sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Reino patuscado

Rei de eira e beira
Rei! Oh! Céus flamejantes do Rei!
Sentado no trono
Todo Rei é fiasco contado

Rei do Reino patuscado
Dos tropeiros e andarilhos
Dos sentinelas amigos vossos

Do fundo do fosso do poço do Reino
Reinado por mim e por todos que em mim habitam
Por todos nossos versos ainda não escritos

Por toda a saliva das nossas papilas gustativas
Palavras aos montes digeridas e dirimidas
Trépidas e crédulas do credo do canto Canônico

Meu nome heterônimo é ato falho da luz da lucidez minha
Eu que não queria saber escolher-lhe a dedo
Ele como uma seta flecha sem reta mirou-me na órbita craniana
De maneira tal qual não pude escapar-me de seu doce deleite

E fui-me sem conselho e nem verbeto
Batizei-me sem rio nem leito
Num nome de uma personagem
Que ofuscou-me o olhar de forma tática e última
E fora do globo a espera de qualquer lugar comum

Rei, tu que sentantes à sombra das minhas ideias
Fez-me climatério do náutico
Cáustica é a pepsina
Meu suco gástrico
É árduo bater em ti palavra da caixola minha

Sai pela boca ou pelos dedos da maniqueísta mão direita
Mãe e provedora do talento de qual não possuo na esquerda
Já que dela não se espera nem que possa dar cabo do garfo


Como as palavras como um Rei devora a bancarrota do seu banquete
Verossimilhança com Baco ( Rei de Deuses que são bebedores do vinho Dionisíaco )

Trata da camuflagem pilantra
E das tabernas e das alcovas da vida
Trata das palavras que são por mim tão estimadas
Tenho-as em alta consideração
E tenho dito!

Brás Cubas.



Antoine Coysevox. Louis XIV