sábado, 28 de dezembro de 2013

Zona de conforto

Saindo da zona de conforto a formiguinha dançava como bailarina
Saindo da zona de conforto quase todo mundo dança o Bolero de Ravel
Joga a trança da Rapunzel
Que o soldado já ditador marcha no quartel

Saindo da zona
O homem já refestelado
Já olha a mulher de lado
Saindo da zona de conforto
Sou a sobrancelha do olho

Saindo da zona de conforto o carpinteiro arteiro
Faz sua arte caseira
Sua poesia corre ligeira
No leva e traz do homem de paz

Saindo da zona de conforto
O homem acredita no sonho
E goza e se satisfaz
Faz mais e mais
Labuta na luta
Recria a branca neve
Assim como num beijo de lua
Assoa o nariz
Perlimpimpim

Brás Cubas codinome errata
Entra e sai de mim
Vem sem fim
Poesia sim

Saindo da zona de conforto
Deixo a folha cheia de letrinhas negras
Colorindo o imaginário
Do vigário
E do querido vigarista

A besta já te avista no fim do túnel
Apaga o apagão
Batiza a besta do pagão
Porque somente o crente vê
Todo o resto é cego
A verdade de Deus.


Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de preludio

Ai palavras minhas e tuas sois cá do sul ao norte
O vento que ara e o sopro que rebola no rodamoinho
Sois vertente da poesia pluralista
Na vanguarda dos guarda-chuvas
Que resguardam do trovão do céu a alma cá
Que vem esmeralda cor de verde água
Chuva límpida cá

Ai palavras amigas minhas
E de todos que as leem
Os verbetes que revelam
Nada mais que o vento espera
De tudo o que somos em forma de poeta

Ai palavras dos meus ais
Ares de faces paisagem
Cores nos pincéis
E dedos de diamantes nos amantes dos quartéis


Brás Cubas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ao longe

Donde surge o cotidiano
Surge o dia-a-dia
Donde surge o canto
Há nessa voz também a poesia

Donde te vejo ao longe
Lá bem longe no horizonte
Donde me perco as pressas
Regresso no Expresso do Oriente

Donde surge a dor de dente
Que o sádico não sente
Há quem diga que o Marquês de Sade era demente

Donde surge o arco-íris
Há uma centelha de felicidade, fantasia e por conseguinte a soberana alegria
Donde não sucumbe o riso
Há gargalhadas soltas no ar

Donde por detrais dos Montes Urais
Uiva o lobo na noite pequena
No sereno vadio
No universo libido
E a Vênus perdida
Encontra Orfeu

Donde do limbo os deuses cospem
Aqui na terra vê-se do céu a chuva que escorre
Lágrimas da lembrança salamandra
Dos tempos de outras Primaveras outrora

Donde outras horas
Passam no tic-tac do relógio dos contos do povo
Onde há mais cordel nos bordéis
Mais alegria e nostalgia
De tempo que passatempo
Passando de pressa
Donde a saudade não te espera


Brás Cubas.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Não

Não!
Não é o divino
Não é o hino
Não é o banal
Não é divinal

Não!
Não sou eu na encosta
Não é a sombra da sogra
Não é a maresia das rochas

Não!
Não é carnaval
Sou eu quando grito
Sou eu teu filho
Pátria minha

Não!
Não é a sucursal
Não é real
É o surreal
Teu sangue na minha veia
O sussurro venal

Não!
Não sou eu que me afirmo
Sou eu que te afirmo
A confusão cerebral

Não!
Não me venhas como quem quer deitar
Estejamos fartos dos fatos consumados
E a fuga é fulgural

Não!
Não me olhes no espelho
Não encare a esfinge
Deixe que o amo realize
O pecado final

Não!
Não respire na surdina
Não abocanhe a felicidade perdida
Não navegue a tormenta divina
Não! Não sejas divinal

Não!
Te esqueças dos gregos
Relembre os teus segredos
E a memória marginal

Não!
Não voltes para mim
Te descubras enfim
No teu madrigal

Não!
Não sonhe meus sonhos
Não dance em frente aos meus olhos risonhos
O passado nem sempre é carnaval
Diga sim ao carnal
Mas não cale o tambor que bate como tal

Não!
Não te revoltes na chuva
Não tenha medo da chuva
O trovão é quase virginal

Não!
Não te escores nas muretas das máscaras
Esses e outros bailes já se foram
Já foram mais fantasia
Não te apegues a minha fantasia
O sonho pode ser demasiado real
Para ti e para mim
Um algo
Um trago
O sal

Não!
Não me venhas com tuas sandices
Não me fale de tuas artimanhas
Já não adentro tuas entranhas
Desde o último beijo arrebol
Não confies neste lençol
Ele mente mal
E não te esconde de mim

Não!
Não chore na chuva
Tuas lágrimas turvas
Não parecem reais

Não!
Não escondas teu rosto
Nosso espelho já quebrou
É como o mais raro cristal

Não!
Não fujas minha vida
Que da tua já fui banido
Eu que era o bandido
Que carregava teu coração no arraial

Digas não às tuas mentiras
Volta pra viver nossa vida
Ainda que desmantelado o cristal

Vamos encontrar outras pedras
Com elas faremos outros tipos de festas
Outro tipo de amor banal.

Brás Cubas.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O sopro do vento

A água corre no vento que sopra
O ventre dela se exaspera
Ele que espera parir

A mata se dobra com a ventania
A lua flutua na noite sombria

A água corre no córrego ligeiro
O beijo primeiro é ligeiro
E o corte no pé sangra

Eu que corro pras tuas ancas
Volto no vento do sopro do mar
Ela quer amar

Ele deveras sorrir
Nós queremos é dormir

No vento o sonho faz barulho
Ela tem medo do escuro
Eu remo o barco a vela
Ele que soubera não devia navegar

Brás Cubas.

Ainda no caminho da linha do trem do Rio de Janeiro




quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Na linha do trem Rio de Janeiro





As belas flores

Belas flores belas
Mais belas das belas
De todos os jardins

O cheiro delas vem a mim
O perfume é de cor de carmim

O plural das flores belas
Ressoa na estufa
No orquidário
No jogo de baralho

A gardênia sorriu para mim
As flores são sim
Sorriso carmim
Os lábios do amor sem fim
Belas sim
São assim

Hipérboles que nem a beleza encerra enfim

Brás Cubas.

A turba


Caminhando a turba em brancas nuvens
A chusma negra ao mando da branca vai
Caminhando no espaço sideral em centelhas
O povo vai
Cavalgando a branca consciência
O carrasco cai
Mata da mesma cor
Sem louvor
Sem clamor


Caminhando a branca negra noite vai
Sob os lábios da donzela acesa cai
O beijo derradeiro
O suspiro primeiro
O engodo do amor trambiqueiro

Caminhando a multidão na multidão
O sujeito vai
Derrubado do caminhão se refaz


Caminhando sem direção
Na contra-mão
Eu vou
Ele vai
Nós vamos
E eles já foram

Brás Cubas.

domingo, 24 de novembro de 2013

O galope

Galopando uns sobre os outros vão os homens
Golpeando suas cabeças com a foice
Acabrunhando o pensamento
Eles vão

Cavalgando a cavalgadura
Pisoteando
Trotando
Relinchando
Grunhindo

Abespinhados homens
Naturalmente racionais
Caçando animais
Os homem se vão

Forçando as portas do quartel
Empunhando qualquer punhal
Eles vão

Os homens pensando vão
Os homens são
O homem a guerra vai
A guerra faz
Ao mando e desmando do homem
Os homens vão.

Brás Cubas.

sábado, 23 de novembro de 2013

A moral

A moral pesou nos ombros
Pesou nos punhos
Pesou nos braços
Alfinetou o estômago
Beijando o âmago

A esquálida moral
Imoralmente banal
Pesou no tempo
Soprou o vento
Virou carnaval

A moral mentiu
Num ato sumiu
Autofágica moral
Pesou e sedimentou do mar o sal

A moral pesou no corpo
Era esboço de algo
Ela era o fim da era
O começo fulgural

Brás Cubas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Àquele buquê de flores belas

Àquele buquê de flores belas
Dediquei toda uma acelga
Às claras
Às cegas
À ela
Alma minha
Revirei-te do avesso
Tu corrias dos travessos
Eu te acertava em cheio

Era a primeira vez do beijo
Era o anseio primeiro
Era o Outono que lhe esperava
Era sempre eu que te acarinhava

Ferve a verve do seio teu
Que dos lábios meus
Já levaram todos os beijos doces

Corre lá fora
A rua é nuance de vida e luta agora

Tira do sol uma reta e mira as flores belas
Elas te aguardam no segredo da Primavera
Outrora quisera eu poder tocar-te
Nas delícias das delicadas flores

Dá-me amor
Abre teu colo e me nina
Flor de minh'alma
Tulipa branca seja minha

Deixe que eu toque teu toque
Que os lábios se encostem
E que renasça no beijo a sorte.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Ouviram um sussurro de um suspiro inquieto e era incerto o desejo dos olhos castanhos que dançavam na lua que boiava no céu cheio de estrelas vãs. Buscavam uma certeza perdida no espaço deste satélite, a lua chorava;  era a chuva da madrugada anunciando o começo da noite.

Prelúdio
Choras em vão
Choras em retidão
Choras lágrimas
Bolinhas de sabão
Choras águas passadas
Choras em vão
Chora a vã filosofia
Chora sobre tua pele ferida
Chora outrora as palavras minhas
Choras como chora a chuva
Que corre para onde te leva
Ao bel prazer da sentinela
Choras com o canto do passarinho
É revoltoso teu choro matutino
Que precisa de música para esse comboio
Que revela em minha escrita a pena sob à luz de velas
Teu choro dança
As lágrimas são como gotículas do riso
Que desenham teu rosto
Choras por tudo que sentes
Mas escondestes o sorriso aquarela entre teus amarelos dentes

Brás Cubas.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

É o choro ignóbil crescendo por entre as raízes do pensamento. É necessário algum fomento por favor! Faz-se urgente qualquer voz que num grito traga o sabor de lembranças da querida memória perdida. É o vacilo do homem que engendra quando emenda o arbitrário livre e puro pensar. É preciso que o tombo revigore o calhorda. É preciso que o homem desperte do sonho e caia na realidade agora.

É preciso
Que as flores estejam bem adubadas no jardim secreto
Que as esmeraldas estejam no pescoço certo
Que as cores jorrem os vasos das flores dos quadros dos pintores
Que a realidade seja submetida à arte divina
É preciso que o homem cante mais cânticos gregorianos
É preciso que se pense a vida das flores
A breve vida das flores
Das flores belas
Belas flores
É preciso que o homem enxergue suas súplicas
Que os carrascos limpem o sangue da sua culpa
Que o rio desague ligeiramente
E que a verdade que não é absoluta emirja veemente.

Brás Cubas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Rodamoinho

Rodamoinho

Seus cabelos desgrenhados
Neles caracol encaracolados
Às vezes
Neles ainda me enrolo
Rolo noite adentro
No pensamento teu
Neles ainda vibro
Com eles sonho
Com seus caracóis imagino
Nos seus cabelos vi um mundo
Girando e bagunçando
Nos seus cabelos esvoaçados
Nos seus cabelos atormentados
Nos brancos também os acho
Nos teus cabelos brinco
Amo o seu rodamoinho
Nos teus cabelos
O amor é moinho de vento
Nos teus cabelos
Fiz meu alento
Te acalentei
A tua alma esquentei
O café amargo
Das doces manhãs
No teu cabelo faço manha
Nos teu cabelos me perdi e me achei
Nos teus cabelos um pedaço de mim deixei.

Brás Cubas.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

A inadimplência doutros ritmos desceu goela abaixo. Desceu ladeira abaixo. Baixo foi o golpe de martírio que sorriu para a amiga solidão. Pede perdão pois o único pecado é não amar e o homem já virou sombra na poeira da ilusão. Flutua sobre os ares doutras terras, sobre os pensamentos doutras cabeças e retorna a tua numa tentativa de singularizar o que só pode ser plural e diferente de ti. Assemelha a tempestade ao solstício porque a lua e o sol são amigos que um dia vão se encontrar.

Inadimplência
Como houvera o sol de abandonar a lua chorosa
Como houvera a lua estado branca e leitosa
Como houvera as várias línguas lá fora
Como houvera os entrelaces de ambos
Como houvera para a lua e o sol amos
Como houvera tempos de luta
Como houvera o saber e a labuta
Como houvera o que há
Há quem grite por lá
Há quem não pare de cantar ainda que sobre a mira
Há quem convoque o amor e a ira
Como houvera de ser essa tal inadimplente vida.

Brás Cubas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Brains

Brain overcoming
Brains barely brains
Brain storm
Brains for more
Brain and thoughts
Brain and more
Brains for compliments
For complaints
Brains
My brains
Your brains
Our brains
Inside the box of the head
Guiding the body
To walk or jog
Brains remains
Hope not to become vegetable one day.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Ele que buscara a assimetria encontrou no biconvexo sua união d'alma. Ele que buscara a bifurcação, encontrou na confluência da ciência e d'alma as águas calmas da calmaria. Ele que sonhara acordado voltou a dormir sob a tutela da alienação repentina. Ele que trabalhara todo dia pelo pão do dia-dia pediu pra caminhar e que os seus não olhassem pra trás.

Despedida
Despiu-se dos farrapos poucos
Despediu-se dos amigos poucos
Arrendou a verba pouca
E partiu

Foi-se sertão adentro
Buscou alento na seca
Bebeu água com o bode
Rimou rima pobre
Pediu a Deus que a sorte não fosse embora

Despiu-se dos males
Viajou ao longe
Parecia que caminhava nas nuvens a caminho de Marte
Era lunático

O passado nas costas
Parecia traumático

Ele fora embora
Largara a crosta
No caminho não havia como pescar lagosta

Era a terra que virava farinha do sertão
O estômago corroía
O bucho dizia
Volta meu irmão

Despediu-se da casa de barro
Era a fotografia do passado
No caminho encontrou aves de rapina
Com elas dividiu a carniça
E a caminhar continuou

Era o homem sem berço
Era o sertanejo buscando água
O cacto já não dava
Caia de sua boca o último farelo de pão

O sertanejo não voltara
Para ele o passado era nada
E o futuro era a terra seca
Um dia plantará seu destino
Ainda que ache apenas um riacho pequenino

Ele é o homem em construção

Segue com a viola
Dela saem trovas
O coelho da cartola
A mágica da insistência

Belo dia
Um rio aparece
Ele bebe e bebe
Mata a sede
Faz do rio sua sede
Cria uma ovelha
E faz na viola
Canções
E faz de si
Seu próprio pastor
Sem nenhum tambor
Também é o seu próprio rebanho

Ele partiu para se achar
Ele partiu para não mais voltar
Para as velhas roupas da velha moral
O passado banal
Legado nenhum deixou

O rio firmou na cheia
Ele afincou
E raiz criou
Comeu a raiz
Comia sem ressalva

Foi o homem que partiu em busca da sua alma.

Brás Cubas.
Axiomas de prelúdio

Lava a alma e sacode a labuta, segue tua luta libertadora. Que seja ela, a tua luta, ancoradouro do porto-que seja ela o esmero dos conselhos e palavras- seguro o ouro do negro escravo sobre o qual escrevo no rio d'ouro preto. Lava a sacada ta dua casa e deixa água escorrer correndo cada degrau das escadas.

Branquinha
Passarinha beija meu beiço
Beijo passa a dorzinha
Beijo afável
Beleza invejável

Branquinha na penumbra vejo teu seio
Pela janelinha da casa tua
Casa comigo branquinha
Prometo não bebo
Nem mais a da roça

Passarinha minha
Beija meu beijo
Ele te dirá
Que meu eu te amará
O futuro chegará
Como canta o sabiá

Passarinha voa mansinho
Pros meus braços meninos
Voa pelos cantinhos
Da sala de estar

Eu entro passarinha
Na sua gaiola
Pra nós dois juntos avoar.

Brás Cubas.
Axiomas de prelúdio

Motim de palavras são pedaços d'alma soltos no ar.

Motim de palavras espirram poemas
Motim de palavras enrolam a língua
Motim de palavras são metafísica
Motim de palavras problematizam a vida
Motim de palavras é palavrão
Motim de palavras: - palavra grande
Motim de palavras onde se esconde o homem
Motim de palavras onde o sábio vira homem
Motim de palavras para formar a exclamação
Motim de palavras para abrir a boca e o coração
Motim de palavras para rimar sem noção
Motim de palavras para escapar do tempo ao vento
Motim de palavras sem protocolo
Motim de palavras: - Eu te consolo
Motim de palavras palavras são
Motim de palavras girando
Motim de palavras: - boca do céu
Motim de palavras: - pincel e anel
Motim de palavras para você meu irmão
Motim de palavras para enxugar a solidão.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

O filho da guerra foi para a guerra. A guerra era justamente injusta. Sempre foi e sempre será derradeira ilusão de justiça versando a paz.

O filho de algo
O fidalgo
Algo ele há de ser
o filho pródigo
que a casa torna
que a mesa derruba
que expõe a turba

O filho de algo
Capataz e carrasco
irmãos são
muito ligados
o poema fiasco
e as letrinhas vão

O fidalgo
O nobre alvo
Eu que não te salvo
Nem por mil tostões

Eu que não sou fidalgo
A escritura salvaguardo
A minha alforria
A nossa lição

Ele o fidalgo
Ainda quer ser irmão
Ainda quer o pão
Ainda quer ser são
Ainda quer ser pai

O filho de algo
Subiu enfim a serra
Farroupilha era a guerra
O motim seu guardião
Ele foi pros braços dela
Com a carta que revela
Que a saudade resiste não.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Interpela tua vida que é navalha na carne ferida. Ama-te a ti mesmo e questiona tudo. Tudo é nada quando o mundo diz não. Tudo é belo quando espero o que vos digo no clarão. É dia! O sol levanta sua bandeira dourada sobre todas as cabeças dos homens, sobre as cabeças dos poetas. Se envolve nas horas e te enrola nos lençóis de teus amantes, eles lhe salvarão. O gozo fará vida onde há sombras. O gozo da vida é o gozo de deitar.

Interrogatório
Confessa no confessionário
Ajoelha e reza o terço
E mais dois rosários
Embebeda teu fígado de vinho
Acomoda as vísceras
Arrebita teus lábios
E expurga os pecados
Salienta a língua
Fraterniza e realiza
O que sonharas
Goza mil gozos
Que o néctar te espera
Corteja o biombo
Dá de ombros
E se vai...

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Incrementa Vossa Excelência língua portuguesa. Interpreta o sonho do que o homem fomenta: as intempéries dos clérigos-a visão dos cegos- e o tato dos eméritos argonautas. Vaga e navega em outras águas rasas da canoa que furada não sucumbe ao tempo que venta por e para todos os lados. Interpela o gozo do inquérito febril desejado pelo amado amante cantante falante inebriante amante.

Liberta
Liberta a vossa língua felina
Liberta os escrutínios vívidos
E os delírios que vagueiam a mente
Liberta os fluidos e os gemidos da gente
Inventa a astúcia e dá um tiro na angústia
Eleva no enlevo do seio revelando o meio do coração pulsar
Celebra a veia que faz o cérebro oxigenar no poético poetizar
Eleva o neurônio abrupto ao patamar de folhas mil que pairam no ar
Venta com as folhas brancas do branco papel como a imaginação há de furar
Meios de ambientes nunca antes vistos e nem pensados, seja a imaginação do que não há
Pois o que há já está nos trompetes e há muitos belos topetes e juras de vida e de morte por Alá
Liberta as interseções dos risos que ligam e transfiguram o rio no Atlântico e o Pacífico num só mar
Um riso de mar pra toda gente balbuciar.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Pega a Onomatopeia pega ela depressa pega e se exaspera e pega e se apressa. Pega com pressa, faz uma compressa para dor de cabeça. Liberta toda a fome da sexta-feira. Libera a cabeça que gira depressa. Liberta o sentimento poeta. Liberta várias almas com calma. Abre o decassílabo, persegue nele o destino. Segue de mansinho, vai depressa ao Anacoluto. A casa, o homem adentrou batendo as pernas com tudo. Contudo a hipérbole é assintomática. Tic-Tac no meu coração. Faz a metonímia transar a metáfora na maior das sinestesias com a personificação do criado mudo, pois o crioulo surdo já fala de provérbios velhos.

Axioma marginal
Polissíndeto acidentalmente marginal te dou aval
Que fales por mim!
Que saia das saias de roda
Que force a força do braço
Que pegue a enxada na roça
Axioma marginal
Não seja tu o meu banal
Sonho realmente
Verdadeiramente venal
Real metáfora
O sapo engole a cobra
Língua de sogra
Veneno chacal
E gato foge de cão
A galinha fala do milharal no quintal
Infâncias da gente
Seja veemente
Venha ainda que descontente
Quebre um dente
Leia a prosopopeia
Faça um verbeto
Reverbere no clarinete do negro
Antes venha com antíteses
Mímicas e mímeses
Engrosse o glossário
Escondendo o guarda-chuva no armário
Já que eu sei
O cacófato lerei
Saio do pleonasmo
Sou vicioso exagero
Ah! que coisa verifica a zeugma
E evita o barbarismo
Vibre com sufixos
E prefixos
Também não os esqueça
Guarde este poema de cor no coração.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

O filho de qualquer madrigal marginal cavalgou pela relva da selva e da mata virgem. O filho trouxera a esperança de outrora já perdida nas entranhas do passado umbilical. O filho era querido por todos na aldeia dos índios que cantarolavam cantigas próprias de quem quer alcançar uma faísca de paz. O filho era brejeiro corria ligeiro nos pantanais. No fosso do poço- no breu do bosque- O filho corria como quem quer escapar da foice. O filho quisera e pudera fazer fogueira. Ia correndo se esguiando pelas beiras do rio que deságua nas águas marginais. O filho tentara falar olhando para os céus com o pai.

O pai.
Tempo pai de todo mundo
Tempo pai corre ligeiro ao fundo
Tempo pano de fundo de todo mundo
Tempo pai que revela que o passado não espera
Tempo da guerra que não finda nem se auto encerra
No punho do homem que empunha a serra por entre os dentes
Tempo fome do mundo, que no fundo de tudo quer que o filho dolente
Siga em paz.
Pai filho de alguém que não trouxe ninguém, mas que sempre pede paz
Tempo pai do mundo e de toda gente contente que vai cantar um hino no cais
Pai tempo que ancora no porto o desejo dos outros e pede que todos sigam pelos cascais
Tempo filho do pai, menino vadio que assovia devagarzinho nas várzeas desde o tempo neandertal
Tempo seja pai seja meu filho querido te ponho um apelido com ternura e carinho para que meu apelo
Te alcance em qualquer tempo de sal.
Temo o tempo que segue faceiro, segue bezerro tua luta como quem faz do prelúdio um poema carnal
Vem tempo menino.
Vem comigo, vem como onda do mar
Vem e vai
E segue teu caminho pelas pedras do cais.

Brás Cubas.

domingo, 3 de novembro de 2013

Vivo de amor

Vivo de amor.

Eu que não o tenho
Também não o detenho
Eu que não o tenho
Tiro sarro dele

Eu que sou detento
Faço-lhe a corte
Quando corto com o canivete
O vestido da vedete

Eu que dele nada sei
Faço dele lei
Quase um rei
Clamor

Eu que nele me aprisionei
Dele jamais me libertarei
Dele, o perfeito sabor

Eu que nele tenho fé
Faço um café
O forte café

Eu que não soube buscar
Eu que quisera lhe achar
Eu que quisera te ninar
Eu que soubera sonhar

Eu que dele nada sei
Extrai dele o céu
Abocanhei o mel
Bebi todas as gotas
Ainda que dele seja eu o réu

Eu que não tenho amor
Vivo só! Vivo por ele
Eu que quisera amar o amor.

Brás Cubas.

sábado, 2 de novembro de 2013

Acabou

Acabou meu bem
Realiza esse fato
Vai ser maís fácil pra nós dois

Acabou meu bem
Desgarra desse fardo
Liberta os sorriso amargo

Quem sabe outro amor não vem

Acabou meu bem
Sem beijo de fim
Sem promessas vindas de mim

Acabou enfim
O que você queria
Eu já não sabia te amar

Brás Cubas.

Might be

Might be

There might be waves where is the ocean
There might be clowns without notion
There might be laughs where is the poison
There might be love where are the shadows
There might be light on the windows
There might be sun on the sunset
There might be forgiveness without regrets
There might be some hope when you erase
There might be a bottom for the emotional bomb to reset
There might be regret for the brave
There might be ache on the smile
There might be clocks at the shallow
There might be you on your soul
There might be breath in your sound
There might be the door on the way to get out
There might be the bird to fly high
There might be rain to jump on the sky
There might be us at the end
There might be movies on the frame
There might be folks on the woods
There might be happiness on my skull
There might be songs on the whisper
There might be melody for the singers
There might be flowers for the people
There might be a garden for the equal
There might be at last the moon
There might be the thunder coming soon.

Brás Cubas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Conta quantas esperanças dançam na sua cabeça
Conta quantos homens choram pois de nada têm certeza
Conta o conto de réis do viés de becos escuros e suas belezas
Conta as gotículas do orvalho do carvalho, as gotículas chororô
Conta do clamor da flecha que revoa e avoa a garganta do galo que cocorocô
Canta a liberdade do homem que foi preso por político esmero do seu capataz nagô
Conta contos de fada para que a anistia de toda a pátria seja louvor e clamor de puro ardor
Conta comigo que fui teu amigo quando assinalei para nossos comparsas te livrarem da farsa complô
Canta o hino da burguesia como se já foras banida a tua liberdade adquirida em palavras de puro amor
Canta o homem em verso e prosa, lhe traga uma rosa no protesto de Agosto, o mês do desgosto e dissabor

Canta comigo cantigas de roda que roda a ciranda do seu parvo tremor
Canta comigo versos mínimos e os outros que vos peço por favor
Canta a festa festeira, a brisa ligeira de qualquer passe livre
Canta a tal liberdade gozo de felicidade que o homem vive
Vive neste viveiro
Pula a galinha
Voa de qualquer poleiro
Mas vive!

Brás Cubas.

Axiomas

Axiomas de prelúdio

O poeta é um filho de qualquer ciência, é um bicho que gosta de navegar o mar somente na tormenta seja ela em qual direção for.


Brás Cubas.

Axiomas

Axiomas de prelúdio

Surfando por entre rádios que tocam mais do mesmo e remexendo com velhas notas musicais o velho tempo velho se esvai.

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

Como um pastor que expia as ovelhas vou escrevendo e digerindo minhas próprias palavras. Minhas proferidas palavras vão além do que querem eles. Minhas próprias palavras propriamente ditas no ditame de certos certames ditosos desgostosos de populismos milhares. Da plantação dos milharais mil. Da praga do Egito no profícuo rio Nilo vago ( sou o naufrago em mim ). Oh! Palavras sois o ventre:- arais o sopro de qualquer alma do limbo banida. Sois a prece do pastor no voluntário esforço de resgatá-las. Ovelhas natas que procuram em tuas palavras qualquer conforto e sonífero verdade. Qualquer verdade simbológica. Qualquer lógica neste poema imbróglio da sua roça. Capina este mato agora! Corta o mal pela raiz libertando enfim aquilo tudo que queremos nós.


O pastor.
Livra e liberta tuas ovelhas cordeiras
O tempo já lhes fez ordeiras de tua obra
Liberta a saudade das palavras
Das palavras tuas
Exuma essa culpa retrógrada

Livra esse rebanho do sangue
Salva o cordeiro derradeiro
Batiza do povo o ouvido
Com teus conselhos
Bani todos de teu reino
Para que pensem de vontade própria

Livra a mente do ser
E seja livre por não crer
Que a missão nunca é comprida demais
Mas que se cumpre no ideal

Deixa que o tempo se torne pensamento
Deixa que o livre momento seja o pai
Deixa que a mãe faça o parto
Deixa a poesia parir de fato

Livra o pensar livre
Deixa o verbo correr verborragicamente
Livra a mágica do cartola
Liberta-te como outrora fizeras mágica
É a mágica do pensamento que te naufraga
Nos rios de mares entre águas

Divide o pão do frade
Sejamos pluralmente o fato irmandade
O pensamento único já lhe invade
Escape do que já sabes
Invada outros espaços com passos sutis

Lavra a escritura dos teus sonhos nas águas do mar
E enterra a maldade dos teus sonhos na ventania do ar.

Brás Cubas.



Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio.

O quarto.
Trancaste a tua sanidade no quarto escuro
No quarto cheio de quinquilharias
Derrubaste o muro
Ao som do sussurro
Neste muro subirias tu

Alavancaste a memória do quarto
O quarto nada fala de seus abjetos objetos
Seus alfarrábios selaram
Os beijos eternos
Os homens modernos
E a moderna porta estandarte

Trouxeste o ouro de estórias
Me contastes tuas glórias dos tempos passados
Eu que quando escuto ardo
Nem no sonho te calo
Pois o quarto é o talo do teu elo com o meu cego ego

Falaste de tudo neste quarto
E pusera em mim o saldo dos sentimentos remexidos enfim.

Brás Cubas.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio.
Automotivo.
Estremece o dedo em riste
Seu choro melancólico inibe
O sorriso alheio
Eu que te aconselho
Que durmas noites de sonhos para sonhar

Enobrece a tua prece em forma poética
Foge da métrica
Acerta o ponteiro no compasso
Passo aço da régua
Segue a regra de intento
Da felicidade momento

Entranha as entranhas das paredes
Ouve o sábio no espelho
E sorris

Enforca goela abaixo o teu martírio
Que eu volto a ser menino
Nos teu braços
Abre teu armário
E me mostra tuas fotografias
Sejamos a utopia do sonho

Degola as pompas dos artefatos
Explode a bomba do palato
Vibra alto tua corda vocal
Sejamos o banal
E que venha o canibalismo surreal.

Brás Cubas.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

   A fera ferida feriu o homem também ferido. Sua ferida era enorme e sangrava. A ferida da fera enorme era, do tamanho do mundo.
   A ferida não cicatrizava. A ferida ficava, morava no sangue vivo. A ferida esbranquiçada, estava já enraizada nos confins da fera.
   Sua ferida era a sorte de qualquer ferida jogada a própria sorte. A ferida era o forte que era mais forte que o oxigênio que tentara inutilmente em vão fechar a ferida.
   A ferida lacrimejava de forma intensa como era imensa a ferida n'alma que o pequeno barco e a oferecida serenata não lhes curou a ferida nata.
   A ferida da pátria era nada. O povo já clamava: - Mata! Mata! Por favor! Mata essa ferida que sofre de dor; - Mata essa ferida eremita, esse pranto louvor- Lava a calçada da baquiana com todo estupor.

  O sábio sabia.
  Sabias de tudo que ele dizia.
  Sabias de tudo que o homem queria.
  Sabias que de ti o povo todo junto ria.
  Sabias de que o sono, teu conselheiro ia.
  Sabias que ele se esvaia em vaias que titubeiam.

  Sabias que a saia rodada era prendada a menina que dançava.
  Sabias que irias me deixar na Primavera enquanto ele cantava quimeras.
  Sabias que o velho sábio assoviava como canta o sabiá que era puro cantarolar.
  Sabias que a vida é puro desejo, antevejo o nosso musicar, entreolho seu pedido de ar.
  Sabias que a ferida viria com o sangue vermelhidão. Puera e solidão no sal do mar e podias me amar.
  Sabias que o sentimento crescia já se retorcia em forma de poesia para que nossa felicidade pudesse voar.

Brás Cubas.

Por aí

Por aí
Uma bebida em Macau
No Rio um cartão postal
Nos Emirados os árabes
No Rio o Pão de Açúcar
Na China o ópio
Na Palestina o ódio
O mundo
Pano de fundo
para a paz
No bando o passado do pássaro
Passou
Em Nova Iorque a gente
Muita gente
Gente do mundo inteiro
Em Praga uma saga
Em Veneza a mesa
O capelete
Na Rússia o repúdio
No canto do mundo
Um grito ecoa
E a Andorinha revoa

Brás Cubas.

Ócio

Ócio
Ócio é delicia
Meu pernicioso e involuntário
Amigo voluntário

Ócio dócil
Ócio estridente
Ócio calado
Ócio é o que eu quero
Ócio é do que necessitam eles

Ócio negócio
Ócio sócio da sociedade
Ócio da modernidade
Ócio do proletário
Ócio amigo meu
Ócio amigo seu
Ócio amigo nosso

Ócio burguês
Ócio do inglês
Ócio grande
Ócio chinês.

Brás Cubas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Egocentrismo


Egocentrismo.

Entro de soslaio na solidão coletiva
Entro porta adentro
Com pernas e membros
Eu que não sou o centro
Entro por todos os lados
Entro na multidão
Alcovitando a calmaria
Entro nos teus braços
Assim como quem em alfa entra
Entro na travessia.

Sou o rio que deságua
A ponte construída
Sou o sono que te embala
Sou o sonho sonhado
O beijo do amado
Quando passa a romaria

Entro por entre os laços
Dos afetos perdidos
Volto a ser menino
Quando te acho
Entro casa adentro
Pra tomar o teu café pequeno
E ler versos milimétricos
E decassílabos também os cavo

Entro noite afora
Lua nova
Entro na leitura dos teus lábios
Entro de mansinho
Sou a raiz da planta do seu vaso predileto
Entro e me revelo
Faço que o fato seja consumado
Te consumindo as entranhas
Neste belo calhamaço.

Brás Cubas.

Proliferar

Proliferar.

Esmago o choro da noite perdida
Nela espalho o pranto
Ao relento canto e amo
Sou prole
Sou réu do teu pincel

Me refestelo
Me refaço
Me entrego
À festa da vida

Esmago as mágoas
Estrangulo o soluço
Com estranheza pulo
As ondas do amar.

Brás Cubas.

Angústia


Angústia

Falo em primeira pessoa
A segunda em minh'alma já não ecoa
Como deveras replicar
Falo farto do fato

Falo alto
Pra muita gente te amar
Falo tudo de que não sei
Mesmo assim hei de sonhar!

Falo mesmo assim
Dos devaneios em mim
Da síncope sagrada
Da cadela marginal
Do homem comum
E de todos no sul.

Falo em primeira pessoa
Pois a quarta estrofe já revoa
As cabeças da gente ribeira
Eu que como pelas beiras
Falo em primeira pessoa.

Brás Cubas.

Divinal

Divinal.


Ardo quando queima a palha seca
Quando a seca chega no sertão
Pulo a fogueira
Viva São Pedro e São João.

Jogo bola de gude na terra seca
Que seca tudo
Tudo já secou

O rio que por aqui passava
O rio que por aqui passou
Já não passa mais
Mas passava passando
E o tempo secou.

Brás Cubas.

Louros d'ouros


Louros d'ouros


Eu que estou atento
Busco alento
Eu que estou na Glória
Busco acalento
Eu que estou em busca
Encontro

Eu que sou o rio
Busco a água
Eu que sou o frio
E a boca que amarga
Eu que sou o fel
Já experimentei do mel
Do amor.

Brás Cubas.

Epígrafo

Epígrafo

Meu ego me chama
Na chama da cama
Meu ego te ama
Quando proclamas

Meu ego se ergue
Eu sou o que segue
No próximo verso

Estranhamente boquiaberto
O sorriso sincero
O gozo último
O filho único

[E meu ego segue...]

Brás Cubas.

Poema de sabotagem

Poema de sabotagem.


Eu quisera falar
Eu pudera falar
Eu falaria do mar
Se amar fosse cantar

Eu sonhara teu sonho
Eu velaria teu sono
Para te ninar

Eu sabia de nada
A noite meus amigos
É sagrada
E a solidão resguarda
O pobre coração.

Brás Cubas.

Condição de poeta

Condição de poeta.


Eu tinha uma memória
Ela de mim se perdeu
Esvaiu-se em água
Era o rio que me acalmava
Ele também partiu

Entre as águas desse rio
A memória sorri
Eu que tinha uma memória
Sabia contar estórias para o povo rir

Eu que tinha tudo
Vi meu mundo ruir ao som do descompasso
O compasso já não tracejava o traço
Das retas de qualquer emoção.

Brás Cubas.


Jacutinga

Jacutinga


Eu que ricochetei-o
Eu que peço conselho
Eu que dou lambada no lombo do romeiro
Meu verso cantará

Eu que me embolo
No bolo da noiva
No vapor da coifa
Meu verso cantará

Eu que me dedico ao espaço
Me perdi nos teus passos
Quanto queria te guiar
E quando menos esperes
Meu verso cantará.

Brás Cubas.

Premissas inéditas

Premissas inéditas


Eu que sonhara
Talvez acordara
Querendo amar

Eu que falara
Talvez espreitara
O discursar

Eu que deveras
Busquei mil quimeras
Para voar

Eu que sumira
Voltara na ira
Dos homens do mar.

Brás Cubas.





domingo, 13 de outubro de 2013

Axiomas

A pseudo intimidade permeia a nova moda dos pseudos relacionamentos que são rasos e superficiais.

Brás Cubas.

sábado, 12 de outubro de 2013

Eunuco

Eunuco

Qual é teu nome Eunuco?
Será delírio dos Deuses
Um encontro nosso
Estranho forço
A mente para que a imagem congele
Seu rosto revele
A beleza que todos anseiam

Qual é teu nome gato da noite?
Que bons ventos a novidade te trouxe!
Que boa nova
Quase uma bossa
Escrevo escravo no desejo
Do beijo seu

Qual é teu nome anjo Arcanjo?
Qual é a graça da sua graça?
Qual é a bola certa nesse seu biquinho de sinuca?
Como eu deveras te achar n'alma?
Vem sem medo
Meu corpo quer ouvir do teu conselhos
Ah! Se tu viesses em calmaria
A paz em minha alma dormiria.

Brás Cubas.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Leva embora

Leva tua cara de pau embora
Leva teu choro ignóbil embora
Leva tuas farroupilhas embora
Leva tuas lágrimas embora
Leva tua presença embora
Leva tua insanidade embora
Leva tua meia idade embora
Leva contigo as memórias
Leva embora
Vá embora.

Brás Cubas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Axiomas

Efêmera no seu arquétipo a noite de lua é crua lua branca. É noite de lua cheia.

Brás Cubas.

Salgo entre olas




Salgo entre olas
Aunque la luna no salga
Y tu deseas solo el mar de palabras
Que él sea de las olas
Aunque el sonido
Así, si el sabor lleva
Bailando por las lenguas
Salgo entre olas
Donde el hombre supiera
Aunque sus labios digan
Que la rumba es amiga tuya
Aunque, el canto de la mujer
Lleve toda la gente
Todos los enamorados
Salgo entre olas

Brás Cubas.






domingo, 6 de outubro de 2013

Axioms

There is no clue in love, only evidences.

Brás Cubas.

Axioms

To absorb observing the men. It is necessary to keep the distance from ourselves. The curtains are never too close for the voyeurs.

Brás Cubas.

Axioms

There will be an aim to settle down the sorrow. There always will be tomorrow. There will be the laugh to bright the daylight. There will be signs of the moonlight. There will always be. Will be always there?

Brás Cubas.

Axiomas

Acautela-se dos martírios que desaparecerão no solstício da aurora boreal de sua alma.

Brás Cubas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Axiomas

Tempo o mais doce e o mais terrível conselheiro.

Brás Cubas.

Axiomas

Que o amor brilhe e paire sobre as cabeças dos sabiás, somente daqueles que mesmo quando sem uma asa saibam voar.

Brás Cubas.

Axiomas

Soco no estômago revolto. Soco n'alma já destroçada. Soco na cara de quem ama. Soco na cama. Soco inglês. Soco Socorro!

Brás Cubas.

Axioms

Enjoy itself as maximum, life, can fill out all your desires and feelings. To live a full life, it might be to look inside yourself several times... and to discover the others who has passed through your way. The one who decides to stay must be aware of the remaining waves.

Brás Cubas.

Axiomas

Parece que o que vejo diante dos meus olhos é um povo sofrido, um sertanejo que já saiu do sertão há muito tempo mas a seca não larga dele. 
Parece que vejo o país que vendia o produto alma-alegria, vomitar velhas mazelas das senzalas. 
Parece que o choro é um pouco mais ignóbil e sorriso mais escárnio.
Parece que se passaram cinco décadas e ainda enxergo o passado.
A demanda mais veemente e o povo menos inocente.

Brás Cubas.

Axiomas

   A plebeia de qualquer cidade de outra cidade constitui um vínculo com todos os membros de um parlamento vazio. As vozes já não ressoavam nos martelos. O estridente grito dos outros plebeus já lhe era agudo e demasiado frustrante, e não produzia efeitos colaterais para uma realidade de décadas de escravagismo.
   Essa plebeia saiu de sua cidade para velejar outras culturas e comprar suas mercadorias incluindo seu intelecto, queria entender sua produtividade e meios de comunicação. Essa plebeia era a panaceia febril que revoa todo o globo.
   Ela era uma demonstradora do bem estar. Ela queria olhar o mundo sobre seus próprios olhos.

Brás Cubas.

Axioms

To do not not sound silly. Men look for the right steps to grow and raise their conceptions about life and so on. The happiness claims the most clever way of thinking itself, imagining and wondering the facts as the purple rain. The brain storm produces a circle of ideas and lights surrounding the right moment. To be smart and productive a man should fight against his animalistic desires and close the door for the circumstantial ideology.

Brás Cubas.

The fear of love

The fear of love

He sent a letter
The sea brought the bottle
He was not shallow
He gave all
He meant his best
The lover was narrow
He went to the sea
To be traded the fear
He travelled the world
To reach the right word
To say I love you
He intend to be the soul
To reach the feeling's goals
But the lover was
The lover went away
He kept his tears
There was at the end
The fear of love.

Brás Cubas.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Musique


A abóboda do poder social

   A abóbada do poder social.

A abóbada do poder umbilical, que habita, no cerne do que concerne o poder central e suas variações sociais e políticas rola a roleta sobre o jogo entre o A e o B. Quem faz valer essa voz? A voz do poder tem várias facetas e facetas mil. O poder rebela-se contra a voz do coletivo:- onde a massa de insatisfeitos e subjugados embola-se em entrelinhas de quem quer ir além do senso-comum. Quem libertará essa voz uníssona que saiu do caos e veio ser elevada nos centros e instituições que contribuem para insuflar o seu próprio desmoronamento sufixal. O institucionalismo acelera os achismos de que violências locais denotam a vontade de certos grupos e conglomerados.
     As corporações e seus grandes chefes unem-se para rir de revoltas deslocadas e tresloucadas. É o contramovimento do poder da voz cidadã contra o poder legitimado. É nesse fenômeno que mora o perigo de um caos social que tenta se estabelecer entre a vontade de poder entre os diferentes grupos sociais e suas ideologias complacentes com as vontades do próprio poder. Existe uma grande diferença social sobre os conceitos e revelações sobre os fenômenos sociais estabelecidos. A coletividade se embola ao sujeito e sua interdependência e poder de persuasão. Cada sujeito quer e todos têm sua voz multiplicada nos eixos das várias esferas de demandas dos anseios políticos e caricaturalmente essenciais. As atividades do coletivo tornam-se subversivas a medida que os poderes constituídos tendem a manter o imbróglio sobre suas próprias eméritas falsetas. A manutenção do status quo e da liberdade de expressão formulou-se de forma que a coletividade explode em sumários pontos de ebulição e efervescência sociocultural.
   A globalização já não é o guarda-chuva principal que em sua força poderia dar conta das ementas e demandas dos seus próprios mantedores. Urge que a sociedade civil liberte-se dos flagelos midiáticos e o senso crítico venha ainda que tardio para as massas, não por revolução, pois parece que o globo não sai de vários estereótipos de revoluções e contra revoluções.
   A especificidade de cada movimento denota em seus preâmbulos as mazelas de seus interesses e enfatizam que há um mal estar social generalizado. Com gritos de liberdade e contra esse ou outro problema do esqueleto social, os grupos se movimentam de formas díspares. O comum já não nos serve de maneira geral. Qual seria a especialidade que traria uma solução política e social?

Brás Cubas.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Axiomas.

O estômago corrói os azedumes de pensamentos febris na noite calada. O estômago mesmo dos que não fumam é liberdade pura. O estômago vazio. O estômago cheio e a cabeça vazia.

Brás Cubas.

domingo, 29 de setembro de 2013

Axioms

To fill out a basin of memories it is necessary to describe the silence that produces many answers.

Brás Cubas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Axiomas

As loucas estéricas são um pouco perturbadas, pobres afligem a si mesmas.

Brás Cubas.

The craziness is the only beauty of certain people.

Brás Cubas.

Axiomas

A religião dividiu o mundo em duas estátuas de sal.

Brás Cubas.

The religion have had divided the world into twice salt statues.

Brás Cubas.

Las religiones han detenido el mundo como dos cerdos.

Brás Cubas.

La religion a partagé le monde à deux piliers de sel.

Brás Cubas.

Die Religionen trennen die Welt.

Brás Cubas.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Axiomas

Correm madrugada a solta os conluios nos covis de pólvora acesa. Prontos pra detonar a vontade dos que mandam.

Brás Cubas.

Axiomas

Capitalismo meu amigo arai tua terra para que nele frutifiquem teus votos vitalícios de liberdade.

Brás Cubas.

Axiomas

Para que te falar de amor se teus ouvidos surdos já não escutam a beleza do gozo da vida?

Brás Cubas.

Axiomas

É preciso sair da solidão coletiva para estar e sentir-se só.

Brás Cubas.

Axioms

The rules rock the world, made our mind turn around and the earthquake got down.

Brás Cubas.

Axiomas

Sobre o pescoço do juiz se arrodilha a mesma corda que enforca o condenado.

Brás Cubas.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Axiomas

E no sussurro da noite eles gemem.

Brás Cubas.

Axiomas

Quando faltam as palavras na boca do sabiá a musica canta.

Brás Cubas.

Axiomas

Para se preencher o vazio é necessário uma galáxia de novas ilusões.

Brás Cubas.

Axioms

Later I will write more as it is itself a way to escape from myself. Later at night when the crow cries.

Brás Cubas.

Axiomas

Com a solidão que olha as minhas fotos despido eu me liberto de certos vícios.

Brás Cubas.

Axiomas

Com a leveza dos pensamentos mais singelos o homem constrói as bases do seu caráter.

Brás Cubas.

Axiomas

A bela paisagem dos campos trouxe ares de cheiros de perfumes de outras terras de outras horas, em busca de um tempo perdido ao sabor do vento a pluma vai.

Brás Cubas.

Axiomas

Ela me ama desesperadamente de uma forma inigualável. Ela me ama mesmo quando tenho feijão nos dentes.

Brás Cubas.

Axiomas

Sobre a beleza de quem ama: O choro é a gota d'alma.

Brás Cubas.

Axiomas

A lei foi feita para encarcerar a animalidade do homem. Mas o gato pardo sabe dar sete pulos na noite escura. A bela justiça sacoleja os gatunos noite a dentro.

Brás Cubas.

Axiomas

Quem goza com a vida alheia já deveras ter aprendido os segredos da masturbação reciproca.

Brás Cubas.

Axiomas

Opereta da poesia e da literatura experimental; - Faz-se necessário o que é de bom senso ser moído.
E que o bom gosto de quem lhes diga seja emérito no céu.

Brás Cubas.

Axiomas

A falácia estrábica da panaceia encerra no ato que a cortina se fecha para o aplauso.

Brás Cubas.

domingo, 22 de setembro de 2013

Axioms

Sometimes, the better thing to hear it is the silence.

Brás Cubas.

Axiomas

É preciso que "o amor" melhore... Oração subordinada substantiva subjetiva até demais.

Brás Cubas.

Axiomas

En tu alma habitan mis deseos.

Brás Cubas.



Axiomas

Rouge, Noir, blanche, gray, purple, el rojo, el blanco, o amarelo y el azul del cielo...

Brás Cubas.

Axiomas

Cuantas tonterias pasan por la cabeza del poeta.

Brás Cubas.

Axiomas

Tempo o mais doce e o mais terrível conselheiro.

Brás Cubas.

Axiomas

O maior dos lobos sabe calar e falar ao mesmo tempo é como um falcão que olha o horizonte e o pior deles é aquele que manipula em silêncio.

Brás Cubas.


Axiomas

Que o amor brilhe e paire sobre as cabeças dos sabiás, somente daqueles que mesmo quando sem uma asa saibam voar.

Brás Cubas.

Axiomas

Soco no estômago revolto. Soco n'alma já destroçada. Soco na cara de quem ama. Soco na cama. Soco inglês. Soco Socorro.

Brás Cubas.

Axiomas

É dos calhordas que elas precisam mais para melhor gozar a vida.

Brás Cubas.

Axioms

Free is the one that recognizes, not only the limits of the others  but the line of the thoughts within the habitué and behaviour around.

Brás Cubas.

Axiomas

Em tempo de seca na caatinga boia-fria mata carcará enquanto sertanejo dá nó em pingo d'água.

Brás Cubas.

O beijo do percevejo

Quem deveras buscar o beijo do percevejo
Quem deveras cheirar a flor do anseio
Quem deveras vir
Perdeu-se
Foi-se em boa hora
Tinha que ler mais
Voltou para as anedotas do cordel
De fato errou a porta do bordel
O poeta continuou com seu pincel
Que deveras falar de quimeras mil.

Brás Cubas.

Axiomas

O amor é mesmo uma obsessão pela face do objeto amado.

Brás Cubas.

Axiomas

Me boicoto cada vez que penso em nós.

Brás Cubas.

Axioms

The waves of your body fits with your behaviour when you passes and cross that exactly street when we let the cigarettes fall.
Drop a text line and a teardrop will convince the world we are still human beings.

Brás Cubas.

Axiomas

Vai se sentir mais sozinho com a minha presença do que com a ausência minha. Quando estive contigo te deixei na solidão de cada e a cada momento em que não soubestes sorrir.

Brás Cubas.

Axioms

It is true that in fact we got lost in many ways in certain complaints remains the wrong arguments and you can bet we shall find the way back. We got back in time every single time the watch it has been watched.


Brás Cubas.

Axiomas

Há de haver tanta lama por onde tu pisas que lá nem os porcos querem mais se refestelar.

Brás Cubas.

Axiomas

A vaca leiteira voando ejaculou seu leite sobre a cabeça do transeunte, assim como um pombo cagou na cabeça doutro.

Brás Cubas.

Axiomas

Uma tormenta de fogos veio do céu em direção à terra. Terrenos somos na imoralidade da vida banida do seio dos corações abençoados.

Brás Cubas.

Uma manada de pássaros passarinhou no meu quarto, olhei o céu azul; a tarde já caía com o astro-rei rubro de rancor. Ele não queria que a dama da noite dançasse sobre nossas cabeças e às seis da matina fez-se mais uma vez a luz.

Brás Cubas.

Enlouquecendo aos poucos a gente toda pôs seus cus para os ares e rezou.

Brás Cubas.

Angelical é a fuga dos fracos de espírito. Os porcos pouco espirituosos saem à francesa.

Brás Cubas.

Going to the church


It is sunday, people around just walk at the park. It is boring the sunday day. Better to eat a sunday at the famous fast-food store. It is sunday the glory mother church will pray for us. We go there. We will confess our sins and pray to the lord, not to the Lord Byron.

We are all going to heaven because hell it is already crowded

Brás Cubas.


sábado, 21 de setembro de 2013

Anonymous letter

Anonymous letter


I would prefer to avoid the love of the king of the storm, I would knife my soul in pieces of woods just to share my feelings in a magic box, within the music and the rhythm was the one we tryed to find whenever we walked together on the mountains city streets.
   I haven't learn how to walk with you. I haven't learned  your steps. Nevertheless and therefore I cannot avoid to step the love gap. Still love isn't a question or neither a decision. It is a fact that you can escape from time to time or from the every day life. Here and there our shadows even on the darkness will be walking together as well our clothes will be sitting at the sofa listening to the thunders and the beauty of that long storm. 
   We could watch and match the nature, being part of the scene without complains I left my brains run away from the time and space. We were one soul. Who knows this will be like it is for the eternal memory of the punishment and forbidden time.

   There is and this is a piece of memory that struggle my pain every night. It is a torture not to do, not touch you but do not belong to that time anymore.

   Should born from the hours that we just watched the rain, our book of romance? Can you imagine if I know myself. I thought I could be you one day. That day seems to be gone on words of rude rumors and angry by the envy around. Yes we were surrounded by the wind of strange wishes that annoyed our partnership, our cumplicity, our reality. What is that? The long talks over trhough the nighst till the sunshine?

   I dont know who you are. I wont know myself anymore.

   We got lost when we found a way... Yes your hair has showed me something from your brains. Can I touch them on my dreams again? Am I allowed to commit myself in a such pleasure? Do you realize this power of strange and illness, a sort of passionte mean of life.
My ocean of tears, please forgive me. I dont know how to rise up a moment. I dont know how to educate. I am rude in my heart coz he wanted to steal all your emotions at first look. I should stop smoking for avoiding accidents. Do not fall in love for images they blame the skull, they freak our brains.


   Should born from the hours that we just watched the rain, our book of romance? Can you imagine if I know myself. I thought I could be you one day. That day seems to be gone on words of rude rumors and angry by the envy around. Yes we were surrounded by the wind of strange wishes that annoyed our partnership, our cumplicity, our reality. What is that? The long talks over through the nights till the sunshine? Purple, lets look for the right colour of what it can be considered a clue of a real fact and substance of love or whatever we call that must, it certainly might be something we share along the walks after the sex in bed. My tears are still on  your chest and the rumors of your stomach are still minding my ears. Every smile, every second, every doubt remains. I try over again reflect myself on that figure. I try to be the one I could be. I try hard and on and on, floating all over the nights searching for the mistery of the beauty that was lost at the claim on the ring bell of our moments. I saw many other at your face and I could play with your soul. I have no way back and now your soul walks with me. They became part of me ( the ones on your way ). I am who I am becouse I read some poems with you. The tone of your voice coming out from your lips whenever the language was a reduced fact. As a matter of fact our language of love was to look into eye to eye. Each other all fluids. From this concerning my soul wont ever say goodbye.

I light a cigarrete with images coming and going... I am still there locked in your bedroom.

Brás Cubas.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Você me levou contigo

No teu abraço
Calei muitas vezes
Os pensamentos
No teu braço
Me senti forte
Me senti fraco
Fui teu
Ainda sou
Quando sou
Quando quero me possuir
Sobre sua mente vagueio
Possessão? Obsessão?
Não
Amor meu
Não se te definir amor.

Brás Cubas.

Poesia marginal

Pá de cal
Pá de sal
Perna de pau
Aval
Maurício de Nassau
Jesuítas
Eclesiásticos
Salve! Salvem!
Os escolásticos.

Brás Cubas.

Petit poème

On vas parler de la vie
pour faire
pour rire
et pleurer
et danser
il faut une petit poésie.

Brás Cubas.

Antropofagia

Come Tupi
Fala Tupi
O Tupinambá comeu o francês
No caldeirão
Na folha de bananeira
Que eu nem sei
Qual pedaço d'arte foi
Junto com a mente desse francês.

Brás Cubas.

Poesia purifica

Poesia gira
Poesia política
poesia pornô
Pornograficamente
Delicada e sutilmente revela
O clamor
O louvor
O sabor
O amor
A plebe
Que se rebele
Pois a poesia pariu a política.

Brás Cubas.

Pierrot

Mas que belo Pierrot
Veio fazê-la a corte
Que noite enluarada deveras
Mas que belo Pierrot
Com sorriso escancarado
Escondido o rosto do mascarado
Que resplandece o esplendor
O exagero de qualquer menina
Que o desejo do amor amante
Mas que belo Pierrot
Que naquela bela rua passou
Passou o Pierrot
Passou o seu amor
Passa tudo
Passa passando
Passa olhando
Passa desejando
Passa amando
Passa passando
Assovia o passarinho
Pra essa amorosa mensagem de amor levar


Brás Cubas.

O rosto do ser amado me ama.

O rosto do ser amado
Pendurado no retrato
Retrato paisagem
Paisagem perfeita
Nariz adunco
O corpo de Elnuco
Retrato paralisado
Retrato foto
Fotografia
Desse meu ser amado
Amo até sua caligrafia
Amo sua escrita
Amo lhe amar
O rosto do ser amado me ama.

Brás Cubas.

Viene

Viene
Ella, la negra piel
La sonrisa
Entonces mi vida
Llora la lluvia
Bendiga la iglesia
Venga conmigo
Corra en los campos
Viene

Brás Cubas.

Quel chance!

Quel chance!
La beauté est vraiment belle
Mademoiselle
Dire-moi
C'est soir
Est-que-tu veux?
Mon coeur
Ma vie
Mon amour
Dire-moi
Parce que cette moment là
Ne vas pas se répéter ici
Viens dans ma chambre
Et parlez des mots que les autre écoutent
Parlez de l'amour
Nôtre
Vôtre
Quel chance!

Brás Cubas.

Axiomas

Beleza! Beleza! Sopra teu vento sobre a árvore frutífera, permeia o seio da amada, embebeda de felicidade a vida.

Brás Cubas.

And she goes away

Crying on loneliness she passed away
She crossed the crosses
She crossed the space and time
She went away with a cowboy hat
Riding on a motorcycle
With a liter of alcohol
The wind blew her hair
Blonde was her hair
Crying she left the dark room
And smiling went to the streets
To overview and overcome the past
The ones, one her best signal
The ones that she must loved
The loves away
The biggest apple from the big apple
She wanted to be part of it
But just crying she left.

Brás Cubas.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Axiomas

Aflora a flora da fauna dos desejos animais. Liberta a liberdade na soleira da porta da caatinga. Solta o verbo na rua para o palhaço sorrir mais.

Brás Cubas.


sábado, 14 de setembro de 2013

Musique




A Dialética dos Poetas Malditos

Agora começa a arte, talvez no ciclo de Outras Bossas revela-se:- Maldito seja o cu de Rimbaud.

Sejam bem-vindos A Dialética dos Poetas Malditos

Meu poeta favorito

Que seja ele maldito
O maldito dos malditos
O mais que maldito
O cu do mundo
Oceanos profundos
Nos bares de arcanjos
Arranjos de flores
Pássaros e mais flores
Correm os corvos pela selva
Salve Rimbaud  sempre armado para a guerra
Salve a selva do pilantra
Que sejam bem-vindos meus amigos
E aqueles que vos digo
Prefiro proferir
Eu que deveras ser maldito
Salve Baudelaire
Sou aspirante na arte da arte
Aprendiz do aprendiz
Da faca do louvor
Que venha o clamor
Que eu seja o que quer ele
Quando meti bem no fundo
Que eu seja a merda
Ondo o gozo no intestino se encerra
E que a privada sorria para o mundo.


Epopeia maldita

Era linda a lua
Que invejava o dia-a-dia
Da gente infeliz
Sorriso guarnição
Papel e bolha de sabão
Ilusão
Oh Ilusão
Acorda o mundo com o grito
A verdade não é única
O mundo se encerra
Quando a vida termina
O homem nasce e sabe porque chora
Já pede na luta para colocar sua cabeça vagina afora
Agora vida você é uma ilusão
Larga dos meus punhos
A vontade visceral
O desejo do animal.
Liberta a calmaria
Que a tormenta é divinamente certa
Acerta o assecla
Que dele nada mais a esperança espera
Espera que o tempo da razão lhe chegue tardia
Que chegue vazio o sopro do vento
Que as sombras levem o tempo
Sejamos a verdade da ilusão.
Vamos transbordar os bordados
Os vômitos e gozos do passado
Vamos libertar alma e o sangue dos homens
Abram os hospícios
Porque os lúcidos já estão despidos
Em fotos da burguesia
Porque Chagall também maldito ès
Salvemo-nos de qualquer sala de espera
Esperemos que a vida seja bela
Doce e concreta
Real e abstrata
Abolicionista e evolucionista
E criacionista
Revolucionária
Sejamos eles
Eles são o que somos
Olhemos o espelho
Tentemos
Voltemos
Sejamos
Calemos
Malditos ardendo no eterno inferno.
Que a terra santa queime suas mágoas
Que os Alibabás joguem fora suas malas
Sejamos puros e inocentes
Sejamos gente e somos bilhões
Somos números
Que comem mais
Que mais de comem
Que venha a beleza fria
A realeza sombria
A cadela e a vadia
O trocadilho é um caralho
Que voa sobre todas as cabeças.

You don't have to tell to be. You have to be to tell.


Meu avesso

Queria ser cabeça da minha cabeça
Queria cabecear a lata
Porque não sei chutar bola
Todo muleque aprende na escola
Queria ser mais
Queria beber a vida dos poetas
Queria o saber do saber
Queria nada quando todo mundo tinha tudo
Queria o non-sense
E algum sentido
Para os frêmitos gemidos
Dos gargalos pervertidos
Queria do quarto escuro
A solidão em pílulas
Queria uma sala escola
Uma sacola nova
Queria meu avesso
Escrutínio do viver
Escutando samba com rock
Puro lazer
Queria alhures
Outros mares
Queria ser meu avesso
Mais travesso
E menos vadio
Porém vadiar mais
Salve Vadinho
Dona Flor
E seus imaginários maridos.

Assumir vários papéis é sacudir várias almas.


Chocalho.

Chocalha Chocalha Chocalha
Cabeça
Cabeça
Cabeça
A besta
A vaca
A teta
Mama mama
A tua
A minha
Chocalha Chocalha Chocalha
Fundo
Chocalha o mundo.



Palabras Palabras sois la noche en mi alma sois la poesia que canta por la mañana.


Pedinte e pagante.

Pede água
Bebe a sede
Sopra o vento
Pede conselho
Rola o rubro
O rosa-pink
O vaso vermelho
O esmalte cor de terra
Aduba com estrume
De rosas vermelhas
Para dizer que não mencionei amores
Pediremos amores
Amorzinho meu
Você que não é meu
Volta pra casa
Vem embebedar minhas lágrimas
Vem com seu suor
Traz o dó
Que o rima do re mi fá só lá si
Quem sabe fará
Nossas almas flutuarem
Amores de sabão.

Platão

Céu e inferno
Olho choro peco
Peço
Erro
Escolho
Miro teu olho
Na multidão
Tem muita gente
Gente demais
Demasiado tumulto
Sal e pimenta
Pra temperar o nascer do que vêm da terra
A batata inglesa e a cenoura portuguesa.

Penumbra

Avoa minha águia
Vai beber água
Vai matar a sede da vaca
Avoa meu passarinho
Vai fazer teu ninho
Noutro lugar
Avoa pomba branca
Corvo negro
Flamencos nos canaviais
Festas de carnavais
Faca
Navalha
Carne
Sangra
A vida num mantra
Penumbra-sombra
Aumenta a minha
Assombra a sombra.

Sete poetas malditos

Sejam eles o número sete
Seja o sete cabalístico
Seja a alma profana
Seja o rio d'ouro
O desejo que abocanha
Senhor das uvas
Lua e rua
Na minha e na sua
Sete poetas malditos caminham.

Poetas calhordas

Eu uso o eu lírico
Eu
Uso o eu lírico
Eu sou o eu lírico
Eu danço tango comigo
Eu fui
Era
Sou narciso.

Concentração

Pernas de mantra
Pernas de piranha
Piranhas que abocanham
A alma do alucinado
Pernas salamandra
A perna dobrada
Abóboda virada
Reza minha filha
Que o nascer do dia é certo
E a lua ri de tuas preces
Desce e sobe essa ladeira
Com as pernas que Deus te deu
E que os os olhos comem
Os homens comem
Toda a gente come
Regurgita e vomita
Corre o gozo em tuas pernas
Corre o sangue aquarela
Menstrua pra parir
Veste de noiva pra mentir
Reviravolta teus sentimentos
Vira o mundo no seu lamento
Concentra na tua vida
Que a dos poetas malditos está em todas as esquinas.


Societé

Je suis putain

Il est
Nous sommes
Et Vous?

Hace un tiempo


Ojalá que queiras

Ojalá que la luna llena
Ojalá que la putana llore
Olha lá
O cu do conde.

Tengo hambre de hombre.


Baixou na terra

A maledicência de toda glória
A frivolidade de toda comédia
A sapiência da maldita ciência
A benevolência da gente festeira
Baixou na terra a arma química
Baixou na terra uma menina chamada guerra.


Para Bukowski

Escrevo a ti meu amigo
Uma carta ligeira
Envio para a sua terra parideira
Escrevo como escravo que sou do que escrevo
Escrevo contando as folhas dos trevos
Poeta lindo e pueril
Fumaça azul cor carnal quase anil
Vanila e céu
Pão e véu
Máscara de Bukowski
Máscara dos mascarados
Nosso Bukowski
Escrevo escravo do teu seio
Escrevo deitado no teu peito
Escrevo para que leves para bem longe
Essa nossa história.



Florestas

Bucólico
Melancólico
Sólido
O traço desconcertante
A reta geométrica
A lucidez tirou um pedaço do cérebro do poeta
Florestas
Matas verdes
Verdes matas
Estrambólico
Eufórico gozo
Das leituras vis
Mil são os profetas
Mil são os poetas
Mil são os prólogos
E os cânticos romanos.


A liberdade da arte

Voa galinha
Voa condor
Voa albatroz
Voa águia
Bebe a sede
Castiga almas
A liberdade da arte
Que por vir está
Aqui não chegou
Mas muitas almas tocou
É o toque carnal
A masturbação virginal.

Sexo banido

Maldito seja o sexo
Bendito o pudor
Choremos no louvor
Oremos enquanto cantamos
Gozemos enquanto tocamos
Viva nossa vida.

Melancolia

Ela de outrora que viera
Ela que soubera de tudo
Ela que não pudera
Ela que amara
Ela que falara
Ela, a melancolia
Ela que bebia no copo do bêbado
Ela, a melancolia
Ela que não queria ficar sozinha
Ela que arrastava a gente
Para a tarde nublada
A melancolia traçada na carne
A melancolia na tarde
Verdadeira melancolia.

Flores belas

Oh! Tu minha quimera
Queimarias tu
A própria vossa beleza
Nos espasmos dos teus beijos fúnebres
Sim flores belas e finais
Encerram o giro do mundo
Baba na boca dessa camélia
Que o gozo já lhe espera na porta
A eficaz solidez dos pensamentos
Que lhe bate na soleira dessa porta
Menina olha a horta
Colhe teus grãos
Fabrica teu pão bento
Divide entre teus irmãos
E livra teus livros dos cupins
Aduba as flores belas
Pois nelas toda a beleza libertará.



Expõe teus cornos vaca desmamada que a manada não te segue mais pelo rio do leito mas pelo preceito de tua carne!


Carta a Augusto dos anjos.

Que as almas que lhe abençoaram
Revoem alto
No altar santo
Augusto dos Anjos
Anjos te carregaram Augusto
De certo o mês de Agosto
Foi-lhe de preceito
Com todo amor dedico
Esta carta poema
Este cataclismo menino
Corre Augusto dos Anjos
Revoa sobre os anjos
Canta tua poesia
Revela tua beleza fria
Salve Augusto dos Anjos!

Para falar de Baudelaire

Para dele falar
Fausto tende conhecer
Ópera estridente
Melodia de notas de nó
Flores do mal
Benedictus lesbos
Clarim dos cegos
Verdade desnuda
Amo o teu seio minha amada
Suga o meu leite até o fim.

A vida habita no veio do seio de um rio calmaria-tormenta que lhe escorre pelas mãos. A mão pátria é a mesma mão do golpista apátrida.


De pessoa para Pessoa.

De frente ao rumo
De fronte ao fronte
Na trincheira
De pessoa para Pessoa
De olho no olho
De passo a passo
Passo
Olho
Olho
O Olho
De frente ao ego
Eles viram gente voar
Nas asas do corcel.

Pinta bem teus lábios de mel com carmim para que deles não sopre o fel falacioso da mentira-verdade.

Está completa


Dialética dos poetas
Poeta teu
Poetas meus
Queria ser o poeta
Queria o filósofo no prólogo
Da psicoterapia
Da centopeia ideia
Da maldita vida
Nos somos dialeticamente febris.
Seremos no azul anil.
O mar fermento
O flato lento.
Borbulha bolha de sabão.

O sebo

A glândula sebácea
O moedor de carne
O sebo sebento
O sebo do bento
O sebo bento
Navalha na carne.
Arrancar pentelho arde!


No jogo da coação a falsa autoflagelação cristã é o cadafalso dos pobres de espirito.... Oremos porque é no gozo que nos aproximamos de Deus.



Fruto do fim


Queria arrancar o coração a faca
Pra libertar a alma
Queria exumar a morte
Pra não viver sem amor
Queria tua alma em dor
Queria exterminar o clamor
Queria o punhal
Queria a infância roubada
O amor perdido
Queria me perder
Queria o amor
Queria saber
Queria não querer

Os lábios cortados sangram com qualquer palavra

Was it?
Was love enough?
Was to be in love all?
Was unlocked your door
When I needed to knock in?
Were you always the one I used to know
Were you the promisse?
Or just the memory?
Was the love just a wind?
Were us the blow
On that view
We suppose to fit with that picture
Was enough to dream of it
Was enough to scream and shout
The feeling over out
Was the blood running through the right vains?
Up side down our heart and brains
Or we just followed the rules
Of this freak game
Was it all about us
Wasn't enough...

Batuque na cozinha

Vamos tocar um batuque na cozinha

Vamos fazer uma festa pequenina
Vamos reviver a esperança da sala de espera
Vamos com quer
Vamos fazer na tela
Vamos fazer a tarantela
Vamos dançar de salto alto
Corre que vem o arrastão
Segura menina a sandália da bahiana
Solta esse sapato.
Pra toda gente eu mando um acalento
Vamos fazer a roda girar
No mundo pasmo.
Vamos delirar no delírio do delirado
Salve o Brasil
E os seus habitantes enamorados
Por sua beleza ufanista
Por seu poder midiático.



Tem pai que castiga que pune que domina que fascina tempo pai de todos pia do tempo que passa tempo que leva e traz tudo tempo que abençoa e que por la cabeça de toda gente revoa  






Brás Cubas.