quarta-feira, 26 de março de 2014

Leben

Mein herz gefällt das Leben
Sieht ihr die Nature!
Hast du Zeit fur mir?
Ich liebe dich
Alles Morgen gehe ich zu Meer...

Brás Cubas.

Poesia vernacula

Ecco piú, la conoscenza del lavoro
Ecco di amore
E que io voglio sapere tutto del vento
Come l'uomo va bene 
Allora il trattore del amore
Lui che fa piccola la morte
Andare via
Parlando cósi per me
Adesso io trovato tuo cuore

Brás Cubas.

Avec plaisir

C'est avec plaisir que j'ouvre ma bouche
À réussite la chanson
À dormir plus tôt sans amusent
C'est avec plaisir que je m'ai couché avec mes amours
Est lá où j'ai trouvé le bonheur
C'est matin je suis mort de plaisir avec plaisir
Sur la table dans ton pieds
Cette matin j'ecrive ma vie dans la rue
Avec les fleurs du Septembre
Avec ton caresses et bises
C'est avec plaisir que je part de cette monde quand je dors.


Brás Cubas.

Tu me miras

Es que supe que por la noche él me llamó a dormir
Es que la calle fuera corriendo por ti
Es que el pájaro he cantado
Es  la luna que tu miras con tu sonrisas de mi amor
Es que la cama en fuego canta en el alma
Es que tu sueñas con ganas de matar las ganas
Aunque, el mundo parezca todo el una sola mentira 
Mientras
Tu me miras 
Tu me miras
Tu me miras.

Brás Cubas.

terça-feira, 25 de março de 2014

We shall get over

We shall get over


We shall get over
I am getting tricky babe
Push the trigger
I felt the river singing for us
I have trapped the image as well this moment
Spell it my sweet last words
And pull the trigger

We shall get it over
We shall get it over
We shall get solved

I am getting old babe
The seconds are passing by me
The time to flame the aim
It is not my turn again
It is not my guilty
I got all the alcohol liquid

We shall get it over
We shall get it over
We shall get solved

Pack the stones and flowers where I shall live next
Do it without regrets
Lick my skin at last
As long as taste it
As long as we are brave
Put your hands in my heart
Shoot me and go.

Brás Cubas.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Poemas sem nome

Verte o rio em leite de tuas desgraças
Ris da trapaça que impusestes
Ferve entre as minhas pernas a tua face
Como se tua boca me devorasse de pompa à Roma
Ergue teu livro de cabeceira como o halo e a espada
E firma teu punho em golpe presto num olhar certeiro
É ligeiro o teu cinismo correndo nas minhas veias
Vê bem, onde dormes eu acordo
Onde sonhas eu te como
Vinde encontrar meu braços nos teu abraços
Vede que não há o que me negues que eu já de ti não tenha arrancado das entranhas
Sois cego? Ou é caso de demência?
Não busque química onde já não há mais razão para as tuas ciências
Larga mão desse romance conto de fadas
Traz a faca que já lhe cortei as partes
Vinde que faço teu vocabulário real
E o teu desejo venal.

Brás Cubas.

Phases of love

Phases of love

Grab your healings up to the hills
Take on your suitcase some pills
Drive a dragon on a drawn skin
Write me love letters
Putting out the ache you feel
Write me everyday unless control
I might be aware to hear it from far
From whenever you are

Grab your healings up to the hills
Clap your hands to make up the spirit
I bounded your filthy
Falling to your soul
Dive on the sea shouting on me
Hear the ocean for free
Your heart come and goes
It shall float with the flow
From the bottom of your losses

Grab your healings up to the hills
Take on your suitcase some pills
Drive a dragon on a drawn skin
Write me love letters
Putting out the ache you feel
Write me everyday unless control
I might be aware to hear it from far
From whenever you are

Claim for freedom
I must have brought you a pillow with dreams and dolls
Claim for fever
I should be in bed to warm you up
Kissing you when you awake from the heat

Brás Cubas.

domingo, 23 de março de 2014

Axiomas

Com o tempo o homem vai ilusionadamente substituindo as paixões pelos vícios, com se o um não fosse o outro e o outro é esse um.

Brás Cubas.

Tarde silenciosa

Tarde silenciosa

Se abria em toda sua formosura, eram os pingos da chuva que anunciavam o fim do verão
Se mostrava dengosa em toda sua flexibilidade marginal e sem pudor
Se refestelava nas memórias de afãs e delírios corriqueiros

A tarde silenciosa maliciosamente libertava as correntes da moral
Ela chovia como quem chora o burburinho das chuvas ácidas
A terra molhada trazia lembranças dos impropérios mais banais
Era ela, a tarde me encarava com o tempo que naveguei no barco alheio
O tempo rei de tudo me chicoteava o lombo
Havia um assombro no ar
O tempo veio me cobrar o preço dos sonhos inúteis

Se abria em cólera e náusea:- o tempo e a tarde voavam sobre minha cabeça que rodopiava

Eu de nada não sabia, nem cetim rasgado e nem alma penada
Já havia aferventado a água como se a calefação queimasse as penas do galináceo
Era como se minhas desventuras morressem naquela panela vazia

Era tarde demais para sonhos vazios
Calei a alma ensurdecida e me pus a dormir.

Brás Cubas.
Os ecos do silêncio parecem gritos estridentes.

Brás Cubas.

sábado, 22 de março de 2014

Elfos e ninfetas

Elfos e ninfetas

Vide o céu é o sol que brilha na matutina manhã
Ide ao encontro de Íris e vede a terra verter em flores
Vades onde puseras o adubo de todos os sentimentos
Ide de encontro a mágica desse mistério
Bebe nesta fonte infinita de tuas incertezas

Perguntas ao sol onde se escondeu a lua
Ela já boiava no céu quando tu partias
Era cedo demais para desvendar o baú
Foi muito afoito o luto da luta

Vide o céu é a lua que brilha na noite ferina
Ide ao espaço buscar o oxigênio dos Deuses
Vades onde encontrara a cor de teu âmago
Ide de encontro ao amo
Bebe o vinho no cálice dos desejos

Não hei de beber todos os desejos
É demasiado perigoso
A azia lhe converterá em traças
Ou em serpentes rastejantes no deserto do teu coração.

Brás Cubas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poemas sem nome

Parcas porcas e porcos
O amor pobrezinho agonizou nas esquinas das incertezas de outrem
Há quem pudera adivinhar na beleza o fim
Há quem pudera se acabrunhar de mim
Há quem deveras sem medo partir
Ide
Nesta terra que vais pisar já me fiz rei.

Brás Cubas.

Calarão os amores pelas esquinas

Calarão os amores pelas esquinas

Calarão amores possíveis por falta de coragem
Calarão amores vívidos por falta de boa vontade
Calarão amores escritos na palma da mão
Calarão amores fraternos
Calarão amores esperando a ditadura
Calarão os beijos negados
Calarão até meus versos
Calarão o coração
Calarão o desejo
Calarão o grito contido na garganta
Hora vejam bem querem calar a felicidade
A minha não
Tenho a minha mocidade.

Brás Cubas.

terça-feira, 18 de março de 2014

Axiomas

Vai-se descobrindo o escritor quando já se encontra uma tremenda dificuldade de resolver as coisas práticas da vida.

Brás Cubas.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Pelos cantinhos d'alma

Pelos cantinhos d'alma

Te escondes pelos cantinhos de tua alma de artista
Foges de ti em toda esquina
É meu amigo a mentira é mentira
Mais a pior de todas elas é a que inventas para si

Foges do meu peito que há de ser mar e aconchego teu
Foges do vermelho
Porque meu sangue já ferveu o seu
Foges do encontro
Porque o causo é certo
É batata na sua lata
O amor confunde até vira-lata.

Brás Cubas.

O amor e o pudor

O amor e o pudor

O amor disse para o pudor:
-Pára de ser platônico
Por este ideal já tomaram até a Cicuta
O pudor:
-Mas se eu me abro fácil as pernas me acham nos lençóis errados
O amor em asco:
-Pára com farfalhas eu e tu somos um só na hora certa!
-A patologia é uma só o resto é só confete e enfeite
E continua:
-Somos invenção do animal racional
Um homem puto da vida entra na conversa:
-Já casei criei as crias e a mulher é vadia, mas amo
-Com todas as forças do meu pensamento a amo ouviste bem a amo
O amor dá o braço ao pudor e riem:
-Vós sabeis de nada
-No mundo tudo é uma batalha
E no fundo meus amigos eu que vos digo
Amor com ou sem pudor é amor.
Eu vos amo
Amo tudo
E amo nada.

Brás Cubas.

Gosto das putas honestas vede os santos estão no altar só por uma questão de hierarquia.

Brás Cubas.
Proxenetas de plantão livrai-nos do mal.

Brás Cubas.
E a beleza eterna miragem que engana os olhos adormece mais um sonho.

Brás Cubas.

Azougue

Azougue

Ah! Batidas na porta da frente
Olhem o espelho quebrado
Os pratos da prataria brilhante estraçalhados
Com um só tiro o estardalhaço dessa alma gêmea
Fez de minha canção pequena um oceano a vagar

Ah! Batidas no peito desse indulgente inocente
É fortemente o seu passarinhar
Cantarolando a vitrola me deu seus beijos doces e eternamente inexistentes
Eu que já deveras fico contente com o sonho real
É, o carnaval fez amizade com a carne
A navalha quis ser quintal
Não cortes as palavras que saem como surrupio da boca boçal

Bato na mesma tecla
Assecla
Assecla
Tira uma reta do cupido
E acerta o coração no meu quintal

Caiam raios e trovões para o seu madrigal.

Brás Cubas.

Recomeço

Recomeço

Pedra, pau e pistola
Ventoinha e ventarola
Amor traído pela náusea
Era o verão e sua chuva torrencial
Era doce o que eu via na tua face a revelia do Alcorão

Pedra, pau pistola
Era a era
Era eu agora no teu peito a liberdade chamava em chamas
Não porque nos puseram a gozar
Mas sim pelo entrevero
Olha mas com que toda a natureza para ti sorri quando tu sorris com esmero
Olhos que quando me olhas esmeraldas outras horas azul-turquesa
Pobre de mim perdido em toda essa beleza de se admirar
Eu queria, quereria, quererei de ti nesses tombos te acompanhar

Pedra, pau e pistola
Hoje é dia da revolta o nó da corda já degola na ânsia das ondas do mar
Dorme agora no meu peito retido
Quero que leves uma a uma as batidas do meu peito contigo
Pisas no meu caminho e me leva para o mar.

Brás Cubas.
O azedume da rejeição já infesta todos os poros do poeta.

Brás Cubas.

domingo, 16 de março de 2014

A ingenuidade e a Parcimônia

A ingenuidade e a Parcimônia

Elas trocaram um só olhar
A Parcimônia fria disse para a ingenuidade
-Vai sentir falta de mim
-Pois sabes bem besta vil e indomável que sois poeira sem mim
-Sai de mim disse a ingenuidade
-Teus gritos de maledicência já querem me tirar a inocência do que por vir está
Elas se entreolharam mais uma vez:
-Sois vós que proclamas as guerras dos nossos desentendimentos
-Não! Não! Não! Eu habito calada nos teus pensamentos e não te escrevo
-Sim! Sim! Sim! Não me venhas com tuas artimanhas e tramas de esconderijos- neles já te encontrei no sonho e acordamos outro sonho-
que deveras tu já sonharas aqui.
Vejam bem eu como poeta vos trago o asco e o trago do cigarro
As duas que se enganam almas gêmeas pelejam e sorriem
Gargalhadas!
-Isto já é uma trota, esse poema já não vira nota no meu tamborim
-Eu fujo e escapo de tua indolência com a minha inocência pobre de mim
-Sou Jasmim e não me abro fácil para o seu carmim
-Vede estais a zombar de mim
-Só sou parcimônia porquê tu me fizestes assim
-Eu que habito nos teus sonhos e você ri de mim.
-Vede não estou com vergonha só sou ingenuidade porquê tu me quiseras assim
-Vamos acabar com essa conversa que de tudo a lugar nenhum leva e só se rebela em arengas!
-Te jogas logo em cima de mim!
-Eu? Eu não! Fostes tu que abriste a janela e agora nem a lua nem o sol ide partir
-Vem vamos em boa hora o trem dessa nossa estória já há de partir
-Vinde sem medo não sei o que de te desejo tampouco sabes de mim.

Brás Cubas.
Amar é desatar um nó a cada dia.

Brás Cubas.

Todo dia

Todo dia

Todo dia sem de ti saber
É triste de ti não ser
É preciso de ti saber
Em cima da pedreira
Nadando no mar

Todo dia olho teu olhos felinos
Todo santo dia
É como uma oração ou samba-canção
Todo dia é dia de tomar mais um gole de ti

Todo dia sem de ti saber
É como mar sem onda
É como a montanha sem ar
Venta por aqui
Venta por acolá

Todo dia queria estar lá
No canto do passarinho
Se aprumando a Cotovia canta para o Sabiá.

Brás Cubas.

sábado, 15 de março de 2014

Axiomas

Quando a realidade não lhe apetece há de se fabricá-la a modo que enternece.

Brás Cubas.

As coisas boas

As coisas boas

As coisas boas só são tão boas enquanto as desejo
As coisas belas da mesma forma as revelo
As coisas da vida são assim boas enquanto não perecem
A garrafa de vinho só é boa enquanto está cheia
A comida só é boa enquanto se tem fome
Esse instinto de pensar se chama homem.

Brás Cubas.

Neblina

Neblina

Solstício frio enluarado a fotografia
A lua bandida do sol escapou num teima da imagem certeira
Com todo esmero escapuliu na nau natureza
Fez da imagem real beleza
Galhos secos na minha cabeça
Era hora de acordar a neblina
De bocejar para espantá-la
Como quem espanta a sina
Solstício do meio-dia e meia
Meu amigo que não pestaneja
Nem sobre o vômito
Nem sobre a sobremesa.

Brás Cubas.

Galináceos ( festa das aves )

Galináceos ( festa das aves )

galos galinhas e pintinhos
não deem ouvidos ao peito cá meu
sim titubeiem quando cocorocó
o seu avô

galos galinhas galináceos e passarinhos
cotovias beija-flores e bem-te-vis
gaviões que abram os portões do coração do homem

ovo da galinha
pintinho do galo
pula no poleiro
todo galináceo

pintinha da galinha d'angola
o pato faz reco reco na sacola
na lagoa a garça fêmea rebola
o flamingo com perna longa
não chora não chora

Brás Cubas

Poemas sem nome

Espero que a esperança de Florbela Espanca
Não queima na palha verde
Espero que estes versos não terminem em quedê
Donde urgem ultra paisagem das flores belas
Não espanque a flor bela
Bela a rosa quando sorri ao amanhecer
Bela é a Cotovia e o seu cantarolar e piar
Bela é a face do retrato da mulher burguesa
Eu que vos ponho prato, garfo e faca a mesa
Todos que comem na mão dos amigos
Devem ter a prova do alimento ingerido

Espero que o segundo bloco desse poema saia querido
Eu que deveras ser vosso barquinho
Não queimas este mar donde navegas
Não ponha chamas no barco a velas
Não sorrias com os dentes escancarados
Rir de tudo faz parte do passado.

Brás Cubas.

Damas e cavalheiros

Damas e cavalheiros

Vinde a mim grande público
Eu lhes rogo que gargarejem e expurguem
Eu lhes abro a vulva do púlpito
Donde tudo adentra e tudo para fora sai
De nós os mortais imortais

Vinde a mim falar de seus martírios
Eu que vos admiro na beleza do cais
Vinde contar suas prosas
E acertar a galinha e brigar por ela não mais
Vinde com a força do vento bússola
Vinde a turba e o cascais

Vinde a mim e a todos na roda
Vinde a época da ciranda
Para com inocência atroz
Rebelar a paz

Vinde a mim grande público
Eu tenho voz
Eu quero é mais
Que a feira venda bananas e bananais

Vinde sem banalização
Sois o triturador do faz de conta
Do quero mais

Vinde sairdes das sombras
Abre a porta da caverna
Refutem as esparrelas
E falem mais

Vinde a mim os discursos infortúnios
E as velhas morais
Vinde donde não há mais gente
Vinde para falar

Sois inspiração do poeta
que só veio para ouvinte ser
para vos escrutinar.

Brás Cubas.

De tempos em tempos

De tempos em tempos

Gira a roda da canção
Gira por ventura nessa cantiga
o coração
Gira a metáfora
Abre-se a Ágora

De tempos em tempos
O tempo passa no amor
Com quem olha de fora
o que há dentro do peito dos amantes

De tempos delirantes
Urania vem me dizer sua verdade
De tempos certeiros nas batalhas de sua cidade

Eu que já não tenho mais idade para brincadeiras do amor
Eu que já me escondo de tempos em tempos no seu clamor
Eu que do peito acerto a flecha na alma minha

De tempos em tempos o sujeito vinha
Buscar as uvas do vinho
Beber o néctar dos abraços meus
Lavar suas ânsias no rio Nilo
Eu que mirava seus mamilos
Como quem no incesto quer sugar até o fim o pecado

Eu que de amor já não me morro
Já nem me mato
Só entrego ao vencedor
o estopim do artefato.

Brás Cubas.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Tenho

Tenho

Tenho sede dos teus potes d'ouro
Tenho sede dos teus segredos mais profícuos
Tenho fome do seu íntimo
Tenho perda de visão quando te vejo
Tenho o coração em coroa de espinho
Tenho a cabeça em teus pensamentos
Tenho a dor do teu parto
Tenho a dor de partir
Tenho a fome dos anjos que te cercam
Tenho o mar e a montanha em luta reversa
Tenho a inspiração mãe de toda essa beleza
Tenho a meiguice do teu despertar
Tenho fome de te olhar
Tenho mais é que te admirar
Tenho tudo
Mas não tenho você.


Brás Cubas.

Axiomas

Em brasa em breve a cama me chama, com seus lençóis vazios sem copro nem alma.

Brás Cubas.

Será que é cegueira?

Será que é cegueira?

será que é vislumbre do naufrago
será a visão torpe dos apetados
será enfim o cavalo alado

será que o amor parece ter ficado a léguas de distância
por puro medo
por puro esmero d'alma amada

será que é o medo que revela o sonho
será que o hipopótamo não é mais na selva risonho

será a selva dos pilantras um lugar comum
será que do homem foi tirado o direito de tentar
será
será

será que dos coregos dos rios não corre mais a água
será que de mim tu te afastas?

Brás Cubas.
O sexo relincha nos corpos vazios.

Brás Cubas.

Eu no mar navego

Eu no mar navego

eu no mar navego com as maresias do olhar
eu no mar me cerco d'água do mar
eu no mar me salgo com a água do mar
eu no mar celo o fim do penar
eu no mar sou o que espero o desejo de esperar
eu no mar fui peixe voador em busca do amor

eu no mar
eu estava lá
queria sair
queria voltar

era eu no mar.

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Quem deveras achar procura
No escuro d'alma
Água calma

Quem deveras procura 
o que não acha
e quando se acha
os beiços lambe

a vida assim é
é pra quem dela goza
não pra quem quer

Brás Cubas.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Poemas sem nome

Que escárnio faço dos meus delírios
Que provérbios para os bestas
Que privilégio observar a rasa natureza dos tempos
Que palhoça essa bossa
Que troça e tremembé
Que fornicação dos pensamentos
Ninguém reina sozinho
Ninguém quer ter o direito ao delírio
Cegos perdidos

Brás Cubas.

A nau

A nau

Abalroado na nau da solidão
O nó da garganta
Canta essa canção
Abalroado no nó da solidão
A chuva vem
É pingo d'água por onde meus olhos vertem lágrimas

Abalroado por um monte de tristezas
Pus o prato na mesa
E como de habito me pus a comer

Abalroado pelo turbilhão
Me refiz no refazer
Abalroado pelo montante da solidão
Choraminguei a canção

Punho e selva se refestelam na paisagem da janela fria
A paisagem não é das mais belas
E a gente passa sem pressa
Como se a vida esperasse

Abalroado no porto e no cais
Fervilhei a água fria
E como de costume me pus a banhar

Abalroado pela solidão que se fez minha companhia
Vai terminando o dia
E com ele mais uma ilusão.

Brás Cubas.

Essa flor de laranjeira

Essa flor de laranjeira

Essa flor de laranjeira não cala no peito meu
Bate dentro do meu peito mas foge
Eu já que já sou seu

Não me digas que perdeu a chama por outros escritos
É nos meus gritos que tua melodia afina
Já escapas d'alma com quem corre do rio na água

Essa flor de laranjeira
Sobe o monte a a ribanceira toda manhã
Do alto da montanha me lança seu olhar
Já me devorou corpo e alma sem tocar

Não me venhas com teus pudores e arrependimentos
Também tenho meus lamentos
Vamos nos amar.

Brás Cubas.

E se eu disser

E se eu disser...

E se eu disser que o poeta nasceu para falar de amor
de amor em amor viver a inspiração

E se eu disser que os amores calados são os mais alados
folhetim do peito meu

E se eu disser que a beleza dos versos do plebeu
giram nas cantigas antigas

E seu eu disser que para falar de amor é preciso de amor saber
de amor sentir o coração da escultura bater

E se eu disser que só vim aqui para te dizer que te amo
E se eu deitar todos os meus pensamentos em teu ombro sincero

Te espero. Não sei se te espero. Só sei que o peito me diz te quero...

E se eu disser que o amor é um absurdo divino
inventado por deuses do Olimpo

E se eu te disser o que sinto
Te valias disso para em mim recostar

E se eu disser que o amor tudo quer e nada espera
e se eu disser que teus movimentos revelam
o que tua boca insana quer calar

E se eu disser que não há outra opção ao amor que a de ser romântico
um cântico que flutua e é bolha de sabão perfume da ilusão ao teu lado despertar

E se eu disser que já durmo teus sonhos
teu olhar tão tristonho vem toda manhã me despertar

E se eu disser que aceito teu convite para ser de par em par
um só par

E se eu disser que no sonho a realidade nos chamou para dançar
Ainda que você não pareça saber meus passos acompanhar

E se eu disser que em última instância declaro o amor vontade de tudo
rei absoluto que move o mundo
por sua ausência ou existência
motivo maior que move as gerações
da falência dos velhos pensamentos à ideologia nova no ar

E se eu disser que o epílogo quer ser enólogo e o deus Baco
retira de uma seta a reta a flecha certeira da Vênus pálida
é de se admirar

E se eu te disser que essa poesia já é uma carta
que voa por todas as capitais

E se eu te disser que meu solo é também o teu colo
para ambos amealhar

E se eu disser que a colheita das flores nos bosques
é apenas um momento vil
nosso amor é varonil
foste tu que as fizera germinar

E se eu disser que as paixões movem o mundo
o pensamento e o intelecto já querem se namorar.

Brás Cubas.

Axiomas

O amor nunca me traiu em seu extrato tenho tudo que quero.

Brás Cubas.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Il faut

Il fault

Il faut s'abstrait d'amour
Il faut voyage et le partage a la place
On vas à la plage
Chercher autre amours
J'ai dèjá fait la fête
Sourire mon amour
Je suis lá pour toi
Je vas entre dans ton coeur
Une prison merveilleux

Il faut faire l'amour un fois de plus.

Brás Cubas.

Tocando o cancioneiro

Tocando o cancioneiro

Fostes tocar no meu coração cancioneiro
Eu que já sou prisioneiro d'alma minha
D'alma sua

Fostes tocar o ouro que eu escondia no final do arco-íris
Com tuas íris me tiraste a riste
A hasta e a pausa

Respiro não nego
navego
Estou vivo
Já mergulho teus ouvidos

Sonho e corro no matagal
Corro e sonho
Como é deveras ser o sonho marginal

Volto e sopro o sopro
Corro corro e corro
Na volta tua

Em voltas de ciranda
em cantigas minhas

Sou a esperança que nos valia
Sou o sossego que muita gente queria
Sou o balanço no qual muita gente ia

Eu já prostrado em frente ao rádio
Procuro e não encontro a mais fina melodia
Escuto a mais linda
Tua voz repentina.

Brás Cubas.

Songs

How many sorrows?

How many sorrows?
How many tears?
How many drops fall from your eyes

Blue sky smiles to me
When you come along on me

How many sorrows?
How many tears?
How many drops fall from your eyes

Blue sky smiles to me
You flying high on me
The verve on bubbles of magic
Can't you see?

Since you were born
You belong to me.

Brás Cubas.
Liberta-te de quem tu não és.

Brás Cubas.
Amar é ter uma adaga apontada para o próprio peito.

Brás Cubas.

Me imagino

Me imagino

Me imagino lhe beijando as maçãs do rosto
Seus olhos fechados
Lhe beijo de leve as pálpebras
Fecho meus olhos também no teu intento
Quero conhecer-lhe a face de forma que o sonho seja mais real
Vou descendo com a ponta da língua pelo nariz
Pressionando o meio da tua testa
Pra fixar meu desejo nos teus pensamentos
Vou mordiscando tua pele branca
Cego aos beijos chego ao teu queixo
Vou descendo pelo pescoço com vontade
Vou nas sinestesias dos seus pelos
Vou me arrepiando contigo e a alma nos aquecendo
Vou me esquecendo donde te navego
Me imagino escutando as batidas do coração
Me acosto no teu tórax
Me escuto nos sons da tua vida
Me escuto dos pés a cabeça
Chego como quem quer abrir os olhos
Sonhando acordado vou beijar-lhe os lábios
De forma que o beijo entregue a poeira da ilusão
É quero fazer poesia quero escrever essa canção.

Brás Cubas.

terça-feira, 11 de março de 2014

O silêncio grita mil coisas.

Brás Cubas.

A Choldra

A Choldra

Ruas, becos e bocas a toa
Frutificam a choldra o piano do mestre
A flauta doce
E o pão doce

Caminha Choldra
Nos teus caminhos varonis
Marcha nas ruas desses Brasis
Vindo em direção
Contra é a sua mão
Que de golpes pequenos vai desacorrentando

Ai! Choldra amiga minha velha
Eu que a ti pertenço por chafurdar-lhe as partes
Mas que teu gosto já não me arde a boca
A choldra solta provérbios
Há nenhum remédio para sanar
Caos e loucura caminham de mãos dadas
Pela calçada dos poetas

Imaginem a Choldra lendo
Imaginem a Choldra se movendo
Lhes convido a vir comigo.

Brás Cubas.

Antes de voltar para devorar pessoa ( Axiomas de Prelúdio )

Antes de voltar para devorar pessoa

Axiomas de Prelúdio

Cai cá no peito da alegria de alma minha
Cai o balão de São João e toda a festa
Cai cá n'alma quando alvidres
Cai cá no pé meu o chão dos escravos
Cai cá no coração ( a cabeça decepada )
-a mente atordoada

Cai em rua iluminada pelo lampião Atroz
Cai no humano o desumano delírio de ser
Cai a delícia do céu e da terra
Dessa terra vinde as plantas das plantações cheirosas

cai outrora
cai outrora
cai outrora

Cai outra o hora o pedaço do tempo achado
Cai o achaque murmúrio de deuses do meu inferno
Cai cá no peito da laranjeira a maçã do pecado pouco original
Cai a fruta podre a madura com gosto de enxofre
Cai a silaba em forma de silabada
Cai a chicotada
E o amarelo da carambola tenra

Cai cá no colo meu o teu amor que fez de mim mais poeta
Cai por terra toda verborragia
Cai por terra meu discurso velho e tardio
Cai por cima do meu conselheiro travesseiro amigo da solidão o sono
O meu gosto e o desgosto de não ser teu irmão.

Brás Cubas.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Poemas sem nome

Foi você amor
Foi você que com os olhos me enfeitiçou
Foi você que não abortou a chegada
É você que quer partir
Eu não te esperava
Os pássaros te anunciaram em revoada
Foi você amor

Foi seu jeito agridoce
Meio mel meio fel
Sabor de quero mais
Gosto de céu

Foi você amor
O teu barquinho nos levou
Foi você amor
Foi o teu olhar que me enganou
Foi o teu sabor que se revelou.

Brás Cubas.

Axiomas

O homem público, pobre já sabe que não pode se doar aos interesses próprios e pensar no povo ao mesmo tempo. Fazer política é a arte de se entregar aos flagelos. Não há dúvida sobre julgamentos e nem há beleza nessa atividade e nem há justiça para feito político seja sua ideologia prática de esquerda ou direita. O mundo caminha com as próprias pernas no teatro de Sartre a humanidade vai pulando a fogueira dos contra-sensos.


Brás Cubas.

Axiomas

O problema de olhar o outro de perto é tacanhamente realizar no esteriótipo que o preconceito muitas das vezes cabe

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Querem extrair a racionalidade do amor
O amor é pura razão
A loucura é pura razão

Querem parir o que já nasceu
Querem fugir com o que ninguém lhe deu
Querem da poesia a substância
Querem verdades absolutas
Querem ser plausíveis
Eles ainda tentam

Coroado entre as pernas da mulher
É traçado um destino
Não escapas dele nem tu nem ele

Querem inventar valores novos
Com a canalhice dos velhos tempos modernos
Querem largar mão do alçapão
Querem ser livres e independentes

Hora bolas seres humanos
Sois formiguinhas nessa galaxia
E a cada segundo depenem mais e mais uns dos outros
Sois o bicho mais primitivo nessa terra
E o que se auto destrói com cinismo e sarcasmo
Sois supostamente a raça que pensa
Que transmuta
Que se auto transmuta
Que muda a natureza a bel prazer

Querem dominar as próprias cabeças
Querem dominar as alheias
Querem laçar os movimentos
Querem controlar a própria criação

Querem enlaçar o que é fluido
Querem alcançar o tempo e a eternidade
Fostes parido
Parido serás do mundo com suas ideias torpes


Brás Cubas.

domingo, 9 de março de 2014

Poemas sem nome

Ia de encontros passa a passagem do tempo
O tempo não me ouviu
O tempo não falou
O tempo 
Haja gargalhada
O tempo
Passa o tempo passa
Passa a vida passa
Passa o falante passa
Passa o feirante
Passa o amor
Passa a mentalidade do mundo
Passa
Passa a vontade do homem
Passa
Passam os minutos
Passam os segundos
Quase tudo passa
E nada fica.

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Esse mar que quero navegar a ninguém pertence
Esconde almas em segredo
Esconde um mundo dentro do outro
Me escondeu
Esconde do mundo
Esconde
Sabe nada
Sabe tudo
De mim quer alma, corpo e sangue
Ainda que lhe ofereça tudo
Descaso faz
Eu que já entreguei o ouro ao bandido
Falido pouco importa
Estou
Vou fechando as portas
A solidão salta meu peito
Sei lá se sou meigo
Já pisei tantas terras
Quero mar

Se eu te pego música escondida na poesia minha
Navego
Navego
Navego

Brás Cubas.

Quase todos

Quase todos

Em berço esplêndido quase todos deitados
Em berço com perna quebrada
Deitados de pernas abertas a escravidão 
Em berço a sujeição do sujeito sorri
Eles que são transeuntes
Nós que transitamos
Eles que dormem
Nós que não acordamos
Eu passo
Você passa
Nós passamos
Eles na paisagem passam
Na paisagem ficam
No retrato
Quase todos dormimos com a consciência
Quase todos trepamos com ela
Em berço matinal
O berço Brasil
O berço patriarcal
A faca na mão do marginal
Porra mais que marginal sou eu?
Eu estava deitado ali
Eu já senti aquele frio na espinha
Eu já degolei pescoço de galinha
Faltara o sal
Eu ando dormindo mal


Brás Cubas

Já no gole das gargalhadas fartas
Já entre becos e calçadas
Já entre ruelas e becos de minh'alma
Já é tempo...

Brás Cubas.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Tu

Tu

Tu que fostes corrido no jardim floral
Tu que do meu quintal fez trapaça
Tu que do meu mundo criou espaço
Tu que do futuro encontrou o passado
Tu que de tudo sabia nada
Tu com tua cara de marmelada
Tu que dos meus ais fez tua glória
Tu que zombastes de minhas notas
Tu que do alvorecer cantava no breu
Tu que do copo encheu o cálice
Tu que não te cales
Tu que do trovão cegou a luz
Tu que do pião rodou a míngua
Tu que me falastes das línguas
Tu que doutras terras trouxeste o chão
Tu que outrora viera na busca do aperitivo
Tu que não é mendigo
Tu que não deveras ser meu amigo
Tu que do peito arrancou-me as chamas
Tu que calou-me
Tu que agora fala abobrinhas e cenouras
Tu que de coelho nem é toca nem olha
Tu que se esconde cá no peito meu
Tu que deita seus cabelos no meu âmago
Tu que relampeja pelo céu das bocas
Tu que foras e já esta na minha solidão
Tu que habitas os pensamentos meus

Brás Cubas.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Call your soul

Call your soul

Call your Dad

Call your honey
Call for money and love
Do not despair
Much less expect

Call me babe

Call your soul
Call the blow

Call me babe

Call me soon
With the rhythm and blues
Within the bloom
Call me from your colorful balloon

Call your soul babe

Call me soon
With the rhythm and blues
Within the bloom

Call your soul babe

Whenever whom cares
Call your mom and Dad

Call me baby

Call me soon
With the rhythm and blues
Within the bloom

Call me from the telephone

To hear my breath
Call me as soon as cool
Call me from the stairs

Call me babe

When you want
Hereby I signed your freedom
I do not care for your Beagles

Call me from your galaxies

With the numbers of pairs
Call me, in the meanwhile, I might clean your shoes
I shall be there

Call me babe

Call me soon
With the rhythm and blues
Within the bloom
Within the bloom
Within the bloom

Brás Cubas.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O beijo inocente

O beijo inocente

Esses beijos de outrora
Esses e outros agora
Esses beijos pachorrentos
Esses e outros trocam salivas
Esses e outros roubados
Esses e outros planejados
O beijo do algoz
O beijo bom
O beijo pago
O beijo comprado
O das cobras é arrodilhado

Esses beijos querubim
Esses beijos inocentes
Esses beijos de amizade
Esses e outros fabricam a verdade

Esses beijos de outrora
Me relembram beijos de glórias
De soldados e donzelas
Do vai e vem da esparrela.

Brás Cubas.

Abre-te-sésamo

Abre-te-sésamo

São as portas do céu
O diamante no anel
O trompete de meu pai
O vozerio do quero mais
Pede bizz
É o alvéolo pulmonar
São as almas a cantar
Os anjos saem dessa boca
Cala-te
O som já atordoa a platéia
Que em catarse se exaspera
No anseio do próximo som.

Brás Cubas.


Entre um cigarro e outro

Entre um cigarro e outro

Eu que de música nada entendo
Venho por meio deste reverendo
Reverenciar cada nota tocada
Cada momento de improviso calado
Quando fizeste do improviso o exato
Este jazz arem
Foi além mar
Navegou a alma dos que apreciavam
Deleitavam-se nesse sutil delírio
Nesse silêncio antes do ápice
Mastiguei o alface
Cuspi o cigarro fora
E embalado nesse sonho de som fui dormir.

Brás Cubas.





Notas de bergamota

Notas de bergamota

Florais são tuas notas musicais
Há de haver e que beleza extremada
Que não há de certo tamanho
O jardim que está ai em composição
A alma revigora no sopro
Mas que gosto de gozo
Que mel de favo
Que belo é o cravo
E a rosa dormideira
Sopra o pulmão
Diante da lareira
Vem canção
Na mão ligeira
O toque certeiro
Na mão incerta
Tuas notas amadeiradas
Cheias de bergamota
E notas de alecrim
Floriu-se esse jardim:

Brás Cubas.


Entes

Entrementes entredentes os sorrisos contentes
Veementes sorridentes clarividentes eloquentes
Premente a vértice da vertente mente
Inocente excludente a semente
Felizmente sorridente eu fui contente
Em vertente de que poeticamente lavrei o potente
Verdadeiramente constantemente ele sente
Potencialmente vertiginosamente e verticalmente
Horizontalmente e deitam-se fervendo-se
Paliativamente a dor de dente vinha passando contente
Moralmente meu ente e já não está quente
Solenemente e ele sente pontiaguda a vertente
Fortemente sempre vence o latente
Entorpecente a serpente bissexualmente
Equânime sente sinteticamente
Boquiaberto ele sente o vento entre os latentes dentes
Atabalhoado revirado ele vem e sente
Friamente sem confete sem enfeite acabou o carnaval.


Brás Cubas.

Axiomas

Já não sei se a solidão é tiro necessário do peito do poeta e dos artistas. Só sei que não me apetecem as ninharias.

Brás Cubas.

Dez razões para escrever

Dez razões para escrever

Uma é escarrar no prato dos porcos
Outra é comer no mesmo prato
Outra é vomitar depois de tudo
Depois limpar a sujeira dos imundos

Não estou contando os motivos
São meus e vos digo

Outro é tentar vislumbrar
É tirar o nariz de uma reta quando afogado na merda
Outra é o horizonte

Outra seria o sonho
Mas esse já parece dormir de desatino repleto
É que motivos não faltam para sonhar
Mas exitem outros milhões para acordar.

Brás Cubas.
A rotina golpeia as cabeças toda santa manhã matutinalmente

Brás Cubas.

terça-feira, 4 de março de 2014

Axiomas

Tenho medo de navegar nos teus sonhos, neles há muito da minha ilusão

Brás Cubas.

Harpia


Um copo de coléra Filme








Harpia a aranha estraçalha seu macho
Não de uma vez só
Mas a golpes de veneno doce
Na sua incerteza bela

Harpia a aranha arranha a jarra
O corpo lhe cospe fluidos
São a psiquê e a libido

Harpia a tarantula marcha
Em plausível sinceridade
Harpia em verdade

Harpia a aranha dá coices
Na roleta da rotina
Harpia a aranha definha

Harpia a aranha o definha
Harpia a aranha quer engolir-lhe alma sem sopro
Harpia com o ferrão do moço

Harpia a aranha leva a cama na manhã
Harpia a aranha saí da loucura
Harpia a aranha dança no baile da razão

Harpia a aranha vai e volta.

Brás Cubas.

Axiomas

É quase pífio o sabor da liberdade o homem quis dominar o que ainda não gozou em sua plenitude.

Brás Cubas.

Sobrenaturalmente plausível.

Sobrenaturalmente plausível.

Eis que surgem as personagens em traçados
Ai! Dos que astutamente gargalham
Eis que rugem no vaso de flores abelhas amarelas e pretas
Eis que d'alma pudor nenhum reclama à salvação
Eis que flores nascem nos jardins florais
Eis que há palavras em motim nos jornais
Eis que sou o que deveras
Eis que palpita o que reverbera
Eis que ricocheteia no lombo da gente
Eis que há de haver um lugar chamado sonho
Eis que todo outro lugar parece pó
Eis que ser humano é ser tudo
Eis que reis reverenciam os súditos
Eis que o plebeu já leu minhas quimeras
Eis que Dom Quixote revela a boa nova
Ai! dos meus ais de tanto dedilhar o teclado
Ai! de tanto canto quando amo o serrado
Eis o dia nublado que está ai até para os cegos
Eis que o tato, o olfato e o paladar os carrego
Eis que a vida é um montão de coisas
Eis que há tu de fazeres a escolha
Eis que todos tomam um caminho
Eis eu que caminho
Eis a poesia que fala nos ouvidos
Eis a tartaruga carregando a própria casa
Eis que a liberdade é um grito
Eis que ela queima no peito dos bandidos
Eis que arde a chama na cama da vida
Eis que o homem não passa de um sonho
Eis que quem sonha vive
Eis que tudo que é dito é discurso
Eis que que há e o que não há
Eis que sei e que não sei
Eis que sois o que queres ser
Eis que estais onde deveras
Eis que estou onde pudera
Eis que estou onde deveras
Eis que a alma do passarinho revoa e revoa
Eis que os navios gritam com sua fumaça
Eis que há música em todo corpo
Eis que há festa mesmo no desgosto
Eis que há pérolas nas mentes
Eis que o coletivo é grande
Eis que o individuo está na sombra dos montes.

Brás Cubas.

Já não cabe

Já não cabe mais em mim o seu desejo
Já não cabe mais em ti o cheiro
Já não cabe na alma essa metafísica
Já não cabem ares de superioridade
Só cabe um pedaço de alegria
Só cabe a fugitiva felicidade
Já não cabe a autoridade
Já não cabe no mar tamanho o rochedo
Já não cabe no ar o arvoredo
Já não cabe o canto dos pássaros
Já não cabe o não
Já não cabe mais,

Brás Cubas.

domingo, 2 de março de 2014

A espada

A espada

Na lâmina da espada ficaram almas perdidas
Das cabeças dos homens perdidos
No fio da navalha queima a carne em sangue
No beco sem saída uma sova de amor
No alto da garganta te aperto os extremos
Sem ar não há dor, só prazer
Poemas proibidos
Sinfonias incompletas
Pedaços de gente
O artefato já foi lançado
O amor dança com o laço
O poeta que não arreda pé
Não doma a si próprio
Pobre do poeta que só cai em esparrela
Pobre do poeta que já não aguenta soar piegas
Pobre do poeta que quer tirar a simplicidade do complexo
Extrair todo o excesso
E amar.

Brás Cubas.

Mesmo sem inspiração

Mesmo sem inspiração

Tornei-me na opereta o animal
Tornei me a devoração do coração
Com sangue e fogo refiz a canção
Com rima mambembe 
Sorriso sem dente

Tornei-me o teu grito
Tornei-me a liberdade do espírito
Onde já não habita mais do que o caos

Tornei-me o banal
Tornei-me não o beijo
Pois há tanto cuspe nessa estrada

Tornei-me tudo
Tornei-me nada.

Brás Cubas.

sábado, 1 de março de 2014

Amanheci

Amanheci e o dia sorriu para mim
Amanheci e o dia borbulhou na boca do Carnaval
Amanheci com os olhos ainda fechados
Amanheci num dia nublado

Agora olho a janela vejo um sol descansado
Ouço um ritmo raro

Amanheci como amanhecem as flores
Amanheci no teu beijo doce
E no teu ombro me encostei feliz

Amanheci ainda aprendiz
Amanheci de forma que a vida me abraçou
Amanheci quando o rio ancorou

Amanheci de forma lenta
Com carícias lentas
Com beijos de câmera lenta
Com o enquadramento de teus olhos

Amanheci bebendo as tuas lágrimas
Amanheci amando tua cara
Amanheci e foi teu rosto que vi

Amanheci e te vi e te vi
Sois agora bem-te-vi
Sois agora meu sorrir
Sois a glória no espetáculo da manhã

É a vida debochando das vaidades
É o carnaval gargalhando com as amizades
É o peito em chamas clamando por liberdade

Amanheci nas cores da tua cidade...

Amanheci homem
Amanheci de forma que o sonho me agarrava
Eu que não me largo de suas garras
É o sonho que não te larga

Amanheci de maneira tal qual é manhã.

Brás Cubas.