segunda-feira, 10 de julho de 2017

O prato da poesia

Para-raios,
Paraquedas,
Em quedas livres,
Porém outrossim 
para parir poesia
é necessário cuspir sangue
é necessário meter a mão no mangue
É  necessario cruzar rizonetos com decassílabos 
É necessário furtar as palavras do amanhã 
Ser visionário e equilibrar os pés no chão 
Seja qual for a bandeira que flâmula na tua pátria 
É necessario desejar o desejo alheio
Entregar-se na couraça 
E escancarar a glote
Vender na feira o caixote
Ser perdigueiro e ler Don Quijote
Rimar rico
Assintomaticamente ser profeta e vidente
É necessário estar livre dos versos livres
É  necessário pedir à Dieu                           
É necessário a Wissenchaft
É necessário o peremptório 
É  necessário o Agnus dei 
o pendejo
o bugiardo
E o grito do periclitante espolón.

Antonio Marcos Abreu de Arruda.