segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O espelho do Ego

ronronou a garganta num eco profundo
o estridente berro em sua máxima de lodo
o espelho do Ego olhara a cena ao longe
não se aproximara deste brutamontes

idoneamente a farpa da língua salivava aquela maçã do rosto
e o Pomo de Adão resignado da visão posta
restringia-se a aproveitar a baba que escorria daquela boca claustrofóbica
e impunha o seu gorgomilo a deglutir as lenhas em brasa daquela passagem das horas

a língua era passada de forma a tomar toda a íngreme penugem corpórea
um labirinto que estava de pompa à pompa sendo desenhado em cada saliência das ancas
até o hilo contrair-se em leves ondas de gozo extremado
o cérebro irrigava toda a mãe natureza do corpo

até que o filantropo lhe passou a língua molhada no rosto
assim experimentando o sabor da estrutura óssea do crânio
e uma mordiscada nos lábios desse seu amo foi o desfecho
abriram o biombo do desejo do outro

soltaram as feras e as bestas e os animais mais ferozes
esses animais humanos e os não humanos vociferavam
e exalavam odores dum prazer cotidiano
era o Ego dos cegos envolvidos no mesmo manto.

Brás Cubas.

Oleg Korolev.





A bastidão

Fleumática a tétrica histeria das gazelas tagarelas
que baixaram na viela dos homens floristas e magricelas
foram pernas e mais pernas que se puseram a dançar
as gazelas em um conjunto de Corpo de Baile

Era tudo uma algazarra só
como na fanfarra dos paspalhos do Carnaval
era no Coliseu dos peregrinos Pireneus
uma festa de ateus

E deu para eu ser convidado
as vestimentas do século passado
e a bicharada cantarolava numa frivolidade só

de uma bastura que há muito não se via naquelas redondezas

Somente a cigarra canta assim
e eu fui-me embora
joguei no meu saco uma viola
e fui hibernar.

Brás Cubas.

Szabò Tibor Péter




Arthur Rimbaud


Olhos castanhos

essa seta olho
esse olhar olho
olho cheio de pestanas
cílios e sobrancelhas

olhos que piscam
olhos que sorriem
olhos que mentem

olhos pecaminosos
olhos dos olhos
olhos nos olhos
olhos meus
olha meus olhos

Brás Cubas.

Jef Aerosol