sexta-feira, 24 de abril de 2015

A belezura

Cálida e ávida de alusão
A belezura náutica e rasteira
Dum céu de Olimpo
E que haja raio e trovões

Essa belezura me acalma o rio manto
Acalanto do pranto esgotado
Lágrimas sem sentido
Era um preâmbulo no desconhecido

A belezura passa rasteira
Sobretudo e de sobressalto
Sobre a visão alheia

Hei que vos falo da imensidão
Dos arautos e do taralho
Sobre o que é a belezura na mansidão

Belezura meu amigo
É gozar da vida e sorrir
Belezura é viver o que se vive

A belezura é o que há
E há de haver beleza
Numa era de poesia
Numa esfera da boemia

Sorte e mais sorte belezura
Sorte tua
Que me bates a porta toda noite

Arde em chama o palácio da taciturna ilusão
Chama amiga dos braseiros e da exatidão
Alma minha do passarinhado
Muitos cantores de romances e um homem que se diz são

É a beleza da belezura
que revigora na certeza de que o sol brilhará
E não há equação
de que quando a lua chegar
Um bocado de estralas vai brilhar
Na belezura duma canção.

Brás Cubas.