quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Na linha do trem Rio de Janeiro





As belas flores

Belas flores belas
Mais belas das belas
De todos os jardins

O cheiro delas vem a mim
O perfume é de cor de carmim

O plural das flores belas
Ressoa na estufa
No orquidário
No jogo de baralho

A gardênia sorriu para mim
As flores são sim
Sorriso carmim
Os lábios do amor sem fim
Belas sim
São assim

Hipérboles que nem a beleza encerra enfim

Brás Cubas.

A turba


Caminhando a turba em brancas nuvens
A chusma negra ao mando da branca vai
Caminhando no espaço sideral em centelhas
O povo vai
Cavalgando a branca consciência
O carrasco cai
Mata da mesma cor
Sem louvor
Sem clamor


Caminhando a branca negra noite vai
Sob os lábios da donzela acesa cai
O beijo derradeiro
O suspiro primeiro
O engodo do amor trambiqueiro

Caminhando a multidão na multidão
O sujeito vai
Derrubado do caminhão se refaz


Caminhando sem direção
Na contra-mão
Eu vou
Ele vai
Nós vamos
E eles já foram

Brás Cubas.