrevam o caminho das Índias e dos Hindus
Dos cangurus australianos
Da passarada da manada Canadense
E do povo crente
E da salvação pingente
No cordão das paixões das forcas
Enforquem as guilhotinas
Abram os sanatórios e as prisões domiciliares
Desamarrem os ferros dos portões de grades
E as cercas de arames farpados que cerram o coração do homem
Onde tudo que nasce vira lata
Na lua sobrenatural
No linguajar carnal
Amanhã não me digam
Deram um grito
Era quarta-feira de cinzas
E passou na avenida
O que passa o ano inteiro
O povo brasileiro
Vive no eterno carnaval
Ergam de sobressalto o olho desse cavalo odre
e desse ronronar das barrigas de fome
O aluguel vai vencer a batalha
O chão que pisas
A mão que habitas
O destino te fala
Sobressalto
Sobressalto
O voo da passarinhada
Ergam tudo que é impossível
Ergam um busto de Freud
Na gravíssima atitude humana
Ergam algumas dessas palavras
E leiam e releiam as próprias e impróprias patacoadas
Brás Cubas.
prédios de esgueiras salvações
Ergam o sapo e a cobra
Ergam o bicho papão
que existe em cada sogra
Ergam a poesia que nasce de cada charada
Ergam os braços no caminho da manada
Ergam bandeiras flamulantes e queimadas
Ergam tudo que puderem nas janelas dos últimos andares
Nas paredes pintadas de cores desbotadas
Ergam as vontades
E no escrutínio da noite ralhada
Em poesias silabadas
Em cordéis dos bordéis dos cardeais marginais
Façam o palavrório do murmúrio de um terço inteiro
Ao meio-dia e meia da onda que passeia na areia do mar
Ao lado do mosteiro
Escrevam o caminho das Índias e dos Hindus
Dos cangurus australianos
Da passarada da manada Canadense
E do povo crente
E da salvação pingente
No cordão das paixões das forcas
Enforquem as guilhotinas
Abram os sanatórios e as prisões domiciliares
Desamarrem os ferros dos portões de grades
E as cercas de arames farpados que cerram o coração do homem
Onde tudo que nasce vira lata
Na lua sobrenatural
No linguajar carnal
Amanhã não me digam
Deram um grito
Era quarta-feira de cinzas
E passou na avenida
O que passa o ano inteiro
O povo brasileiro
Vive no eterno carnaval
Ergam de sobressalto o olho desse cavalo odre
e desse ronronar das barrigas de fome
O aluguel vai vencer a batalha
O chão que pisas
A mão que habitas
O destino te fala
Sobressalto
Sobressalto
O voo da passarinhada
Ergam tudo que é impossível
Ergam um busto de Freud
Na gravíssima atitude humana
Ergam algumas dessas palavras
E leiam e releiam as próprias e impróprias patacoadas
Brás Cubas.
