domingo, 24 de novembro de 2013

O galope

Galopando uns sobre os outros vão os homens
Golpeando suas cabeças com a foice
Acabrunhando o pensamento
Eles vão

Cavalgando a cavalgadura
Pisoteando
Trotando
Relinchando
Grunhindo

Abespinhados homens
Naturalmente racionais
Caçando animais
Os homem se vão

Forçando as portas do quartel
Empunhando qualquer punhal
Eles vão

Os homens pensando vão
Os homens são
O homem a guerra vai
A guerra faz
Ao mando e desmando do homem
Os homens vão.

Brás Cubas.

sábado, 23 de novembro de 2013

A moral

A moral pesou nos ombros
Pesou nos punhos
Pesou nos braços
Alfinetou o estômago
Beijando o âmago

A esquálida moral
Imoralmente banal
Pesou no tempo
Soprou o vento
Virou carnaval

A moral mentiu
Num ato sumiu
Autofágica moral
Pesou e sedimentou do mar o sal

A moral pesou no corpo
Era esboço de algo
Ela era o fim da era
O começo fulgural

Brás Cubas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Àquele buquê de flores belas

Àquele buquê de flores belas
Dediquei toda uma acelga
Às claras
Às cegas
À ela
Alma minha
Revirei-te do avesso
Tu corrias dos travessos
Eu te acertava em cheio

Era a primeira vez do beijo
Era o anseio primeiro
Era o Outono que lhe esperava
Era sempre eu que te acarinhava

Ferve a verve do seio teu
Que dos lábios meus
Já levaram todos os beijos doces

Corre lá fora
A rua é nuance de vida e luta agora

Tira do sol uma reta e mira as flores belas
Elas te aguardam no segredo da Primavera
Outrora quisera eu poder tocar-te
Nas delícias das delicadas flores

Dá-me amor
Abre teu colo e me nina
Flor de minh'alma
Tulipa branca seja minha

Deixe que eu toque teu toque
Que os lábios se encostem
E que renasça no beijo a sorte.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Ouviram um sussurro de um suspiro inquieto e era incerto o desejo dos olhos castanhos que dançavam na lua que boiava no céu cheio de estrelas vãs. Buscavam uma certeza perdida no espaço deste satélite, a lua chorava;  era a chuva da madrugada anunciando o começo da noite.

Prelúdio
Choras em vão
Choras em retidão
Choras lágrimas
Bolinhas de sabão
Choras águas passadas
Choras em vão
Chora a vã filosofia
Chora sobre tua pele ferida
Chora outrora as palavras minhas
Choras como chora a chuva
Que corre para onde te leva
Ao bel prazer da sentinela
Choras com o canto do passarinho
É revoltoso teu choro matutino
Que precisa de música para esse comboio
Que revela em minha escrita a pena sob à luz de velas
Teu choro dança
As lágrimas são como gotículas do riso
Que desenham teu rosto
Choras por tudo que sentes
Mas escondestes o sorriso aquarela entre teus amarelos dentes

Brás Cubas.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

É o choro ignóbil crescendo por entre as raízes do pensamento. É necessário algum fomento por favor! Faz-se urgente qualquer voz que num grito traga o sabor de lembranças da querida memória perdida. É o vacilo do homem que engendra quando emenda o arbitrário livre e puro pensar. É preciso que o tombo revigore o calhorda. É preciso que o homem desperte do sonho e caia na realidade agora.

É preciso
Que as flores estejam bem adubadas no jardim secreto
Que as esmeraldas estejam no pescoço certo
Que as cores jorrem os vasos das flores dos quadros dos pintores
Que a realidade seja submetida à arte divina
É preciso que o homem cante mais cânticos gregorianos
É preciso que se pense a vida das flores
A breve vida das flores
Das flores belas
Belas flores
É preciso que o homem enxergue suas súplicas
Que os carrascos limpem o sangue da sua culpa
Que o rio desague ligeiramente
E que a verdade que não é absoluta emirja veemente.

Brás Cubas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Rodamoinho

Rodamoinho

Seus cabelos desgrenhados
Neles caracol encaracolados
Às vezes
Neles ainda me enrolo
Rolo noite adentro
No pensamento teu
Neles ainda vibro
Com eles sonho
Com seus caracóis imagino
Nos seus cabelos vi um mundo
Girando e bagunçando
Nos seus cabelos esvoaçados
Nos seus cabelos atormentados
Nos brancos também os acho
Nos teus cabelos brinco
Amo o seu rodamoinho
Nos teus cabelos
O amor é moinho de vento
Nos teus cabelos
Fiz meu alento
Te acalentei
A tua alma esquentei
O café amargo
Das doces manhãs
No teu cabelo faço manha
Nos teu cabelos me perdi e me achei
Nos teus cabelos um pedaço de mim deixei.

Brás Cubas.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

A inadimplência doutros ritmos desceu goela abaixo. Desceu ladeira abaixo. Baixo foi o golpe de martírio que sorriu para a amiga solidão. Pede perdão pois o único pecado é não amar e o homem já virou sombra na poeira da ilusão. Flutua sobre os ares doutras terras, sobre os pensamentos doutras cabeças e retorna a tua numa tentativa de singularizar o que só pode ser plural e diferente de ti. Assemelha a tempestade ao solstício porque a lua e o sol são amigos que um dia vão se encontrar.

Inadimplência
Como houvera o sol de abandonar a lua chorosa
Como houvera a lua estado branca e leitosa
Como houvera as várias línguas lá fora
Como houvera os entrelaces de ambos
Como houvera para a lua e o sol amos
Como houvera tempos de luta
Como houvera o saber e a labuta
Como houvera o que há
Há quem grite por lá
Há quem não pare de cantar ainda que sobre a mira
Há quem convoque o amor e a ira
Como houvera de ser essa tal inadimplente vida.

Brás Cubas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Brains

Brain overcoming
Brains barely brains
Brain storm
Brains for more
Brain and thoughts
Brain and more
Brains for compliments
For complaints
Brains
My brains
Your brains
Our brains
Inside the box of the head
Guiding the body
To walk or jog
Brains remains
Hope not to become vegetable one day.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Ele que buscara a assimetria encontrou no biconvexo sua união d'alma. Ele que buscara a bifurcação, encontrou na confluência da ciência e d'alma as águas calmas da calmaria. Ele que sonhara acordado voltou a dormir sob a tutela da alienação repentina. Ele que trabalhara todo dia pelo pão do dia-dia pediu pra caminhar e que os seus não olhassem pra trás.

Despedida
Despiu-se dos farrapos poucos
Despediu-se dos amigos poucos
Arrendou a verba pouca
E partiu

Foi-se sertão adentro
Buscou alento na seca
Bebeu água com o bode
Rimou rima pobre
Pediu a Deus que a sorte não fosse embora

Despiu-se dos males
Viajou ao longe
Parecia que caminhava nas nuvens a caminho de Marte
Era lunático

O passado nas costas
Parecia traumático

Ele fora embora
Largara a crosta
No caminho não havia como pescar lagosta

Era a terra que virava farinha do sertão
O estômago corroía
O bucho dizia
Volta meu irmão

Despediu-se da casa de barro
Era a fotografia do passado
No caminho encontrou aves de rapina
Com elas dividiu a carniça
E a caminhar continuou

Era o homem sem berço
Era o sertanejo buscando água
O cacto já não dava
Caia de sua boca o último farelo de pão

O sertanejo não voltara
Para ele o passado era nada
E o futuro era a terra seca
Um dia plantará seu destino
Ainda que ache apenas um riacho pequenino

Ele é o homem em construção

Segue com a viola
Dela saem trovas
O coelho da cartola
A mágica da insistência

Belo dia
Um rio aparece
Ele bebe e bebe
Mata a sede
Faz do rio sua sede
Cria uma ovelha
E faz na viola
Canções
E faz de si
Seu próprio pastor
Sem nenhum tambor
Também é o seu próprio rebanho

Ele partiu para se achar
Ele partiu para não mais voltar
Para as velhas roupas da velha moral
O passado banal
Legado nenhum deixou

O rio firmou na cheia
Ele afincou
E raiz criou
Comeu a raiz
Comia sem ressalva

Foi o homem que partiu em busca da sua alma.

Brás Cubas.
Axiomas de prelúdio

Lava a alma e sacode a labuta, segue tua luta libertadora. Que seja ela, a tua luta, ancoradouro do porto-que seja ela o esmero dos conselhos e palavras- seguro o ouro do negro escravo sobre o qual escrevo no rio d'ouro preto. Lava a sacada ta dua casa e deixa água escorrer correndo cada degrau das escadas.

Branquinha
Passarinha beija meu beiço
Beijo passa a dorzinha
Beijo afável
Beleza invejável

Branquinha na penumbra vejo teu seio
Pela janelinha da casa tua
Casa comigo branquinha
Prometo não bebo
Nem mais a da roça

Passarinha minha
Beija meu beijo
Ele te dirá
Que meu eu te amará
O futuro chegará
Como canta o sabiá

Passarinha voa mansinho
Pros meus braços meninos
Voa pelos cantinhos
Da sala de estar

Eu entro passarinha
Na sua gaiola
Pra nós dois juntos avoar.

Brás Cubas.
Axiomas de prelúdio

Motim de palavras são pedaços d'alma soltos no ar.

Motim de palavras espirram poemas
Motim de palavras enrolam a língua
Motim de palavras são metafísica
Motim de palavras problematizam a vida
Motim de palavras é palavrão
Motim de palavras: - palavra grande
Motim de palavras onde se esconde o homem
Motim de palavras onde o sábio vira homem
Motim de palavras para formar a exclamação
Motim de palavras para abrir a boca e o coração
Motim de palavras para rimar sem noção
Motim de palavras para escapar do tempo ao vento
Motim de palavras sem protocolo
Motim de palavras: - Eu te consolo
Motim de palavras palavras são
Motim de palavras girando
Motim de palavras: - boca do céu
Motim de palavras: - pincel e anel
Motim de palavras para você meu irmão
Motim de palavras para enxugar a solidão.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

O filho da guerra foi para a guerra. A guerra era justamente injusta. Sempre foi e sempre será derradeira ilusão de justiça versando a paz.

O filho de algo
O fidalgo
Algo ele há de ser
o filho pródigo
que a casa torna
que a mesa derruba
que expõe a turba

O filho de algo
Capataz e carrasco
irmãos são
muito ligados
o poema fiasco
e as letrinhas vão

O fidalgo
O nobre alvo
Eu que não te salvo
Nem por mil tostões

Eu que não sou fidalgo
A escritura salvaguardo
A minha alforria
A nossa lição

Ele o fidalgo
Ainda quer ser irmão
Ainda quer o pão
Ainda quer ser são
Ainda quer ser pai

O filho de algo
Subiu enfim a serra
Farroupilha era a guerra
O motim seu guardião
Ele foi pros braços dela
Com a carta que revela
Que a saudade resiste não.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Interpela tua vida que é navalha na carne ferida. Ama-te a ti mesmo e questiona tudo. Tudo é nada quando o mundo diz não. Tudo é belo quando espero o que vos digo no clarão. É dia! O sol levanta sua bandeira dourada sobre todas as cabeças dos homens, sobre as cabeças dos poetas. Se envolve nas horas e te enrola nos lençóis de teus amantes, eles lhe salvarão. O gozo fará vida onde há sombras. O gozo da vida é o gozo de deitar.

Interrogatório
Confessa no confessionário
Ajoelha e reza o terço
E mais dois rosários
Embebeda teu fígado de vinho
Acomoda as vísceras
Arrebita teus lábios
E expurga os pecados
Salienta a língua
Fraterniza e realiza
O que sonharas
Goza mil gozos
Que o néctar te espera
Corteja o biombo
Dá de ombros
E se vai...

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Incrementa Vossa Excelência língua portuguesa. Interpreta o sonho do que o homem fomenta: as intempéries dos clérigos-a visão dos cegos- e o tato dos eméritos argonautas. Vaga e navega em outras águas rasas da canoa que furada não sucumbe ao tempo que venta por e para todos os lados. Interpela o gozo do inquérito febril desejado pelo amado amante cantante falante inebriante amante.

Liberta
Liberta a vossa língua felina
Liberta os escrutínios vívidos
E os delírios que vagueiam a mente
Liberta os fluidos e os gemidos da gente
Inventa a astúcia e dá um tiro na angústia
Eleva no enlevo do seio revelando o meio do coração pulsar
Celebra a veia que faz o cérebro oxigenar no poético poetizar
Eleva o neurônio abrupto ao patamar de folhas mil que pairam no ar
Venta com as folhas brancas do branco papel como a imaginação há de furar
Meios de ambientes nunca antes vistos e nem pensados, seja a imaginação do que não há
Pois o que há já está nos trompetes e há muitos belos topetes e juras de vida e de morte por Alá
Liberta as interseções dos risos que ligam e transfiguram o rio no Atlântico e o Pacífico num só mar
Um riso de mar pra toda gente balbuciar.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Pega a Onomatopeia pega ela depressa pega e se exaspera e pega e se apressa. Pega com pressa, faz uma compressa para dor de cabeça. Liberta toda a fome da sexta-feira. Libera a cabeça que gira depressa. Liberta o sentimento poeta. Liberta várias almas com calma. Abre o decassílabo, persegue nele o destino. Segue de mansinho, vai depressa ao Anacoluto. A casa, o homem adentrou batendo as pernas com tudo. Contudo a hipérbole é assintomática. Tic-Tac no meu coração. Faz a metonímia transar a metáfora na maior das sinestesias com a personificação do criado mudo, pois o crioulo surdo já fala de provérbios velhos.

Axioma marginal
Polissíndeto acidentalmente marginal te dou aval
Que fales por mim!
Que saia das saias de roda
Que force a força do braço
Que pegue a enxada na roça
Axioma marginal
Não seja tu o meu banal
Sonho realmente
Verdadeiramente venal
Real metáfora
O sapo engole a cobra
Língua de sogra
Veneno chacal
E gato foge de cão
A galinha fala do milharal no quintal
Infâncias da gente
Seja veemente
Venha ainda que descontente
Quebre um dente
Leia a prosopopeia
Faça um verbeto
Reverbere no clarinete do negro
Antes venha com antíteses
Mímicas e mímeses
Engrosse o glossário
Escondendo o guarda-chuva no armário
Já que eu sei
O cacófato lerei
Saio do pleonasmo
Sou vicioso exagero
Ah! que coisa verifica a zeugma
E evita o barbarismo
Vibre com sufixos
E prefixos
Também não os esqueça
Guarde este poema de cor no coração.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

O filho de qualquer madrigal marginal cavalgou pela relva da selva e da mata virgem. O filho trouxera a esperança de outrora já perdida nas entranhas do passado umbilical. O filho era querido por todos na aldeia dos índios que cantarolavam cantigas próprias de quem quer alcançar uma faísca de paz. O filho era brejeiro corria ligeiro nos pantanais. No fosso do poço- no breu do bosque- O filho corria como quem quer escapar da foice. O filho quisera e pudera fazer fogueira. Ia correndo se esguiando pelas beiras do rio que deságua nas águas marginais. O filho tentara falar olhando para os céus com o pai.

O pai.
Tempo pai de todo mundo
Tempo pai corre ligeiro ao fundo
Tempo pano de fundo de todo mundo
Tempo pai que revela que o passado não espera
Tempo da guerra que não finda nem se auto encerra
No punho do homem que empunha a serra por entre os dentes
Tempo fome do mundo, que no fundo de tudo quer que o filho dolente
Siga em paz.
Pai filho de alguém que não trouxe ninguém, mas que sempre pede paz
Tempo pai do mundo e de toda gente contente que vai cantar um hino no cais
Pai tempo que ancora no porto o desejo dos outros e pede que todos sigam pelos cascais
Tempo filho do pai, menino vadio que assovia devagarzinho nas várzeas desde o tempo neandertal
Tempo seja pai seja meu filho querido te ponho um apelido com ternura e carinho para que meu apelo
Te alcance em qualquer tempo de sal.
Temo o tempo que segue faceiro, segue bezerro tua luta como quem faz do prelúdio um poema carnal
Vem tempo menino.
Vem comigo, vem como onda do mar
Vem e vai
E segue teu caminho pelas pedras do cais.

Brás Cubas.

domingo, 3 de novembro de 2013

Vivo de amor

Vivo de amor.

Eu que não o tenho
Também não o detenho
Eu que não o tenho
Tiro sarro dele

Eu que sou detento
Faço-lhe a corte
Quando corto com o canivete
O vestido da vedete

Eu que dele nada sei
Faço dele lei
Quase um rei
Clamor

Eu que nele me aprisionei
Dele jamais me libertarei
Dele, o perfeito sabor

Eu que nele tenho fé
Faço um café
O forte café

Eu que não soube buscar
Eu que quisera lhe achar
Eu que quisera te ninar
Eu que soubera sonhar

Eu que dele nada sei
Extrai dele o céu
Abocanhei o mel
Bebi todas as gotas
Ainda que dele seja eu o réu

Eu que não tenho amor
Vivo só! Vivo por ele
Eu que quisera amar o amor.

Brás Cubas.

sábado, 2 de novembro de 2013

Acabou

Acabou meu bem
Realiza esse fato
Vai ser maís fácil pra nós dois

Acabou meu bem
Desgarra desse fardo
Liberta os sorriso amargo

Quem sabe outro amor não vem

Acabou meu bem
Sem beijo de fim
Sem promessas vindas de mim

Acabou enfim
O que você queria
Eu já não sabia te amar

Brás Cubas.

Might be

Might be

There might be waves where is the ocean
There might be clowns without notion
There might be laughs where is the poison
There might be love where are the shadows
There might be light on the windows
There might be sun on the sunset
There might be forgiveness without regrets
There might be some hope when you erase
There might be a bottom for the emotional bomb to reset
There might be regret for the brave
There might be ache on the smile
There might be clocks at the shallow
There might be you on your soul
There might be breath in your sound
There might be the door on the way to get out
There might be the bird to fly high
There might be rain to jump on the sky
There might be us at the end
There might be movies on the frame
There might be folks on the woods
There might be happiness on my skull
There might be songs on the whisper
There might be melody for the singers
There might be flowers for the people
There might be a garden for the equal
There might be at last the moon
There might be the thunder coming soon.

Brás Cubas.