Axiomas de prelúdio
A fera ferida feriu o homem também ferido. Sua ferida era enorme e sangrava. A ferida da fera enorme era, do tamanho do mundo.
A ferida não cicatrizava. A ferida ficava, morava no sangue vivo. A ferida esbranquiçada, estava já enraizada nos confins da fera.
Sua ferida era a sorte de qualquer ferida jogada a própria sorte. A ferida era o forte que era mais forte que o oxigênio que tentara inutilmente em vão fechar a ferida.
A ferida lacrimejava de forma intensa como era imensa a ferida n'alma que o pequeno barco e a oferecida serenata não lhes curou a ferida nata.
A ferida da pátria era nada. O povo já clamava: - Mata! Mata! Por favor! Mata essa ferida que sofre de dor; - Mata essa ferida eremita, esse pranto louvor- Lava a calçada da baquiana com todo estupor.
O sábio sabia.
Sabias de tudo que ele dizia.
Sabias de tudo que o homem queria.
Sabias que de ti o povo todo junto ria.
Sabias de que o sono, teu conselheiro ia.
Sabias que ele se esvaia em vaias que titubeiam.
Sabias que a saia rodada era prendada a menina que dançava.
Sabias que irias me deixar na Primavera enquanto ele cantava quimeras.
Sabias que o velho sábio assoviava como canta o sabiá que era puro cantarolar.
Sabias que a vida é puro desejo, antevejo o nosso musicar, entreolho seu pedido de ar.
Sabias que a ferida viria com o sangue vermelhidão. Puera e solidão no sal do mar e podias me amar.
Sabias que o sentimento crescia já se retorcia em forma de poesia para que nossa felicidade pudesse voar.
Brás Cubas.
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