sexta-feira, 14 de março de 2014

Tenho

Tenho

Tenho sede dos teus potes d'ouro
Tenho sede dos teus segredos mais profícuos
Tenho fome do seu íntimo
Tenho perda de visão quando te vejo
Tenho o coração em coroa de espinho
Tenho a cabeça em teus pensamentos
Tenho a dor do teu parto
Tenho a dor de partir
Tenho a fome dos anjos que te cercam
Tenho o mar e a montanha em luta reversa
Tenho a inspiração mãe de toda essa beleza
Tenho a meiguice do teu despertar
Tenho fome de te olhar
Tenho mais é que te admirar
Tenho tudo
Mas não tenho você.


Brás Cubas.

Axiomas

Em brasa em breve a cama me chama, com seus lençóis vazios sem copro nem alma.

Brás Cubas.

Será que é cegueira?

Será que é cegueira?

será que é vislumbre do naufrago
será a visão torpe dos apetados
será enfim o cavalo alado

será que o amor parece ter ficado a léguas de distância
por puro medo
por puro esmero d'alma amada

será que é o medo que revela o sonho
será que o hipopótamo não é mais na selva risonho

será a selva dos pilantras um lugar comum
será que do homem foi tirado o direito de tentar
será
será

será que dos coregos dos rios não corre mais a água
será que de mim tu te afastas?

Brás Cubas.
O sexo relincha nos corpos vazios.

Brás Cubas.

Eu no mar navego

Eu no mar navego

eu no mar navego com as maresias do olhar
eu no mar me cerco d'água do mar
eu no mar me salgo com a água do mar
eu no mar celo o fim do penar
eu no mar sou o que espero o desejo de esperar
eu no mar fui peixe voador em busca do amor

eu no mar
eu estava lá
queria sair
queria voltar

era eu no mar.

Brás Cubas.

Poemas sem nome

Quem deveras achar procura
No escuro d'alma
Água calma

Quem deveras procura 
o que não acha
e quando se acha
os beiços lambe

a vida assim é
é pra quem dela goza
não pra quem quer

Brás Cubas.