quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poesia parida

Parir poesia
Fazer na alma da gente
Alegria
Parir poesia
Falar da alforria
Parir poesia
Na riqueza das palavras
A lembrança que lembrava
O vento que levava
O vestido esvoaçava
O verso ficará
No Parir da poesia
O poder de cantarolar
Na viola do trovador
O pudor do clamor
No Parir da poesia
Nasce o sol rebento cada dia
No Parir da poesia
Tem a fluência da magia
Parir poesia
É nascer pro dia
É adormecer na noite
Parir poesia
Olhando a lua
Tomando banho de chuva
É contar gotículas
É o verde desse orvalho
É o Pau-Brasil
É a beleza do Jacarandá
Passion fruit
Coloquemos mel pra adoçar
Parir poesia
Ao vento
Ao relento
Na rede balançar
Tropicalizar o banal
Parindo e tecendo a poesia
Fez a tecelã uma saia de cor carnal
Parindo a poesia
Amanheceu todo o universo
A gente abriu um sorriso
Pra soberana alforria
Parir a poesia
É lavar a égua
Travar sem trégua
A busca da beleza d'alma
Que os mestres tragam a régua
Pra medir esse tipo de prosear.

Brás Cubas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma bela dona

Uma bela dona
É a minha nona
Uma bela mulher
E seu sorriso
Seus lirismos esporádicos
Seus conselhos sábios
Sua voz meiga
Sua pele alva
Sua alma calma
Uma bela dona vivaz
Fugaz
Voraz
Sutilmente linda.

Brás Cubas.

Building the happiness


To whom it may concern
The happiness opens smiles
It can be fragil
You must be on the turn
To do not loose the right train
To whom it may concern
Building the happiness
It is not forgetting the past
But living the present
To whom it may concern
Everybody's soul is deep in a way
To my beloved
He sees that my hair is getting gray
To whom it may concern
Happiness is not a duty
Happiness is the beauty
Happiness cannot be easy reached
To whom it may concern
All feelings can get mature
Happiness in the present
In a sentence
It comes and endures
To whom it may concern
The happiness it can be a picture
A moment in the near future
It is a paint
It is itself heaven
It can be one of the capital seven sins
It can be a trip into the mind
It might be a dialogue twice
To whom it may concern
Set free the mind body and soul
Happiness it is like it is
It is the wind on the sea
It is a blow
It seems to be far
Perhaps it is closer
Or it is an old fashion closet
Within the power of a key
Can be a thing
In a morning bell ring
It can be a breakfast
It can be a long kiss
It can be something in your belly
A scar
A star
Let's look up into the light
To a grain of sand in the desert
Let the crowd flies
To whom it may concern
The happiness it suits
Or it is the tongue on your hips
To whom it may concern
Let's get into the wave
Trying to scape from some mistakes
That we already know
Happiness it is a little of bit of this
A little more of you want
Much more than we expect
It is humanity itself respect.

Brás Cubas.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Sorriso

Sorriso, boca e dente
Arreganhados.
Arranha o céu da boca.
Abre o sorriso da poetisa.
Estica o hiato.
Separa as sílabas.
Assim mesmo, ei-la:
A poesia
Nos passos da bailarina
no ar...
Conjuga esse verbo menina
Pra poesia ter seu lugar.

Brás Cubas.

Olhos

Olhos grandes
Olhos pequenos
Olhos pretos
Olhos olham
Olhos e sobrancelha
A pestana que pisca
Devaneia
O olhar
O rímel
O olhar crível
Os olhos
Os olhos que olham
O passar das horas
Os olhos do tempo
As rugas
Nos olhos
Os olhos do sono
A boca que boceje
Para esse olho nanar.

Brás Cubas.

Só a felicidade é feliz

Sorrisos nos cantos dos quartos.
Parecem as palavras de Sartre
Sorrisos pendurados nos quadros,
Nas portas dos armários.
Sorrisos na boca vermelha,
da donzela e do palhaço.
Sorrisos nos cantos dos quartos.
Sorriso aquarela.
Sorriso cinza.
Sorriso pincela.
O sorriso amarelo
É quase entre os dentes,
O sorriso do doente.
O sorriso nos cantos dos quartos.
A gargalhada eufórica
A própria euforia
Que alguém lhes diga
Sobre o sorriso nos cantos dos quartos,
E que todos saibam enfim
Que mesmo embutida nos armários
Só a felicidade é feliz.

Brás Cubas.

Pureza

A pureza d'alma
Afável e calma
A pureza d'alma
A alma encanto
A alma que canta
O corpo que balança
A pureza
A pureza é pura
Mas não é puritana
A pureza quer ser única
A pureza
No tom das túnicas
Nas cores do arco-íris
No olho e na sua íris

Brás Cubas.

Um toque

O seu olhar tocou aquela pele
A pele coberta pelo vestido
O nosso olhar tocou a rosa
E a sua vermelhidão
O roxo multidão
O nosso olhar que toca a foto
O olhar que toca a pele.

Brás Cubas.

Ciranda de palavras

Sopa de letrinhas
Para aprender uma língua
Uma é falada
A outra é a escrita
Sopa de letrinhas
Pra dançar na roda
Pra girar a jibóia
Pra gente dançar
Se enrola a palavra
Na boca da gente
Se enrola contente
Mas que cousa louca nunca vi cobra girar!
Mas vamos em frente porque
o quebra queixo faz muita gente engasgar
Fale eu
Fale tu
Falemos nós
Sobre o amor debaixo dos lençóis.

Brás Cubas.

Lógica

É logico que a lógica é lógica
É de certo que a matemática
Com toda sua epifania
E metodologia foi
Quem fez Aristóteles assoviar
A lógica minha
A lógica sua
A lógica de ninguém
Há em algum lugar a lógica
Pra toda gente brincar.

Brás Cubas.

Rima

Prima pobre
Prima rica
Prisma da poesia
a e b
c e d
Eu não sei ler como você
Vamos treinar caligrafia
Pra todo mundo aprender
A rima é da poetisa
É do poeta
Que na espreita da noite revela
A gradação
A evolução
O coração.

Brás Cubas.

Luar

Lá no horizonte
Por detrais dos montes
E de muitos rochedos
A montanha
Com a branca neve
Anunciou
A lua minguante
Que busca o olhar do pagante
Pra gente toda enamorar
A lua cresente
É como o amor de muita gente
Que tem que desabrochar
A lua nascente
Talvez quebre a corrente
De muito penar
Ao topo da montanha mora
A lua cheia
Que incendeia
O nosso gozar
As fases da lua na rua
Na sombra da obra
Dá refresco até pra sogra
Da pra todo mundo admirar.

Brás Cubas.

Sapato

Sapato do sapateiro
Sapato de sapatear
Sapato de bailarina
É sapatilha
Sapato do príncipe
Sapato pro pobre sapo
Sapato do elnuco
Sapato justo
Faz calo na gente
Faz o pé reclamar
Sapato importado
Esse sim brilha alto
Mas esse sapato custa caro
Não dá pra comprar
Sapato na sapataria
Sapato no engraxate
Sapato.

Brás Cubas.

Soneto

Som de sussurro
Quarteto mudo
Estrofe paralisada
Quase um cântico
Entoa um canto
Dos deuses
Pra gente cantar.

Brás Cubas.

Ainda sobre a língua

A língua

Que a língua toque a pele
Que o pescoço revele
A maresia do olhar
Que a brisa entre ligeira
Nos olhos da menina faceira
Que a língua fale
Que a língua Sartre
Que a língua ferina
A da cobra é bipartida
Que a língua toque a boca do céu
Chupando cana de açúcar
O mel te leva pros céus
Que a língua absolvida
Se revele latina
Para a saudade brilhar.

Brás Cubas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nós

Assim somos nós
Aos olhos alheios
Assim somos nós
Sobre nosso olhar
Assim somos nós
Quando olhamos
Assim somos nós
Quando somos olhados
Assim somos nós
Quando sonhamos
Com a beleza do oceano
Assim somos nós.

Brás Cubas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Horizonte fecundo

Há no horizonte uma vontade fecunda
Há do homem uma volúpia secular
Há sempre o homem que assuma,
Sua vontade de voar.
Há quem pense impropérios mil
Há quem viva devaneios
E os anseios mil
Há no horizonte
Sempre uma vontade
O azul céu de anil
Há no horizonte a vontade do homem
Há no horizonte o pote de ouro
Há sempre o rubro
E o zumbido do besouro
Há sempre no horizonte
E sempre há de ser
O horizonte fecundo.

Brás Cubas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Um grito contido é sempre a alma querendo falar.

Brás Cubas.
A melodia dos violinos sempre pede do coro um agudo aflito.

Brás Cubas.
Sobre qualquer e toda construção social: sempre é um arranha céu.

Brás Cubas.
Para toda a gente é necessário um grande esforço, o esforço para realizar os sonhos.

Brás Cubas.
A felicidade surgirá quando na alusão do mar o homem suspirar.

Brás Cubas.
A felicidade mora no seu coração.

Brás Cubas.
É a força e a vontade d'água que cai do céu encontrar o rio que sempre corre para o mar. E no mar está escrita toda a beleza da vida.

Brás Cubas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sobre a memória

Ainda sobre a memória: Quanta fissura há dos leitores em saber sobre a memória do pensador.

Brás Cubas.

domingo, 11 de novembro de 2012

Sobre a memória

Ainda sobre a memória: O vermelho sangue da paixão do coração e do amor escorreu do meu dedo hoje.

Brás Cubas.

sábado, 10 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sobre a memória

Sobre a memória visual: Um monstro que assombra quem olha.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Ainda sobre a memória: O homem quando se enxergou racional e pensou: - Não sou como um animal. O grande erro:- O homem não aceita a sua animalidade.

Brás Cubas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sobre a memória

Sobre a memória dos que manipulam: Ela tenta acordar-se da memória alheia e tomá-la pra si como um vampiro bebe o sangue.

Brás Cubas.

Há dias

Há dias que os poetas somente
querem regurgitar as velhas quinquilharias.
Somente querem
Reviver um pedaço da vida
Passear pelo presente
Vislumbrando um futuro.
Há dias que os poetas somente
Sentem
No dia nublado
O cheiro, na terra, molhado
O vapor da esperança
Nos olhos da soberana.
Há dias em que os poetas somente
vivem de forma intensa
no calcanhar da bonança.
Há dias...

Brás Cubas.

Sobre a memória

Sobre a memória dos compositores: Alguns vislumbram por detrais do horizonte enquanto compõem.

Brás Cubas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Sobre a memória

Os delírios de memórias mil de outrora já não querem mais a simples e pura glória dos velhos tempos. A memória habita a fria tecnologia. É a objetiva tomando o objeto pelo objetivo final. A simplificação da memória em HD, num Cd. Na era da modernização acelerada. Não há tempo para clarificar, sentir e refletir e conhecer e saber-se sobre si e entender a própria lembrança do que era a memória. A memória auditiva, a memória visual, são vítimas estrupadas pela poluição. São deturpadas pelas buzinas dos carros.
Falta pensarmos na urbanização social da preservação da memória coletiva.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Todo pensamento torna-se parte da memória do homem.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória é ,de certo, em muitos casos um caminhão entulhado de mágoas.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória delira, dança, castiga, alivia e purifica.

Brás Cubas.

Sobre a memória

As várias facetas da memória são suas peripécias e alguma lógica embutida pela tentativa de racionalizar o que pertence somente ao sonho e a imaginação.

Brás Cubas.

Sobre a memória

As lágrimas no rosto do ser amado é como uma foto de paisagem bucólica. É uma memória forte e lúcida.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória começa e termina num instante de glória onde a sua completa a minha e a minha faz parte da sua, e o coletivo se completa numa orgia de pensamentos náuseas.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Os discursos trabalham a memória e conversam entre si.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Há que saber que a memória pode ser seletiva. Esperando num anseio de que o subconsciente elimine o que não lhe é de agrado.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória é um barco flutuante onde velejam os náufragos e os afogados d'alma. Embebecidos de um pudor ímpar e desnecessário. A moral da memória trava a História.

Brás Cubas.

Sobre a memória

O subconsciente é uma forma de despertar no sono o consciente do que é iminente. Para interpretar a memória na imaginação é preciso dormir e sonhar acordado outrora.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória e a consciência querem fazer ciência. A neurologia explica.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória é o reflexo do rosto do passado refletido nas águas calmas do rio por onde no espirito desperta um calafrio d'alma.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória musical é ,às vezes, um tormento necessário e o silêncio cala quase tudo.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Memória maremoto. Torpedo e Tsunami. Amor, beijinho e carinho. A memória voa como um passarinho que quer sempre cantar.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória é lancinante. É constante em sua inconstância. A memória é o refugio da nostalgia tardia que outrora embebeda muitos poetas.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória pode ser um trauma de infância ainda não cauterizado.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A memória é uma fotografia que pode ser Polaroid. Esse tipo de memória esvai-se.

Brás Cubas.


Sobre a memória

No que concerne à memória ela se cala diante de um novo sentimento.

Brás Cubas.

Every memory it is a shadow.

Brás Cubas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Romances Perfeitos

Romances Perfeitos

1-A puritana


   Essa história começa numa pracinha da zona sul carioca. Com todos os clichês possíveis. As mocinhas e os rapazolas, seus desejos e aspirações rodeiam a atmosfera do submundo.
   Nessa terra Joaquina tem alucinações perturbadoras, alucinações lancinantes, são fisgadas da memória que ela tem com relação a um rapazola que lhe fazia a corte. Ele era João. João era esquálido, de uma personalidade e caráter forte e índole ímpar. Sujeito protagonista de uma estória que nada tinha de sóbria.... João da zona sul carioca da gema.
   Ano de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. Onde as Pin-ups vibravam transeuntes com seus vestidos esvoaçantes. Dos Cadillacs e Rabos de Peixe. O motor ainda que não deveras ser envenenado envenenava a alma dessas raparigas que entravam no carro carona a dentro e paravam no drive-thru para assistir filme de qualquer nu, de qualquer nuance... que nesses romances perfeitos cambalhotavam a cada instante.
   O destino quisera assim, que João e Joaquina se encontrassem na praça do Lido no dia 30 de Novembro de 1950. E desse instante momento o olhar virou fermento frenético opulento. Foi química, pura química na veia de ambos. Foi um olhar carnal e divinal. O mundo girando em círculos numa tarde de sol que iluminava a praça do Lido. Nesse cenário eles se cruzaram e se tocaram de leve - o cotovelo dele na tez de Joaquina denunciava o preludio do limiar de um festejo da vida.
   Joaquina moça (rapariga) de família estava livre d'alma e queria a calma de um sentimento maremoto. Um comichão lhe subiu pelas saias. Joaquim muito distinto procurou esconder seu desejo mais vital. Deixou a moça passar e esperou o Carnaval. Haveria uma chance no baile de máscaras para que as famílias não soubessem, para que os vizinhos não soubessem, para que o mundo não soubesse.
   Joaquina apesar de puritana não queria casar. Queria amar sentir o ardor desse movimento circunstância. Queria a senti-lo dentro dela de uma forma expressiva e abusiva, era o desejo brotando na menina de 19 anos.
   Algumas amigas mais saídas lhe diziam que era tardia a sua rebeldia e que o seu pai grande comerciante do Lido faria de tudo para que esse romance perfeito não procedesse.
   Mas não larguemos de lado nosso protagonista. Joaquim tinha o estilo perfeito da pureza que despertava os sentimentos mais frescos nas mocinhas de toda a cidade, as quais sempre comia nos cantos escuros das ruas escuras. Era o biótipo do sonho de casamento e da ebulição dos sentimentos carnais. Era o Casa Blanca que rodava a cidade noite a fora fumando seu cigarro com todo charme incutido dos astros do cinema americano. De família abastada donos de uma das maiores relojoarias do Rio de Janeiro. Joaquim tinha um ar carismático que fazia as raparigas latejarem. Era o cara de bela cara que mostrava que na testa que não valia nada, contudo como sabemos nós que é dos cafajestes, os quais, elas sempre gostam mais. O puritanismo da época já borbulhava nas taças de champanha das festas da alta.
   Vamos aos fatos:- A virgindade de Joaquina já estava por um tris o latejar desse desejo já lhe subira a cabeça. Uma de suas amigas lhe ensinara a se tocar para matar o desejo, ainda assim o pai observador controlava somente com o olhar a filha. Nosso Casa Nova parte para o ataque e a bela mocinha covarde tenta não ceder aos encantos e charme do nosso herói viril. Era Carnaval minha gente era o carnaval. O abre alas que eu quero passar... muito confete e serpentina e lança perfume.
   Num rompante, no meio do salão do Copa, ele a toma num beijo, ela começa a se masturbar, saem da penumbra e vão para uma saleta onde havia um piano. Joaquim a coloca sentada em cima do piano que faz um do ré mi fá só lá si estrondante. Ele pede para tocá-la, ela hesita: -a imagem do olhar onipresente do pai é tão presente que nossa donzela diz que não, e que sabe que a fama do nosso herói pode destruir-lhe a imagem de santa. O olhar do pai a perseguia durante o ato, porque seu pai já havia imposto o noivo perfeito, o marido perfeito. O olhar do pai então durante a sua masturbação se mistura com o olhar do noivo como um olhar único castrador. E ela para matar o desejo da paixão com o Casa Nova e manter-se sob a vigília das santas normas (tutela) do pai e do noivo prefere ser desvirginada no coito anal. Joaquim com toda ternura tenta lhe abrir as pernas e tocar sua vulva, mas ela resiste e vira de bruços- ele num desejo último açoita a donzela como ela pedia.
   No dia do casamento de sua princesa Casa nova lhe pedira que desistisse que ele mudaria sua vida para ficar ao seu lado. Creio eu caro leitores que casa nova nunca havia comido um rabo...
A donzela da de ombros e vai pros braços da felicidade fabricada, tem três filhos e é infeliz.

2-A sóbria do Flamengo

   Noite de lua cheia. A sóbria do Flamengo saia de bar em bar para se embriagar. Numa dessas noites encontrou Pedro Paulo que era biriteiro de primeira, os dois sentam-se no bar e começam uma conversa fiada que vai durar a noite toda.
   A sóbria do Flamengo se chamava Helena, sim como a de Troia. Nossa querida protagonista vai ao banheiro por um instante para retocar a maquilagem e Pedro Paulo coloca um calmante na bebida de sua parceira de conversa.
   Helena volta fagueira do toilette e bebe com vigor seu drink e no bar toca um lounge com beats inebriantes. É nessa hora que Pedro Paulo a puxa pra dançar e os dois contagiam a pista de dança e nesse embalo vão revirando as cabeças que olham por cima das mesas.
   Pedro Paulo a leva para o banheiro e a faz vibrar com um beijo de cinema, coloca sua mão por debaixo do vestido vermelho sangue e a fez ter pensamentos lancinantes.
Helena eufórica goza e uiva de prazer e cessa o beat da boate.



3-O pervertido do Arpoador

   Flávio era um surfista de primeira categoria, pegava as ondas mais perfeitas, tinha o corpo perfeito e a mente poluída.
   Flávio gostava de meninos mas também azarava as coroas de Ipanema. Era amado e mimado pelas viuvinhas, mas amava um arquiteto. Heleno tinha a mente aberta casado com Fernanda ( Fernanda era psicopata ).
   Flávio arrancava das coroas mal amadas para jantar nos melhores restaurantes com Heleno- era uma bifurcação multilateralista mutualista onde todos esses fluidos convergiam. Eram tantos casos entre eles, tantos braços e tantos abraços.
   Num sábado a noite Fernanda flagra os dois fazendo amor no seu ninho de amor. Ela aponta para os dois e dispara três tiros propositalmente erra. Seu sentimento de impotência era tamanho que ela acaba atirando na própria cabeça e Flavio continua tirando onda até que uma onda lhe afoga.

4-Ela e eu.

   Saímos para jantar e nos jantamos. Saímos na noite de Copacabana, ela mesma a Copa Bacana, de gente de todo o lado, de todos os lados. As belas moças de salto alto davam reviravoltas com suas perucas de cabelos reais.
   Nosso caso era real. Nossa vida era real. Tudo era puro realismo na nossa doce ilusão. Era tão real que doía. Comíamos, jantávamos, gozávamos e vomitávamos.


5-Micro-conto.

   Eu que quisera deveras a quimera contara que deveras parir essa ideia micro-conto eu te conto esse conto eu que te conto essa estória eu, mas é tanto eu porra cansei dele, quero ser mais eu!



6-Com puta dor

   O computador é o esquadro que mede o cilindro dos meus vícios, dos meus bêbados, dos meus viciados. Tragam-lhe a Helena de Troia, sua heroína.

7-O cavalo de Troia.

   Mas que merda de vírus, mas que vírus de merda, bosta de cavalo na cancela, leite de vaca queimado na panela...
saião socado na panela de barro pra expelir o catarro. Esse conto poesia vai pro meu caralho.

8-Página em branco.

   Voa conto, vai contar minha história ou estória ou escória ou escola ou fermento ou gradação ou polenta. Cabeceia a opulência do opulento. Livra essa pobre gente de qualquer tormento que pecando dorme em paz.

9-Aos pudicos de amor

   Goza Goza Goza Goza e Goza vão aprender a mamar polla! Ai que me corro a gozar! Disse eu essas palavras e a espanhola: - Ai que me corro! Ai que me corro!

10-Rosa Vermelha

Taverna dos olhos do pecado, nove de outubro. Em meio as luzes do quarto ressalto a cor da rosa vermelha, que caminha nas pontas dos pés e dança como flutuam as folhas secas das árvores na ruas.
Nessa noite enluarada toda aquela cousa, ela mesma a dama do perfume incendiante. A rosa desabrochou o seu amor, e o seu maior erro foi ter se entregado não de corpo, mas sim de alma.
Sua vida era a luta e o suor de cada chama e o desenrolar das horas pagas, e o cruel despir de ambas as peles caminhava conforme as convenções , descobriu no amar uma coisa rara, toda a mágica e a meretriz infeliz, a bela e desejada Rosa Vermelha, deixava de ser a a rainha das gatas borralheiras.
Derramou-se nas entranhas do que sentia seu coração e estava de braços abertos esperando e sentindo a segunda visita, daquele que outrora lhe tomara o ar, e que nem mesmo em terra fértil não poderia mais se criar sem esse cravo para alimentar e saciar sua sede de paixão.
E ele veio pela pela segunda vez, e com ele flores e o queimar das rosas, assim apresentou-se, em meio a um beijo fervoroso, como André, o anjo perfeito e fiel.
Na terceira vez encaminharam-se para fora do Cabaré. A princípio a Rosa não nascera para amar e nunca poderia ser de ninguém, mas o fogo foi mais louco que o seu destino, do que o seu medo de amar e do que o seu valor.
Caminhando pela rua afora pela madrugada, chegaram a ver estrelas em coisas mortas e sentiram-se plenos diante do mundo. Ela meretriz. Ele anjo! Opostos e tão iguais, todos os jugaram imorais e a felicidade durou tão pouco e aos vinte e oito anos no dia vinte e oito de Maio do ano seguinte, o amor foi destruído pelo simples desejo. Ela nunca o traíra, mas o anjo perfeito tinha seus defeitos e a carne fraca. Procurou no mesmo bordel outra devassa, a mesma que matou Rosa, nesse dia com vinte e oito facadas.
André tomou nos braços a amada, naquele rio de sangue que encarnou a ladeira, e pediu perdão e Rosa chorando respondeu:
- Estou feliz, morro por ti meu amor, desejo a ti, aqui, no céu o no inferno, morro de paixão, te perdoo e te espero na fantasia dos meus sonhos perfeitos, na ilusão de que você sempre me amou.


Brás Cubas.














domingo, 28 de outubro de 2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Sobre a memória

A memória é um dos tentáculos da realidade, onde os sentidos ( tato, olfato, visão, audição, paladar - dentre outros ) auxiliam e ao mesmo tempo fustigam e falseteiam outrora o prisma do real.

Brás Cubas.
La realidad es brutal.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A realidade é um fato concreto, cada sujeito a seu modo e de acordo com suas experiências realiza e vislumbra (interpreta) a sua.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Pensamentos são náuseas ambulantes:- conversam com os neurônios.

Brás Cubas.

Sobre a memória

A imaginação é uma multidão que vocifera constantemente.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Ler é viajar de forma atemporal.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Há um momento, no decorrer da História, em que a memória se vira contra o pensador. Vide: - É rejubilante outrora trabalhar com o imaginário coletivo, que em sua natureza difere da imaginação do sujeito (individuo) que tem um fim de si para si. A imaginação sobrevive mesmo na solidão coletiva.

Brás Cubas.

sábado, 13 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sobre a memória

A religião é sem dúvida, dos fatores coercitivos, um trator lapidador para os falsos moralistas.

Brás Cubas.

domingo, 7 de outubro de 2012

sábado, 6 de outubro de 2012

Sobre a memória

Sobre o casamento e amor eterno: - sim existem, haja visto, são constuctos sociais.

Brás Cubas.

Sobre a memória

Pode-se dizer da origem da dialética, assim como a origem das línguas faladas e do processo histórico: - uma voz uníssona que surgiu do caos.

Brás Cubas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sobre a memória

Ao meu ver o sexo é quase sempre banal e o amor é patologicamente racional. Um conserva o outro, mas o outro não exite sem esse um.

Brás Cubas.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sobre a memória

É nos momentos de crise onde parecem sedimentados os maiores sentimentos do ser individualista, aí sim brotam a verdadeira solidariedade e os laços mais ternos.

Brás Cubas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Saudade de amor

Desnudei na noite um perigo tranquilo
Nas ruas, na luz do dia um sorriso bonito
O balanço da música no ritmo do coração
O branco escuro da lua para o meu corpo
Piscam as estrelas e cai o sereno sobre o meu rosto
Juntos em toques carnais sutis, um dentro do outro
Almas perfeitas e mais sedução
Fazendo-me febril em gotas de prazeres explícitos
Mesmo aos olhos alheios cometemos nosso pecado e desejo
Todos não enxergaram o que estava tão claro
O roçar de duas peles e o tremor dos lábios
O cérebro oxigenando paixão
Poder de latejar e saber te fazer delirar
Sonhos e muitos apertos
A parabólica transmite saliva, o mel e o néctar de amar
Sem dono, sem a sua ou a minha desculpa
Livremente arbitrário o jogar de cartas misteriosas
Mostra de um poder que ninguém toca
Atração que a vergonha não suporta
Que a vida realiza assim mesmo tão real
Puro e igual ao que vamos fazer todo dia
Provar o vento de novas aventuras
A compensação em uma nova emoção
Olhos nos olhos e braços apertados
Os corpos numa só sombra arrogante
Se amanhã estaremos aqui quem garante?
O sangue quente metaboliza a mil nesse instante
Mergulhando e desaguando em um afago profundo
Efetivamente para quase todo o sempre
Até o fim de nossa existência
Até onde sabemos que existimos
Numa noite encontrei o perdido caminho
E uma rosa na estrada
Nessa noite aprendiz de feiticeiro vira criança
De manhã meu amorzinho faz manha
E quer brincar de amor comigo
Soube dizer que minha existência arde na cama
Brilha na luz do dia
Clareia e irradia
Alvejei-me ao saber que existir é infinito
Assim como nos parece ser o fim
Assim como a solidão é ruim
Assim como as ondas somem no horizonte
Assim como de mim você não se esconde
Meu ego se levanta a você
Suspiro, murmuro e sussurro
Meu eu se excita quando te vê
Me dá calafrios e dor
Saudade de amor.

Brás Cubas.

Presságio de amor

Mirava ao longe teu peito
E teu coração a bater
Que bate forte sim
Bate forte assim
Faz tum-tum por mim
Momento de ser feliz
Feliz de se ver
Gostoso de viver
Bonito de sentir
Prazer omisso à multidão
Impresso na nossa canção
De amor amante
De constante amar
De amar e ser amado
De amor por amar
Amor de viver
Por amar você.

Brás Cubas.

Sempre

Toda gente tem poesia
Dentro do corpo
Sempre tem música

Brás Cubas.

Espera

Espero que tudo comece brando
Espero o rosto pintado no canto da parede dos quadros
Sou tão feliz quando canto
Espero subir quando ando
Espero d'alma a inspiração
Meu manto
Espero da vida o que ela viver e enxergar por mim
Espero as guerras que ainda virão
Espero o rompimento dos confins
Espero o sangue chegar no meu coração
Espero que nada permaneça assim
E que tudo seja quase eterno enfim
Espero a luz da manhã como a luz do luar sem fim
Espero a criança chegar pra que eu possa partir
Espero impacientemente a felicidade
Tudo de bom que me drague
Espero o fim da estagnação
Espero o fim da minha hipocrisia involuntária
Espero usar as palavras de plantão
Espero as gotas das folhas nas árvores
Espero que a solidão desague em outros mares
Espero não ser solitário sempre
Espero não rimar transparente
Espero que me perguntes a verdade
Pois responderei com a maior sinceridade
Espero o fim da ansiedade
Espero mais leitos nos hospitais
Espero a fome dos animais
Espero conforme um bêbado
Espero o néctar do pêssego
Espero que a cicatriz desapareça
Espero que a dor me esqueça
Espero uma nova aventura
Espero o que todo mundo espera
Espero sempre poder usar minha força reserva
Espero estar longe da morte
E perto da cura das almas
Espero ter um amor e muita sorte
Espero a Primavera
Tal qual o inverno é o inferno
Espero o brilho da estrela no céu
Espero a mundana com seus lábios de mel
Espero uma nova nota musical
Que fará toda gente dançar o ritmo quente
A vida.

Brás Cubas.

Busca

Fui a noite buscar um novo mundo
No nascer das pessoas, lá no fundo
Na multidão caótica de moribundos
Bulinar novos caminhos serenos
Abrir pensamentos naus
Sentir o vento pelo rosto correndo
Tocar o futuro e as pessoas
Ver, viver e sentir-se vivo
Passo a passo refletir nas sombras
Uma ninfeta se lança nesse sonho
Minha mente alcoolizada me assombra
Voa alto a pomba branca
Quero correr no meio da chuva
Que a água banhe a mente turva
Com o brilho do trovão
Esvai-se toda dor em boas mãos
Pra que eu possa escutar uma bela canção.

Brás Cubas.

Um novo jogo

Você pode me olhar nos olhos
Meus olhos negros mostram minha poesia
Você pode de mim sentir ódio
Pois é o mais próximo do amor
Você pode sentir na minha pele as carícias
E todo um universo de carência
Você pode me mostrar seu mundo
Eu poderei ver o seu objetivo definitivo
Você pode ter em mim o maior amigo
E na memória me levar contigo
Sabendo nadar nos fundo dos meus pensamentos
Você pode ir e voltar
Estar aqui e lá.

Brás Cubas.

Secar

A flor murcha
A rosa murcha
O copo de leite
Murcha flor
O comigo ninguém pode
A Trepadeira
O Cravo
A Dormideira
A Onze horas
A Dália
Darwin.

Brás Cubas.

Mutilado

Acidental
Anomalia cerebral
Mutilado
D'alma
Calma
Salve
Aguarda
Calma
Mutilado.

Brás Cubas.

Sobrevivência

Haja tanta luta
Haja tanto vigor
Haja tanto sabor
Haja tanta pele
Haja tanto clamor
Haja tanta vida
Haja tanta comida
Haja tanto de muito
E que sempre haja um pouco de tudo

Brás Cubas.

Há muito tempo

Há muito tempo o peso do tempo pesou
Nos meus ombros tortos
Nos meus sonhos
Nos meus olhos
Há muito tempo o tempo pesou

Brás Cubas.

O que foi? O que seria? O que será?

O que seria do bem se não existisse o mal?
O que seria do açúcar se não existisse o sal?
O que seria do céu se não existisse a terra?
O que seria da paz se não existisse a guerra?
O que seria da palavra se não existisse o poeta?
O que seria da vida se não existisse a morte?
O que seria do azar se não existisse a sorte?
O que seria do dia se não existisse a noite?
O que seria da serra se não existisse a foice?
O que seria do pescador se não existisse o mar?
O que seria da humanidade se não existisse o amor?
O que seria do caboclo se não existisse o tambor?
O que seria da saudade se não existisse a imensidão?
O que seria do sonho se não existisse a ilusão?
O que seria do mágico se não existisse a embromação?
O que seria do pé sem o chulé e sem a meia e sem o chão?
O que seria da boca sem o tesão?
O que seria do ódio se não houvesse o coração?
O que seria do desejo se não existisse a aversão?
O que seria do político se não existisse a corrupção?
O que seria do mendigo se não existisse o lixão?
O que seria da rosa se não existisse o cravo?
O que seria do mel se não existisse o favo?
O que seria do nobre se não existisse o escravo?
O que seria do ímpar se não existisse o par?
O que seria da desnutrição se não houvesse a fome?
O que seria da caverna sem Platão ( o homem ) ?
O que seria do olhar se não existisse a paixão?
O que seria do certo se não existisse o errado?
O que seria do forte se não existisse o fraco?
O que seria do porão se não existisse o rato?
O que seria do tóxico se não existisse o tráfico?
O que seria do traficante se não existisse o viciado?
O que seria do sangue se não existisse o álcool?
O que seria da idealização se não existisse a materialização?
O que seria do fanático se não existisse a religião?
O que seria da alegria se não existisse a solidão?
O que seria de mim se não houvesse a inspiração?
O que seria da ordem se não existisse o descaso?
O que o mundo quer dizer? Há quem e a que clama essa multidão?
Quem descobriu a fórmula de ser feliz e escondeu do ladrão?
Quem responderá à todas as perguntas será o tempo!

Brás Cubas.

Cinza

Quem pode dizer do sentimento muito ou pouco?
De que cor é o vazio do coração?
E quando foi a que buscaram a solução?
Por quanto tempo o amor pode ser ilusão?
A mágica das ruínas de uma máquina de sabão
Subiu a molécula no espirro de um são
Para preencher a imensidão
O que fazer com essa forte solidão?
Solidão: - caça e caçador
Amor de amar o amor
Medo de um fim pagão
Quem assegura os pensamentos da canção?
Custo de alegria de vida e um pão
Que alimenta a alma, o alpe:- um alçapão
As enchentes secaram um turbilhão
Bela e volúvel a indecisão
Causa e fatalidade em posição de imposições
Tudo é política!
Tudo é propina!
Quem vai proferir a poesia?
De que marés virá cedo ou tarde a intuição?
Quem e o que faz a luz inspiração?
A febre do corpo n'alma
O metabolismo há de coroar o rei dos reis
O pai dos mais pais
No maior amor universal
Um dia imortal
A felicidade menina há de vir me levar
Para o lugar, um certo lugar
Sou feliz por poder poetizar
Minha vida é sua Deus da poesia
Quero que esse vento me sopre
Para o mais puro e doce amor recíproco.

Brás Cubas.

Tempo

Grande senhor de engenho
Tinhoso e engenhoso o tempo
Tempo linear
Tempo ambivalente
Tempo pouco
Tempo infinito
Tempo da gente
Tempo de tudo
Tempo de nada
Tem é tempo
Tempo da dialética
Tampo da centopeia
Tempo gira o mundo
Tempo.

Brás Cubas.

À beira mar

Apenas ser feliz
Nos mares oceanos de encantos
E cantos de seria
Aclarando a lua cheia
À beira mar na areia
As pegadas em cadeia
Os passos seguidos
Almas te carregaram no caminho
O bilhete que a tempestade levou
Na minha mente para sempre ficou
E aquelas vozes me submetem ao delírio
E com o vai e vem da onda do mar o lírio
De algas a fragrância e a espiritualidade
Força e fé em abundância de felicidade
Na maré cheia submerso em águas serenas
Entre dos aguas
Livrei-me de mágoas
Fá-lo-ei a coroa
Da Rainha dos Navegantes que destoa
Os sentidos a flor da pele
Sensibilidade que entra nas veias
Na quebrada da crista da onda do mar
À beira mar me sinto assim imbuído
Pelo poder de uma beleza forte e desconhecida
Envolvido por um manto de energia
Iluminando minha alma
Altruísmo em prol da vida
Vívido e esplêndido sentir
Assim sinto vibrar a maré
Vindo ao meu encontro
Tudo o que nunca vi
Mas que sempre senti
E de lá não vou mais sair.

Brás Cubas.

Multidão

Gente
Muita gente
Gente quer
Gente faz
Acontecer
Gente quer comer
Gente
Mas que gente
Humanamente

Brás Cubas.

Livre

A noite deita e encobre corpos lisos
O amor é, às vezes, rude em livros
Mas o que dizem as palavras?
Quando o obtuso sereno explica todas as causas
Encanto de um só ver ou se pôr
Tal qual tanta riqueza for
Por onde surgiu a superfície de vagas
Imensidões de mares e mistérios
Abster-se das designações e calaras
Teus ouvidos mudos a verdade rara
Transitando pelos pensamentos náusea
Arrebatando a luz do dia e dos risos
Que desde então sempre estiveras aqui
Livre
Portanto que nesse resquício dure
O tão quanto for necessário for durar para seres
Feliz e felizmente feliz de poder sorrir
Abrir as entranhas do pudor falso
Diante da mediocridade crescer
Elevando nosso espírito a merecer as conquistas
Para poder ler numa gota d'água livre a liberdade e apenas ser livre
A liberdade é apenas ser livre

Brás Cubas.

Cama

O queimar dos lábios é pura consequência
Declínios de atos da mais insensata imprudência
E palavras encanadas em evidências
Olhares de amor em sua iminência
Comprometem o pudor do disfarce em eloquência
Desatina na cama e derrama o afago na ausência de quem ama
Corrói e chamusca a carne em ardência
Assim latejam as almas em gritos de maledicência
Comprimem-se no fundo da paixão excêntrica
Nunca poderão sair do gozo nesse momento de essência
Pois pra sempre é o atrito da pele
E que tudo se revele
Nada mais, o perturbe Vossa excelência
Em sua bela magnanimidade belíssima que fere
O coração. A dor. O ódio. O amor sinônimo e vertente do vento
E que no intermitente refazer-se das noites
Cada vez será única e será como um novo clamor
De amar, amando e morrendo de amor.

Brás Cubas.

Viver

Viver
É
Viver
É
É o que?
O que é viver?
Viver
Vida
Fluidos
Constância
Semelhança
Diferença
Presença
Ausência
Saudade
Verdade
Mentira
Menina
Menino
Felino
Gatinho
Viver
Viver
E ser feliz
Viver e ser aprendiz
Viver e deixar viver
Viver é vívido
Viver é o sopro d'alma
Viver é amanhecer.

Brás Cubas.

Ao redor

Pega nessa saia
E roda na ciranda mulata
Pega essa saia e vai rodando
Vai girando vai girando
Vai cantando sua sina
Vai cantando bela menina
Vai pulando corda
Que da infância só se traz a glória
Ao redor
De mim
Encontrastes assim
Um pedaço de mim
Nessa grande roda
Ao redor do mundo
No universo profundo
Chegamos bem fundo
Somos irmãos.

Brás Cubas.

Os humanos perfeitos

Dedo na mão cinco
Pé no pé são 5
Dedos
Perfeitos
Fez assim a natureza
Pariu a beleza
Para que o homem
Fizesse o clone
A ovelha
Salve as células tronco
Salve a força dos meus ombros cansados
Salve a biomédica e a medicina
Que encontra resposta sempre em vacinas
Salve a África ;experimento do ocidente
Salvemo-nos
Haja laboratórios pra tanto experimento
Haja tanto negro pra tanto experimento
Haja tanta cobaia paga
Haja tanta patente quebrada
Haja tanta gente babaca.

Brás Cubas.

Incógnita

X e Y são cromossomos
E quem nós somos?
Ácido desoxirribonucleico
Quanto disso é necessário para
Determinar certas crenças?
Quanta ambivalência
Quanta polivalência
Quanta ciência
Pra tanto senso comum
Doxa e Sophia
Sophia e Doxa
Paradoxalmente
Provavelmente
Um mora no outro
E o outro mora no um
Um quer ser o outro
Mas o outro não é esse um
Haja empirismos
Para as quimeras dos devaneios desses meus lirismos
Aflitos
Quanto arcabouço
Pra tantos medos dos cala bocas calabouços d'almas
Marés calmas
Incógnitas são imaginárias
Salve! Salve! A matemática
A beleza da trigonometria
Salve Tales de Mileto
Os Pitagóricos
E os mais dos mais
Salve a incógnita
Salve o enigmático
Salve a psique
E sua alma gêmea
Salve a mulher
Salve a fêmea
Salve o macho
Salve a louca lucidez
Incógnita

Brás Cubas.

Piedade

Tive um dia que viajar
E no revolto mar
Vi nas suas ancas nosso lar
Turbilhão da vida a borbulhar
Nos fazendo infância criança
Nos perplexos olhos salamandra
Essa pureza
Na densidade negra pilantra
Fidalgos sacripantas
Nos achamos no fundo
Da dor mártir do mundo
O tempo é vertente do vento
O vento leva tudo
Arrasta com as ondas do mar fecundo
O vento
Um menino sombrio
Na piedade caminho
Já não queremos fazer parte disso
Será?
Mesmo assim queríamos tudo diferente
Dos estilhaços ideológicos encravados em nossa mente
O ciúme é um grande demente
Mas é crente que vence
e esse tal ciúme quem não sente?
Na medida certa
Somos vazios corpos celestes nesse vazio espaço?
O global é tão real e frio
Nesse global
Somos mendigos humanos
Humano, o sempre demasiadamente humano
Só porque de carne somos
Sangue osso pele carne musculo osso dente cérebro
Mas quando nos vamos
Há vários de nós sem um toco de vela
Em todos os cantos.
Cantemos um cântico!
O blues da piedade na verdade
Pode ser um canto gregoriano

Brás Cubas.

Tânia

Tú és aquela do riso calmo
Será a onda do mar
A serena mulher?
Dos jardins a rosa vermelha
Mais perfeita
Tua alma engrandece os corações
Tens a melodia de uma bela canção
A mim disseste que sente minha ausência
Ah! A saudade no meu âmago cala e espera por ti
Que és mulher de fibra todavia
Que es mãe e mulher
Es querida minha Taniazinha

Brás Cubas.

Deserto

Mata a sede do Saara
Mata a sede do magnata
Mata a sede cognata
Mata a sede do homem
Mata a sede de quem tem fome
Mata com água a desidratação
Liga o hidrômetro
Desse nosso coração.

Brás Cubas.

O mundo

O mundo é uma rodilha
Roda, roda e gira
Rotação translação
Roda gigante
Roda grande
Roda girando
Roda inebriando
Roda minha
Roda sua
Roda a saia da menina
Roda mundo
Roda Chico
Nessa roda
Roda a Maria
O José
Roda a Rosa
Rodo eu
Roda você
Roda o universo
Roda tudo
Roda o mundo
Roda Deus
Mas pra que o homem foi inventar a porra da roda?

Brás Cubas.

Lembranças

Memórias e história
A lembrança da senhora
A lembrança minha
Que completa a sua
A lembrança é um retrato da memória
Memoria seletiva
Memoria HD
Memoria memorial
Cerimonial
Cerimonia
Cerimonioso
Memoria discursiva
Discurso de menino
Discurso de menina
Discurso de homem
Discurso de mulher
Discurso do feirante
Tem banana e macaco quer.

Brás Cubas.

Democracia

Demonstra povo
Desmonta o ovo
Quem veio primeiro o ovo ou a galinha?
Quem veio primeiro a gente ou a democracia?
Democracia
Governo do POVO
Cadê o povo no governo?
Cadê o povo?
Cadê?
Serás livre um dia democracia?

Brás Cubas.

Coração acelerado

O coração vermelho
Bate num ritmo célere
O que o corpo prefere
É mais alma na cama
O coração acelerado
Vibra como a ginga do capoeira
Levanta a poeira
Encanta os namorados
Canta a melodia
A certeza do meio dia
Do Sol pairando
Do Sol brilhando
O coração acelerado
Bate forte
No batuque do mulato
Bate forte na jugular da menina
O coração acelerado
Ultrapassa o sinal vermelho
Passa do ponto
Ganha do sonho
O coração acelerado.

Brás Cubas.

Sinal

Assoberbado
Na narrativa do trânsito
O transeunte ( o desviado )
O pedestre ausente
Atravessou a rua
Era frequente
Esse causo
Abarrotado de gente
O tráfego
A buzina que buzinava
Falava alto
Aos corações da gente
Atravessando a rua
Assoberbado
Cheio de coisa na cabeça
Atravessou com uma certeza
A certeza de chegar ao outro lado.

Brás Cubas.

Feito

Feito flecha feito faca feito fogo
A força da noite trouxe
Feito ferro feito terno feito berro
A força da manhã no seu afã
Feito passo feito aço feito sapo
O príncipe
Feito fama feito cama feito fogo feito chama
Feito agua feito o feito
Feito o leito feito o seio
Feito santa feito anca
O feito do delírio perfeito.

Brás Cubas.

A verdade

A verdade é o cadafalso da teia moral
É a ética da verdade verossímil
É o rímel negro nos olhos negros da negra mulher
A verdade é um muro pichado com o nome de Pixinguinha
A verdade é um fundo falso
A verdade é uma mentira mal contada
É uma mentira cognata
No paradigma de derivações primatas
Primazia da beleza
Justiça de nobre
A própria nobreza
A verdade em si é a interpretação do ato
Do artefato
A verdade no mundo
Lá fora
Aqui dentro
Nossa
Numa pílula
Numa orgia
Numa folia
Na glória
A verdade é uma utopia
Uma busca
Uma história escrita
Outra mal contada
A verdade existia antes da escrita
E depois se firmou menina
Menina dos olhos
Na íris da menina
O justo e o belo
A verdade
A cidade
A camuflagem
A máscara
A vida
A potência
A carência
A verdade
Qual é a sua? Qual é a minha?

Brás Cubas.

Limpa

Limpa minha alma com água corrente
Limpa a mente do pescador
Limpa nossa a tua a vossa dor
Limpa tudo e a toda prova rapidamente
Limpa nosso coração
Limpa a poeira da velha aturdida ilusão
Limpa as águas do rio Jordão
Limpa as águas do Himalaia
Limpa a água de Bucareste
Limpa a água do mundo
Mergulha no oceano profundo
No profícuo santo sepulcro
Limpa tudo
Limpa
Limpa
Limpa.

Brás Cubas.

O amor

É uma prisão de segurança mínima
É o enlace estreito
É o muito de tudo
E o pouco de nada
A mistura da gente
Na cama contente
Alegre
É um bate papo
Oh! Meu amor
Onde está nosso amor
Conjugal?
Quando já deveras ser carnal
Onde está nosso amor?
Quando você por outro se apaixonou
Ou amavas ele?
O amor é isso tudo e tudo isso
Mistura de tudo com nada
Bate tudo no liquidificador
Liquefaz
Oxida
Estraga
O amor dura muito
A paixão dura pouco
A paixão é uma adolescente com TPM
O amor é um velho rio manso
O amor é mais calmo que a glória
Mas sábio que o sabiá
O amor canta
Faz cinema e teatro
O amor é arte
Virtude
Paciência
E ciência
É diamante bruto
Lapidado fica um luxo
O amor é um grande ato falho
Na certeza de um acerto qualquer
O amor une
O amor ilude
Desilude
Fracassa
Vence
Espera
Ganha
Joga
Perde
O amor é uma grande arcabouço
É uma vontade de ficar juntinho
O amor como o passado é um menino.

Brás Cubas.

Sonata

Oh! Meu lindo amor
Oh! Meu grande amor
Meu lindo amor
Meu amor lindo
Meu sexo banido
Do Paraíso
Meu amor pagão
Meu pecado cristão
Minha heresia
Minha vida
Vida minha
Ponte em construção
Rio de calmaria
Na estrada comoção
Entre as pedras zinabre
Pra salada:- vinho mais acre
Oh meu lindo amor
Nosso caso azedou
Oh! Meu amor
Nosso amor acabou
Mas afinal que porra é essa?
Afinal o que é o amor?

Brás Cubas.

Ordem

Desordenado
Organizado
Paralisado
Falho
Fato
Ardo
Calo
Prendo
Forço
Posso
Quero
Tento
Vou
Fui
Vim
Fim.

Brás Cubas.

Um instante

Que a beleza desse instante leve
Que te traga
A melhor ideia
Que te faça a melhor bromélia
Que o lírio
Combine com o cítrico
Que a beleza desse instante
Te mostre a vida
Que a beleza desse instante
Seja grande como o sol
Que brilha algazarra
Que exige garra
Que labuta
Que avacalha
Que chocalha
Que é viveiro
Fume
Jogue a cinza no cinzeiro
Escolha bem um zipo
Fume um Cartier
Porque na beleza desse instante
Há algo mais fugaz que a fumaça
Há algo mais profundo que o nosso mundo
Porque bem lá no fundo moinho desse mundo
Há algo de mais elevado
Que o elevador
Que a beleza desse instante seja única
Porque a beleza de qualquer instante é única.

Brás Cubas.

O erudito

Que lindo! Que lindo!
Oh! Flores murchas do meu jardim
Oh! Rosa vermelha
Dos lençóis meus
Nos braços nossos
Que seja fecundo o infinito
Que seja melancólico
Bucólico
Saudosista
Que lindo! Que lindo!
O erudito.

Brás Cubas.

Poesia

Escrever parecia penoso
Saía na suadeira
Era uma força
Uma potência
Agora é leve
Pluma
Transformação
Transição
Transgressão
Falta de pudor
Poesia
É arte escrita
Versos decassílabos
Respeitemos senhores poetas
Os alexandrinos
Fa-lo-ei uma obra prima
Para que ninguém diga
Que eu não sentia
Minha alma riscada a parafuso.

Brás Cubas.

Pra Inglês ver

As mocinhas de família
Que Deus as tenha
E o diabo lhes diga
Que as mocinhas de família
Já estão todas desvirginadas
Que os mocinhos já estão pilhados
E que muito faz de conta
Não da conta
De toda euforia
No bate estaca da esquina.

Brás Cubas.


O estrangeiro

O estrangeiro loiro
Tem pentelho loiro
Eu já vi
O albino é alvo
Tem bunda branca
A pele espanta
Toma sol em Copacabana
Pra ficar carioca bacana
O estrangeiro te dá conselho
O estrangeiro vem de longe
Doutra terra
Doutra cultura
Quando vejo nele
Muito da minha
Já lhe mando ir à merda
Porque narciso verdadeiro não gosta de espelho.

Brás Cubas.

Frequência

Frêmitos brados súbitos
No abrupto sardônico
O irascível mar de euforia
A sabatina
A batina
A bestialidade
A caridade
A sociedade
Sacripanta
Que planta
Pilantra
Mentecapto
Execrável
Expugnante
Extrato de tomate
TNT
Pura química
Extrato do substrato
Orgânico
A cicatrização da ferida
A frequência da vida
Rabiola de pipa
Juego de niños
Sombrero de hombres
Humbre de muertos de humbre
Un verre de vin
Café au lait
Et le cassulet
A frequência vomita
Tanta imagem vendida
A frequência das antenas
As parabólicas
Os esqueletos que rebolam
A frequência
Da onda simétrica
A frequência
Dos prótons
Partícula de Deus
Ai meu Deus!
A frequência dos ateus.

Brás Cubas.

O coração da cidade

Vibram as mentes de toda gente
Vibram os pensares de outrora
Outrora já é hora
Da bonança
Outrora, outrora
Glória... Glória... Glória...
História... História... História...
O coração da cidade
Vibra quietinho
Coração que bate forte
Coração burburinho
Coração que liga a mais fina melodia
O coração nosso
A frequência das ondas do rádio
Ligam as mentes
Minicerebrado
Grande publicitário
O coração da cidade
É um grande anuncio
De felicidade
A cidade grande
A megalópole
A polis
A cidade
A idade
Média
A gula
A orgia
O coração da cidade grega
Ainda cala o que ainda arde.

Brás Cubas.

Liberdade

Liberdade
Igualdade
Bravura
Emoldura
Rua
Drama
Autenticidade
Demagogia
Epístola da vida.

Brás Cubas.

A língua

É o sentido de quem fala
É a fala
De quem não cala
O mundo dos verbetos
Próclises e mesóclises
Platão e Sócrates
Filosofia
Fala a tua a minha tia
Fala e toca o batuque na cozinha
Fala língua ferina
Fala da vida tua
Da vida nossa
Da vida minha
Da nossa antologia
Fala do cego
Fala do medo
Fala do espelho
Conversa comigo
Fala contigo
Fala... Fala... Fala...
Escrita
Leitura
Infinita
Fala.

Brás Cubas.

Samba

Eu aturdido nos confins do infinito
Queria fazer um samba
Cheio de ginga que balança
Assim como o coração de quem ama
Pra moça faceira que passa e sobe a escada
Para o rapaz que passa de sunga no calçadão ou na areia
O samba que resvala
A música incendeia
Haja Candeia
Haja samba pra tanto bamba
Haja muita bossa
Pra nossa fossa
Pra nossa festa mareia
Salve Clara Nunes guerreira
Salve Pixinguinha e João Donato
Salve todos os sambas! Salvem os mulatos!

Brás Cubas.

Ritmo

Dois pra lá dois pra cá
Vamos balançar
A vida
O barco
O marinheiro
O naufrago
Vamos navegar
O mar morto
Passar no triângulo das bermudas
E checar ao meio dia
O meio dia e meia
Vamos ter na nau
O capitão
Na doce pura ilusão
O deleite do leite
O branco leite
O leite branco
Um mar de leite
O mar negro
O mar morto
O mar azul turquesa
a cútis anil que beleza
O blues do jazz na certeza
Da musicalidade quase perfeita
Jazz, salsa, tango, rumba, bolero te quiero e tcha tcha tcha
Muito mais é o samba que põe as rapariga pra rebolar.

Brás Cubas.

Ausência

Pedaço que falta a carne
Navalha que corta
O corte queima que arde
O glóbulo que coagula
A goela que engula
Tanto martírio
Mas que suplício
De dor
Mas que dor doida
Mas que presença fecunda
Mas que ausência sozinha
Que solidão saudade
Que arte que inspira
Que droga revela
O temor da espera
Que espera temida
Que tremor de horror
Que espanto de santo
Que santo é esse?
Que ausência é essa
Que a presença não chega
Vem sempre a ausência
Atrás da consciência
Com alguma dormência
Nos lábios vermelhos
Carmim cor de sangue
Ausência, ausência, ausência
Ausência minha.

Brás Cubas.

Ninguém

Ninguém sabia de ninguém
Até que um dia alguém
Avisou ninguém
Que o vazio se preenchia
Com pílulas mágicas
Com doses de uísque
Com pérolas fantasia
Com mágica e alegria
Com formiguinha trabalhando
E cigarra cantando
A natureza em sintonia
A sinestesia
A floricultura
A alma pura
O puro encanto
Recanto dos meses
O passar dos anos
Ninguém sabia
Que alguém queria
E que todo mundo podia
E muita gente conhecia
O que a humanidade fazia
O trabalho era mimese
A arte o estrato
Há séculos ninguém queria
Todo mundo desejava
Agora todo mundo faz
Ninguém deseja
Todo mundo trepa
Ninguém corteja
Toda objetiva vira máxima
Ideologia estabelecida
A parturiente não sabia
Ninguém merece tanta mudernidade.

Brás Cubas.

Voando baixo

Voando baixo
Passarinho
Cantou alto
Passarinho
Passarinhou
Passa o tempo
O tempo passa
Passatempo
Passa tudo
Já passou o meu amor
Passa passando
As pernas de toda gente
A felicidade contente
A alegria de muita gente
A alegria minha
Que resvala a luz do dia
Poetisa menina
Passarinho me falou
Que tem recado bom
Vem mel e açúcar
Pra eu deleitar o gozo que é pra lá de bom
Passarinho me falou que a vida é grande
E o mundo pequeno
Passarinho me avisou do veneno,
A cobra Coral que passava
Estava em rodilha na estrada

Passarinho voou
E voou
E me levou
Para um lugar bonito
Onde o sonho de menino
Se realizou
Passarinho me levou.

Brás Cubas.

O homem de binóculos

Ele gostava de ópio
Pra mirar la luna
Buscava nas curvas brancas
A concavidade obtusa
Gostava de olhar o eclipse
Gostava de olhar a lua cheia
Gostava da meia noite
E noite e meia
O homem de binóculos
É o notívago enluarado
Que mira en la playa el plancton
Olhava na lua o clarão
O homem de binóculos
Também era cegueta
Besta quadrada
Que mirava la luna de binóculos
Enquanto os outros enxergavam com a luneta.

Brás Cubas.

Beijo

O gosto dos seus lábios no meu
A saliva e a língua
A língua e a saliva
Mordi os lábios teus
Massageei nosso ego
Com o beijo mais terno
Um beijo lindo
Perto do mar infindo
Um beijo ardente
Como se sente
Um beijo alma
Um beijo acalma
Um beijo doce
Um beijo ternura
Um beijo de paixão
Um beijo de loucura
Um beijo sela a comunhão de dois
Um beijo revela o que vem depois
Um beijo estrela
Um beijo quente
Um beijo realeza
Um beijo pra quem fica
Um beijo pra quem vai
Pois o poetinha já não sabe mais.

Brás Cubas.

Amizade

Belo sentimento de irmandade
Belo companheiro lealdade
Belo como Platão descreveu sua cidade
Laços só existem por interesse
Quem crê no amigo que se espelhe
Amigo de cu é rola!

Brás Cubas.

Saudade

Uns dizem te echo de menos
Outros dizem tu me manques
Outros I miss you
Eu pouco ligo
Pois no meu dicionário
Eu sinto saudade
O sentimento libertário.

Brás Cubas.

A gula

Comi, comi e comi
Digeri, digeri e digeri
E depois todo mundo sabe o fim
Mas antes do fim
Vem a quilificação
Depois a quimificação
Haja saliva
Pra tanta comida
Dente com dente
O pensar em comer
Já enche de vida o nosso ser
Saliva, saliva, e saliva
Boca grande em cima da comida
Pão de queijo
Pão de mel
Lua e céu
Foies gras e croissant
Frutas ao leite
Chocolat
Com creme de avelã
Ah! a gula
La crème brûlée
E o nosso gozar
O nosso afã.

Brás Cubas.

Conversa de bar

No bar todo mundo é filósofo
Canta todo mundo o prólogo
Quando canta a cachaça
Solta o verbo pirraça
Na conversa de bar
Sonhamos distantes
Com os mais belos romances
Somos todos amantes
Do mesmo pensar
Na conversa de bar sai muita merda
Com o perdão da palavra que revela
Vamos todos filosofar.

Brás Cubas.

Clareia

Clareou o dia
Viva a beleza da alegria
Viva a tristeza e a nostalgia
Que viemos cantar outro dia
Porque a lua é de prata
E o sol tão distante
Mesmo assim são amantes
De se admirar
Quis te dar toda a beleza da vida
Pra te ver mais tranquila
Do que as ondas do mar
Clareou pra brilhar a estrela
Na grande certeza do nosso habitat
Clareou pra levar nosso romance
Ao grande altar
Fui fazer juramento
De amor mais sincero
Que alguém pudera lhe dar
Clareou e serenou
E na noite pequena
Nosso amor vai voar.

Brás Cubas.

Brincando

Brincando com as palavras
Fui buscar joia rara
Encontrei Carrara
Eu que sonhara
Com o sambar
Quem samba assim diferente
Busca simplesmente
Um novo batuque
Que mulato no repique
Sabe acompanhar
Fui buscar na fina melodia
A pureza sadia
Com a vida brincar
Dancei com os pés contidos
Eles são meus amigos
Tem de me acompanhar
Brincando fui sonhando meus sonhos
Cheguei tão risonho no teu paladar
Brincando fui entrando de mansinho
Virei teu amigo
E no teu seio aprendi a me aconchegar
Levei ao longe os teus sonhos constantes
E fiz uma casinha para nosso filho morar.

Brás Cubas.

Sorriso de mulher

Sorri quando te vi passar naquela esquina
Ainda eras menina
E sabias bailar
Mirei nos teus olhos brilhantes
Teu olhar num instante
Me fez serenar
Eu vi tua beleza menina
Reluzir pela esquina
Aquela esquina que eu te vi passar
Levaste contigo o ritmo
E todos os sentidos do meu coração
Levaste minha paz num instante
O ar virava romance
Em tudo lugar
No meu pensamento com toda certeza
Tu és realeza
Nos meus sonhos a cantar
Ouviste meu sorrir tão tristonho
Que sonharas num sonho
Todo o meu penar
Sorriste e levaste contigo
Aquele menino
Que na alegria da vida
Sabia brincar
Sorriste e marcaste a memória
De toda uma história
Que eu queria contar.

Brás Cubas.

Colina

Foste ao topo da colina
Caminhastes milhas
Léguas sem tréguas
Fostes buscar a sorte
Encontrastes as nuvens
O céu em grande porte
No topo da colina
O ar é rarefeito
Dói o ouvido
Não se ouve direito
Foste ao topo da colina
Buscar a sorte
Foste ao topo da colina.

Brás Cubas.

Fogo

Ao seu lado queimo seu eu e tua pele fogosa
Crio teus lábios e céu da boca que me afoga
Queimo o meu desejo
O desejo
Sinto o suave lance dos teus olhos
Supero o medo e trêmulo chego ao êxito
E tu rogas
E pelo que há de ser nesta cama tu me olhas
Com os olhos do prazer
E no vil lençol encobres as horas
Pétalas de rosas beijam o seu peito clássico
E envolvem tuas coxas
Seu eu está despido dos empecilhos afora
E aqui, agora, outrora no deleite de gozar o melhor
Que é ter você ao lado de frente ou de costas
E o seu suor
A brisa que bate na janela
Revela
Espera
O desejo
Emparelhando seus gemidos aos meus pelos
Não há remédio contra. Não há melhor conselheiro
O desejo
Nossas mãos fazem o desenho das ondas indecentes
Na hora da chama tu me chamas
E rogas e clamas e choras
Ver-te é delírio dos Deuses
Nossa profana vida carnal
É um eterno baile de carnaval
Onde de tudo e sobre isso tudo, somos ainda leigos
Ao que conhecíamos
Antes de nos amarmos pleito do leito
O desejo
Impiedoso roubo a última gota do teu néctar e tu me afrontas
Nos delírios mil que de prazer hei de viver
Na entranha dos nossos acasos
Na força de nossas almas amantes e perigosas
Terminando-se de prazer no fogo
Louco, ilícito, transgressor o teu calor meigo
Arrepia meu corpo com teu calor excitante
O desejo
Olho tua face de meliante diante ao querer
E possuir-te no escuro ou claro
Tê-lo presente é raro
Único e eloquente
O desejo
Por onde passares sentirás o prazer do teu meu corpo no teu
Um abraço faceiro e indiscutível
Porque me matas de prazer no sonho de cada anoitecer.

Brás Cubas.

Se

Se a vida fosse o amor
O amor nasceria da dor
E se o mundo, num devaneio, fosse perfeito
Todos teriam os mesmos direitos
E se a morte voltasse
Pra avisar que estamos vivos
Seriamos pura alma, puro espírito
Se a fome de tudo de nada doesse
E assim se pudéssemos não procurássemos
Mais do que comermos
Porque se o lirismo da poesia enchesse barriga
A ideologia não existiria
Se nada fosse falado
Não interpretaríamos os fatos
Se a lei fosse de acordo com as minhas normas
Não existiriam as sogras
Se o trabalho engrandece o homem
Por que o contra cheque não corresponde?
Se a lua clareasse mais claro
O mel seria mais afável
E no fel do brado súbito
Mamutes murmuram seu temor último
Subitamente o grito em busca do infinito
Oh o gozo como é lindo!
No meu ombro tu choras
E no meu colo
No musculo do osso
Tu te consolas
Dormes em berço esplêndido
Sem o mínimo receio
Mas pra pensar em nós mesmos
Voltemos ao meio, ou o fim ou o começo
Se na África não tivesse o ouro
Portugueses Lusíadas
Arrancariam o nosso couro?
Enfim se...?

Brás Cubas.

Paixão

Paixão é brasa
Que outrora e deveras queima a gota d'alma
É um docinho
Que te acalma
Um suspiro
Um grito
Um ato
Falho
Conciso
O siso
O riso
Paixão vem do pathos
Lá do alto ego
Ou do ego alto
Paixão é loucura
Com promessa e muitas juras
Paixão é lua
É noite
É dia também
É de matre e de quem mais sabe
Paixão
Coisa de rua
É dançar na chuva
Paixão é o beijo ao amanhecer
É o enternecer
Paixão é teu gosto e teu desgosto
Rosto no rosto
Arrepio na pele
E que tudo mais se revele
Paixão é sentir
O coração bater
É rir chorando
É chorar sem querer
É entrega total
Em busca do ideal
Paixão de corpo
Paixão de cristo
Corpus Christi
É de alma e olho no olho
Queima na cama
A mão que afaga
O homem que ama
O corpo que queima em chama
Carinho e desejo
Desassossego
Suspiro e aconchego
Paixão é simplesmente tão bom
Que é igual a bombom
Que por isso
Paixão é Paixão

Brás Cubas.

Água

Água corrente
Água do mar
Água que escorre pelo dente
Água grande
Água pequena
Água gigantesca
Água que cai
Água de chuva
Água que lava a rua
Água na boca
Gosto de mel
Água que te deixa louca
Te leva pro céu
Água nascente
Agua do rio
Água do olho iminente
Água vertente
Água fluente
Água corrente
Água mineral
Água clara
Água escura
Água surreal
Água pura
Água limpa
Água cura
Água d'Oxúm
Água de Yemanjá
Água de todos nós
Água da paz
Água de Oxalá

Brás Cubas.

domingo, 2 de setembro de 2012

A mim

Queria tanto falar a mim
Sobre tudo de ti
Minha alma sonha
Com sua sombra.

Tritura o fato
Calado no ato
Regurgita o sonho
O assombro.

Tu sabias tanto de mim
Puxa! Queria dizer-lhe
Que sou auriverde esperança
E que sonho mil sonhos

Dissertemos sobre a loucura
Que em sua tez
Flui uma doce alvura
Utopia da noite: - a loucura

Dos reflexos da mente
Toda nossa - aquela ideologia vigente
Sendo redundante dizer-lhe
Queremos o que querem eles

Na construção da moderação
Sustentar o coração
De firmes lembranças
O rio que se atravessa
A margem de quem alcança

Por fim e enfim:

Curva-se o astro rei ao filho da terra
Da pátria
No patamar da lágrima plácida
E no palor dos lábios da primavera nata.

Brás Cubas.

sábado, 1 de setembro de 2012

Passado

Sou nada
Quando sou tudo
Quando vejo além
Enxergo a matiz do horizonte
Por detrais doutros montes
A festa da vida
Alma e nostalgia
Luz e canto
Encanto e magia
Por enquanto,
Amanhã outro dia
Pisca estrela
Reluz o sol
Na nossa beleza
Na cara de ninguém
A miragem de alguém
Sonho de criança
Fome de destino
O passado é um menino.

Brás Cubas.

Noite

Na noite, no seu enlevo, no seu seio
Todo amor é de lua
Palpita na minha e na sua pleura
Na noite de neuras
Tem Marias e Neusas
O prazer da viúva
É quando faz sol e anuncia-se a chuva
Nessa noite
Todo toque de rua
É especial
Todo beijo trivial
No carnal carnaval bacanal
Todo gemido suspira
Todo lança perfume
É também serpentina
Festa confete beijinho de donzelinha
Tudo na íris da menina dos olhos da rapariga
O sino que toca
Na hora da sina
Tudo é meu
Tudo é seu
Tudo é da lua
A quem nossa alma estarrecida estupefata escuta
Tudo no encanto dos cânticos
As coxas parelhas no beco dos cantos
O canto gregoriano
Gregório de Matos
A memória é um saco
Tudo é da dama da noite
Oh! Branca neve lua solta no espaço flutuante
Ululante
Cavalo amarrado também te dá coice
Tudo e todo o tempo trouxe
E tudo à noite trará sempre
A noite de hoje
É mistura de gente?

Brás Cubas.

Manifestantes

Horda e desorda ( Neologismo)
Lua crua:- sangue, pele, carne e alma
Vibram as vozes dos manifestantes
Num delírio delirante
Numa febril vontade lancinante de liberdade de um instante de paz
Da paz num instante
A vida é uma eterna manifestação ambulante
Mesmo na inércia o sujeito manifesta
Sua inglória; sua glória
Sua pujança
Sua força
Sua ausência de fé
Caminham os homens contra seus próprios demônios?
Marcham contra a febre dos hormônios
Ou por causas mais justas que a beleza da própria justiça?
Ecoam as vozes contra um sistema ou contra sua ideologia?
Contra seu poder imagético?
Ou cibernético?
Bate pé aqui e acolá
Bate pé pra manifestar
Bate pé pra indignar os também indignados
Bate quem até quem não tem pé
O manifestante luta pela liberdade que lhe foi exaurida
Ou por uma nova metodologia
Um novo emblema
Um eco de um sopro d'alma para o nascer de um novo grito
Uníssono
Continuo
De amarras e enlaces mais reais ou mais humanos?
Pensa a sociedade de forma heterogenia?
Ou os gênios de outrora buscam a saída no positivismo na saúde de uma nova ciência?
Mistério.
É ele o segredo do manifesto.

Brás Cubas.

Caderno

Meu caderno é onde me abraço
No forte braço
Amo, calo, suspiro e ardo
Os versos me suplementam
As batidas aumentam

Caderno além mar
Lindo
Inerte a decadência
de qualquer Ciência
Buscando alguma verdade
No burburinho da cidade

O mundo no papel em branco
Não há nada mais terrível que a folha
O papel em branco
Não há nada mais assustador
E escrever é santo remédio contra o tédio
Para acalmar qualquer dor

Caderno, folha, caderno
Paletó, gravata, bravata, terno
Tipo de escritor concreto
Tipo de poetisa que busca no abstrato
A concretude do fato

Fala alto no alto falante
Grita, berra, esperneia, no seio da ama anseia
O desejo de expressão
A vontade de ilusão
Potência d'alma
Açúcar que acalma
Revela o que aclama
O desejo de quem samba
A branca folha no caderno branco do poeta queima sua alma em chamas.

Brás Cubas.

Brilha

Brilham as estrelas
No clarão da lua
Brilham as sombras da sorte
As juras de amor
O jogo da sorte
Brilha o manto de um santo
Brilha a noite
Brilha o dia
O luar ao longe
A dicotomia do homem
É o eclipse ao longe
Brilha a estrela no horizonte fecundo
Brilha a poeira na curva do mundo
Brilha a aurora na tempestade da vida
Brilham seus olhos no olhar da menina
Brilham seus cabelos negros na noite ferina
Brilha o espelho na nossa imagem turva
Brilha o sol envaidecido de se pôr quando nasce a lua
Brilham as ondas do mar sucumbindo à terra
Brilham as gotas de sangue derramadas nas guerras
Brilha a traiçoeira loucura de viver
Brilha a dama da noite tal qual a lua há de ser
Viver e viver e viver
Eternamente branca a luz divina
Que eletriza nosso coração
Embalsamando eternas ilusões
Brilha o ouro da menina dos cabelos louros
Brilha a ideia do louco
Brilha até mesmo o que não deveria brilhar
Brilha o diamante dado pelo amante
Brilha a paz
O amor nessa terra
Brilha o sentimento
Brilha a brisa na constância das areias infinitas
Brilha ao longe uma luz
Um pedaço de certeza
Uma esperança
Brilha...

Brás Cubas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Esboços de poesias - Faça

Nossa Antologia e Outras Bossas

Apresentação:

No blog a poesia começa em ordem de avesso...

Este é um livro sobre banalidades sobretudo de coisas em comum das quais nos humanos compartilhamos. Sem maiores pretensões as poesias, vide Faça, em si tentam revelar-se libertas das amarras e dos flagelos de uma sociedade que é desigual.

Um dia resolvi criar coragem, haja visto que sem ela não se é nem uma fagulha de sujeira...

Parece que o livro começa mais uma vez. É um branco infinito na cabeça do poeta:

Nossa Antologia e Outras Bossas

Segue comentário de Lucila Nogueira: Sim, há potencial. Continuar vivendo e lendo bastante é o caminho. Um abraço.

Grato,

Boa Leitura!

Faça

Faça o que faz o homem sábio ao escurecer
Faça o que faz a moça a todo amanhecer
Faça como o sol que se põe para a lua anoitecer
Faça distintamente o que sempre quis fazer
Faça sua felicidade mesmo na rotatividade
Faça-se de bem comigo por viver
Faça o que tenha dito crer
Faça o feito, ainda que com defeito
Faça com que a dor vire alegria a escorrer
Faça o coração jamais parar de bater
Faça com que Camões não acabe de escrever
Faça com que a vida não se deixe morrer
Faça com que o tempo não corra contra você
Faça do amor o Deus da vida e de cada prazer
Faça o que eu não fiz
Faça como o Arlequim e o eterno aprendiz
Faça a aquarela de giz ou de nanquim
Faça-se enigmático de fronte ao perjúrio
Faça o lúdico
Faça enigmático o que é clarividente
Faça o tambor sempre bater contente
Faça o coração sorrir sempre
Faça alguém feliz
Façamos toda a gente.

Brás Cubas.