sábado, 3 de outubro de 2015

O que há e o que não há



Karin Seppar



E há de haver um infinito espaço entre a coberta e a minha cabeçorra
hão de haver flores amarelas expostas sobre as cabeceiras de cor roxa
hão de fluir peças de roupas esganchadas entre meus braços e a coxa
E há de haver um fastio tresloucado entre meus dentes: xícara na louça

E havendo tudo isso: o avento, o avental e minha pachorra a rondar
houvera tempos de beijos doces e tudo parece rodar: caixote e papelote
havendo tempo de tudo se encaixar na memória do sacerdote
houvera um lugarejo onde o ronronar e o ressonar e o paladar explodem

Houveram esperanças
Hão criancices
Há alguma alegoria

Houve alegria
Houve chuva e ouvi o frio
Houve alforria.

Brás Cubas.