segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Poemas sem nome



Nathan Hervieux

tua mente torpe e rasa
inda naufraga
inda solta rajadas
inda que canoa furada
inda que chão sem estrada
inda que a lua de prata
incinere minh'alma
é que que a saudade rasgada
deu para voar no meu canto
é que no meu leito
inda te vejo
sempre que me deito
é que a tua ausência
se fez permanência
eloquente
é que o meu colibri
já não voa por aqui
meu jardim sorri
quando o pólen
cai do bico do bem-te-vi
é que tua mente é solidão
e me devora a passos lentos
é que o meu desalento
se pôs a iludir
inda que a calma desague
o rio e a margem
não findam por aí
e quiça você veja
inda que furtiva
minha mente vazia
cheia de nossos retratos
é que o pedaço que falta
quebra- cabeça que encaixa
no quadrado desse lamento.

Brás Cubas.