sábado, 29 de agosto de 2015

Poemas sem nome



Karin Seppar- Adore Noir Magazine

subiu-me um calor pela aorta
bateram-me na cara a porta
foi de uma forma torta
que o trator expurgou minha obra

foram-se os pesadelos
e com eles as pisadelas
àquelas que passavam
horas à frente do meu assoalho
e meu quarto trancado
fazia vista à janela posta
em incólume ato
e a paisagem vibrava em meus olhos marotos
e marejava o olhar do sobreolho
e me intrigavam as fálicas intrigas
ouvia eu o que gritava o magricela
doutro lado ao derredor do meu jardim
adormeci e me pus a sonhar por fim.

Brás Cubas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Poemas sem nome

sobre o pescoço pende a mão
donde o colarinho branco
traça o peito anco
e vou dizer-lhes que hão
sobre esse chão
esse corpo que em passos vos pisa
essa mão e os pés ligeiros
subindo a íngreme torre de Pisa
peles e vergueiros
que se assemelham a vermelhidão
que sobre esse escrito a mesa exposto
as lágrimas de teu desgosto
um céu aberto e um varão
sobre a envergadura dos teus braços
foi perdido o meu abraço
e de retorno a tua mão
vou desdizer
que a mão é um fio de navalha
que tricota o passado do passaralho
mão que desatina em bugalhos
riu de mim no ato
que executo em firme gesto
é muito mais que incesto
a luz do sol vos desbravo.

Brás Cubas.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A primavera das flores




vulgo e nato lhe traduzo a imensidão
anuncio um rio de mansidão
caminho vis-à-vis
dou alô ao bem-te-vi
e beijo a flor do coração

escorrego sobre a resma
e sopro o trigo
o amarelo me é amigo

remo e tremo
mal navego teus sonhos
revés dos meus pés

de ponta-cabeça
por favor,
não te esqueças do poema
em cima da mesa.


domingo, 9 de agosto de 2015

A primavera das flores

deletéria e signatária
truculência primata
periférica e cognata
turbulência binária
benévola e lacrimal
virgindade astral

A flor que é astro da floresta
beleza iníqua
sordidez líquida
e fluidez nórdica

A flor que aclara meu juízo
fez-me conceito dos verbetes acima
flor de lira
a roda gira em busca da rima
e,
suprassumo do assunto
verdugo e Samambaia
água e torneira
torniquete
Aia e Valete
sax e trompete
Trepadeira

É a flor adjetivo
àquela que dorme comigo
meu pingente adstringente
obstante e onipresente
onipotente
segue quente
o veio da veia
É flor e mais flor, amigo.

Brás Cubas.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A primavera das flores



Criva e uiva
vossa seiva bruta
e cálice
acalme-se
Há de certo uma certeza
na pureza da erva Cidreira

Tulipas e Xaxins
Vermute e verdume
querubim
quero assim
quero em mim
florar no peito teu
e ser jardim.

Orquídeas e Hortênsias
no furor o estupor da Ciência
Vide sem leniência
Já vos suplico clemência
Sortis uma reta dos fatos
O laguinho está cheio de átomos
E Vitórias-Régias

Sejamos elas
sejamos panaceia e vernáculo.

Brás Cubas.

sábado, 1 de agosto de 2015

A metamorfose das flores




Declaro silêncio aos sorrisos amarelos
Vos declaro abertos girassóis
Declaro sincero o peito aberto
O riso frouxo
e o aperto de mão

Declaro que toda a cidade
que dorme tão tarde
não mais cale a tenacidade
e o sonho vivaz

Declaro assaz a partida do amigo
e a chegada do satírico

Declaro a todos os santos
a liberdade atônita
a sílaba tônica
e a flor do Manjericão

Declaro que o fundo do prato raso
Está cheio de Dormideiras
( E de forma estranha
tenho dito )
que falam besteiras de montão.

Brás Cubas.