Quando a realidade não lhe apetece há de se fabricá-la a modo que enternece.
Brás Cubas.
sábado, 15 de março de 2014
As coisas boas
As coisas boas
As coisas boas só são tão boas enquanto as desejo
As coisas belas da mesma forma as revelo
As coisas da vida são assim boas enquanto não perecem
A garrafa de vinho só é boa enquanto está cheia
A comida só é boa enquanto se tem fome
Esse instinto de pensar se chama homem.
Brás Cubas.
As coisas boas só são tão boas enquanto as desejo
As coisas belas da mesma forma as revelo
As coisas da vida são assim boas enquanto não perecem
A garrafa de vinho só é boa enquanto está cheia
A comida só é boa enquanto se tem fome
Esse instinto de pensar se chama homem.
Brás Cubas.
Neblina
Neblina
Solstício frio enluarado a fotografia
A lua bandida do sol escapou num teima da imagem certeira
Com todo esmero escapuliu na nau natureza
Fez da imagem real beleza
Galhos secos na minha cabeça
Era hora de acordar a neblina
De bocejar para espantá-la
Como quem espanta a sina
Solstício do meio-dia e meia
Meu amigo que não pestaneja
Nem sobre o vômito
Nem sobre a sobremesa.
Brás Cubas.
Solstício frio enluarado a fotografia
A lua bandida do sol escapou num teima da imagem certeira
Com todo esmero escapuliu na nau natureza
Fez da imagem real beleza
Galhos secos na minha cabeça
Era hora de acordar a neblina
De bocejar para espantá-la
Como quem espanta a sina
Solstício do meio-dia e meia
Meu amigo que não pestaneja
Nem sobre o vômito
Nem sobre a sobremesa.
Brás Cubas.
Galináceos ( festa das aves )
Galináceos ( festa das aves )
galos galinhas e pintinhos
não deem ouvidos ao peito cá meu
sim titubeiem quando cocorocó
o seu avô
galos galinhas galináceos e passarinhos
cotovias beija-flores e bem-te-vis
gaviões que abram os portões do coração do homem
ovo da galinha
pintinho do galo
pula no poleiro
todo galináceo
pintinha da galinha d'angola
o pato faz reco reco na sacola
na lagoa a garça fêmea rebola
o flamingo com perna longa
não chora não chora
Brás Cubas
galos galinhas e pintinhos
não deem ouvidos ao peito cá meu
sim titubeiem quando cocorocó
o seu avô
galos galinhas galináceos e passarinhos
cotovias beija-flores e bem-te-vis
gaviões que abram os portões do coração do homem
ovo da galinha
pintinho do galo
pula no poleiro
todo galináceo
pintinha da galinha d'angola
o pato faz reco reco na sacola
na lagoa a garça fêmea rebola
o flamingo com perna longa
não chora não chora
Brás Cubas
Poemas sem nome
Espero que a esperança de Florbela Espanca
Não queima na palha verde
Espero que estes versos não terminem em quedê
Donde urgem ultra paisagem das flores belas
Não espanque a flor bela
Bela a rosa quando sorri ao amanhecer
Bela é a Cotovia e o seu cantarolar e piar
Bela é a face do retrato da mulher burguesa
Eu que vos ponho prato, garfo e faca a mesa
Todos que comem na mão dos amigos
Devem ter a prova do alimento ingerido
Espero que o segundo bloco desse poema saia querido
Eu que deveras ser vosso barquinho
Não queimas este mar donde navegas
Não ponha chamas no barco a velas
Não sorrias com os dentes escancarados
Rir de tudo faz parte do passado.
Brás Cubas.
Não queima na palha verde
Espero que estes versos não terminem em quedê
Donde urgem ultra paisagem das flores belas
Não espanque a flor bela
Bela a rosa quando sorri ao amanhecer
Bela é a Cotovia e o seu cantarolar e piar
Bela é a face do retrato da mulher burguesa
Eu que vos ponho prato, garfo e faca a mesa
Todos que comem na mão dos amigos
Devem ter a prova do alimento ingerido
Espero que o segundo bloco desse poema saia querido
Eu que deveras ser vosso barquinho
Não queimas este mar donde navegas
Não ponha chamas no barco a velas
Não sorrias com os dentes escancarados
Rir de tudo faz parte do passado.
Brás Cubas.
Damas e cavalheiros
Damas e cavalheiros
Vinde a mim grande público
Eu lhes rogo que gargarejem e expurguem
Eu lhes abro a vulva do púlpito
Donde tudo adentra e tudo para fora sai
De nós os mortais imortais
Vinde a mim falar de seus martírios
Eu que vos admiro na beleza do cais
Vinde contar suas prosas
E acertar a galinha e brigar por ela não mais
Vinde com a força do vento bússola
Vinde a turba e o cascais
Vinde a mim e a todos na roda
Vinde a época da ciranda
Para com inocência atroz
Rebelar a paz
Vinde a mim grande público
Eu tenho voz
Eu quero é mais
Que a feira venda bananas e bananais
Vinde sem banalização
Sois o triturador do faz de conta
Do quero mais
Vinde sairdes das sombras
Abre a porta da caverna
Refutem as esparrelas
E falem mais
Vinde a mim os discursos infortúnios
E as velhas morais
Vinde donde não há mais gente
Vinde para falar
Sois inspiração do poeta
que só veio para ouvinte ser
para vos escrutinar.
Brás Cubas.
Vinde a mim grande público
Eu lhes rogo que gargarejem e expurguem
Eu lhes abro a vulva do púlpito
Donde tudo adentra e tudo para fora sai
De nós os mortais imortais
Vinde a mim falar de seus martírios
Eu que vos admiro na beleza do cais
Vinde contar suas prosas
E acertar a galinha e brigar por ela não mais
Vinde com a força do vento bússola
Vinde a turba e o cascais
Vinde a mim e a todos na roda
Vinde a época da ciranda
Para com inocência atroz
Rebelar a paz
Vinde a mim grande público
Eu tenho voz
Eu quero é mais
Que a feira venda bananas e bananais
Vinde sem banalização
Sois o triturador do faz de conta
Do quero mais
Vinde sairdes das sombras
Abre a porta da caverna
Refutem as esparrelas
E falem mais
Vinde a mim os discursos infortúnios
E as velhas morais
Vinde donde não há mais gente
Vinde para falar
Sois inspiração do poeta
que só veio para ouvinte ser
para vos escrutinar.
Brás Cubas.
De tempos em tempos
De tempos em tempos
Gira a roda da canção
Gira por ventura nessa cantiga
o coração
Gira a metáfora
Abre-se a Ágora
De tempos em tempos
O tempo passa no amor
Com quem olha de fora
o que há dentro do peito dos amantes
De tempos delirantes
Urania vem me dizer sua verdade
De tempos certeiros nas batalhas de sua cidade
Eu que já não tenho mais idade para brincadeiras do amor
Eu que já me escondo de tempos em tempos no seu clamor
Eu que do peito acerto a flecha na alma minha
De tempos em tempos o sujeito vinha
Buscar as uvas do vinho
Beber o néctar dos abraços meus
Lavar suas ânsias no rio Nilo
Eu que mirava seus mamilos
Como quem no incesto quer sugar até o fim o pecado
Eu que de amor já não me morro
Já nem me mato
Só entrego ao vencedor
o estopim do artefato.
Brás Cubas.
Gira a roda da canção
Gira por ventura nessa cantiga
o coração
Gira a metáfora
Abre-se a Ágora
De tempos em tempos
O tempo passa no amor
Com quem olha de fora
o que há dentro do peito dos amantes
De tempos delirantes
Urania vem me dizer sua verdade
De tempos certeiros nas batalhas de sua cidade
Eu que já não tenho mais idade para brincadeiras do amor
Eu que já me escondo de tempos em tempos no seu clamor
Eu que do peito acerto a flecha na alma minha
De tempos em tempos o sujeito vinha
Buscar as uvas do vinho
Beber o néctar dos abraços meus
Lavar suas ânsias no rio Nilo
Eu que mirava seus mamilos
Como quem no incesto quer sugar até o fim o pecado
Eu que de amor já não me morro
Já nem me mato
Só entrego ao vencedor
o estopim do artefato.
Brás Cubas.
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