sábado, 14 de setembro de 2013

Musique




A Dialética dos Poetas Malditos

Agora começa a arte, talvez no ciclo de Outras Bossas revela-se:- Maldito seja o cu de Rimbaud.

Sejam bem-vindos A Dialética dos Poetas Malditos

Meu poeta favorito

Que seja ele maldito
O maldito dos malditos
O mais que maldito
O cu do mundo
Oceanos profundos
Nos bares de arcanjos
Arranjos de flores
Pássaros e mais flores
Correm os corvos pela selva
Salve Rimbaud  sempre armado para a guerra
Salve a selva do pilantra
Que sejam bem-vindos meus amigos
E aqueles que vos digo
Prefiro proferir
Eu que deveras ser maldito
Salve Baudelaire
Sou aspirante na arte da arte
Aprendiz do aprendiz
Da faca do louvor
Que venha o clamor
Que eu seja o que quer ele
Quando meti bem no fundo
Que eu seja a merda
Ondo o gozo no intestino se encerra
E que a privada sorria para o mundo.


Epopeia maldita

Era linda a lua
Que invejava o dia-a-dia
Da gente infeliz
Sorriso guarnição
Papel e bolha de sabão
Ilusão
Oh Ilusão
Acorda o mundo com o grito
A verdade não é única
O mundo se encerra
Quando a vida termina
O homem nasce e sabe porque chora
Já pede na luta para colocar sua cabeça vagina afora
Agora vida você é uma ilusão
Larga dos meus punhos
A vontade visceral
O desejo do animal.
Liberta a calmaria
Que a tormenta é divinamente certa
Acerta o assecla
Que dele nada mais a esperança espera
Espera que o tempo da razão lhe chegue tardia
Que chegue vazio o sopro do vento
Que as sombras levem o tempo
Sejamos a verdade da ilusão.
Vamos transbordar os bordados
Os vômitos e gozos do passado
Vamos libertar alma e o sangue dos homens
Abram os hospícios
Porque os lúcidos já estão despidos
Em fotos da burguesia
Porque Chagall também maldito ès
Salvemo-nos de qualquer sala de espera
Esperemos que a vida seja bela
Doce e concreta
Real e abstrata
Abolicionista e evolucionista
E criacionista
Revolucionária
Sejamos eles
Eles são o que somos
Olhemos o espelho
Tentemos
Voltemos
Sejamos
Calemos
Malditos ardendo no eterno inferno.
Que a terra santa queime suas mágoas
Que os Alibabás joguem fora suas malas
Sejamos puros e inocentes
Sejamos gente e somos bilhões
Somos números
Que comem mais
Que mais de comem
Que venha a beleza fria
A realeza sombria
A cadela e a vadia
O trocadilho é um caralho
Que voa sobre todas as cabeças.

You don't have to tell to be. You have to be to tell.


Meu avesso

Queria ser cabeça da minha cabeça
Queria cabecear a lata
Porque não sei chutar bola
Todo muleque aprende na escola
Queria ser mais
Queria beber a vida dos poetas
Queria o saber do saber
Queria nada quando todo mundo tinha tudo
Queria o non-sense
E algum sentido
Para os frêmitos gemidos
Dos gargalos pervertidos
Queria do quarto escuro
A solidão em pílulas
Queria uma sala escola
Uma sacola nova
Queria meu avesso
Escrutínio do viver
Escutando samba com rock
Puro lazer
Queria alhures
Outros mares
Queria ser meu avesso
Mais travesso
E menos vadio
Porém vadiar mais
Salve Vadinho
Dona Flor
E seus imaginários maridos.

Assumir vários papéis é sacudir várias almas.


Chocalho.

Chocalha Chocalha Chocalha
Cabeça
Cabeça
Cabeça
A besta
A vaca
A teta
Mama mama
A tua
A minha
Chocalha Chocalha Chocalha
Fundo
Chocalha o mundo.



Palabras Palabras sois la noche en mi alma sois la poesia que canta por la mañana.


Pedinte e pagante.

Pede água
Bebe a sede
Sopra o vento
Pede conselho
Rola o rubro
O rosa-pink
O vaso vermelho
O esmalte cor de terra
Aduba com estrume
De rosas vermelhas
Para dizer que não mencionei amores
Pediremos amores
Amorzinho meu
Você que não é meu
Volta pra casa
Vem embebedar minhas lágrimas
Vem com seu suor
Traz o dó
Que o rima do re mi fá só lá si
Quem sabe fará
Nossas almas flutuarem
Amores de sabão.

Platão

Céu e inferno
Olho choro peco
Peço
Erro
Escolho
Miro teu olho
Na multidão
Tem muita gente
Gente demais
Demasiado tumulto
Sal e pimenta
Pra temperar o nascer do que vêm da terra
A batata inglesa e a cenoura portuguesa.

Penumbra

Avoa minha águia
Vai beber água
Vai matar a sede da vaca
Avoa meu passarinho
Vai fazer teu ninho
Noutro lugar
Avoa pomba branca
Corvo negro
Flamencos nos canaviais
Festas de carnavais
Faca
Navalha
Carne
Sangra
A vida num mantra
Penumbra-sombra
Aumenta a minha
Assombra a sombra.

Sete poetas malditos

Sejam eles o número sete
Seja o sete cabalístico
Seja a alma profana
Seja o rio d'ouro
O desejo que abocanha
Senhor das uvas
Lua e rua
Na minha e na sua
Sete poetas malditos caminham.

Poetas calhordas

Eu uso o eu lírico
Eu
Uso o eu lírico
Eu sou o eu lírico
Eu danço tango comigo
Eu fui
Era
Sou narciso.

Concentração

Pernas de mantra
Pernas de piranha
Piranhas que abocanham
A alma do alucinado
Pernas salamandra
A perna dobrada
Abóboda virada
Reza minha filha
Que o nascer do dia é certo
E a lua ri de tuas preces
Desce e sobe essa ladeira
Com as pernas que Deus te deu
E que os os olhos comem
Os homens comem
Toda a gente come
Regurgita e vomita
Corre o gozo em tuas pernas
Corre o sangue aquarela
Menstrua pra parir
Veste de noiva pra mentir
Reviravolta teus sentimentos
Vira o mundo no seu lamento
Concentra na tua vida
Que a dos poetas malditos está em todas as esquinas.


Societé

Je suis putain

Il est
Nous sommes
Et Vous?

Hace un tiempo


Ojalá que queiras

Ojalá que la luna llena
Ojalá que la putana llore
Olha lá
O cu do conde.

Tengo hambre de hombre.


Baixou na terra

A maledicência de toda glória
A frivolidade de toda comédia
A sapiência da maldita ciência
A benevolência da gente festeira
Baixou na terra a arma química
Baixou na terra uma menina chamada guerra.


Para Bukowski

Escrevo a ti meu amigo
Uma carta ligeira
Envio para a sua terra parideira
Escrevo como escravo que sou do que escrevo
Escrevo contando as folhas dos trevos
Poeta lindo e pueril
Fumaça azul cor carnal quase anil
Vanila e céu
Pão e véu
Máscara de Bukowski
Máscara dos mascarados
Nosso Bukowski
Escrevo escravo do teu seio
Escrevo deitado no teu peito
Escrevo para que leves para bem longe
Essa nossa história.



Florestas

Bucólico
Melancólico
Sólido
O traço desconcertante
A reta geométrica
A lucidez tirou um pedaço do cérebro do poeta
Florestas
Matas verdes
Verdes matas
Estrambólico
Eufórico gozo
Das leituras vis
Mil são os profetas
Mil são os poetas
Mil são os prólogos
E os cânticos romanos.


A liberdade da arte

Voa galinha
Voa condor
Voa albatroz
Voa águia
Bebe a sede
Castiga almas
A liberdade da arte
Que por vir está
Aqui não chegou
Mas muitas almas tocou
É o toque carnal
A masturbação virginal.

Sexo banido

Maldito seja o sexo
Bendito o pudor
Choremos no louvor
Oremos enquanto cantamos
Gozemos enquanto tocamos
Viva nossa vida.

Melancolia

Ela de outrora que viera
Ela que soubera de tudo
Ela que não pudera
Ela que amara
Ela que falara
Ela, a melancolia
Ela que bebia no copo do bêbado
Ela, a melancolia
Ela que não queria ficar sozinha
Ela que arrastava a gente
Para a tarde nublada
A melancolia traçada na carne
A melancolia na tarde
Verdadeira melancolia.

Flores belas

Oh! Tu minha quimera
Queimarias tu
A própria vossa beleza
Nos espasmos dos teus beijos fúnebres
Sim flores belas e finais
Encerram o giro do mundo
Baba na boca dessa camélia
Que o gozo já lhe espera na porta
A eficaz solidez dos pensamentos
Que lhe bate na soleira dessa porta
Menina olha a horta
Colhe teus grãos
Fabrica teu pão bento
Divide entre teus irmãos
E livra teus livros dos cupins
Aduba as flores belas
Pois nelas toda a beleza libertará.



Expõe teus cornos vaca desmamada que a manada não te segue mais pelo rio do leito mas pelo preceito de tua carne!


Carta a Augusto dos anjos.

Que as almas que lhe abençoaram
Revoem alto
No altar santo
Augusto dos Anjos
Anjos te carregaram Augusto
De certo o mês de Agosto
Foi-lhe de preceito
Com todo amor dedico
Esta carta poema
Este cataclismo menino
Corre Augusto dos Anjos
Revoa sobre os anjos
Canta tua poesia
Revela tua beleza fria
Salve Augusto dos Anjos!

Para falar de Baudelaire

Para dele falar
Fausto tende conhecer
Ópera estridente
Melodia de notas de nó
Flores do mal
Benedictus lesbos
Clarim dos cegos
Verdade desnuda
Amo o teu seio minha amada
Suga o meu leite até o fim.

A vida habita no veio do seio de um rio calmaria-tormenta que lhe escorre pelas mãos. A mão pátria é a mesma mão do golpista apátrida.


De pessoa para Pessoa.

De frente ao rumo
De fronte ao fronte
Na trincheira
De pessoa para Pessoa
De olho no olho
De passo a passo
Passo
Olho
Olho
O Olho
De frente ao ego
Eles viram gente voar
Nas asas do corcel.

Pinta bem teus lábios de mel com carmim para que deles não sopre o fel falacioso da mentira-verdade.

Está completa


Dialética dos poetas
Poeta teu
Poetas meus
Queria ser o poeta
Queria o filósofo no prólogo
Da psicoterapia
Da centopeia ideia
Da maldita vida
Nos somos dialeticamente febris.
Seremos no azul anil.
O mar fermento
O flato lento.
Borbulha bolha de sabão.

O sebo

A glândula sebácea
O moedor de carne
O sebo sebento
O sebo do bento
O sebo bento
Navalha na carne.
Arrancar pentelho arde!


No jogo da coação a falsa autoflagelação cristã é o cadafalso dos pobres de espirito.... Oremos porque é no gozo que nos aproximamos de Deus.



Fruto do fim


Queria arrancar o coração a faca
Pra libertar a alma
Queria exumar a morte
Pra não viver sem amor
Queria tua alma em dor
Queria exterminar o clamor
Queria o punhal
Queria a infância roubada
O amor perdido
Queria me perder
Queria o amor
Queria saber
Queria não querer

Os lábios cortados sangram com qualquer palavra

Was it?
Was love enough?
Was to be in love all?
Was unlocked your door
When I needed to knock in?
Were you always the one I used to know
Were you the promisse?
Or just the memory?
Was the love just a wind?
Were us the blow
On that view
We suppose to fit with that picture
Was enough to dream of it
Was enough to scream and shout
The feeling over out
Was the blood running through the right vains?
Up side down our heart and brains
Or we just followed the rules
Of this freak game
Was it all about us
Wasn't enough...

Batuque na cozinha

Vamos tocar um batuque na cozinha

Vamos fazer uma festa pequenina
Vamos reviver a esperança da sala de espera
Vamos com quer
Vamos fazer na tela
Vamos fazer a tarantela
Vamos dançar de salto alto
Corre que vem o arrastão
Segura menina a sandália da bahiana
Solta esse sapato.
Pra toda gente eu mando um acalento
Vamos fazer a roda girar
No mundo pasmo.
Vamos delirar no delírio do delirado
Salve o Brasil
E os seus habitantes enamorados
Por sua beleza ufanista
Por seu poder midiático.



Tem pai que castiga que pune que domina que fascina tempo pai de todos pia do tempo que passa tempo que leva e traz tudo tempo que abençoa e que por la cabeça de toda gente revoa  






Brás Cubas.