Sobrenaturalmente plausível.
Eis que surgem as personagens em traçados
Ai! Dos que astutamente gargalham
Eis que rugem no vaso de flores abelhas amarelas e pretas
Eis que d'alma pudor nenhum reclama à salvação
Eis que flores nascem nos jardins florais
Eis que há palavras em motim nos jornais
Eis que sou o que deveras
Eis que palpita o que reverbera
Eis que ricocheteia no lombo da gente
Eis que há de haver um lugar chamado sonho
Eis que todo outro lugar parece pó
Eis que ser humano é ser tudo
Eis que reis reverenciam os súditos
Eis que o plebeu já leu minhas quimeras
Eis que Dom Quixote revela a boa nova
Ai! dos meus ais de tanto dedilhar o teclado
Ai! de tanto canto quando amo o serrado
Eis o dia nublado que está ai até para os cegos
Eis que o tato, o olfato e o paladar os carrego
Eis que a vida é um montão de coisas
Eis que há tu de fazeres a escolha
Eis que todos tomam um caminho
Eis eu que caminho
Eis a poesia que fala nos ouvidos
Eis a tartaruga carregando a própria casa
Eis que a liberdade é um grito
Eis que ela queima no peito dos bandidos
Eis que arde a chama na cama da vida
Eis que o homem não passa de um sonho
Eis que quem sonha vive
Eis que tudo que é dito é discurso
Eis que que há e o que não há
Eis que sei e que não sei
Eis que sois o que queres ser
Eis que estais onde deveras
Eis que estou onde pudera
Eis que estou onde deveras
Eis que a alma do passarinho revoa e revoa
Eis que os navios gritam com sua fumaça
Eis que há música em todo corpo
Eis que há festa mesmo no desgosto
Eis que há pérolas nas mentes
Eis que o coletivo é grande
Eis que o individuo está na sombra dos montes.
Brás Cubas.