segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Axiomas de prelúdio

Às vezes a pegada se perde no limbo
 às vezes àquela é a pedra do cismo
  às vezes a chuva chega à minha janelinha
   às vezes ponho os pingos nos is
    às vezes é tudo por um tris
     às vezes é a minha tigelinha
      às vezes o aquário está cheiinho
       às vezes o guarda-chuva é colorido
        às vezes é o vórtice cálido caído no chão do rodamoinho.

Augusto Piè.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Axiomas de prelúdio ( Por entre os dentes )

O que me vai por entre os dentes
É a saliva do beijo salgado
É a língua do sagrado
A palavra da salvação
Que do céu da boca à vogal
Não faz bem, nem faz mal.

O que me vai por entre os dentes
É o resto da carne mal passada
Do fio dental espinafrado
Que pensamento dos diabos!

O que me vai por entre os dentes
É o pensamento passatempo
É o passo a passo
É o laço do ente.

O que me vai por entre os dentes
É o sorriso quando estou contente
O amarelo quando vejo o quero-quero
É a nicotina do cigarro!

O que me vai por entre os dentes
É o bruxismo da bruxa
É a seiva bruta
É a língua da puta.

O que me vai por entre os dentes
É o pelo pubiano
É o pensamento parnasiano
Um poema de Augusto dos Anjos.

O que me vai por entre os dentes
São palavras quebradas
É a dentina
É a sabatina.

O que me vai entre os caninos
É o latir do menino
O que me vai por entre os molares
São as moléculas dos ares frescos
É a escarafunchada mulata
É a viagem do argonauta.

Augusto Piè.