Falta corrigir poesia parida
Falta parir a ciência
Falta parari a letra
Falta cantar o abecedário
Falta deixar a gente sair do berçário
Falta o humano na humanidade
Falta letra
Falta musica
Falta reviravolta
Falta língua
E sobra cobra
Brás Cubas.
domingo, 26 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Para falar de poesia
1-Para falar de São Paulo.
Na relva,
na selva de pedra,
na Cidade
Luz
e Liberdade.
Na relva,
uma cela.
Aquela vela,
uma luz
pela janela
saía e fazia
o olho dançar.
Na relva,
na selva
de pedra,
eu vi o vento soprar.
Eu vi a chuva cair
pro Rio desaguar.
Na relva,
na mata Atlântica,
no Rio,
na Floresta da Tijuca,
na encosta do morro,
no palafita solto no ar.
Na arquitetura concavidade:
a catedral do Distrito Federal
na modernidade.
Na relva,
na selva,
no que restou dela,
na natureza,
no parque,
em Praga.
No vinho,
o pensamento redemoinho,
embriagado,
hispânico.
No Vaticano,
o santo.
Na relva,
na selva,
em sampa,
na cidade de pedra,
eu vi um pouco de tudo
e de tudo um pouco.
O melhor de tudo
e o pior de tudo.
Na relva,
na selva,
eu vi brilhar o seu olhar.
Vi na Imigrantes
o sorriso
Dos migrantes:
emigrantes
imigrantes
iminentes
indulgentes
argonautas do futuro.
Na cidade de São Paulo
que guarda muito d'outras
em suas esquinas
em suas proas.
2-As flores.
As flores são mórbidas!
Esquálidas!
Algumas pétalas
até são pálidas,
algumas Girassol.
Assim amarelo ovo
a cor do ouro
da bandeira
da pátria!
As flores são mórbidas
e lindamente pueris.
Ah! sim, aquele cintilante
o azul cor de anil.
As flores são lindas
morbidamente lindas.
As flores são exuberantes,
no ranger da cama dos amantes,
nascem delicadas
e murcham.
Algumas são cor de rosa,
a mesma cor
das tetas das vacas
que comem capim.
O verde do caule das flores,
o caule da Rosa tem espinho,
o da Margarida é fininho,
o da Trepadeira
mas que besteira,
o da Dormideira
quase que não existe.
Há nas flores uma beleza
que é de certo delas própias,
uma paisagem
a viagem
para uma fortaleza.
As flores são mórbidas!
São frágies e fortes.
As flores trazem
à lembrança
seu perfume,
o homem que se acostume
pois as flores
não morrem
pois não merecem.
Se esconde a Orquídea
por entre outras flores:
as flores do jardim
verdadeiramente não morrem,
as flores Jasmim
perenecem e perenascem. ( Neologismo )
3-As pernas.
As pernas que perambulam...
Atravessam
O sinal da cidade
As pernas perambulantes
São um par
Um casal de amantes
As pernas meia-calça
Na cor de sangue
Transvaloração
As pernas coração
As pernas do
Nosso romance
As pernas perambulam
As pernas ambulantes
As pernas cruzadas
No passo do ballet
As pernas dançarinas
As pernas bizarras
Magrinhas
Pernas cabeludas
Pernas robustas
As pernas lânguidas
Essas e as outras perambulam
As pernas periclitantes
As pernas dos amantes
As pernas do tango
As pernas do mambo
As pernas correria
As pernas descem
E sobem
A escadaria
Da Igreja
No pulsar da romaria
As penas flutuantes
As pernas Chagall
As pernas do desejo animal
As pernas das enfermeiras
Ai, que cousa!
O saiote que cobre
As pernas das freiras
As pernas grossas
As pernas tortas
A perna minha
A perna nossa
A perna mecânica
Pernas postas
Posição de mantra
As pernas do gato pardo
O caniço do gado
As pernas animalescas
As pernas gigantescas
As pernas Tarsila
As pernas Carnaval
Do Amaral.
4-A face.
A faceta centelha
A centelha vermelha
Que levanta a sobrancelha
A faceta brejeira
A face faceira
A face
A miragem perfeita
A face aceita
A face gorjeia
A cena permeia
A face semeia
A face transita
A face mímica
A face do palhaço
O riso estardalhaço
A faceta centelha
Mil facetas
Gotículas de chuva na telha
A face que passe
Por mil prateleiras
A face da visagem
A face far niente
A face vidente
A face inocência
A face da coerência
A face existência
Imprime na face
de toda a gente
Veemência.
5-O café.
O café do Barão
O café varão
O café da Bahia
O café escravidão
O café coração
O café Castro Alves
O café d'alma
O café acelera
Com leite e açúcar
Aquece a sala
O café vapor
O vapor do café
A maria-fumaça
Que leva o café
Do norte a sul
Do Brasil
O café forte
O café sorte
O café dote
Arroba
Açoita
O café grão
O café socado
no pilão
O café moído
O café Capuccino
O café de hoje
É o mesmo café
O café da fé de ontem.
6-A mão.
A mão metonímia
A mão do homem
A mão do Conde
A mão sinestesia
Da bela menina
Que acaricia
A mão do amado
Embebida
de perfume amadeirado
A mão beijada
Sentia um arrepio
Os dedos dançavam
Sentindo a melodia
Do corpo
As mãos da poesia
A mão que escreve
O mão que poetize
O irmão que revitalize
O frade que verbalize
A figura latina
A mão sensação
A mão no coração
A mão do golpe
A mão da sorte
A mão amiga
A mão não vacila
A mão que oscila
As mãos na terra
O passado que se encerra
Na colheita da Mangabeira
As mãos incursão
As mãos do incauto
As mãos no alto
As mãos aplauso
Para sinalizar o fim do espetáculo
A glória do artista.
7-O navegante.
Maré alta
Maré cheia
Lua clara
Fogo e lareira
Leituras mil
O navegante mareia
O livro é a nau
Do mar
O sal
Maré alta
Maré cheia
A salina
A onda menina
A página virada
Sempre é aclamada
O novo parágrafo
Falava do passado
Exprimia o fato
Soltava a corrente
Do pensamento
Pensamento maré
Maré alta
Maré cheia
que traceja
que reverbera
que almeja
que entreolha
que revolta
que assola
Maré cheia
Noite
Maré cheia
Maré alta
Maremoto
Marítmo
no ritmo
Maré minha
Maré nossa.
8-O Presente.
O presente é um menino ferino.
Ele conversa com o passado.
Ele é o presente do ausente.
O presente pode ser usado
Para aclamar.
O presente é um espelho.
O presente tem fome de futuro.
O presente não usa óculos escuros.
É o próprio raio solar.
O presente é uma dádiva perfeita.
É uma festa .
Uma ceia.
Uma selva.
Um jantar.
Medido pela régua
Puro filosofar.
O presente é um menino ferino
de olhar felino.
O presente carrega no tempo
A própria voluptuosa ausência.
Não há sequer Ciência
Para confinar esse pensar.
O presente é uma linha reta
Uma concavidade
Lua
Cheio de curvas.
O presente não mente.
O presente sente.
O presente presenteia
Com o melhor da prateleira
Dos pensamentos História
Do passado agora.
O presente é um menino ferino.
É um grito contido
Querendo desaguar.
O presente está sempre a um segundo
Por vir
O que virá?
O presente conversa comigo.
Fala mansinho.
É o melhor amigo
O meu amor a sonhar.
O presente do presente
É sempre o último segundo
É um fruto suculento
É o inesquecível momento
de amar.
9-As portas.
As portas das salas.
As que te batem na cara.
As portas da sala de estar.
As da sala de jantar.
As portas das salas
de espera.
As portas das casas.
As portas entre a gente.
As portas de vidro
De mámore
de madeira.
As portas de pedra.
As portas das tumbas
dos faraós.
A porta do céu...
Nas portas da colmeia
O mel.
10-O meu amor.
O meu amor, vez em quando, mansinho
De manhã cedinho
Vem para os meus braços.
Quer brincar.
Quer dos meus beijos
O paladar.
O meu amor, vez em quando, quietinho
Vem se aconchegar
Chega assim querendo amar
Vem para se afogar
No mesmo suspirar.
O meu amor, vez em quando, tranqüilo
Vem enamorado
Pra gente dançar.
O meu amor é tão terno
Sempre lhe quero:
Na tarde chuvosa
Nebulosa
De frente ao espelho
Sempre é festejo certeiro.
O meu amor, quase sempre, sussurrando
Sonha comigo meus sonhos
Me faz delirar
Sempre me acalenta a alma
Quando devaneios fala
E eu que pensara
No sonho acordar.
O meu amor, sempre, me ama
No calor da chama
D'alma que canta
O nosso paladar
O meu amor tem um olhar
Que alcança meu maior desejo
O retrato do meu amor
É a felicidade sorrindo
É o fascínio de sonhar.
O meu amor é grande
Alto como os montes
É sempre uma fonte
Vertente da nascente
No meu poetizar.
11-Sobre a pestilência humana...
A pequenez aumenta
No sliêncio que aturde a alma
A maré que atormenta
A frigidez agoniza
Banaliza a dor
A cidade enfatiza
A diferença do desamor
Sobre a pestilência humana:
O problema que abocanha
O momento feliz
O sorriso do aprendiz
E qualquer sorriso maravilha
A alma sempre avalia
O significado de ser feliz
O que se come
O que se compra
O que se cospe
Como e com quem se goza?
A pestilência humana
É fato consumado
É o estômago revolto
De foie gras estragado
É o figado do ganso inchado
É consumindo que se consome
É consumido quem não produz
Mesmo na pequenez humana
Esperemos sempre o reflexo da luz.
12-Galhofa.
Que estridente!
Que verborrágico!
Que trágico!
A galhofa que lhes trago.
Que venha enternecida
Ao vulgo asno
Que a galinha
A galhofa
E a farofa
Sirvam de prato.
Que a prataria brilhe
Que o altivo enxergue nela
O sapato alto
Que efervescente!
Que estratagema!
Reverbera nesse
O nosso caso
Do acaso
Nesse caso
Que suscite o fato
Que cale o ato
Que rebele o rebelado
Que os cavalos sem sela
Partam para as guerras
Dos bem-aventurados.
Que a lua brilhe
Que a estrela brilhe
Que a gente brilhe
No mundo calado
Que o mudo fale
Com gestos impropérios.
Que o mundo arda
Que a gente saiba
O que está sendo sufocado.
Mas que esparrela
Essas mil quimeras
É sempre assim a poesia
E o poeta, pobrezinho,
coitadinho
[...é sempre o transviado.]
13-Quase epopeia.
Quisera nascer epopeia
Quisera a sorte de donzela
Quisera a vida assim
Quisera ser Dulcineia
A musa inspiradora
Multicor na copiadora
Dó, ré, mi
Do meu clarim
Quisera a palavra
Cravar n'alma
Os ais desse folhetim
Quisera a vida menina
Fazer algazarra felina
No meu tamborim
Quisera essa poesia
Cantar a alegria
O sorriso faria
Festa com meu clarinete
Quisera poetizar
Numa colcha de retalhos
Versos mil
E com um alfinete
Tecer o Aladim
Quisera a epopeia
Fazer da Medeia
Uma pedra-sabão
Quisera que meu verso
Fosse ao longe
No azul do horizonte
Onde se esconde o Serafim.
14-Ele...
O avesso dele mora em mim
Dentro dele habita o oceano
Os sete mares enfim
O avesso dele
É seu corpo que balança
Eu sou o marujo
Navegando em suas ancas
Dentro dele mora o meu mundo
Dentro dele sou feliz
O avesso dele arrepia minha pele
Parece que remexe
Revira o avesso do avesso
O meu corpo segue o conselho
De navegar o dele sem fim...
15-Amores.
O amor que bole
O amor que cure
Que amor segure
Que o porto seguro
Seja também puro.
O amor que gire
O amor que venha
O amor que queima
Igualzinho a lenha.
Amor do bule
É o vapor
É o amor do senhor
de Engenho.
O amor prenhe
Está impregnado
Do mais farto amor.
O amor da amante
O amor do amante
Amando tudo que se cante
O amor no canto
Do sabiá
Que gorjeia
O amor do sabiá
Que sabia amar.
O amor passarinho
Voa de mansinho
No braço do mar infindo.
O amor que quebra a pedra
Rola no rochedo
A água do mar.
O sal do mar
Traz à terra
O sonho de amar.
16- Girando
Girando, rodando
Roda a roda e gira
Pira
Vacila
Alucina
Roda a roda e gira
Clareia
Alumia
Passeia
Girando, rodando
Roda a roda e gira
O passado
Falado
Cantado
O susto
O assutado
Roda a roda e gira
Na saia da menina
Na ciranda pequenina
Na noite serena
Na pele morena
O luar
Cantado
Falado
Olhado
Passado
Então cantando
Girando e rodando
Roda a roda e gira.
17- Bate pé.
Bate o pé na rua
Bate o pé mulher
Bate o pé
Olha a lua
Bate o pé!
Bate o pé!
Bate o pé!
Vai descendo a ladeira
Mirando a igreja
Vai cantando menina
Sua vida
Sua lida
Sua sina
E bate o pé.
18- A viagem
Ele queria viajar
Outros mares
Outras marés
Outros lugares
Ele queria sonhar
Ver a lua brilhar
Na onda do oceano
Nos cantos dos encantos
Ele queria viajar
Nas almas da gente
Ele queria despertar.
19- Antes da última.
Antes do último gole
Antes do último trago
Antes do ultimato
Eu que vos falo
Lhes trago
O espetáculo
Eu que sou audiência
Também fiz Ciência
Da mais pura inocência
Antes do último grunhido
Antes do último suspiro
Eu que cantá-lo-ia
O suspiro
O grunido
Na mais singela melodia
Dos atrapalhados
Antes do último gozo
Antes do último coro
Toda a gente
Que mora no morro
Quer cantarolar
Antes do último gole
Antes da última cartada de sorte
Vamos sambar
Toda a gente
Quer na vitrola
O disco do Cartola
Para a alma clarificar.
20- Nossa Antologia.
Nossa poesia
É a poesia nossa
Nossa Antologia
Nossa atmosfera
O mundo em guerra
Nossa astúcia
Nossa lua
Nosso poema
Nossa essência
Nossa prosa
Nosso verso
Um jardim
Cheio de rosas
Nossa Antologia
Nossa História
Nossa gente
É toda a gente
Nossa ideologia
Nossa faca
Nossa língua latina
Nosso Ocidente
Nosso Oriente
Nossa bossa
Nossas memórias
No museu
Habita a Nossa Antologia.
Na relva,
na selva de pedra,
na Cidade
Luz
e Liberdade.
Na relva,
uma cela.
Aquela vela,
uma luz
pela janela
saía e fazia
o olho dançar.
Na relva,
na selva
de pedra,
eu vi o vento soprar.
Eu vi a chuva cair
pro Rio desaguar.
Na relva,
na mata Atlântica,
no Rio,
na Floresta da Tijuca,
na encosta do morro,
no palafita solto no ar.
Na arquitetura concavidade:
a catedral do Distrito Federal
na modernidade.
Na relva,
na selva,
no que restou dela,
na natureza,
no parque,
em Praga.
No vinho,
o pensamento redemoinho,
embriagado,
hispânico.
No Vaticano,
o santo.
Na relva,
na selva,
em sampa,
na cidade de pedra,
eu vi um pouco de tudo
e de tudo um pouco.
O melhor de tudo
e o pior de tudo.
Na relva,
na selva,
eu vi brilhar o seu olhar.
Vi na Imigrantes
o sorriso
Dos migrantes:
emigrantes
imigrantes
iminentes
indulgentes
argonautas do futuro.
Na cidade de São Paulo
que guarda muito d'outras
em suas esquinas
em suas proas.
2-As flores.
As flores são mórbidas!
Esquálidas!
Algumas pétalas
até são pálidas,
algumas Girassol.
Assim amarelo ovo
a cor do ouro
da bandeira
da pátria!
As flores são mórbidas
e lindamente pueris.
Ah! sim, aquele cintilante
o azul cor de anil.
As flores são lindas
morbidamente lindas.
As flores são exuberantes,
no ranger da cama dos amantes,
nascem delicadas
e murcham.
Algumas são cor de rosa,
a mesma cor
das tetas das vacas
que comem capim.
O verde do caule das flores,
o caule da Rosa tem espinho,
o da Margarida é fininho,
o da Trepadeira
mas que besteira,
o da Dormideira
quase que não existe.
Há nas flores uma beleza
que é de certo delas própias,
uma paisagem
a viagem
para uma fortaleza.
As flores são mórbidas!
São frágies e fortes.
As flores trazem
à lembrança
seu perfume,
o homem que se acostume
pois as flores
não morrem
pois não merecem.
Se esconde a Orquídea
por entre outras flores:
as flores do jardim
verdadeiramente não morrem,
as flores Jasmim
perenecem e perenascem. ( Neologismo )
3-As pernas.
As pernas que perambulam...
Atravessam
O sinal da cidade
As pernas perambulantes
São um par
Um casal de amantes
As pernas meia-calça
Na cor de sangue
Transvaloração
As pernas coração
As pernas do
Nosso romance
As pernas perambulam
As pernas ambulantes
As pernas cruzadas
No passo do ballet
As pernas dançarinas
As pernas bizarras
Magrinhas
Pernas cabeludas
Pernas robustas
As pernas lânguidas
Essas e as outras perambulam
As pernas periclitantes
As pernas dos amantes
As pernas do tango
As pernas do mambo
As pernas correria
As pernas descem
E sobem
A escadaria
Da Igreja
No pulsar da romaria
As penas flutuantes
As pernas Chagall
As pernas do desejo animal
As pernas das enfermeiras
Ai, que cousa!
O saiote que cobre
As pernas das freiras
As pernas grossas
As pernas tortas
A perna minha
A perna nossa
A perna mecânica
Pernas postas
Posição de mantra
As pernas do gato pardo
O caniço do gado
As pernas animalescas
As pernas gigantescas
As pernas Tarsila
As pernas Carnaval
Do Amaral.
4-A face.
A faceta centelha
A centelha vermelha
Que levanta a sobrancelha
A faceta brejeira
A face faceira
A face
A miragem perfeita
A face aceita
A face gorjeia
A cena permeia
A face semeia
A face transita
A face mímica
A face do palhaço
O riso estardalhaço
A faceta centelha
Mil facetas
Gotículas de chuva na telha
A face que passe
Por mil prateleiras
A face da visagem
A face far niente
A face vidente
A face inocência
A face da coerência
A face existência
Imprime na face
de toda a gente
Veemência.
5-O café.
O café do Barão
O café varão
O café da Bahia
O café escravidão
O café coração
O café Castro Alves
O café d'alma
O café acelera
Com leite e açúcar
Aquece a sala
O café vapor
O vapor do café
A maria-fumaça
Que leva o café
Do norte a sul
Do Brasil
O café forte
O café sorte
O café dote
Arroba
Açoita
O café grão
O café socado
no pilão
O café moído
O café Capuccino
O café de hoje
É o mesmo café
O café da fé de ontem.
6-A mão.
A mão metonímia
A mão do homem
A mão do Conde
A mão sinestesia
Da bela menina
Que acaricia
A mão do amado
Embebida
de perfume amadeirado
A mão beijada
Sentia um arrepio
Os dedos dançavam
Sentindo a melodia
Do corpo
As mãos da poesia
A mão que escreve
O mão que poetize
O irmão que revitalize
O frade que verbalize
A figura latina
A mão sensação
A mão no coração
A mão do golpe
A mão da sorte
A mão amiga
A mão não vacila
A mão que oscila
As mãos na terra
O passado que se encerra
Na colheita da Mangabeira
As mãos incursão
As mãos do incauto
As mãos no alto
As mãos aplauso
Para sinalizar o fim do espetáculo
A glória do artista.
7-O navegante.
Maré alta
Maré cheia
Lua clara
Fogo e lareira
Leituras mil
O navegante mareia
O livro é a nau
Do mar
O sal
Maré alta
Maré cheia
A salina
A onda menina
A página virada
Sempre é aclamada
O novo parágrafo
Falava do passado
Exprimia o fato
Soltava a corrente
Do pensamento
Pensamento maré
Maré alta
Maré cheia
que traceja
que reverbera
que almeja
que entreolha
que revolta
que assola
Maré cheia
Noite
Maré cheia
Maré alta
Maremoto
Marítmo
no ritmo
Maré minha
Maré nossa.
8-O Presente.
O presente é um menino ferino.
Ele conversa com o passado.
Ele é o presente do ausente.
O presente pode ser usado
Para aclamar.
O presente é um espelho.
O presente tem fome de futuro.
O presente não usa óculos escuros.
É o próprio raio solar.
O presente é uma dádiva perfeita.
É uma festa .
Uma ceia.
Uma selva.
Um jantar.
Medido pela régua
Puro filosofar.
O presente é um menino ferino
de olhar felino.
O presente carrega no tempo
A própria voluptuosa ausência.
Não há sequer Ciência
Para confinar esse pensar.
O presente é uma linha reta
Uma concavidade
Lua
Cheio de curvas.
O presente não mente.
O presente sente.
O presente presenteia
Com o melhor da prateleira
Dos pensamentos História
Do passado agora.
O presente é um menino ferino.
É um grito contido
Querendo desaguar.
O presente está sempre a um segundo
Por vir
O que virá?
O presente conversa comigo.
Fala mansinho.
É o melhor amigo
O meu amor a sonhar.
O presente do presente
É sempre o último segundo
É um fruto suculento
É o inesquecível momento
de amar.
9-As portas.
As portas das salas.
As que te batem na cara.
As portas da sala de estar.
As da sala de jantar.
As portas das salas
de espera.
As portas das casas.
As portas entre a gente.
As portas de vidro
De mámore
de madeira.
As portas de pedra.
As portas das tumbas
dos faraós.
A porta do céu...
Nas portas da colmeia
O mel.
10-O meu amor.
O meu amor, vez em quando, mansinho
De manhã cedinho
Vem para os meus braços.
Quer brincar.
Quer dos meus beijos
O paladar.
O meu amor, vez em quando, quietinho
Vem se aconchegar
Chega assim querendo amar
Vem para se afogar
No mesmo suspirar.
O meu amor, vez em quando, tranqüilo
Vem enamorado
Pra gente dançar.
O meu amor é tão terno
Sempre lhe quero:
Na tarde chuvosa
Nebulosa
De frente ao espelho
Sempre é festejo certeiro.
O meu amor, quase sempre, sussurrando
Sonha comigo meus sonhos
Me faz delirar
Sempre me acalenta a alma
Quando devaneios fala
E eu que pensara
No sonho acordar.
O meu amor, sempre, me ama
No calor da chama
D'alma que canta
O nosso paladar
O meu amor tem um olhar
Que alcança meu maior desejo
O retrato do meu amor
É a felicidade sorrindo
É o fascínio de sonhar.
O meu amor é grande
Alto como os montes
É sempre uma fonte
Vertente da nascente
No meu poetizar.
11-Sobre a pestilência humana...
A pequenez aumenta
No sliêncio que aturde a alma
A maré que atormenta
A frigidez agoniza
Banaliza a dor
A cidade enfatiza
A diferença do desamor
Sobre a pestilência humana:
O problema que abocanha
O momento feliz
O sorriso do aprendiz
E qualquer sorriso maravilha
A alma sempre avalia
O significado de ser feliz
O que se come
O que se compra
O que se cospe
Como e com quem se goza?
A pestilência humana
É fato consumado
É o estômago revolto
De foie gras estragado
É o figado do ganso inchado
É consumindo que se consome
É consumido quem não produz
Mesmo na pequenez humana
Esperemos sempre o reflexo da luz.
12-Galhofa.
Que estridente!
Que verborrágico!
Que trágico!
A galhofa que lhes trago.
Que venha enternecida
Ao vulgo asno
Que a galinha
A galhofa
E a farofa
Sirvam de prato.
Que a prataria brilhe
Que o altivo enxergue nela
O sapato alto
Que efervescente!
Que estratagema!
Reverbera nesse
O nosso caso
Do acaso
Nesse caso
Que suscite o fato
Que cale o ato
Que rebele o rebelado
Que os cavalos sem sela
Partam para as guerras
Dos bem-aventurados.
Que a lua brilhe
Que a estrela brilhe
Que a gente brilhe
No mundo calado
Que o mudo fale
Com gestos impropérios.
Que o mundo arda
Que a gente saiba
O que está sendo sufocado.
Mas que esparrela
Essas mil quimeras
É sempre assim a poesia
E o poeta, pobrezinho,
coitadinho
[...é sempre o transviado.]
13-Quase epopeia.
Quisera nascer epopeia
Quisera a sorte de donzela
Quisera a vida assim
Quisera ser Dulcineia
A musa inspiradora
Multicor na copiadora
Dó, ré, mi
Do meu clarim
Quisera a palavra
Cravar n'alma
Os ais desse folhetim
Quisera a vida menina
Fazer algazarra felina
No meu tamborim
Quisera essa poesia
Cantar a alegria
O sorriso faria
Festa com meu clarinete
Quisera poetizar
Numa colcha de retalhos
Versos mil
E com um alfinete
Tecer o Aladim
Quisera a epopeia
Fazer da Medeia
Uma pedra-sabão
Quisera que meu verso
Fosse ao longe
No azul do horizonte
Onde se esconde o Serafim.
14-Ele...
O avesso dele mora em mim
Dentro dele habita o oceano
Os sete mares enfim
O avesso dele
É seu corpo que balança
Eu sou o marujo
Navegando em suas ancas
Dentro dele mora o meu mundo
Dentro dele sou feliz
O avesso dele arrepia minha pele
Parece que remexe
Revira o avesso do avesso
O meu corpo segue o conselho
De navegar o dele sem fim...
15-Amores.
O amor que bole
O amor que cure
Que amor segure
Que o porto seguro
Seja também puro.
O amor que gire
O amor que venha
O amor que queima
Igualzinho a lenha.
Amor do bule
É o vapor
É o amor do senhor
de Engenho.
O amor prenhe
Está impregnado
Do mais farto amor.
O amor da amante
O amor do amante
Amando tudo que se cante
O amor no canto
Do sabiá
Que gorjeia
O amor do sabiá
Que sabia amar.
O amor passarinho
Voa de mansinho
No braço do mar infindo.
O amor que quebra a pedra
Rola no rochedo
A água do mar.
O sal do mar
Traz à terra
O sonho de amar.
16- Girando
Girando, rodando
Roda a roda e gira
Pira
Vacila
Alucina
Roda a roda e gira
Clareia
Alumia
Passeia
Girando, rodando
Roda a roda e gira
O passado
Falado
Cantado
O susto
O assutado
Roda a roda e gira
Na saia da menina
Na ciranda pequenina
Na noite serena
Na pele morena
O luar
Cantado
Falado
Olhado
Passado
Então cantando
Girando e rodando
Roda a roda e gira.
17- Bate pé.
Bate o pé na rua
Bate o pé mulher
Bate o pé
Olha a lua
Bate o pé!
Bate o pé!
Bate o pé!
Vai descendo a ladeira
Mirando a igreja
Vai cantando menina
Sua vida
Sua lida
Sua sina
E bate o pé.
18- A viagem
Ele queria viajar
Outros mares
Outras marés
Outros lugares
Ele queria sonhar
Ver a lua brilhar
Na onda do oceano
Nos cantos dos encantos
Ele queria viajar
Nas almas da gente
Ele queria despertar.
19- Antes da última.
Antes do último gole
Antes do último trago
Antes do ultimato
Eu que vos falo
Lhes trago
O espetáculo
Eu que sou audiência
Também fiz Ciência
Da mais pura inocência
Antes do último grunhido
Antes do último suspiro
Eu que cantá-lo-ia
O suspiro
O grunido
Na mais singela melodia
Dos atrapalhados
Antes do último gozo
Antes do último coro
Toda a gente
Que mora no morro
Quer cantarolar
Antes do último gole
Antes da última cartada de sorte
Vamos sambar
Toda a gente
Quer na vitrola
O disco do Cartola
Para a alma clarificar.
20- Nossa Antologia.
Nossa poesia
É a poesia nossa
Nossa Antologia
Nossa atmosfera
O mundo em guerra
Nossa astúcia
Nossa lua
Nosso poema
Nossa essência
Nossa prosa
Nosso verso
Um jardim
Cheio de rosas
Nossa Antologia
Nossa História
Nossa gente
É toda a gente
Nossa ideologia
Nossa faca
Nossa língua latina
Nosso Ocidente
Nosso Oriente
Nossa bossa
Nossas memórias
No museu
Habita a Nossa Antologia.
Soneto da ausente
Amor lindo meu!
O mar afoga o seu penar.
Enquanto tu raivosa.
Navegas no meu pensar.
Deusa linda!
A linda Vênus!
Esmeralda verde-água!
O sereno mareia no mar.
Seu perfume é inebriante.
Te faço a corte minha amante.
Em teu vestido alvo quero tocar.
Quero tua alma na minha.
Sua pela na minha.
Quero que você saia do mar.
Brás Cubas.
O mar afoga o seu penar.
Enquanto tu raivosa.
Navegas no meu pensar.
Deusa linda!
A linda Vênus!
Esmeralda verde-água!
O sereno mareia no mar.
Seu perfume é inebriante.
Te faço a corte minha amante.
Em teu vestido alvo quero tocar.
Quero tua alma na minha.
Sua pela na minha.
Quero que você saia do mar.
Brás Cubas.
Ouro Preto
O sangue que lava o Ouro
Ouro Preto
O sangue negro
O capataz
O senhor voraz
Pede o corpo
Come a carne
E quer comprar a alma escrava
No veio do rio douro
Um grito ecoa
Ressoa e revoa
No canto do pássaro
O sangue que lava o Ouro
Abre a ferida
Sossega o faixo da menina
A alma escrava
O pote de ouro
A mina de ouro
O chicote do Chico é de couro
E canta no lombo da gente escrava
Brilha o ouro da esperança
Salve o quinhão da felicidade
Salve o ouro da liberdade.
Salve o fidalgo e o filho de algo
Salve o negro
Salve o alvo
Salve o sacripanta e o pilantra
Salve o capitão do mato
Salve a foice
Salve a sorte de quem lhes trouxe
Salve o ouro...
Brás Cubas.
Ouro Preto
O sangue negro
O capataz
O senhor voraz
Pede o corpo
Come a carne
E quer comprar a alma escrava
No veio do rio douro
Um grito ecoa
Ressoa e revoa
No canto do pássaro
O sangue que lava o Ouro
Abre a ferida
Sossega o faixo da menina
A alma escrava
O pote de ouro
A mina de ouro
O chicote do Chico é de couro
E canta no lombo da gente escrava
Brilha o ouro da esperança
Salve o quinhão da felicidade
Salve o ouro da liberdade.
Salve o fidalgo e o filho de algo
Salve o negro
Salve o alvo
Salve o sacripanta e o pilantra
Salve o capitão do mato
Salve a foice
Salve a sorte de quem lhes trouxe
Salve o ouro...
Brás Cubas.
Piedade
Tive um dia que viajar
E no revolto mar
Vi nas suas ancas nosso lar
Turbilhão da vida a borbulhar
Nos fazendo infância criança
Nos perplexos olhos salamandra
Essa pureza
Na densidade negra pilantra
Fidalgos sacripantas
Nos achamos no fundo
Da dor mártir do mundo
O tempo é vertente do vento
O vento leva tudo
Arrasta com as ondas do mar fecundo
O vento
Um menino sombrio
Na piedade caminho
Já não queremos fazer parte disso
Será?
Mesmo assim queríamos tudo diferente
Dos estilhaços ideológicos encravados em nossa mente
O ciúme é um grande demente
Mas é crente que vence
e esse tal ciúme quem não sente?
Na medida certa
Somos vazios corpos celestes nesse vazio espaço?
O global é tão real e frio
Nesse global
Somos mendigos humanos
Humano, o sempre demasiadamente humano
Só porque de carne somos
Sangue osso pele carne músculo osso dente cérebro
Mas quando nos vamos
Há vários de nós sem um toco de vela
Em todos os cantos.
Cantemos um cântico!
O blues da piedade na verdade
Pode ser um canto gregoriano
Brás Cubas.
E no revolto mar
Vi nas suas ancas nosso lar
Turbilhão da vida a borbulhar
Nos fazendo infância criança
Nos perplexos olhos salamandra
Essa pureza
Na densidade negra pilantra
Fidalgos sacripantas
Nos achamos no fundo
Da dor mártir do mundo
O tempo é vertente do vento
O vento leva tudo
Arrasta com as ondas do mar fecundo
O vento
Um menino sombrio
Na piedade caminho
Já não queremos fazer parte disso
Será?
Mesmo assim queríamos tudo diferente
Dos estilhaços ideológicos encravados em nossa mente
O ciúme é um grande demente
Mas é crente que vence
e esse tal ciúme quem não sente?
Na medida certa
Somos vazios corpos celestes nesse vazio espaço?
O global é tão real e frio
Nesse global
Somos mendigos humanos
Humano, o sempre demasiadamente humano
Só porque de carne somos
Sangue osso pele carne músculo osso dente cérebro
Mas quando nos vamos
Há vários de nós sem um toco de vela
Em todos os cantos.
Cantemos um cântico!
O blues da piedade na verdade
Pode ser um canto gregoriano
Brás Cubas.
A fofoqueira
Ela é lavadeira
Ela é arrumadeira
Na casa dos outros trabalha
Com a língua malha a vida alheia
Ela usa o aspirador
Ela usa a enceradeira
Mas o melhor instrumento de trabalho
É sempre falar da vida alheia
De um patrão para o outro ela conta
Na luz da candeia
É contadora de estórias
Aumenta mas não mente
Sente e pressente a vontade alheia
Gosta do fogo na fogueira
Fala pelos cotovelos
Quando os gatos não estão
Toma banho de banheira.
Brás Cubas.
Ela é arrumadeira
Na casa dos outros trabalha
Com a língua malha a vida alheia
Ela usa o aspirador
Ela usa a enceradeira
Mas o melhor instrumento de trabalho
É sempre falar da vida alheia
De um patrão para o outro ela conta
Na luz da candeia
É contadora de estórias
Aumenta mas não mente
Sente e pressente a vontade alheia
Gosta do fogo na fogueira
Fala pelos cotovelos
Quando os gatos não estão
Toma banho de banheira.
Brás Cubas.
Pájaros en bandadas
El que mira la luna...
la luna que busca en el mar.
la luna llena.
alma hembra
las manos del Flamenco.
en las manos del hombre.
hay mucha tormenta.
en los pies de la bailarina.
en su cancioncilla.
el equilibrio del artista.
la luna blanca.
la luna llena.
la luna de toda gente.
que usted cante!
que usted vibre!
que usted grite!
aunque, el corazon que late.
en los pies por la calle.
la gente que mira la luna llena.
la misma luna blanca.
la misma calle.
siempre la misma gente.
siempre la misma mensaje.
todavia,es hermoso el vuelo del Condor.
entonces:
en el cantar del pueblo.
en el horizonte, en el montes:
la luna desea
que usted traiga los pájaros
en bandadas en la mañana.
Brás Cubas.
la luna que busca en el mar.
la luna llena.
alma hembra
las manos del Flamenco.
en las manos del hombre.
hay mucha tormenta.
en los pies de la bailarina.
en su cancioncilla.
el equilibrio del artista.
la luna blanca.
la luna llena.
la luna de toda gente.
que usted cante!
que usted vibre!
que usted grite!
aunque, el corazon que late.
en los pies por la calle.
la gente que mira la luna llena.
la misma luna blanca.
la misma calle.
siempre la misma gente.
siempre la misma mensaje.
todavia,es hermoso el vuelo del Condor.
entonces:
en el cantar del pueblo.
en el horizonte, en el montes:
la luna desea
que usted traiga los pájaros
en bandadas en la mañana.
Brás Cubas.
Quando não sei mais
Quando não sei mais o que cantar
Canto sempre uma bossa
Uma nova bossa
Uma bossa nova
Canto o desencanto
No acalanto
Do teu peito
Quando não sei mais
Viajo buscando o horizonte
Lá já onde o mar se esconde
Me alegro a cantar
Quando não sei mais...
Brás Cubas.
Canto sempre uma bossa
Uma nova bossa
Uma bossa nova
Canto o desencanto
No acalanto
Do teu peito
Quando não sei mais
Viajo buscando o horizonte
Lá já onde o mar se esconde
Me alegro a cantar
Quando não sei mais...
Brás Cubas.
Sete de Setembro
Atravessando a rua Sete de Setembro
Vi tua nuance correndo
Vi seu globo ocular ocultar seu olhar
Na noite o sereno
Atravessando a Sete de Setembro
Vi você e um montão de gente
Vi a muvuca e a chusma
Vi a multidão
Que torna animal o coração
Vi o gado correr
Vi a mulher parir
Vi você sorrir
Vi gente correr
Atravessando a Sete de Setembro
Vislumbrei também outras cidades
Vi no grito da independência
As capitanias de outras idades
Atravessando a Sete de Setembro.
Brás Cubas.
Vi tua nuance correndo
Vi seu globo ocular ocultar seu olhar
Na noite o sereno
Atravessando a Sete de Setembro
Vi você e um montão de gente
Vi a muvuca e a chusma
Vi a multidão
Que torna animal o coração
Vi o gado correr
Vi a mulher parir
Vi você sorrir
Vi gente correr
Atravessando a Sete de Setembro
Vislumbrei também outras cidades
Vi no grito da independência
As capitanias de outras idades
Atravessando a Sete de Setembro.
Brás Cubas.
Ainda que na cabeça dos homens
Ainda que as cabeças dos homens chocalhem por ideologias falsas
Entrementes por estradas não iluminadas
Ainda que o pensamento nau naufrague em mares de águas calmas
Por entre as ondas atormentadas do mar sagrado
O profano será declarado inusitado
Ainda que o vento sopre por toda a cidade
Ainda que o revolto oceano esbraveje a miséria humana
Ainda que toda a gente tente calar suas próprias incertezas
Ainda que os poetas malditos roguem por outras belezas
Ainda que o povo pense no amanhã sem alvorecer
Ainda que as cabeças dos homens sejam alucinadas
Ainda que a construção d'alma não esteja terminada
Ainda que a análise da vida seja esboço
Ainda que o impropério seja o alçapão
Ainda que não haja água no poço
Ainda que seque a terra nordestina
Ainda que esvoace a saia da menina
Ainda que toda a vontade seja desmilinguida
A alma cantará
No canto do sabia
Assim vão despertar
A mulher banida
O homem observado
O cavalo selado
Partirão para a relva numa cavalgada bela
O poeta transviado e seu povo aclamado.
Brás Cubas.
Entrementes por estradas não iluminadas
Ainda que o pensamento nau naufrague em mares de águas calmas
Por entre as ondas atormentadas do mar sagrado
O profano será declarado inusitado
Ainda que o vento sopre por toda a cidade
Ainda que o revolto oceano esbraveje a miséria humana
Ainda que toda a gente tente calar suas próprias incertezas
Ainda que os poetas malditos roguem por outras belezas
Ainda que o povo pense no amanhã sem alvorecer
Ainda que as cabeças dos homens sejam alucinadas
Ainda que a construção d'alma não esteja terminada
Ainda que a análise da vida seja esboço
Ainda que o impropério seja o alçapão
Ainda que não haja água no poço
Ainda que seque a terra nordestina
Ainda que esvoace a saia da menina
Ainda que toda a vontade seja desmilinguida
A alma cantará
No canto do sabia
Assim vão despertar
A mulher banida
O homem observado
O cavalo selado
Partirão para a relva numa cavalgada bela
O poeta transviado e seu povo aclamado.
Brás Cubas.
domingo, 19 de maio de 2013
Devassidão
O sujeito se mordeu
Roeu as unhas
Revirou-se do avesso
Perdeu seu espaço
Perdeu-se no espaço
Calou a alma
Apertou a mão do cavalo alado
Ele virou o mundo
Transbordou no fundo de qualquer oceano
Ele virou tudo
Ele virou a lata do lixo
Ele se contorceu
Ele não cedeu
O sujeito cresceu
Ele queria ser eu.
Brás Cubas.
Roeu as unhas
Revirou-se do avesso
Perdeu seu espaço
Perdeu-se no espaço
Calou a alma
Apertou a mão do cavalo alado
Ele virou o mundo
Transbordou no fundo de qualquer oceano
Ele virou tudo
Ele virou a lata do lixo
Ele se contorceu
Ele não cedeu
O sujeito cresceu
Ele queria ser eu.
Brás Cubas.
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