Por um incólume momento não ouvi nada na sala
os quadrantes aos montes desenhavam
os lampiões acesos
o luar garimpeiro
o lugar
Por um incauto falei alto
estava estrábico o arauto
um soneto pendia do altar
Pela sombra do biombo
máscara da humanidade
luzes acesas por toda a cidade
E mais nada
Por um momento solene
calei a sirene
chamei à mesa a rotina
estavam meus dentes a mastigar
Era um momento de tudo ou de nada
tudo parecia primata
e sem ideia alguma
um montante de gente a caminhar
Um homem gritava disparates quebrando o silêncio
o sonho parecia um movimento
de pluma que voa sem se libertar
Por um momento olhei o horizonte
Titubeei por palavras de homens
Não sabia nadar
Mas me veio o fôlego
E em tudo ateei fogo
imagem
sombra
biombo
era a vida querendo brincar.
Brás Cubas.
