sexta-feira, 31 de julho de 2015

A metamorfose das flores

Sois Lírio
Sois lírico
Sois hídrico
Sois etílico
Sois cílio
Sois idílio
Sois hilo
Sois pilo
Sois filo

Éreis flores do meu jardim
Prenda posta no Alecrim
Arranjo pronto
Festim louro
Papagaio e alpiste

Sois passarinho

Eu passarinhei
E tu passarinhais
Eu caminharei
Você vai florar

Aqui, cá no peito meu
Um jardim de coral.

Brás cubas.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Poemas sem nome

Para de amor falar é preciso
ter amado
ter sido amado
tecido de lã
tecendo manha
e ter sido manhã

Para a poesia vã
é preciso amar
ainda que não se ame
há quem ame mesmo sem amar

Para de amor falar
bom mesmo é sem amor estar
sentar-se à sala de estar
e ser de si o pop-star

Para de amor falar
é preciso ter se reconvertido
em clarão

Afã
Ala
Alça
Alazão

Para de amor falar
é preciso dele correr
e nele escarnar

Para de amor e de amor viver
é preciso saborear
a língua doutros
um bando de bicho solto
outro navio de Mouros
de fina corte
é qualquer amar.

Brás Cubas.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Poemas sem nome

Eu proponho a beatificação dos sentimentos ordinários
Que a plebe seja rica de euforia
E o gozo sagrado
O riso da amizade
Seja ela uma chuva brejeira
Uma forte tempestade
Seja ela um conflito
Um coração partido
Algo que arde
Uma chama acesa
Um amor impossível
Outro possível
Outro passível de suscetibilidades
Retornemos a amizade
Que ela seja íngreme como a montanha
Mais forte que o mar que rebenta na rocha
Que tudo seja arte.

Brás Cubas.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Poemas sem nome

Teu beijo denegatório
Sua aliança fálica
Tuas horas ao pé do oratório
Teu inglório sarcasmo
Teu país em minhas mãos
Sua imagem de santo são
Seu mapa de pegadas
Seu zodíaco e sagas
Minha alma flechada
Era uma libélula que voava.

Brás Cubas.

sábado, 4 de julho de 2015

Poemas sem nome



Bebes insolitamente a aguardente
Segues o leito do rio pranto
Num canto manso
d'águas verdes
Sois agora o que era veemente
Pudera a toga tirar-te a semente
Teu cérebro é um pingente
De extra brilho latente
Foges da minha mão
Escapas pelas escadas
Escapulis da minha boca
O mel é o céu
Ao léu
Em qualquer lugar comum e extraordinário
Falsário e ladrão
Comichão que arde
Te forço as pernas
Te pressiono as costas
e te beijo agora.

Brás Cubas.