terça-feira, 28 de abril de 2015

Aguarrás

Jef Aerosol




Alguma coisa já bate em descompasso em meu peito
Eu, banido na imensidão do leito
Insumo da marginalização
Algum pedaço de aço me faz artimanha
No passo ligeiro da lembrança
Alguma coisa já me falta um pedaço
Alguma coisa que fica nos meus passos
Acho que algo estranhamente me estranha
Eu que sinto falta dum ato
Encontrei-me aqui calado
De fronte à papéis perdidos
Uns ligeiros
Outros tropeiros
Outros em brancos
Todos pedindo
Letras e alfabetos
Verbetes reversos
O controverso amigo
Eu, partindo da casa de palha
Andei de sandálias
Pelo descaminho
Alguma coisa já me fortalece mais do que tudo
Algo de alguma leitura que me deixou mudo
Quando meu peito explodia em volúpia
Era um jogo de culpas
Uma pessoa desnuda
Era uma vontade de rua
Aguarrás
Era uma mulher nua e desvairada
Era um copo de leite
No estômago, o azeite das Oliveiras da paz.

Brás Cubas.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A belezura

Cálida e ávida de alusão
A belezura náutica e rasteira
Dum céu de Olimpo
E que haja raio e trovões

Essa belezura me acalma o rio manto
Acalanto do pranto esgotado
Lágrimas sem sentido
Era um preâmbulo no desconhecido

A belezura passa rasteira
Sobretudo e de sobressalto
Sobre a visão alheia

Hei que vos falo da imensidão
Dos arautos e do taralho
Sobre o que é a belezura na mansidão

Belezura meu amigo
É gozar da vida e sorrir
Belezura é viver o que se vive

A belezura é o que há
E há de haver beleza
Numa era de poesia
Numa esfera da boemia

Sorte e mais sorte belezura
Sorte tua
Que me bates a porta toda noite

Arde em chama o palácio da taciturna ilusão
Chama amiga dos braseiros e da exatidão
Alma minha do passarinhado
Muitos cantores de romances e um homem que se diz são

É a beleza da belezura
que revigora na certeza de que o sol brilhará
E não há equação
de que quando a lua chegar
Um bocado de estralas vai brilhar
Na belezura duma canção.

Brás Cubas.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Live a little dream




Live a little dream
Even if the dream meant to be passing by the road
Knocking your door for a little dream
Just a little dream
Kiss me tenderly, with a little dream
Even if your heart has been spread on pieces
I've crossed the ocean of our emotions
I've bended my knees for devotion
On my little dream
I do intend to live my little dream
Live a little dream
If that is, possibly, a dream
Perhaps the only flower in my garden
This little dream it was cultivated to be admired on my little dream
And I live a little dream
Singing with healing
I left my tears on the rain
I could not fake them
I grew up insane
So on my little dream
Just breath and live a little dream
Simply take some sleep, because on the dreams all is valuable
A constellation of involuntaries stars
My star shines to me on my little dream
The heaven belongs to me
Live a little dream
Even a short one
Even thus, only a song to be.

Lor Byron.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A língua da idendificação

катерина воробьева



Eu no paralelo mediano da sua língua
Identifico-me na minha
Foco no foco
Asso no aço
Corro no passo
Sofro que ardo
Queimo e calo
Salto alto
Meu céu
Meu amigo.

Brás Cubas.

Fui sonhar

Escultor Rodin

Cansado dos meus tímpanos vazios
Do martelo que martela no meu Externo
E o ouvido  Médio
Parece que me bate a porta todo o oriente médio
Que remédio?
E que astúcia essa minha insana babaquice
Eu que lia outrora
Só quero cachaça de alambique agora
A chuva que cai dentro de mim agora
Nem muitas lágrimas hão de me acompanhar
Quero ouvir o silêncio dos maestros magistrais
Na minha louca surdez
Escuto alguém batendo na porta
Chegou a hora
É a felicidade que veio me ninar
Que nada, era só um sonho bisonho
Não apareceu ninguém para me acompanhar
Tomei um comprimido e fui sonhar.

Brás Cubas.


domingo, 12 de abril de 2015

A língua da cobra em as vinte línguas

Jef Aerosol.


Disse à lua sobre a noite de prata
Com sua pele lambida e repleta de viscosidade
Disse com a língua repartida duma jiboia
Era uma hora de recantos
Lhe cobriram de mantos e panos largados
Deu um beijo de salamandra na suçuarana
Veio no voo da ariranha
nas galhadas das aves gralhadas
e retratos gravados nos símbolos Dionisíacos
Que cousa o beijo da cobra
Pareceu-me em uma hora em que eu fazia a obra
De alguma alma e uma gargalhada
Ferina e felina a mulher do Sarraceno
Fora a hora da hora minha
Num rabiscado e trançado de mil horas
Era um beijo que não passava
Irdes e fades a suntuosa memória
No velório dos perdões
A mão amiga que beijou-lhe por horas
A mesma mão que lhe bateu a porta na hora do gozo
Eu que nem ouso ser teu cais
Quem me dera por horas desembrulhar estórias
Num falatório da desordem humana
E do ronronar da piedade
Intrínseca felicidade
Que esta no não de tudo lembrar
Uma lobotomia das mágoas
É melhor que sossegar
Estar em paz com o beijo da cobra
É tomar veneno e caminhar.

Brás Cubas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Solidão

Eu? quem fostes tu?
Eu, tu que me persegue pelas noites insólitas
Pelas marcas das próprias marcas da claridade
Tu que era minha companheira fiel
Tu solidão
Até tu puta bastarda há de me abandonar na solidão dos teus sonhos?
Tu solidão minha pedra calcada
Tu solidão desalmada
Tu solidão do meu dormir
Tu solidão a me sorrir entre as faces
Tu que virastes miragem
Tu que era realidade
Tu que me viraste na poeira da ilusão
Tu solidão que não me levou contigo
Me deixando na beira do rio de uma infância
O berço da minha arrogância
Tive de beberdes todos os cálices
Tu solidão que te fizestes amiga
Agora me vira tuas costas bandida
Dá de ombro e me vê em migalhas
Tu solidão tão pequenina
Crescestes me abrindo a ferida
E alguma coisa lida
Ali jogada no canto do meu quarto
Tu algema das minhas glórias
Comigo não caminhas agora que sou sombra e solidão.

Brás Cubas.

domingo, 5 de abril de 2015

The glory mandatory

Singing whilst the time was riding the Trojan horse
My lady has had laid down her head on my tired shoulder
We, the time and I, could have heard her sighs and cries
My queen from my delightful kingdom

My owl, my soul and my point of view
My world from the time upon the time
My all, and I could have it all
Whenever glory has been printed on my castle's wall

Throughout my way: - I could climb the high mountains!
And let the snow melt a smile addressed to me on a silly drawing
I could have sent the whole troop just to pick up her dress
And so, I leave behind the mandatory obligations

I flew upon the thunder and I hold the storm calm
Thus, my path ain't becomes her ache
Her Greek God has blessed us
So on and on
we fly

Lord Byron and a co-author.


sábado, 4 de abril de 2015

Exílio indigno




Estive prestes a me caber em um rio dos meus preconceitos e açoites
estive na boca do abismo da noite
estive tão perto dos nossos sonhos tacanhos
ludibriadas frustrações
e permissivo masoquismo
estive sempre nos dentes do lobo
com ele comi parte de minha carne
estive com fome de arte
estive perto da falsa inspiração
desilusória encarnação
dos infratores gozos que me corroem o corpo
o esqueleto e o fêmur
me exilei no teu peito
nele escutei algo que parecia um coração
esqueci de que tua mente é somente feita de feno
e tua alma é teu próprio alçapão
que tolo fui eu que quis fazerdes canção em minha história
que permanecesses em minha cama por horas
na ilusão de algum pertencimento
nem corpo, nem alma e nem tua carne me foram vendidas
ainda assim te beijei como fordes uma margarida
como se pudesse de teu material humano
fazer a beleza da natureza de um jardim
não obstante uma outra mão ambulante
uma câimbra suculenta vem me tomando os poros
já perdi as lágrimas derramadas no lençóis dos meus olhos
e você me veio outrora
me fechando as artérias
debruçado na guerra dos insólitos
e o veneno vencido
de validade prática
me pôs rendido aos meus próprios pés
a doce ilusão taciturna
fez-se diurna para que eu dormisse lentamente
eu soube no arrebol do teu assovio
teu riso de menino
que era um rio
era eu que já estava indo porta a fora
fora da realidade e da vida
fora de qualquer esbórnia exumada
e a meretriz me sorriu como quem tira um bandido para dançar a última valsa
minha língua trapeira
e sua mente ligeira
fabricaram algo não nominável
era de sorte para um ditado popular corriqueiro
o que passa pela vida ligeiro
não pode ser chamado de amor.

Brás Cubas.






quarta-feira, 1 de abril de 2015

Malditas horas

bem vos diga essas tuas horas malditas sedentas da língua amiga
que ordem me destes para que eu faça o teu caixão
insumo de vermes fétidos e delícias terrenas
que horas fúnebres abrangem as ondas do litoral
que estilhaço de lume faz brilhar o estrume
doutras esferas banais
que cimeira faz-me rir de rolar essa tua ribanceira carnal
que desejo animal seu é essa minha volúpia que contigo dorme
em sonhos de tal qual é a sorte dum animal.

Brás Cubas.