sábado, 22 de novembro de 2014

Fotografias

retrógrados recessos excessos da arcada dentária
espólios do brilhante meu
oratória das saudosas fotografias
da iguaria exibida por detrás dos côncavos vazios de vossa máscara

retração d'alma aflita e tilintada no cristal e na sintonia do Pinot Noir
o retrato Das Maultier que Miró não plantou em sua tela de adamasco
tu tiveras asco de mirar-me nos olhos
inda que tivessem eles, olhos meus, meus olhos meninos e lancinantes
inda que deles vertessem sólidas lágrimas escusas
inda que tivesse eu acabrunhado sobre o infame infortúnio de ter dado o braço ao capataz
ele que veloz corre e atropela as trepadeiras da mata seca; fez-me cínico e ultraje
despi-me dos trajes e da máscara
era a hora da sorte
o pescoço na adaga
o adágio do carcamano
eu entrei na tocaia por engano
no baile de fotografias dos mascarados.

Brás Cubas.



Antonio Mora Art.


Zumbidos

folhagens ricocheteando o estrume ignóbil
da paisagem esperançosa da Terra
assobia o sopro plural das folhas das cerejeiras
madrigueira aquela visagem sua primeira
aprumou-se no mérito de todo o horizonte

sua seiva bruta labutava na subida à copa
sua boca fechada e trincada entre os dentes pendendo da mordaça
sua visão foi tomada por nefastas infindas nações

sua primavera e o outono fundidos no insidio rubro dos lábios pálidos

ouviram zumbidos dos insetos mais diversos e parvos e ávidos e cálidos
senti no ouvido um incomodo sedento de algo
sem alvo, e aos teus pés ( donde fazia uma sombra fresca ), me pus a dormir os teus sonhos.

Brás Cubas.

Antonio Mora.