Egocentrismo.
Entro de soslaio na solidão coletiva
Entro porta adentro
Com pernas e membros
Eu que não sou o centro
Entro por todos os lados
Entro na multidão
Alcovitando a calmaria
Entro nos teus braços
Assim como quem em alfa entra
Entro na travessia.
Sou o rio que deságua
A ponte construída
Sou o sono que te embala
Sou o sonho sonhado
O beijo do amado
Quando passa a romaria
Entro por entre os laços
Dos afetos perdidos
Volto a ser menino
Quando te acho
Entro casa adentro
Pra tomar o teu café pequeno
E ler versos milimétricos
E decassílabos também os cavo
Entro noite afora
Lua nova
Entro na leitura dos teus lábios
Entro de mansinho
Sou a raiz da planta do seu vaso predileto
Entro e me revelo
Faço que o fato seja consumado
Te consumindo as entranhas
Neste belo calhamaço.
Brás Cubas.