domingo, 12 de abril de 2015

A língua da cobra em as vinte línguas

Jef Aerosol.


Disse à lua sobre a noite de prata
Com sua pele lambida e repleta de viscosidade
Disse com a língua repartida duma jiboia
Era uma hora de recantos
Lhe cobriram de mantos e panos largados
Deu um beijo de salamandra na suçuarana
Veio no voo da ariranha
nas galhadas das aves gralhadas
e retratos gravados nos símbolos Dionisíacos
Que cousa o beijo da cobra
Pareceu-me em uma hora em que eu fazia a obra
De alguma alma e uma gargalhada
Ferina e felina a mulher do Sarraceno
Fora a hora da hora minha
Num rabiscado e trançado de mil horas
Era um beijo que não passava
Irdes e fades a suntuosa memória
No velório dos perdões
A mão amiga que beijou-lhe por horas
A mesma mão que lhe bateu a porta na hora do gozo
Eu que nem ouso ser teu cais
Quem me dera por horas desembrulhar estórias
Num falatório da desordem humana
E do ronronar da piedade
Intrínseca felicidade
Que esta no não de tudo lembrar
Uma lobotomia das mágoas
É melhor que sossegar
Estar em paz com o beijo da cobra
É tomar veneno e caminhar.

Brás Cubas.