quarta-feira, 5 de março de 2014

O beijo inocente

O beijo inocente

Esses beijos de outrora
Esses e outros agora
Esses beijos pachorrentos
Esses e outros trocam salivas
Esses e outros roubados
Esses e outros planejados
O beijo do algoz
O beijo bom
O beijo pago
O beijo comprado
O das cobras é arrodilhado

Esses beijos querubim
Esses beijos inocentes
Esses beijos de amizade
Esses e outros fabricam a verdade

Esses beijos de outrora
Me relembram beijos de glórias
De soldados e donzelas
Do vai e vem da esparrela.

Brás Cubas.

Abre-te-sésamo

Abre-te-sésamo

São as portas do céu
O diamante no anel
O trompete de meu pai
O vozerio do quero mais
Pede bizz
É o alvéolo pulmonar
São as almas a cantar
Os anjos saem dessa boca
Cala-te
O som já atordoa a platéia
Que em catarse se exaspera
No anseio do próximo som.

Brás Cubas.


Entre um cigarro e outro

Entre um cigarro e outro

Eu que de música nada entendo
Venho por meio deste reverendo
Reverenciar cada nota tocada
Cada momento de improviso calado
Quando fizeste do improviso o exato
Este jazz arem
Foi além mar
Navegou a alma dos que apreciavam
Deleitavam-se nesse sutil delírio
Nesse silêncio antes do ápice
Mastiguei o alface
Cuspi o cigarro fora
E embalado nesse sonho de som fui dormir.

Brás Cubas.





Notas de bergamota

Notas de bergamota

Florais são tuas notas musicais
Há de haver e que beleza extremada
Que não há de certo tamanho
O jardim que está ai em composição
A alma revigora no sopro
Mas que gosto de gozo
Que mel de favo
Que belo é o cravo
E a rosa dormideira
Sopra o pulmão
Diante da lareira
Vem canção
Na mão ligeira
O toque certeiro
Na mão incerta
Tuas notas amadeiradas
Cheias de bergamota
E notas de alecrim
Floriu-se esse jardim:

Brás Cubas.


Entes

Entrementes entredentes os sorrisos contentes
Veementes sorridentes clarividentes eloquentes
Premente a vértice da vertente mente
Inocente excludente a semente
Felizmente sorridente eu fui contente
Em vertente de que poeticamente lavrei o potente
Verdadeiramente constantemente ele sente
Potencialmente vertiginosamente e verticalmente
Horizontalmente e deitam-se fervendo-se
Paliativamente a dor de dente vinha passando contente
Moralmente meu ente e já não está quente
Solenemente e ele sente pontiaguda a vertente
Fortemente sempre vence o latente
Entorpecente a serpente bissexualmente
Equânime sente sinteticamente
Boquiaberto ele sente o vento entre os latentes dentes
Atabalhoado revirado ele vem e sente
Friamente sem confete sem enfeite acabou o carnaval.


Brás Cubas.

Axiomas

Já não sei se a solidão é tiro necessário do peito do poeta e dos artistas. Só sei que não me apetecem as ninharias.

Brás Cubas.

Dez razões para escrever

Dez razões para escrever

Uma é escarrar no prato dos porcos
Outra é comer no mesmo prato
Outra é vomitar depois de tudo
Depois limpar a sujeira dos imundos

Não estou contando os motivos
São meus e vos digo

Outro é tentar vislumbrar
É tirar o nariz de uma reta quando afogado na merda
Outra é o horizonte

Outra seria o sonho
Mas esse já parece dormir de desatino repleto
É que motivos não faltam para sonhar
Mas exitem outros milhões para acordar.

Brás Cubas.
A rotina golpeia as cabeças toda santa manhã matutinalmente

Brás Cubas.