segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Hoje eu acordei

Hoje eu acordei com mil vontades
Os olhares e os desejos me davam de ombros
Me tragavam na saudade infinda
Mas que plenitude
Regojizando-me na natureza impura e amoral

Hoje eu acordei calado
Como de habito traguei o cigarro
Mesmo sem dinheiro levei meu alvará
Com a chave do criado mudo trancado
E lá me esperavam mil palavras

Hoje eu acordei para tomar um café e vibrar
Soltar uma gargalhada espalhafatosa
Rir mesmo de tudo e de nada
Até o fígado desopilar

Hoje eu abri os olhos e era noite ainda
A madrugada menina
Não pudera me ninar

Livrei-me hoje de pesadelos
Lavei meus conselhos
Nas ondas do mar.

Brás Cubas.


Axiomas de Prelúdio

Parem de me olhar esdruxulas ondas do mar
Parem de me olhar grãos de areia nesse seu pequenino olhar
Parem o sinal vermelho para berzabu passar
Parem de torcer as orelhas nas paredes para as conversas escutar
Parem de tantas manias e torcicolos ao ver o quadril da mossa passar
Parem tudo que há e o que não existe no limbo
O que é ar e poeira e o que não há
Só não parem a beleza da vida faceira que é de se admirar.

Brás Cubas.

Guy Denning


Axiomas- A sociedade e o escritor

O escritor deve tudo à sociedade e a sociedade não lhe deve nada.

Brás Cubas.