quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Axiomas de prelúdio

Axiomas de prelúdio

   A fera ferida feriu o homem também ferido. Sua ferida era enorme e sangrava. A ferida da fera enorme era, do tamanho do mundo.
   A ferida não cicatrizava. A ferida ficava, morava no sangue vivo. A ferida esbranquiçada, estava já enraizada nos confins da fera.
   Sua ferida era a sorte de qualquer ferida jogada a própria sorte. A ferida era o forte que era mais forte que o oxigênio que tentara inutilmente em vão fechar a ferida.
   A ferida lacrimejava de forma intensa como era imensa a ferida n'alma que o pequeno barco e a oferecida serenata não lhes curou a ferida nata.
   A ferida da pátria era nada. O povo já clamava: - Mata! Mata! Por favor! Mata essa ferida que sofre de dor; - Mata essa ferida eremita, esse pranto louvor- Lava a calçada da baquiana com todo estupor.

  O sábio sabia.
  Sabias de tudo que ele dizia.
  Sabias de tudo que o homem queria.
  Sabias que de ti o povo todo junto ria.
  Sabias de que o sono, teu conselheiro ia.
  Sabias que ele se esvaia em vaias que titubeiam.

  Sabias que a saia rodada era prendada a menina que dançava.
  Sabias que irias me deixar na Primavera enquanto ele cantava quimeras.
  Sabias que o velho sábio assoviava como canta o sabiá que era puro cantarolar.
  Sabias que a vida é puro desejo, antevejo o nosso musicar, entreolho seu pedido de ar.
  Sabias que a ferida viria com o sangue vermelhidão. Puera e solidão no sal do mar e podias me amar.
  Sabias que o sentimento crescia já se retorcia em forma de poesia para que nossa felicidade pudesse voar.

Brás Cubas.

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