quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Rough zone



It is a quarter to ten o'clock
Quickly the men ran away of their ought
As a blob upon the flows
My hands running through the glows

Moonlight

Throughout my bloody veins on the roll

I sold your blood when I let it my neck onto the sword
And I had filled up the atmosphere with flowers and gardens
I have grown on the path

I escaped from the darkness and the blow
Thus, within my lack, therefore I was pushed back by your soul
The yellow roses were floating all over our bluish river
There was not the goat
There was not any boat.

Ain't you listening to the birds on the road?
They rang the trustful serenade
They sang the beauty of the sadness
Out and from the inner of our bosom

We might have been sinners
Hearing the sound of the bells
The clatter clarifies the odd poetries
Poems I should have had in hands
Those ones I made it to you
Not in vain
All my love is claiming

Let us ride the life within her optimistic ways.

Brás Cubas.

Marc Chagall.






Palavras pisadas

Mas que malícia saída da boca minha
Palavras minhas
Eu que vos falo
Saiam do meu estômago em sangue pisado
Eu que vos cuspo o veneno, ao vento, do pensamento das cabeças dos homens ilhados

Inda que o homem tenha seu corpo purulento pisoteado pela ferradura do cavalo
Maltrapilho e ferido
Seguimos eu e o cavalo no imaginário dos vigaristas vigários

Em sua reza premente
Eu de joelhos em seu rosário
O corsário do terno das Treze Aves Marias
Ave voa
Ave vida
Espirito líquido escorrido da boca nossa
Da Boca minha
Da Boca do Inferno

Eu que tanto vos quero palavras minhas
Que de minhas não saem de tão presas
Liberem esse rio represa d'água pororoca

Vai-te de mim e de mim rastejam cobras ilustres
E de peles viscosas
Como a língua da chusma

Eu sou o povo
Eu sou a poesia
A poesia é quase tudo quando não talha o nada
Porque nada é tão real quanto a ilusão da palavra que sai do peito de um pobre homem
Livre são sim as palavras
Posto que o voo é do tamanho da queda
Mas a palavra dita
Como a pedra atirada
É infalível e inevitável e irrefutável da queda estatelada

Palavras saem por ai a vagar noites e dias de sertões e mares do mundo
Palavras que quando proferidas, a mim não pertencem mais
São vossas
São de todos nós

( E eu que entrevejo )

O arreio do cavalo sobre o odre dos nobres favos
Eu que relampejo no céu dos purgatórios
Voo nas asas do abutre
Demagogo das fétidas carniças

Palavras são coágulos embutidos nos entraves das carroças
Eu que chafurdei na palhoça de outrora
Supera aferventar as sílabas acrobáticas
Dos poetas saltimbancos voadores
Eu convosco talhei palavras de finos e tristes amores.

Brás Cubas.



Caravaggio Conversione di San Paolo realizzata nel 1601