Vamos impetrar a causa nobre cáustica e derramar a falta de quinhentos anos de História da República do Brasil num partido com bandeira de esquerda com autoritarismo de direita e governança mercadológica. Vamos tirar o pequeno cala boca que numa tentativa, já da dita democracia de poderes anteriores, dos salários e benefícios dos excluídos. Vamos tirar o pingente de uma alma e consciência de um povo que acredita por ignorância totalitária que uma personagem política resolve tudo sozinha. Vamos desmontar a esquizofrenia das ideologias socialistas e extrema esquerda capengas. Vamos exorcizar as ações e os golpes do capital de giro, da dívida externa, do capital aberto. Vamos vender de vez não só a carne para a China mas as ervas medicinais da Amazônia ou o que sobrou dela. Vamos tirar a bengala do Catolicismo e de outras irmandades que ajoelham e rezam junto com o Estado não laico. O monstrengo Brasil. Nau sem navegante desde Cabral. Vamos fazer um texto bloco de carnaval. Expiar todos os pecados dessa falta de educação. A anemia do Estado chega a ser comparativa a fome política e estomacal do povo brasileiro. Vamos exortar qualquer chance de democracia. Chacoalhar as urnas que não podem mais ser abertas ou queimá-las como quem beija a santa Inquisição. Vamos com fome de jurisprudência encontrar no berço esplêndido onde dorme a consciência da pátria amada [...] amar o golpe e o contra golpe. Vamos controlar a imprensa que fala asneiras e que ora desmente besteiras sobre os navios negreiros. Vamos reformar a mente brasileira com meia dúzia de lições de moralismo. Vamos salvar a nação olhando os irmãozinhos sul-americanos e manter nosso complexo de vira latas. Vamos baixar a cabeça para a podridão que ronda o cenário internacional e os interesses exclusos de razão dos nossos idealizadores, dos nossos mestres e malandros da democracia. Vamos gritar e espernear seguindo nenhum exemplo. Vamos exaurir a totalidade do homem cordial. Abrir a porta de uma vez para os coronéis do sertão. Vamos assumir que assumimos o direito divino da improbidade em todas as esferas sociais do pais. O direito de usurpar uns aos outros, amealhar trocados na esquina. E no farol luz última no fim do túnel; dar uma gargalhada disso tudo e entender que nascemos brasileiros.
Brás Cubas.





