Axiomas de prelúdio
A fera ferida feriu o homem também ferido. Sua ferida era enorme e sangrava. A ferida da fera enorme era, do tamanho do mundo.
A ferida não cicatrizava. A ferida ficava, morava no sangue vivo. A ferida esbranquiçada, estava já enraizada nos confins da fera.
Sua ferida era a sorte de qualquer ferida jogada a própria sorte. A ferida era o forte que era mais forte que o oxigênio que tentara inutilmente em vão fechar a ferida.
A ferida lacrimejava de forma intensa como era imensa a ferida n'alma que o pequeno barco e a oferecida serenata não lhes curou a ferida nata.
A ferida da pátria era nada. O povo já clamava: - Mata! Mata! Por favor! Mata essa ferida que sofre de dor; - Mata essa ferida eremita, esse pranto louvor- Lava a calçada da baquiana com todo estupor.
O sábio sabia.
Sabias de tudo que ele dizia.
Sabias de tudo que o homem queria.
Sabias que de ti o povo todo junto ria.
Sabias de que o sono, teu conselheiro ia.
Sabias que ele se esvaia em vaias que titubeiam.
Sabias que a saia rodada era prendada a menina que dançava.
Sabias que irias me deixar na Primavera enquanto ele cantava quimeras.
Sabias que o velho sábio assoviava como canta o sabiá que era puro cantarolar.
Sabias que a vida é puro desejo, antevejo o nosso musicar, entreolho seu pedido de ar.
Sabias que a ferida viria com o sangue vermelhidão. Puera e solidão no sal do mar e podias me amar.
Sabias que o sentimento crescia já se retorcia em forma de poesia para que nossa felicidade pudesse voar.
Brás Cubas.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Por aí
Por aí
Uma bebida em Macau
No Rio um cartão postal
Nos Emirados os árabes
No Rio o Pão de Açúcar
Na China o ópio
Na Palestina o ódio
O mundo
Pano de fundo
para a paz
No bando o passado do pássaro
Passou
Em Nova Iorque a gente
Muita gente
Gente do mundo inteiro
Em Praga uma saga
Em Veneza a mesa
O capelete
Na Rússia o repúdio
No canto do mundo
Um grito ecoa
E a Andorinha revoa
Brás Cubas.
Uma bebida em Macau
No Rio um cartão postal
Nos Emirados os árabes
No Rio o Pão de Açúcar
Na China o ópio
Na Palestina o ódio
O mundo
Pano de fundo
para a paz
No bando o passado do pássaro
Passou
Em Nova Iorque a gente
Muita gente
Gente do mundo inteiro
Em Praga uma saga
Em Veneza a mesa
O capelete
Na Rússia o repúdio
No canto do mundo
Um grito ecoa
E a Andorinha revoa
Brás Cubas.
Ócio
Ócio
Ócio é delicia
Meu pernicioso e involuntário
Amigo voluntário
Ócio dócil
Ócio estridente
Ócio calado
Ócio é o que eu quero
Ócio é do que necessitam eles
Ócio negócio
Ócio sócio da sociedade
Ócio da modernidade
Ócio do proletário
Ócio amigo meu
Ócio amigo seu
Ócio amigo nosso
Ócio burguês
Ócio do inglês
Ócio grande
Ócio chinês.
Brás Cubas.
Ócio é delicia
Meu pernicioso e involuntário
Amigo voluntário
Ócio dócil
Ócio estridente
Ócio calado
Ócio é o que eu quero
Ócio é do que necessitam eles
Ócio negócio
Ócio sócio da sociedade
Ócio da modernidade
Ócio do proletário
Ócio amigo meu
Ócio amigo seu
Ócio amigo nosso
Ócio burguês
Ócio do inglês
Ócio grande
Ócio chinês.
Brás Cubas.
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