sexta-feira, 26 de junho de 2015

Poemas sem nome

Traço o Troço Posso Forço e Ardo
Laço o Aço
Passo a passo
Cravo o átrio
Travo o ladário
Escorro pelo ralo
Sou aço e pluma
Champanhe e espuma.

Brás Cubas.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Poemas sem nome




Por um incólume momento não ouvi nada na sala
os quadrantes aos montes desenhavam
os lampiões acesos
o luar garimpeiro
o lugar

Por um incauto falei alto
estava estrábico o arauto
um soneto pendia do altar

Pela sombra do biombo
máscara da humanidade
luzes acesas por toda a cidade

E mais nada

Por um momento solene
calei a sirene
chamei à mesa a rotina
estavam meus dentes a mastigar

Era um momento de tudo ou de nada
tudo parecia primata
e sem ideia alguma
um montante de gente a caminhar

Um homem gritava disparates quebrando o silêncio
o sonho parecia um movimento
de pluma que voa sem se libertar

Por um momento olhei o horizonte
Titubeei por palavras de homens
Não sabia nadar
Mas me veio o fôlego

E em tudo ateei fogo
imagem
sombra
biombo
era a vida querendo brincar.

Brás Cubas.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Poemas sem nome

Tu poesia filha da boca minha
Tu palavra rabiscada
Tu vã filosofia e loucura prisma
Tu plebeu e reles santo
Tu anjo dos sonhos meus
Tu peregrino d'almas
Tu maré vazia, cheia ou alta
Tu vento e trovão
Tu, irmão
Tu cumplicidade brejeira
Tu claridade acesa
Tu que es fogo e ilusão
Tu que somes e se esboça
Tu que é o mais fino da Bossa
Tu que é camarada
Tu que é minha alma
Poeta
Poetisa
Poesia
Poema.

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Havia muita gente por todo o lugar
gente de todo o tipo
ia dar o que falar
era uma gente tresloucada

O céu pairava no olhar
e o menino horizonte
que se esconde
é de se admirar

Havia muita gente por todo o lugar
nos prédios vazios
nas ruas uma chusma
na oficina vazia

Havia muita gente por todo o lugar
a chuva caia
o orvalho brilhava
minha mente assanhada
refez todo o lugar.

Brás Cubas.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Quererdes




Quererdes a água invertida
e o reflexo no espelho
Quererdes o voo da águia
e o beijo primeiro
Quererdes de volta a minh'alma
e os meus conselhos
Quererdes meu braços
e os meus abraços
em aconchego
Quererdes de volta cada palavra
e cada olhar quando vacilavas
em ser seresteiro
Quererdes o cajuí
e cada gota a fluir
em orvalho
Quererdes o tratado
e o descombinado
em firmamento
Quererdes e quererdes
como quem tudo quer
me querendo.

Brás Cubas.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Poemas sem nome



Nuvens e serafins
Teu pensamento naufrago em mim
Preste a haste da minha fala
Queria te dizer sim e sim
E outrossim
Fazer-te rir
Precisava agora
Outrora
ou
em
outra
hora
te dizer
que sim.

Brás Cubas.

domingo, 7 de junho de 2015

Poemas sem nome

Juergen Lechner Photography



é que as peripécias do coração
mais do que a canção
fez um verso
acordou meu violão

é que a estrofe parada
mais do que a risada
fez do meu travesseiro
amizade e mansidão

é que a lonjura
chegou perto
aqueceu a sala
beijou uma ala

é que a caminhada
pegada por pegada
na areia desenhada
fez comichão

é que a tua mão na minha
como uma lembrancinha
fez bater me o coração.

Brás Cubas.

sábado, 6 de junho de 2015

Pacto com a poesia


 Photo Gema Mahardhika

A poesia quis selar um pacto com a alma minha
Ela me fez de reverso e verso, o verso
E versando sobre mim
Eu de nada sabia
A poesia em mim nascia
Era o soar de um tamborim
Coroei nesse mundo
A poesia, ela é quem é a estrela
Não a minha poesia
A poesia não tem dono
Mas sim, a poesia em si
Metrificação de incertezas
Lugarejo escondido das avarezas
Plenário das alucinações
Vigário das aclamações
Fêmea e deveras macho
Nascida dum frasco de botões
Certeza das incertezas
Filha única e primeira
Santa, puta e irmã
O beijo na mão da sexta-feira
Poesia brejeira e alçapão
Poesia vívida e intacta
Estações de Primaveras terciárias
O furacão
Coração da chusma ressabiada
Averiguação
Fato sobre fato
E mais uma vez pura ilusão
Vos poesia
Vieste me valer
Ah! Poesia menina peregrina
Abarca a barca que não há em mim
Desata o nó dos melindres
Tua forma cilindre
Fez meu escarpim
Vede poesia é tu que a mim me talha
Me faz palavra
Me faz menos sábio e mais aprendiz
E nessa luta do sonho com a realidade
Poesia faz a gente sorrir
E nessa flora deflagrada
Eu, fui feito aprendiz.

Brás Cubas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Minimização



Entre tantos olhos d'água
minimizei o minimalista
o sonho tacanho
a mordida abocanhada
a ferida revirada
o revoltoso pavor
e o sol para ver a lua se opor
a face exprimida
numa aquarela vazia
um nanquim amarelo
um sorriso fumaça
um trem no espaço
a sombra do passo
minimizei e guardei
lembretes e folhetins
notas de violas e bandolins
a maraca tocou uma valsa
passava de noite na balsa
o bálsamo clamor
era tudo ligeiro
um passo do tango estrangeiro
um beijo de flor.

Brás Cubas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Poemas sem nome



Personifica essa Prosopopeia
Dá vida à essa ideia
Abre a fresta da janela
Deixa o Crisântemo entrar
Abraça o cobertor amor
Sois linda flor
Frutifica o ventre máter-dolorosa
Abre o verbo
Solta a prosa
Desvirgina a porta
Adentra o peito
Chega de conselhos
Já quebrou-se o espelho
E já levaram o Narciso
Eu que leio um pergaminho outrora
Vejo que o tempo de amar é agora.

Brás Cubas.