quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Axiomas

A poesia toma o ar sopro dos pulmões do poeta revela o que se espera e o que não se espera. O que se quer e o que não se tem e o que veio, virá, vem e há de ser. Sufoca e liberta. Salve salve a poesia e sua sutil aquarela de cores frias e quentes. Inverno ou verão. Chuva ou sol a poesia namora com minha alma brejeira

Brás Cubas

Axiomas

É equânime a potência da força da mão destra do poeta quando lhe aplica o golpe a folha de papel em branco que é o espanto de qualquer escritor vivaz.

Brás Cubas.

Axiomas

Reza na ladeira menina que o gozo vem do vômito de palavras de tua sina. Desce e sobe a ladeira rodopiando sobre as sombras das árvores arvoredo. Reza o terço sobre o cordel de grão de milhos. Vira a cabeça e responde de dentro do estômago a resposta que de ti se espera, dá de ombros e se vá.

Brás Cubas.

Axiomas

Não tente especular a minh'alma e sua profundidade. Eu sou o mar que quebra no rochedo. Eu vou e venho. Se você me seguir é melhor se preparar. Não entre no meu particular sem saber nadar mares bravos você pode se afogar

Brás Cubas.

Axiomas

Conhece cada esquina donde moram os poetas e as suas veias, elas correm nos becos escuros dos uivos dos animais. Atenta para o que é certeiro pois o erro só vê defeito no que não faz. Desfaz as malas e habita o chão que pisa. Acautela-te com as feridas vivas no chão do povo em quem quer pisar.

Brás Cubas

Axiomas

Ainda bem que a vida já me lambeu os beiços hoje e dela já gozei o máximo da experimentação das palavras. Palavra tua. Palavra minha. Quero você palavra na língua alheia. Quero a pimenta queimando em brasa. Sou mar e o fogo aceso na lareira. Sou o vento que te sopra os murmúrios aos teus ouvidos surdos. Sou no fundo o eco que grita em tua alma banida do meu paraíso.

Um sábio disse uma vez que é melhor amar do que ser o objeto de desejo do outro. 

Brás Cubas.

Axiomas de prelúdio

Pátria minha

Oh! Os ares do teus ais pátria livre

Pátria minha
Que na minha mão em golpe presto e duro se desfaz
Cerra teus punhos firmes e os empunha
Indagas, rainha, pátria minha
Por que os apátridas
Teus filhos bastardos
Não fogem à luta
Ainda que anestesiados ainda durmam
Em teu seio esplêndido
No balanço do teu berço
Que é balançado com teu braço forte
Indagas com a adaga
Por que as pílulas mágicas já não fazem mais efeito
Quem pudera ser seu leito a derradeira farroupilha
O trampolim dos farrapos velhos
E dos sábios
Vinde a mim beber nas fontes murmurantes
Vinde a mim pintar sua aquarela de cores
Fostes tu embora no teu céu azul-anil
No amarelo ouro
D'ouro escravo
A chibata no lombo do paspalho
Eu já me abro em sorrisos
Abre tuas pernas ainda que uma vez só para mim.
Já que todos gozam de ti
Deixa um filho teu também gozar de ti.


Brás Cubas.