Que escárnio faço dos meus delírios
Que provérbios para os bestas
Que privilégio observar a rasa natureza dos tempos
Que palhoça essa bossa
Que troça e tremembé
Que fornicação dos pensamentos
Ninguém reina sozinho
Ninguém quer ter o direito ao delírio
Cegos perdidos
Brás Cubas.
quinta-feira, 13 de março de 2014
A nau
A nau
Abalroado na nau da solidão
O nó da garganta
Canta essa canção
Abalroado no nó da solidão
A chuva vem
É pingo d'água por onde meus olhos vertem lágrimas
Abalroado por um monte de tristezas
Pus o prato na mesa
E como de habito me pus a comer
Abalroado pelo turbilhão
Me refiz no refazer
Abalroado pelo montante da solidão
Choraminguei a canção
Punho e selva se refestelam na paisagem da janela fria
A paisagem não é das mais belas
E a gente passa sem pressa
Como se a vida esperasse
Abalroado no porto e no cais
Fervilhei a água fria
E como de costume me pus a banhar
Abalroado pela solidão que se fez minha companhia
Vai terminando o dia
E com ele mais uma ilusão.
Brás Cubas.
Abalroado na nau da solidão
O nó da garganta
Canta essa canção
Abalroado no nó da solidão
A chuva vem
É pingo d'água por onde meus olhos vertem lágrimas
Abalroado por um monte de tristezas
Pus o prato na mesa
E como de habito me pus a comer
Abalroado pelo turbilhão
Me refiz no refazer
Abalroado pelo montante da solidão
Choraminguei a canção
Punho e selva se refestelam na paisagem da janela fria
A paisagem não é das mais belas
E a gente passa sem pressa
Como se a vida esperasse
Abalroado no porto e no cais
Fervilhei a água fria
E como de costume me pus a banhar
Abalroado pela solidão que se fez minha companhia
Vai terminando o dia
E com ele mais uma ilusão.
Brás Cubas.
Essa flor de laranjeira
Essa flor de laranjeira
Essa flor de laranjeira não cala no peito meu
Bate dentro do meu peito mas foge
Eu já que já sou seu
Não me digas que perdeu a chama por outros escritos
É nos meus gritos que tua melodia afina
Já escapas d'alma com quem corre do rio na água
Essa flor de laranjeira
Sobe o monte a a ribanceira toda manhã
Do alto da montanha me lança seu olhar
Já me devorou corpo e alma sem tocar
Não me venhas com teus pudores e arrependimentos
Também tenho meus lamentos
Vamos nos amar.
Brás Cubas.
Essa flor de laranjeira não cala no peito meu
Bate dentro do meu peito mas foge
Eu já que já sou seu
Não me digas que perdeu a chama por outros escritos
É nos meus gritos que tua melodia afina
Já escapas d'alma com quem corre do rio na água
Essa flor de laranjeira
Sobe o monte a a ribanceira toda manhã
Do alto da montanha me lança seu olhar
Já me devorou corpo e alma sem tocar
Não me venhas com teus pudores e arrependimentos
Também tenho meus lamentos
Vamos nos amar.
Brás Cubas.
E se eu disser
E se eu disser...
E se eu disser que o poeta nasceu para falar de amor
de amor em amor viver a inspiração
E se eu disser que os amores calados são os mais alados
folhetim do peito meu
E se eu disser que a beleza dos versos do plebeu
giram nas cantigas antigas
E seu eu disser que para falar de amor é preciso de amor saber
de amor sentir o coração da escultura bater
E se eu disser que só vim aqui para te dizer que te amo
E se eu deitar todos os meus pensamentos em teu ombro sincero
Te espero. Não sei se te espero. Só sei que o peito me diz te quero...
E se eu disser que o amor é um absurdo divino
inventado por deuses do Olimpo
E se eu te disser o que sinto
Te valias disso para em mim recostar
E se eu disser que o amor tudo quer e nada espera
e se eu disser que teus movimentos revelam
o que tua boca insana quer calar
E se eu disser que não há outra opção ao amor que a de ser romântico
um cântico que flutua e é bolha de sabão perfume da ilusão ao teu lado despertar
E se eu disser que já durmo teus sonhos
teu olhar tão tristonho vem toda manhã me despertar
E se eu disser que aceito teu convite para ser de par em par
um só par
E se eu disser que no sonho a realidade nos chamou para dançar
Ainda que você não pareça saber meus passos acompanhar
E se eu disser que em última instância declaro o amor vontade de tudo
rei absoluto que move o mundo
por sua ausência ou existência
motivo maior que move as gerações
da falência dos velhos pensamentos à ideologia nova no ar
E se eu disser que o epílogo quer ser enólogo e o deus Baco
retira de uma seta a reta a flecha certeira da Vênus pálida
é de se admirar
E se eu te disser que essa poesia já é uma carta
que voa por todas as capitais
E se eu te disser que meu solo é também o teu colo
para ambos amealhar
E se eu disser que a colheita das flores nos bosques
é apenas um momento vil
nosso amor é varonil
foste tu que as fizera germinar
E se eu disser que as paixões movem o mundo
o pensamento e o intelecto já querem se namorar.
Brás Cubas.
E se eu disser que o poeta nasceu para falar de amor
de amor em amor viver a inspiração
E se eu disser que os amores calados são os mais alados
folhetim do peito meu
E se eu disser que a beleza dos versos do plebeu
giram nas cantigas antigas
E seu eu disser que para falar de amor é preciso de amor saber
de amor sentir o coração da escultura bater
E se eu disser que só vim aqui para te dizer que te amo
E se eu deitar todos os meus pensamentos em teu ombro sincero
Te espero. Não sei se te espero. Só sei que o peito me diz te quero...
E se eu disser que o amor é um absurdo divino
inventado por deuses do Olimpo
E se eu te disser o que sinto
Te valias disso para em mim recostar
E se eu disser que o amor tudo quer e nada espera
e se eu disser que teus movimentos revelam
o que tua boca insana quer calar
E se eu disser que não há outra opção ao amor que a de ser romântico
um cântico que flutua e é bolha de sabão perfume da ilusão ao teu lado despertar
E se eu disser que já durmo teus sonhos
teu olhar tão tristonho vem toda manhã me despertar
E se eu disser que aceito teu convite para ser de par em par
um só par
E se eu disser que no sonho a realidade nos chamou para dançar
Ainda que você não pareça saber meus passos acompanhar
E se eu disser que em última instância declaro o amor vontade de tudo
rei absoluto que move o mundo
por sua ausência ou existência
motivo maior que move as gerações
da falência dos velhos pensamentos à ideologia nova no ar
E se eu disser que o epílogo quer ser enólogo e o deus Baco
retira de uma seta a reta a flecha certeira da Vênus pálida
é de se admirar
E se eu te disser que essa poesia já é uma carta
que voa por todas as capitais
E se eu te disser que meu solo é também o teu colo
para ambos amealhar
E se eu disser que a colheita das flores nos bosques
é apenas um momento vil
nosso amor é varonil
foste tu que as fizera germinar
E se eu disser que as paixões movem o mundo
o pensamento e o intelecto já querem se namorar.
Brás Cubas.
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