segunda-feira, 10 de julho de 2017

O prato da poesia

Para-raios,
Paraquedas,
Em quedas livres,
Porém outrossim 
para parir poesia
é necessário cuspir sangue
é necessário meter a mão no mangue
É  necessario cruzar rizonetos com decassílabos 
É necessário furtar as palavras do amanhã 
Ser visionário e equilibrar os pés no chão 
Seja qual for a bandeira que flâmula na tua pátria 
É necessario desejar o desejo alheio
Entregar-se na couraça 
E escancarar a glote
Vender na feira o caixote
Ser perdigueiro e ler Don Quijote
Rimar rico
Assintomaticamente ser profeta e vidente
É necessário estar livre dos versos livres
É  necessário pedir à Dieu                           
É necessário a Wissenchaft
É necessário o peremptório 
É  necessário o Agnus dei 
o pendejo
o bugiardo
E o grito do periclitante espolón.

Antonio Marcos Abreu de Arruda.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Por onde vaga a beleza das flores?

Crisálidas,
Crisântemos e belas flores,

Muita gente a miúdo e,
são muitas as dores,
como tudo no mundo das cores
é lúdico.

Assim afanadas as pétalas do que jaz
em mim,
revivem no Jasmim.

É um pouco de tudo,
e o muito de nada.
É forte e híbrido,
o barulho da cascata.

Da correnteza ao Alentejo
há um beijo certeiro.
E tudo que nos resvala é límpido
e escarafunchado.

Abri-lo-ei as toras das árvores
com um machado
para da seiva bruta
colher um bocadinho de Literatura.

Abrir-se-á minha bocarra:
-Duma falange de arcanjos
enigmáticos sairão palavras
e pedras de diamantes,
que fatalmente desamparam
a luz aos olhos do homem.

A parada cristalina.
A benevolência vitalícia.
E o que nos nos dizem do abdômen,
e o lobo que vira homem,
e o Lobisomem que vira lobo,
e a matilha que vira cardume,
e a colmeia que vira alcateia...
E os alcalinos terrosos,
e o cloreto de sódio,
e o mar, por onde deveras, vaga.

Antonio Marcos Abreu de Arruda.